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quinta-feira, 29 de novembro de 2018

BANCO DA PRAÇA



                            Havia anos que não estabeleciam contato. Os motivos são os mesmo que todos enfrentam. Correria do dia a dia; tempo escasso; desconfortos em geral ou mesmo motivos diversos e indefinidos, os quais, todavia, somam e contribuem pelo hiato que se fixou.

                            Aleatoriamente e imprevisivelmente aconteceu um furtuito encontro no banco de uma das praças centrais da cidade. Aliás, cidade de interior tudo acontece na área central. Desde as promessas de riqueza até as “apresentações” circenses de veículos e motos, passando, é claro, por encontros como o que de agora retratamos.

                            Como de praxe, quebrando o gelo num sol escaldante, conversar sobre tempo é uma boa porta de entrada. Será que vai chover? O calor está insuportável. Disseram que vem uma “chuva de pedra” por aí. Tudo retórica frente ao conhecimento que ambos tinham, um do outro.

                            O ser humano é pródigo em vieses e subterfúgios de vernáculo. Faz uma volta para chegar no mesmo lugar. Fala, fala e ao final se não tivesse falado a maioria das palavras, nada mudaria quanto os objeto e objetivo da mesma fala.

                            Mas trocaram amenidades preliminares. Avançaram com pequenas inserções por campos pré-minados. Foram indo até que chegaram naquele ponto; que provavelmente foi o motivo pelo qual sustentou aquele dito hiato ou espaço de tempo em que não mais se falavam.

                            Houve recuos pontuais baseado na educação. Porém, como sempre acontecia, na medida em que expunham ideias e fatos, cada um com sua ótica, lógica e razão, a tensão se espalhava no ar e tornava cada palavra uma arma em ataque ou contra-ataque, onde a margem de segurança, baseada exclusivamente na mesma educação, estava perdendo força.

                            Ninguém recuou, até agora.

NO FIM

                            Vai continuar.




PUDE VER



                            Quando estive em Pompéia (ou Pompeii) tinha um foco especial: sentir “in loco” a energia do anfiteatro no qual Pink Floyd gravou, sem plateia, “Live At Pompeii”. Especialmente, lá dentro, no núcleo da arena, escutar “Echoes”.  Eu consegui.

                            Não há nada parecido.

                            Sempre advoguei a ideia de que a minha geração, além de ter sido concebida num dos períodos mais nefastos da nossa história, foi agraciada com a melhor trilha sonora que já foi produzida. O mundo estava desorientado. Esse foi o estopim. O melhor somente foi, porque o pior estava presente.

                            Toda a arquibancada obrigatoriamente vazia; as duas entradas por onde leões e humanos passavam em cada espetáculo; os gritos que não ouvi, mas que enxerguei em todos os lados. Enfim, tudo aquilo que é arte e que o é porque a vida, sozinha, não nos satisfaz.

                            Hoje, no dia em que escrevo esta coluna, irei assistir ao show do Roger Waters. Outrora já vi David Gilmour. Ou seja, estarei novamente sob as pedras; sob os muros, no lado escuro da lua e dentro daquilo que compreendo como algo de mais caro de um ser humano. Simplesmente tentar ser um.

                            Levarei e experimentarei sentimentos, sensações e, sobretudo, a alegria de poder ver e ouvir algo muito além. Quero realmente experimentar o verdadeiro eco da sinergia que estará presente. Será mais um momento único.

                            Talvez você que lê esse texto tenha pensado noutras coisas. Em outras experiências que poderá lhe proporcionar um estado de quase plena felicidade. Somos todos assim. Cada um de nós, dentro de nossos mundos, de nossas prioridades e escolhas, buscamos tentar amenizar tudo aquilo que a existência nos traz à provação a todo o momento.

                            Quem irá ao show estará em muitos lugares.

NO FIM

                            Estar vivo! Esse é o fato.



LIÇÕES


                  No livro 21 Lições para o Século 21, do historiador israelense Yuval Noah Harari, é renovada a discussão sobre tecnologia e ética.

