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quarta-feira, 29 de março de 2017

O INFERNO SÃO OS OUTROS




                            Sartre, o filósofo “pop”, bem definiu a liberdade: apesar de sermos livres, estamos ligados ao outro que por sua vez nos faz enxergar quem realmente somos. O inferno, portanto, são os outros e talvez não sejamos tão livres assim.

                            Experimentei esta semana uma rica conversa com um velho amigo que há muito não via. Falamos sobre muito. Lembramo-nos do passado recente e do já longínquo, como também gravitamos sobre fatos e perspectivas.

                            Enquanto o fogo era absorvido pelo assado, entre uma cuia e outra de chimarrão, pequenas olhadas pela janela e pontuais inserções sobre a conversa dos demais que na sala ao lado animadamente conversavam, ouvi experiências fortes e ao mesmo tempo animadoras.

                            Falamos que o mundo é cheio de encruzilhadas, provações, enfim de que somos serem humanos sujeitos à chuva e também ao sol. A escolha passa por nós e também por aqueles que realmente estão ao nosso lado.

                            Chegam castanhas para acompanhar o mate.

                            Continuamos em águas profundas, sensíveis ao tempo e ao espaço; por vezes olhamos a carne; novamente pela janela, constatando que a temperatura está agradável e que a brisa que entra não consegue obrigar a fechá-la.

                            Está quase no momento de servir.

                            A vida é assim, uma constante sucessão de atos e acontecimentos onde cabe buscar entender a forma mais adequada de condução. Tropeçaremos, sim. Mas o grande lance é continuar a caminhada.

                            Quanto às provações, a sombra sempre nos rodeará.

NO FIM

                            Foi um grande encontro.

                           

                           

 

quinta-feira, 16 de março de 2017

ARTE




                            A chuva tem um poder entorpecente, discutia eu com outro. Este argumentava que o sol também poderia, seguindo uma lógica razoável. Iniciamos assim.

                            Ponderei que a chuva proporciona um vai e vem de sentimentos, na medida em que todos que conseguem absorver a sua dança, reflexos, atingem ou sobem outro degrau.

                            O sol, disse-me o outro, energiza, vitaminiza, traz à vida a um patamar de maior alegria. Que não haveria comparações, porque se trata de emoções diferentes e por tal razão de soluções incomparáveis.

                            Pensei - mas não disse -, que o ar sombrio e nebuloso é muito mais interessante que uma visão normalmente alimentada por tudo o que se vende mais barato.

                            Continuaremos esse papo.

TALK SHOW

                            O programa TALK SHOW apresentado por Mickail Muraro às terças-feiras, 21h, na Lagoa FM e Lagoa TV, que estreou esta semana já ultrapassou quatro dígitos de visualizações, traduzindo uma estreia animadora e com ares de muito sucesso.

PALPITE

                            Recebi informações interessantes. Disseram-me que o Colorado não jogará uma série indicada por uma consoante. Os bastidores na política esportiva estão encaminhando para tal desfecho, pois, ao contrário, haverá mais mortos do que feridos.

                            Tenho, a partir disso, um mero palpite: a vogal será nosso destino, como sempre.

NO FIM

                            Veremos.

quarta-feira, 8 de março de 2017

ALAMBIQUE E PESSOAS




                            Gosto de conversar com pessoas e de modo especial com as pessoas do campo, onde ainda a vida tem outro ritmo.

                            Visitei no interior do município de Nova Araça uma pequena propriedade rural. Lá há um açude, com muitas variedades de peixes; há um parreiral, que já teve mudas importadas da França (cabernet sauvignon e chardonnay), mas hoje extintas; e um alambique ainda circunstancialmente desativado, porém com uma adega com cachaças produzidas no mesmo local e armazenadas em carvalho há mais de 12 anos.

                            Conheci os proprietários naquela oportunidade levado por seu filho. Levaram-me por dentro da pequena indústria, de modo que pode visualizar tudo, do forno antigo para fazer pão, passando pelas enormes mesas de uma madeira que desconheço e adentrando no local propriamente dito.

                            Fui ciceroneado pelo casal que muito gentilmente retiraram de um grande recipiente uma garrafa daquela aguardente, guardada estrategicamente e utilizado, sei bem, em momentos particulares e especiais. Até a garrafa era nova.

                            Não sabia como agradecer, pois conheci as pessoas naquele momento e trataram-me como se fosse “de casa”, conforme dizem ainda os interioranos.

                            Caminhei mais um pouco, aguardando ser acondicionada a garrafa para “viagem” e tive uma bela e reconfortante sensação que só uma genuína gentileza pode proporcionar.

                            Foi dito que o proprietário recém convalescia de uma importante doença. Isso não foi, absolutamente, motivo de qualquer empecilho para refletir o prazer em comigo caminhar alegremente por meio às árvores e apreciar tudo aquilo que somente a natureza e pessoas boas e do bem podem proporcionar.

                            Sai do local renovado. Claro, recebi um regalo que por si só já traduz o tamanho da consideração que tiveram com um desconhecido. Recebi da mesma forma, lições de vida em menos de 15 minutos de um descontraído papo. Fui muito feliz naquele dia.

NO FIM

                            Seja simples.                          

                           

COMBUSTÍVEL E JAMBU




                            Claro, apesar de não poder ter comparecido à janta promovida pelo Rodrigo e desfrutar também da companhia dos amigos Joel, Aldoir e Ademar, onde dentro do universo de assuntos explorados sempre damos pinceladas na democracia (ou falta dela); na filosofia cotidiana, no futebol, na antropologia social e principalmente nas amenidades que sopram e ecoam das amizades, recuperei um pouco do combustível perdido já neste início de ano.

                            Primeiramente fiz uma turnê gastronômica: do pato no tucupi, passando pelo tacacá até chegar a tudo o que é preparado com jambu, inclusive a cachaça que “amortece” também a língua.

                            Gravitei pela cultura, conversei com pessoas, visitei alguns pontos e ao final trouxe na bagagem muitas histórias, as quais, para mim, valem mais do que qualquer coisa.

                            Fazia muito tempo que não via tantos policiais na rua, dando uma sensação (que já tinha até esquecido) de proteção. Fazia igualmente um razoável tempo em que não trocava pequenas ideias, singelos e sinceros cumprimentos e repartia experiências mundanas. Recebia frases que não tinham mais fim. E a razão era simplesmente falar. Não passava unicamente de um agrado.

                            Gostei demais do local em que visitei. Sim, até esteticamente a beleza se concentrava nos prédios históricos, por vezes nem tão conservados assim. Entretanto, o que é uma construção quando se tem um povo agradável, especialmente dentro das precárias condições inclusive de saneamento básico.

                            Esse Brasil é tão lindo e tem tanto a explorar que chega até preocupar, fazendo nascer uma saudade daquilo que provavelmente nem mesmo poderei conhecer.

                            Claro que deixei alguma coisa para trás. Não comi açaí com peixe, por exemplo. Mas foi estratégia, pois voltarei sim naquele lugar, nem que seja simplesmente para outra vez receber cumprimentos sinceros.

NO FIM

                            E a chuva vinha três vezes ao dia.