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quarta-feira, 28 de março de 2018

MILHO AOS POMBOS



                            O Supremo Tribunal Federal sinalizou de maneira clara, ao analisar o HC de Lula, que a prisão a partir do julgamento de órgão colegiado não subsistirá. Definitivamente, ao menos por enquanto, a pessoa somente será considerada culpada, para todos os efeitos, após o trânsito em julgado da sentença condenatória. No final, será tão somente cumprido o que dispõe a Constituição Federal. Não está correto? Mude-se a Constituição Federal.

                            Enquanto isso, nas “salas de justiça paralelas”, tipo: Facebook, Twitter, Instagram e por aí afora, a guerra é, como dizíamos no tempo das “bolitas”, “às verda”, não sendo poupado ninguém. Têm juristas de todas as estirpes. Os que sabem tudo, inclusive demonstram isso ao escreverem e constata-se que não sabem nada; ou, outros, que copiam e colam notícias falsas e ficam defendendo sem nem mesmo saber a fonte, origem, etecetera e tal, e ao final nem sabem mais o que tão dizendo. Aliás, nunca na verdade disseram nada. No máximo replicaram irresponsavelmente alguma coisa.

                            Oh vida!

OVOS

                            Chegou uma nova páscoa, alimentada como nunca por ovos, onde o sr. Coelho praticamente não precisou e não precisará trabalhar como outrora. Novos tempos!

LIDERANÇAS

                            Quem, por qualquer condição, possui eco em suas manifestações, deve ter muito cuidado ao se expressar, especialmente quando o momento exige como nunca tal condição.

                            Assim, senhores e senhoras, tenham prudência. Não incitem a violência. A banca paga e também recebe. Mais amor e menos ódio, por favor.

NO FIM

                            O clássico de Zé Geraldo continua atual. Nunca saiu de moda, mas sua pontualidade hoje salta aos olhos


PRESENTE



                            Em tempos de ódio profundo, de polarização raivosa entre o ame ou odeie; dentro de um país desgovernado, sem comando algum, sem horizonte político, sem amor, sem, enfim, quase nada, se extingue pelo assassinato alguém que “tinha um lado”. E isso renova e desenvolve novas cargas de indignação, de cólera, que se traduzem em todas as formas possíveis de confronto.

                            Há também quem ache a morte da vereadora como um mero efeito colateral. Outros, como um deputado e uma desembargadora, sustentam que ela “não era tudo isso” e, de alguma forma, “cavou sua própria sepultura”.

                            Definitivamente estamos outra vez na época das cavernas. A vida, que deveria ser o bem mais importante em nada importa, pois, a ira, o rancor, de quem é simplesmente contrário às posições políticas e das causas defendidas pela vereadora negra, da favela, e de esquerda, entende que o assassinato ao final nem foi tão relevante assim. Fazem comparações (como se isso fosse possível), com outras mortes, onde a comoção não existiu, para justificar que em relação a esta execução estão dando muita manchete.

                            Estamos doentes. E o pior é que esta enfermidade está ficando cada dia mais grave, não sendo encontrado medicamentos para enfrentá-la.

                            Que fase!

COLORADO

                            O D’Ale ainda é imprescindível, queiram ou não. Já o Patrick é o nosso novo Guinãzu. O caminho ainda é longo, mas sempre foi assim.

STF

                            Escrevo exatamente no dia em que será apreciado o habeas corpus do ex-presidente Lula no STF. Ontem (quarta), como preliminar, presenciamos uma discussão lamentável entre ministros, que em quase todas as sessões de digladiam. Tem até apostas de como serão os próximos capítulos. Lembrei do Coliseu e da Roma antiga. Esse é o clima.

NO FIM

                            O que eu espero? Tão somente respeito à Constituição Federal.

COISAS PEQUENAS – PARTE FINAL




                            Voltou a sentar. Cruzou as pernas. Passou levemente a mão pelo cabelo. Olhou para os lados e, como não seria diferente, não viu ninguém. Ele estava só, como sempre esteve durante todo o tempo.

                            Tentou ainda fixar alguns pontos. Buscou entender o que estava passando. O que passou? O que falou? Com quem falou? Se realmente tinha falado! Se estava, diante de tudo, precisando de ajuda. Eram tantas as dúvidas.