                             O exemplo, porém, é novo:

                            Num futuro próximo (ou antes) teremos veículos guiados por algoritmos. Ou o automóvel será dirigido por um sistema onde o proprietário não passará de um passageiro. A sequência de regras conduzirá o veículo sem a participação ordinária do proprietário ou do conduzido.

                            Pois bem. Imaginem esta situação: o veículo está transitando em uma via, o passageiro dormindo no banco traseiro, e repentinamente um menino atravessa na frente indo atrás de uma bola. O sistema está preparado para que o veículo desvie do menino ou não o atropele. Entretanto, eventual desvio levará o veículo à via contrária e inevitavelmente atingirá um caminhão que vem em sentido contrário, condição que igualmente de forma inevitável comprometerá a vida do passageiro.

                   Aí nasce o problema: o veículo desvia do menino e compromete a vida do passageiro? Ou, para preservar a vida deste, atropela o menino?

                            Qual o limite da ética nesta condição?

                            Como estamos falando de um sistema, segundo o autor, ao adquirir um veículo, na loja, poderemos optar, em caso de situações como a relatada, por um que venha com algoritmo que esteja programado para desviar do menino e salve sua vida; ou outro, que não desvie e salve a nossa.

                            Qual a sua opção?

                            Não devemos esquecer, digo eu, que a ética e o egoísmo nem sempre são coirmãos.

NO FIM

                            É fácil?

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

SOBRE VINHOS




                            Enquanto ainda podemos livremente escrever sobre as nuances da vida, nossas posições e predileções, estamos livres. A concordância, ou não, é exatamente o sentido de todos poderem se expressar e conjuntamente evoluir. Tirando a fauna e a flora, podendo agregar a tudo o privilégio da natureza que nos rodeia, não sobra muita coisa. Muito provavelmente quase nada.

                            No limiar da tolerância, lá no último degrau, já no estágio onde tentamos nos convencer que é preciso sempre considerar, respeitar as opiniões diversas, o contraponto, há também um limite. E este é intransponível.

                            Em mais uma dessas noites primaveris, onde o vento ainda gélido teima em não deixar ninguém sossegado ao banho do luar, pesquisando sobre as carreiras de minha estante de livros, encontro farto material, depositado por anos, que permaneceu num espaço pouco visitado. Estava lá em posição idêntica àqueles países que lutam para conseguir uma simples medalha de bronze durante toda uma olimpíada. Ou seja, apesar do conteúdo de suma importância, estavam adormecidos, como que praticamente material de museu.

                            Entretanto, como qualquer região propensa a vulcões, temporais ou tsunamis, eles emergem do quase nada para o praticamente tudo. Eles estão de volta. E pior: avalizados.

                            Realmente, até sob outros vieses, 1968 não acabou. Zuenir Ventura ensinou. Não aprendemos. Somos espécie que enfrentará um longo passado pela frente. Virou clichê. Virou realidade. Como a marcha de carnaval inversa, este é um país que não vai para frente.

                            Ah, o vinho! Bebericava naturalmente um prazeroso tinto. Nada extraordinário, à exceção da clareza do reflexo que os títulos das obras revisitadas emergiam sob a taça. Outrora, o tinto era tão denso que essa luz não penetrava.  Não era possível então ultrapassar. Não havia mais obras. Não havia mais reflexo.

NO FIM

                            E isso que era um Tannat.

PEPE



                            Nesta semana assisti o filme Uma Noite de 12 anos, o qual retrata a história real do período em que José Alberto Mujica ou simplesmente Pepe Mujica, juntamente com mais dois amigos, passaram nos calabouços então existentes no Uruguai.

                            Pepe, pertencente ao grupo Tupamaros, o qual lutava contra a ditadura no país vizinho, foi recolhido primeiramente ao cárcere. Logo em seguida passou de preso à refém do Estado. E a partir de então, em tal condição, experimentou doze anos de sua vida sendo transferido entre calabouços. Estava preso, mas não era somente um preso.

                            Dentro do Estado de Direito e dentro de um Estado Democrático, a lei deve ser cumprida. Acho que com isso todos concordamos. Cometido um crime, seu protagonista deverá ser punido. A punição poderá ser o cárcere. Agora a punição poderá ser a sistemática degradação do ser humano? A tortura, os choques nas genitálias; a extração de dentes sem anestesia; pau de arara; ausência de comida, de água ou mesmo local para fazer as necessidades básicas, é cumprir pena?

