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sexta-feira, 28 de março de 2014

MATÉRIAS






 


                                      No último roda de conversa veio à lembrança um poema, simples, porém bonitinho, que diz assim: não existe canção antes de ser cantada; não existe sino antes de ser tocado; não existe amor antes de ser doado.


 


                                      Que alegria “ser tocado” por algo tão simples e ao mesmo tempo tão extraordinário.


 


                                      Conversamos na oportunidade sobre a vida, sobre as relações e sobre o meio em que estamos e vivemos. A conclusão, como sempre, é a mesma: como perdemos tempo na vida e pela vida.


 


                                      Caminhamos por “carreiros” espinhosos, como a morte, a perda, o suicídio e a vontade de que tudo poderia ser de certa forma, diferente. Mas, também gravitamos por estradas menos conflituosas, como a busca do amor em coisas simples, aliás, muito simples (que palavra).


 


                                      Lembramos, ou talvez eu lembrei-me e nem falei, de que podemos ser como a chuva (excetuando este período especial de tempestades), que tem aparições raras e pouco entendimento. Ou como o sol, tão perseguido e ao mesmo tempo por vezes tão nefasto.


 


                                      Seguimos e não perdemos o foco. Tudo é muito real, retorno. E porque a simplicidade nós é tão cara? Por qual motivo não conseguimos sustentar tudo aquilo que constatamos regularmente que está certo ou que está errado. Provavelmente seja a busca da verdade. Mas o que é verdade?


 


                                      Poderia fazer como Norman Lewis (A Máfia no Poder), onde as galinhas foram utilizadas para o encontro definitivo com a morte daqueles que a perseguiam, nos outros.


 


                                      Isso, eu sei, é outra estória.


 


NO FIM


 


                                      Sejamos todos.

ARTE DA INSÔNIA




 

                            Quando em Macondo, disse García Márquez em Cien Años de Soledad, todos foram acometidos pela doença da insônia pensei não só nas gerações que surgiram do episódio, mas na mesma intensidade dos reflexos que tudo apareceu.

 

                            Lembrei-me disso escrevendo no dia 13 de março de 2014, exatamente 50 anos após o golpe militar que determinou o nascimento de um período sombrio de nossa recente história.

 

                            Não pretendo qualquer inserção específica no campo da barbárie militar. Quero, ou decisivamente busco alimentar e amplificar uma tese que assola minha insônia: quem são aqueles que foram gerados durante o período repressivo? Especialmente, quem são aqueles que foram concebidos durante a fase mais desgraçada da ditadura militar?

 

                            Penso nisso a muito, e recorrentemente tal questão volta aos meus pensamentos e por muitas teima em não dissipar, batendo em todas as paredes cerebrais e com um instigar próprio da dúvida, da excitação e da necessária busca por respostas.

 

                            Qual o poder do meio sobre o ser humano quando de sua concepção?

 

                            A concepção durante a guerra será diferente da concepção em período de paz? E vejam. Nada, absolutamente nada, fora das consequências psíquicas, morais e físicas dos responsáveis pela geração e dos reflexos do meio então quando da mesma concepção.

 

                            A geração na guerra terá consequências na personalidade do gerado? Fora dela, as consequências serão diversas?

 

                            Acho que a insônia traz resultados pouco alentadores para o protagonista, e provavelmente o sono é o timoneiro que cegam todas as gerações.

NO FIM

 

                            Não ao desânimo.

 

 

 

terça-feira, 11 de março de 2014

CHORO




 

                            O choro é livre. Aliás, ainda é algo que podemos fazer sem pagar qualquer taxa. Por enquanto. O exemplo clássico é no futebol, é o combustível das discussões, porém, como tudo, têm limites.

 

                            A equipe que aluga um estádio no bairro Humaitá em Porto Alegre é prodígia neste quesito, para ficarmos ainda na nomeclatura do carnaval. Quando a culpa não é do árbitro é dos auxiliares; quando não é o campo é a torcida; quando não é a bola é a chuva, e por ai vai.

 

                            Tudo e todos estão contra. Agora, quando é para o seu lado, para os seus interesses, o silêncio é a tônica. Ninguém fala do conjunto de pênaltis que recorrentemente são marcados em seu favor e os salvam especialmente em grenais. Absolutamente ninguém confirma que num jogo de futebol há duas equipes e, por isso, as duas estão sujeitas as imperfeições também do gramado. Ninguém diz que a banca paga e a banca também recebe, ou seja, se hoje você foi “prejudicado” amanhã será “beneficiado”. Isso também é futebol!

 

                            Claro que fico sujeito a perder um dos meus preciosos dezessete leitores com tal enfadonho assunto, mas, confesso, esse choro me cansa.

 

GRANDE BELEZA

 

                            Tenho resistência a dar “dicas” de filmes (apesar de não ter nenhuma quanto a livros), especialmente porque não tenho tal pretensão e não me acho habilitado para tanto (nem para os livros), mas superarei isso para falar de um especialmente: A Grande Beleza.

 

                            Nada a ver com Oscar ou outra qualificação midiática. Mas, tudo a ver com a qualidade da produção e, sobretudo com a dinâmica dos diálogos.

 

                            Mais uma vez a vida cotidiana enfrenta seus males, seus medos e suas escolhas.

 

                            Assistam, mas não se impressionem (negativamente) com o seu início.

 

NO FIM

 

                            Dê um abraço.

 




 

ESTÁ MADURO?




 

                            Nicolas Maduro, como Hugo Chaves, é definitivamente uma tragédia, a qual é potencializada porque aquele não tem e nunca terá o carisma deste. Quanto a isso eu não tenho dúvidas.

