Seguidores do Victor Hugo

Páginas

Total de visualizações de página

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

FALÊNCIA




 

                                      Deputado Ibsen Pinheiro em coluna publicada esta semana, começa assim: Um juiz federal proibiu a lama do Rio Doce de chegar ao mar, e enquanto nos perguntávamos como se comportariam as águas, se obedientes ou revoltas, eis que, em seguida, um juiz estadual liberou-as, também liminarmente, num conflito de competência que ainda não se encerrou antes que a instância superior decida quem tem razão, o rio ou o mar. Vai sobrar para a pororoca amazônica.

 

                                      Aí, pensei: se as águas não obedecerem eventualmente o comando judicial, como será materializado o crime de desobediência ou aplicada multa?

 

                                      A esdrúxula situação traduz de maneira figurada o caos que o Poder Judiciário estacionou. Propaga-se, e com razão, a falência do sistema de saúde, dos hospitais, dos atendimentos, das filas, mortes, etc. Contudo, a falência da dinâmica que traduz a prestação jurisdicional é tão pior quanto, talvez superior. Vamos fixar num exemplo muito simples: acreditar que uma simples petição (um pedido) demore um ano para ser anexado aos autos do processo, para que, após, seja levado ao magistrado, é a materialização da falência total também deste sistema.

 

                                      Existe carência em todos os sentidos e de maneira especial de material humano. Não há servidores suficientes, sendo de uma ingenuidade monumental esperar que estagiários, apesar de sempre muito solícitos, engajados e que na maioria das vezes realizam atividades até mesmo que superam suas obrigações ordinárias, possam suprir o trabalho de um servidor concursado e tecnicamente preparado para enfrentar as nuances específicas e particulares da profissão.

 

                                      Mais ainda, vivemos uma nova realidade com a implantação do processo eletrônico, onde se outrora os escritórios sempre estavam vinculados exclusivamente a questões externas como as contábeis, hoje tudo necessita de técnicos em informática, de programadores, de um pronto socorro eletrônico vinte e quatro horas.

 

                                      Por isso, além da dita falência do sistema como um todo, tal nova realidade exclui mais do que inclui, tornando o alardeado caos uma consolidação definitiva.

 

                                      Ao par disso, a máquina esta preocupada em “proibir ou garantir” o curso do rio para o mar!

 

NO FIM

 

                                      Para o mundo, outra vez, que eu quero descer.  

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O PEQUENO E O GRANDE




 

                            A dicotomia entre o pequeno e o grande, ou entre a pequenez e a grandeza, pode também balizar o enfrentamento de situações mundanas. Ou seja, o aspecto pode indicar isso e também aquilo, se é que me entendem.

 

                            Geralmente o pequeno tem em sua essência o nada. Seu campo de ação é exclusivo. Utiliza-se oportunistamente de situações criadas para, como ventríloquo, atacar, pouco sabendo ele que seu eco não passa de metro da sua boca.

 

                            Já o grande, o verdadeiro, pelo contrário, se apresenta como pequeno e por isso torna-se maior ainda. O grande sabe que é grande. Sabe que não precisa de nada além de ser aquilo que ele é.

 

                            Isso tudo faz parte da natureza, o que, todavia, não descaracteriza um ou outro, somente faz com que os pequenos fiquem menores e os grandes, que são pequenos nos atos, ainda maiores.

 

 

TRAGÉDIAS

 

                            Dois atos distintos: terrorismo (Paris), planejado, premeditado e com o objetivo único de aterrorizar; imprudência, negligência e ganância (Minas Gerais), somado ao descaso e resposta da natureza. Ambos terríveis e de consequências devastadoras. Um não anula o outro, pelo contrário, de certa forma se cruzam. Portanto, evitar "escalas de tragédias" e classificação para emprestar solidariedade, fazendo disso uma "competição" é no mínimo falta de bom senso, para não dizer mais nada.

 

NO FIM

                            Um aperto de mãos pode derrubar muros.                           

 

 

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

O JOGO DE XADREZ




 

                            Harry personagem de Hesse enquanto homem abriu mais uma porta: nela estava o guia para formação da personalidade. O jogo de xadrez e todas as suas peças traduziam uma forma, depois outra e outra, sempre reorganizando conjuntos diferentes, formados por uma multidão de egos.

 

                            A personalidade, assim, se moldava de forma gradual conforme as peças produziam conjuntos diferentes. Seguindo os relacionamentos, portanto, a personalidade se reorganizava.

 

                            Evidente que na brincadeira do jogo, pensei: então duas personalidades é uma vantagem, pois somente precisamos cuidar de um hemisfério restrito (!).

 

                            O que não faz um feriado em uma segunda-feira!

 

FILHOS

 

                            Minha filha Carol faz uma homenagem ao seu pai em rede social e escolhe a música Meu amigo Pedro. Adorei, por exatamente tudo. Só fiquei intrigado, para todos os efeitos, com o “usa sempre o mesmo terno...”. Espetáculo!

 

                            Também fui homenageado de maneira muito especial, como o foi a anterior, com a feitura agora pela Thaís de um burrito, clássico, saboroso e extraordinariamente fiel ao original. Faltou, por circunstâncias e por falta de ação deste que escreve, a torta de limão, que, por isso, permanece como cena do próximo capítulo.

 

                            Por fim, o Micka, que já se revelou um gourmet nada ortodoxo e essencialmente competente, nos presenteou com um escondidinho de charque, com o aipim dando as cartas de maneira eficaz.

 

                            Nesta seara, para quem se especializou em falquejar todos com uma boa música e, por outro lado, tem resumido os dotes culinários no arroz com calabresa, acho que fui bem.

 

                            São os egos e o jogo de xadrez.

 

NO FIM

 

                            Abraço forte para aqueles (surpreendentemente muitos) que nesta semana disseram-me ler com frequência esta coluna.