EGOCÊNTRICO E HUMILDADE
A
discussão estava pesada até que encontrou uma encruzilhada que se pôs, dentro
do pleonasmo vicioso, interrogativa: o egocêntrico pode ser também humilde?
Tudo pode parecer um paradoxo, mas sustentei que a possibilidade é real.
Existem
muitos, sabemos todos, que mantém uma “fábrica de confetes” para jogar em si,
de maneira ininterrupta. As explicações são tantas, podendo citar uma única, a
qual possivelmente convirja todas: autoestima relativizada. Explicando: por
mais que faça tudo e tente abranger todas as condições, ainda assim o
egocêntrico nunca está satisfeito. Ele sempre acha que está sendo pouco
“massageado” ou que o mundo não está girando sob a órbita que ele
entende a mais correta.
Por
isso tudo, vejo que o egocêntrico é, ao fim e ao cabo, um humilde disfarçado.
Ele tenta, ininterruptamente e sem qualquer descanso, justificar a si próprio o
motivo pelo qual o pêndulo que sustenta o mundo não está, hoje, ou em
determinados minutos do dia, voltados ao seu interesse. Disso surge a
humildade. É claro que o orgulho não deixará que seja esta angústia vista
externamente. Contudo, no “tribunal interno”, na discussão consigo, onde o réu
e o julgador são a mesma pessoa, a humildade se avivará e mesmo que ainda
permaneça nos porões escuros da mente, será o próprio combustível para
que, ao conhecimento de todos, nunca esta humildade poderá ser vista, pois na
visão do egocêntrico é o sinal mais claro de fraqueza.
O
egocêntrico, portanto, é o mais humilde dos cidadãos, porque para manter sua
condição terá que manter vivo seu alter ego, que externamente será
perfumado, mas internamente será o suserano de um vassalo mal resolvido.
Qualquer
semelhança não é mera coincidência.
NO FIM
Para
o desespero da sucursal gaúcha da maior rede de televisão do país e, de uma
forma especial, aos ciumentos de plantão, contrariamente a forma que eu
gostaria, as obras estão começando.