                            Não se trata de propagar a impunidade. Longe disso. Criminoso terá que pagar sua dívida com a sociedade. A regra é essa. Agora ultrapassar os limites impostos pela lei, torna os torturadores tão criminosos quanto o próprio criminoso.

                            Bom, enquanto se tratar dos outros, tudo bem! Agora se isso acometer “um dos nossos” um dia, talvez possamos mudar de ideia. Talvez.

                            Pepe ficou 12 anos como um refém. Não enlouqueceu por intervenção de sua mãe, que lhe procurou muito tempo entre as “prisões” até que finalmente o encontrou. Deu-lhe de presente um simples penico, utensílio que ajudou a salvar a sua vida. Uma coisa qualquer ou um ato singelo, para quem não tem nada, nem dignidade, pode ser tudo. Até ser utilizado como um vaso de flores.

NO FIM

                            Enquanto em nós não doer, a dor alheia será somente mais uma dor.



DOUTOR JOÃO PEREIRA NETO




                            A semana termina com tristeza. Faleceu meu amigo e colega Dr. João Pereira Neto. Vinha há algum tempo lutando em mais uma causa, certamente uma das mais importantes de sua vida, que foi combater a enfermidade que o acometeu.

                            O Dr. Pereira sempre foi um advogado na essência do termo. Otimista, corajoso, inteligente, perspicaz, reunindo os predicados todos que o fizeram um jurista respeitado.

                            Seu terreno preferido, confessou-me certa vez, era o direito criminal. De maneira especial o Tribunal do Júri, de onde por vezes desfilou suas teses articuladamente preparadas para combater injustiças e buscar o bom direito.

                            Era daqueles tribunos à moda antiga, clássicos. Daqueles com capacidade incomum de emocionar pela disposição de uma frase ou uma simples palavra. Daqueles, meus amigos e amigas, advogados que talvez não existam mais.

                            Tinha igualmente um lado humano ímpar. Lembro-me, como prova disso, que iniciando na profissão, e isso lá se vão anos, encontrei o Dr. Pereira pelos corredores forenses ainda da Av. Afonso Pena e ele, numa gentileza incomum, passou a discorrer palavras de estímulo para aquele iniciante, observando em cada frase a riqueza da profissão que escolhemos. Nunca mais esqueci.

                            Sempre falava de sua esposa e, sobretudo, de seus filhos. Tinha orgulho de que todos seguiram a carreira jurídica e vinham galgando sucesso. Foi um pai apaixonado.

                            Falamos diversas oportunidades sobre ser advogado e especialmente o ser em nossa Cidade. Contou-me diversas passagens, algumas incríveis, outras hilárias, sendo então uma das memórias vivas da história forense de Lagoa Vermelha e região. Conversamos, juntamente com seu Filho, Dr. Luiz Fernando, sobre catalogar e de alguma forma registrar tudo. Não conseguimos nos encontrar para fazer isso.

                            A vida é sim um sopro. É como um livro. Temos as páginas iniciais e as finais. Fechamos o livro e está encerrado. Porém, para pessoas como o Dr. Pereira o legado sobreporá ao encerramento das páginas. Ficará sim vivo no coração de seus familiares e amigos.

                            Sempre gostei muito dele.

NO FIM

                            Minha solidariedade aos familiares. Faço, pedindo licença, em nome do amigo Dr. Luiz Fernando.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

TEMPOS ESTRANHOS?



                            Em períodos férteis para as notícias falsas, ou, para alimentar palmas à língua opressora, das fake news, tudo pode acontecer, inclusive, para não dizer especialmente, a utilização dos profissionais da área que alimentam “informações” que são utilizadas pela massa de manobra, que são àqueles ventríloquos de qualquer coisa, desde que essa “coisa” seja de seu interesse.

                            Hoje temos intelectuais, sociólogos, juízes, advogados e toda uma gama de filósofos que se apresentam especialmente em redes sociais. Emitem opiniões variadas, sem inclusive ter vergonha do que dizem e do limite entre o certo e o errado, a partir de comezinha razoabilidade ou do bom senso.