 

                            Agora, José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, FHC, Lula ou mesmo a Dilma são “mil maravilhas”? Evidente que não, e também a isso não tenho dúvidas.

 

                            O que chama a atenção, todavia, é que os odiosos do regime venezuelano são os mesmos que batem palma para o regime militar que governou o Brasil. Se lá há uma ditadura, qual a diferença com a ditadura do período militar? Aqui valeu, lá não vale!

 

                            Meus amigos, a falta de coerência chega ao limite e ainda tem deputado que fala “aos quatro ventos” que negros, gays, quilombolas, etc., são a escória da sociedade.

 

                            Pare o mundo que eu quero descer!

 

EU LEVO OU DÊXO ?


 Diz a lenda que Rui Barbosa, ao chegar em casa, ouviu um barulho estranho vindo do seu quintal.

Foi averiguar e constatou haver um ladrão tentando levar seus patos de criação.
Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com seus patos, disse-lhe:
- Oh, bucéfalo anácrono!!!...Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica, bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência que o vulgo denomina nada.

E o ladrão, confuso, diz:- Dotô, rezumino... Eu levo ou dêxo os pato???...

(Colaboração de Mauro Schmidt).

 

NO FIM

 

                            Que tudo seja também festa.

 

 

 

 

 

 

A ESCADA




 

                            Em mais uma das inúmeras discussões que travo comigo mesmo (fato cada vez mais recorrente) sobre a busca de um estado satisfatoriamente animador, voltei em Ferry.

 

                            Vamos combinar, pensei eu no inicio, mudou o horário, outra vez. O indicativo mais apropriado é que retornaremos em breve ao período do frio, onde ficaremos com saudades do calor, que presente leva ao sentimento mudar de lado e por isso mudar a saudade.

 

                            A presença da ausência traduz uma palavra genuinamente da língua portuguesa. A única forma de não deixá-la com a batuta na mão é voltar a tudo aquilo que nunca entendemos muito bem. É assim que funciona, como a mudança do horário ou mesmo com a mudança das estações (Renato: mudaram as estações, nada mudou).

 

TINGA

 

                            Qualquer, e digo qualquer mesmo, manifestação de racismo é nojenta, é desumana, é a forma como um ser humano se apresenta no estado mais primitivo, mais ignorante.

 

                            O fato ocorrido com o jogador Tinga não é nenhuma novidade. O mesmo, em Caxias do Sul, já tinha sofrido com episódio semelhante. Quem não lembra do imbecil Antonio Carlos, então jogador do Juventude, que fez um sinal (passando o dedo sob sua pele) numa clara manifestação de racismo?

 

                            Por que tudo isso?

 

                            Por tais razões que afirmo, e muitas vezes sou incompreendido, que odeio o ser humano, talvez porque o contraponto em tais condições não ultrapasse a esfera metafísica, sem que concretamente alguém pague por isso.

 

BEIRA-RIO

                            Como disse Quintana certa feita e como eu copio sempre, a gente nunca sai da casa onde nasceu.

 

                            Uma das minhas casas abriu novamente suas portas, o que indiscutivelmente apontou para que a minha emoção aflorasse. Sou assim, também. Viva o Beira-Rio!

 

NO FIM

 

                            Quero mandar um abraço para a amiga Silvana do Cartório Eleitoral, estendido ao tio Zeca, pessoas solícitas, queridas, e sempre atentas ao bem comum.

 

 

O TEMPO




 

                            Não estou fazendo referência ao tempo da “folhinha” ou do amadurecimento como disse Drummond. O tempo, que hoje interessa, é aquele em que os meteorologistas apresentam. Aquele que fez dos próprios meteorologistas uns “personagens” ou possivelmente “o personagem” de qualquer programa televisivo.

 

                            A importância desse tempo é medida pelos apresentadores. Enquanto outrora poderia ser “qualquer um”, hoje não se admite que a apresentadora (ou apresentador) do tempo seja menos que, no mínimo, alta, magra, cabelos impecáveis e sapatos que indique a moda ou o marketing da empresa fornecedora. Tudo virou um espetáculo, como tudo vira na sociedade, já disse Debord.

 

                            Todos sabem - ou ao menos eu acho que todos fazem assim, quando nos aproximamos de alguém qual o elo de ligação para dar início a uma conversa? Oi, tudo bem? Será que vai chover? Quando tempo perdurará o calor? E a agricultura vai ser afetada? O mês de janeiro é melhor que o de fevereiro para ir à praia?

 

                            Por isso que o tempo, ou sua apresentação, tornou os apresentadores celebridades. Vocês já viram o vestido que foi usado ontem pela mulher que dá a previsão do tempo?

 

                            Pois bem, quarta-feira desta semana o tempo “virou” em Lagoa Vermelha. Houve uma tempestade que, como a maioria, não durou muito, porém os estragos foram imensos. E aqui está incluído centro, bairros e comunidades do interior.

 

                            Nada a ver com aquecimento global, derretimento de geleiras, etc. Entretanto, tudo a ver que as ações pontuais do homem, como a minoria mal-educada que teima em “brigar com e evolução” e manter o infeliz procedimento de largar lixo no chão, de não respeitar horários de coletas, condição que contribui decisivamente para entupir bueiros, represar entulhos, etc., e muitos etc.

 

                            Evidente que há ações pendentes do Poder Público, talvez ações que deveriam ter sido realizadas muito tempo atrás. Contudo, é também inegável, que a vida em comunidade deve ser pautada pela contribuição de todos, pois as consequências advindas do descaso deságuam, com perdão do trocadilho, em tudo que se viu nesta semana.

 

NO FIM

 

                            Consciência.