                            É o chamado vale tudo! Vale, aliás, até bomba, como dizíamos todos nos antigos torneios de futebol por este interior a fora. Vale bomba, dedo no olho e até algo mais forte, desde que seja do meu time.

                            Se desenrola uma campanha política, curta e, em tese, econômica, que resta caracterizada exatamente pelo destempero, pela ignorância enraizada e pela cristalina utilização daquela já dita massa de manobra, que ao final entende estar fazendo algo especial ou simplesmente descarregando uma represada energia baseada exclusivamente no ódio.

                            Estamos sim no odiando. Nas esquinas, nas repartições, nas escolas, nos tribunais, nos colégios, nas famílias, dentro da nossa própria casa. Onde fomos realmente parar?

                            Não sei o limite. Não sei se ele efetivamente existe. Sei sim que a polarização chegou a um patamar que a solução deixou há muito de ser no campo das ideias, dos ideais e busca do bem da vida. Agora ou é a fogo ou a ferro!

                            Não esqueçamos, por último, quem são os fomentadores disso tudo. Quem são os apresentados como salvadores de uma pátria em frangalhos. Quem tem a “solução mágica” para os problemas que diariamente alimenta.

NO FIM

                            O que será disso tudo?

A CHUVA



                            Períodos bélicos/nostálgicos levam a recapitulação de fatos e acontecimentos. Lembrei, por algum motivo não definido, do periódico “A Chuva”. Lembram dele?

                            Vejam que nada passa incólume. Em recente pesquisa no Google encontrei menções sobre jornais que já circularam em Lagoa Vermelha e na região. E entre os quais, para minha agradável surpresa, encontrei referências ao jornal ‘A Chuva”, o que me deixou surpreendentemente vaidoso.

                            Foram poucos anos e exemplares, mas Graxaim das Coxilhas, Herman N. da Silva, Necitta Caixa Alta, Fiódor Pávlovitch, DuffFlea, Diogoção e Alzaimer, marcaram época.

                            Talvez se aproxime o momento do retorno do “pasquim” dos campos de cima da serra. Vai que tudo isso se materializa. Estou torcendo, como sempre.

FRIO E A INTROSPECÇÃO

                            Já debatemos por aqui. O frio é sinônimo de inevitável recolhimento e, por consequência, de introspecção e ausência de senso coletivo. O frio nos deixa sisudos. Ficamos não tão bem-humorados e procuramos organicamente na gastronomia nosso sossego.

                            Da estética do frio, como diz o Ramil, para o companheirismo que emerge dos estalos contagiantes de um fogo à lenha.

                            Vamos passar por esse também.

COMIDA PREFERIDA

                            Não tem jeito. Não é churrasco, carreteiro ou mesmo a polenta. A minha comida preferida, mesmo que isso não altere em absolutamente nada e não represente igualmente nada além do meu paladar, é a massa. E a com calabresa, regada a generosos temperos a partir de alho e óleo. Fazer o quê?

NO FIM

                            Sopa de agnolini e molho com pão nunca deve ser desprezado.  
                           

MISTÉRIO E AVENIDA PRINCIPAL



                            Inegavelmente a avenida principal de nossa cidade tem uma visão urbanística elogiável. Diria mais. Foi projetada de maneira extremamente inteligente. Avenida larga e com uma praça em sua extensão igualmente em proporções extraordinárias.

                            Aliás, talvez muitos não saibam, correu a notícia, há bons pares de anos passados, que o Luiz Antônio Assis Brasil, reconhecido escritor gaúcho, quando em visita em nossa terra foi enfático: só vi praças nestes moldes em Paris! Evidente que pode ter sido um exagero. Mas não deixa de registrar a excelência da via e o reconhecimento de quem a projetou.

                            Hoje vejo corte de árvores em nossas praças centrais de maneira sistemática. O que ouço é que tudo faz parte de um estudo de revitalização. Confesso que desconheço detalhes e mesmo quem foi o protagonista da ideia. Igualmente desconheço os termos de tal estudo/projeto. O que acho, todavia, é que, mesmo considerando que algumas espécimes causem prejuízo nas calçadas, em dias ventosos, etc., a extração é o ponto final da linha.

                            E neste aspecto vejo que alguns passos podem ter sido atropelados. Primeiro, o trabalho teve início há anos; portanto, não se trata de uma questão pontual, mas de uma continuidade; segundo, não presenciei uma discussão mais aprofundada com a comunidade sobre a forma e o procedimento de retirada de árvores e, eventualmente, recolocação de outras. E para aqueles que podem pensar que tal procedimento independe do aval da população, os digo: tecnicamente até pode ser verdade; entretanto, considerando o sentido coletivo, a importância do debate e, sobretudo, o respeito às origens, entendo que o pragmatismo neste aspecto é relativizado mortalmente.

                            Assim, pensando em nossa “pequena Paris”, confesso que fico desconfortável com tal procedimento. Poderia ser de outra forma. Mas talvez o que escrevo não tenha qualquer eco.

NO FIM

                            Poderia ser diferente.

LEMBREI DO RAUL



                            Dia desses estava eu aguardando o eclipse, o qual, aliás, não vi, e, por isso, não apostaria em sua presença, apesar de muitos alertarem ter aparecido, subitamente pensei no Raul. Sim, no Raul Seixas!

                            Disse ele muitas coisas em sua farta obra musical. Entre tais cantou “O dia em que a terra parou”. Seria neste dia em que ninguém faria nada, sairia de casa; nem mesmo para comprar pão, ir à missa ou promover qualquer ato.

                            Raul era visionário. Somente teve um pequeno equívoco quanto disse que isso seria “um dia”, ainda mais para nós, os brasileiros.

BEATLES FORAM OS MAIORES

                            Nunca tive dúvida. Porém, agora tendo assistido os dois últimos documentários sobre os Beatles tenho certeza de forma absoluta (existe isso?), que eles foram (e ainda são) os maiores. Aliás, muito maiores.
                            Por exemplo: um dia, há muito tempo, cheguei ventilar a possibilidade de comparação com Rolling Stones. Mas não há como. É muita distância. Aliás, os Rolling Stones e todos os demais somente existiram em sua plenitude porque haviam os Beatles. Todos partiram deles.

                            Perdoem-me, para utilizar um recurso cristão, àqueles que discordam. Os Beatles, juntos ou separados, não há a menor comparação. Aceitem, amigos!

CAROL

                            Semana que passou experimentei especial momento em minha já não tão curta existência. Estive na formatura de minha filha Luiza Carolina ou simplesmente da Carol. Compartilho minha alegria. Foram espaços ímpares e de grande emoção. Parabéns, filha!

NO FIM

                            Claro que não esqueci do Bob Dylan ou da minha predileção sobre todos: Led Zeppelin. Isso, entretanto, é outro papo.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

VOTAR PARA PRESIDENTE



                            Se avizinha mais uma eleição para também escolhermos nosso próximo principal mandatário ou o Presidente da República.

                            Os pretendentes já são conhecidos. E se não houver qualquer surpresa (sempre é possível) os nomes são exatamente os alardeados por aí, com exceção de Lula, que pela legislação vigente está impedido de concorrer.

                            Pois bem. Tenho acompanhado atentamente os candidatos, principalmente suas recentes entrevistas, agora em tal condição. Tal situação, aliás, que me parece uma obrigação de todo o eleitor. E ao mesmo tempo que percebo pessoas preparadas para o debate, vejo outros que não passam de uma piada e de extremo mau gosto.

                            Assisti, nesta semana, uma sabatina característica do jornalismo atual: ataque principalmente à pessoa e, se der tempo, perguntas sobre suas ideias e propostas.

                            Desta verdadeira armadilha só sobrevivem os que têm um mínimo de conhecimento em áreas básicas. Os demais, como o entrevistado que vi, que somado ao seu total despreparo e total ignorância, mostrou claramente desconhecer fatos basilares de nossa história, de nosso povo e, por consequência, dos mais comezinhos conceitos do que é em verdade o Brasil, sucumbem vergonhosamente.

                            A batida retórica de ser buscado um “salvador da pátria” a partir do que ele diz, ou seja, exatamente o que muitos querem ouvir, sem, no entanto, buscar a informação sobre a possibilidade do que é dito efetivamente ser possível de realização, reputo eu, como o maior perigo que ronda nossa quase ferida de morte democracia.

                            Corremos o risco sim de tudo ficar pior do que já está. E vejam, meus amigos e amigas, eu também achei que pior já estava em nossas vidas com o atual desastre que nos comanda.

NO FIM

                            Só para esclarecer que a eleição é da República do Brasil e não, como muitos ainda pensam, de “Curitiba”.



POLENTA E MOLHO



                            Nossa origem é a base condutora de todo o caminho. Quem foi criado com iogurte, chocolate quente e brioches teoricamente já nasceu em caminho pavimentado, ou, ao menos, menos nebuloso. Outros, onde me incluo, que a travessia original veio regada a pão caseiro, chimia, geleia, e, além das massas, a clássica polenta com molho, via de regra, foi enfrentada alguma estrada de terra e muitos quebra-molas.

                            Vejam que não há aqui qualquer preconceito, em absoluto. Cada um em seu quadrado e em sua realidade. Aliás, em tal quesito “preconceito”, provavelmente traduz o sentimento mais desprezível que advém de um ser humano. Mas hoje nossa “conversa” é outra.

                            Todos estamos no mesmo barco que se chama Brasil. De uma forma ou outra, quem por aqui está, dependemos de um timoneiro. Será ele da turma do iogurte ou da polenta? Talvez de ambas. O certo é que alguém será e logo. Estaremos na mão do quem terá como norte repartir, ou quem vende um sonho de que tudo poderá ser resolvido ao final com a violência. As cartas estão sendo lançadas e os balões de ensaio são todo o dia postos à prova.

                            Vocês já pensaram nas consequências de uma escolha, uma opção não racional, mas alicerçada na emoção vinda de uma terra considerada arrasada?

                            Caberá aos do iogurte com mel aos da polenta com molho feito de galinha caipira as consequências. Além disso, e pior, é que os filhos, netos, de todos, experimentarão o resultado nefasto de uma eventual escolha baseada no egoísmo, no preconceito e na turva visão de um salvador, ao invés de um condutor de ideias e de ideais.

                            Nesse turbilhão lembrei da minha avó Normélia e toda sua ritualística na preparação da iguaria a qual fomos todos nós, de lá, criados. Lindos tempos! Perigosos tempos!

NO FIM

                            Não esqueçamos também da alface e, sobretudo, do radite, mas o clássico, em detrimento dos crótons, sem preconceito.

FORMATURA



                            Parece que foi ontem que tudo começou. Mas o fato é que a Carolina está se formando em Direito. Soma-se ao Micka em tal condição e aguardam a Thaís que vem na sequência à passos largos.

                            É interessante a dinâmica da vida. Nossos filhos estão pequenos, ingressam na escola, com lancheira e leite com chocolate, uniformes, e seguem os anos. Aí quando nos damos novamente conta do tempo, por tal ótica, estão no vestibular. Mais um pouco ingressam na universidade. Começa uma nova fase que se extingue também rápido. Não parece pelo viés dos boletos, mas é tudo muito célere.

                            Hoje parabéns a ela.

FRANÇA

                            No grupo do “charque” apostei, antes de iniciar a Copa, na vitória da França. Fui o único que assim o fez. Não torci para a França, mas todos sabemos o resultado final. Ficam todos os vinhos para serem degustados pelos atletas etílicos desta reunião mensal. Pena que alguns números que poderiam me auxiliar de alguma forma eu nunca acertei.

BRASIL

                            A equipe brasileira não passou de razoável, tipo nota 6,5. Patamar, aliás, que nunca deixou de ser o seu nos últimos tempos. O técnico Tite é um grande chato. Parece mais um palestrante de autoajuda do que técnico de futebol. Claro que tem méritos e conhecimentos, mas aquela unanimidade toda era e foi enganadora.

                                      Não esqueçamos: hoje faz 16 anos e farão 20 anos na próxima Copa do Mundo que o Brasil não levanta a taça.  

NO FIM

                            Tudo fica a cada dia mais fora dos trilhos. Lembram do rompimento institucional?



OS JAVALIS



                            A partir de uma ação profissional, técnica, preparada em detalhes, inteligente e cirúrgica, todos os meninos, junto com o professor, foram retirados com vida de uma caverna na Tailândia.

                            O mundo inteiro estava angustiado. Não se tinha qualquer certeza. Poderia dar certo, como deu; porém igualmente havia o risco de que tudo resultasse em tragédia.

                            Tudo foi realizado com discrição. As informações durante o resgate nunca eram precisas. Definida a estratégia foi seguida, sem alarde ou espetáculo midiático. Deu tudo certo. Parabéns!

HABEAS PARA LULA

                            Deixando a conversa de bar e as manifestações em geral, sob todos os prismas, quer seja ideológico, terrorista ou de ódio, de lado, o fato é que ocorreu uma sucessão lamentável e um espetáculo onde o judiciário se apresentou como infeliz protagonista.

                            É definitivamente surpreendente o desrespeito a decisão de um juiz de plantão, o qual, para todos os efeitos, naquele momento é o próprio tribunal. Se a decisão está certa ou errada, considerando o entendimento de qualquer interessado processualmente, o caminho é pura e simplesmente um recurso, como acontece diuturnamente nas lides forense.

                            E aqui não s  trata de reconhecer ou concordar com a decisão tomada no mérito. O fato é que uma decisão e por isso deve ser cumprida enquanto não seja eventualmente reformada. O sistema é assim e o é, ou ao menos deve ser, para todos.

                            Mas o nosso trem desgovernado atinge até instituições que outrora pareciam imunes a determinadas situações.

                            O Estado Democrático de Direito está sangrando.

NO FIM

                            Teratológico é o que se transformou este país.                                                



quinta-feira, 5 de julho de 2018

MÁQUINAS



                            Quando iniciei no mundo jurídico, como estudante no já distante ano de 1990; como estagiário em 1993 e finalmente como advogado em 1995, a realidade era muito diferente.

                            Poucos escritórios tinham “máquinas elétricas” e muito menos ainda computadores. A tônica, inclusive nas repartições públicas, como sala de audiências, era a máquina de escrever dita “manual”, ou seja, sem qualquer recurso a não ser a folha, o carbono e a destreza do escrevente.

                            E aqui lembro, e faço um parêntese, do querido amigo e saudoso Carlinhos Moreira, que também foi um exímio gaiteiro, mas em sua atividade, junto às salas de audiência ou tribunais de júri, desfilava uma capacidade incrível de realizar o ato conhecido como “bater máquina”.

                            No fórum havia os escaninhos para cada um advogado, os quais, quando demoravam a comparecer junto ao prédio, eram tranquilamente chamados para tanto e nos balcões realizavam suas intimações, sem qualquer outra forma. Esta era a única forma!

                            Tudo era, como dito, manual, inclusive cargas de processos ou cálculos de custas. A dinâmica era cadenciada. Não havia obviamente celular e muito menos e-mail. O máximo que se conhecia, depois de certo tempo, era o fax, aparelho que realmente fez uma revolução nos atos e nas ações de um modo geral.

                            Os livros eram usados. Não havia o “pessoal do Google” trabalhando sobre tudo a todo o momento. Tinha sim que pesquisas em obras (ainda continuo fazendo isso) e aguardar os exemplares das assinaturas que traziam a jurisprudência mais atualizada.

                            Realmente eram outros tempos. Mas cronologicamente são tempos até recentes, pois a verdadeira revolução no âmbito tecnológico foi potencializada talvez há aproximadamente 15/20 anos e não mais do que isso.

                            Agora está em fase final um sistema baseado num programa chamado (por azar) “Victor”, o qual será responsável, até onde pude entender, por fazer a triagem de processos nos tribunais, sobretudo, quanto a admissibilidade e trânsito de recursos, sob o comando humano, porém sem a análise efetivamente humana.

                            É isso!

NO FIM

                            Disse Chaplin: “Não sois máquinas! Homens é que sois!