                            Pensou em ligar para seu filho. Não, melhor seria para sua filha, pois as mulheres são sensitivas e percebem tudo de modo antecipado. Mas não ligou. Achou melhor, retomando como sempre fez com seus problemas, buscar uma resposta sozinho. Não conseguiu.

                            Olhou pela última vez, achando que lá no fundo alguém poderia estar ali, ter por ali passado, ter ouvido tudo. Como esperado, tudo em vão.

                            Suas mãos suavam. Chegava ao fim do dia. A brisa natural daquele período já reclamava agasalho. Projetou o jantar, o banho, uma furtuita olhada na televisão e finalmente sua cama. Talvez lesse um capítulo daquele livro que ainda mantinha ao seu lado. Ou, quem sabe, contasse quantos remédios ainda tinha em estoque, em caixas, ou mesmo já vencidos e por algum motivo guardado. Não sei. São tantos caminhos sem chegada que poderia fazer qualquer coisa.

                            Foi optando pelo óbvio que teve uma ideia: nunca mais sentou naquela cadeira. Os ventos e aqueles pilares disseram tudo. Entorpecido estive e para lá não volto mais.

                            Espero que tenha contribuído.


NO FIM

                            Tudo é viver.




quinta-feira, 1 de março de 2018

COISAS PEQUENAS III




                            Sim. Eu não mais te reconheço. Quero ir embora. É verdade que já tive esse sentimento outras vezes. Mas, agora, eu não só quero como preciso. Estou dentro de um limite que caminha para o esgotamento. Ninguém merece isso.

                            Apesar de já há algum tempo usar meias mesmo num calor como estava naquele momento, sentiu seus pés gelarem. Aliás, extremidade foram alguns de seus desafios. O contraponto foi o que lhe conduziu. Nunca aceitou a injustiça. Nunca absorveu quem lhe dizia que o estado vem antes das pessoas. Que as pessoas são parte de uma engrenagem e somente isso. Nunca entendeu, apesar de ter cometido várias e várias vezes o mesmo erro, como na divisão dos valores qualquer um seja menor do que uma coisa.

                            Pensava muito nisso. As coisas pequenas são enormes. A singeleza daquele aperto de mão que agora lembrava. Sim, já fazia tempo, mas podia sentir o calor. Ainda estava vivo. E as pequenas coisas que ao final lhe interessavam.

                            Sentia que falava sozinho. Que estava acompanhado e sozinho. Que era verdade quando lhe disseram que muitas pessoas passam a vida inteira sozinha, mesmo que para isso participem de todos os eventos possíveis.

                            Não quero mais protelar. Vou espirrar palavras agora. Não fique nervosa. A vida reclama isso. Desculpe, mas vou lhe contar.

                            Buscou todo o ar que pode. Levantou da cadeira. Apoiou um braço. E falou. Falou mais de uma hora sem parar. Não fez intervalo. Não sentou. Disse finalmente tudo aquilo que guardava consigo.


                            Teve então liberdade.

NO FIM


                            É uma busca.
                            

COISAS PEQUENAS – PARTE II


                               Entre olhares, pequenos e nervosos goles de café, que, como sempre, apesar de muito quente, se mantinha ordinariamente fraco, após ajeitar pela décima vez os óculos nos últimos minutos, respirando fundo, disse: não sei por onde começar. Essa também foi uma dificuldade grande. Dependendo de como iniciarei chegarei ao final. Preciso ter cuidado para nada revelar antes de que todas as palavras chequem aos seus ouvidos no momento e na cadência exata. Não posso errar.

                            Acho que você me entende, não é? Olhe muitos dos nossos retratos, que os jovens chamam hoje de foto e de algo mais, que apesar de terem partes vencidas pelo tempo, provavelmente como alguns de nossos órgãos, e isso deu-me a força que precisava.

                           Talvez você esteja pensando que essa demora tenha o condão de justificar algo. Mas, não. É preciso, como já lhe disse, que as coisas sejam colocadas em seus exatos lugares. Não quero mais esse fardo. Eu preciso continuar lutando, mas também tenho que me desfazer dessa carga que corrói. Eu tenho que alcançar a liberdade.

                            Você está preparado? Algum problema?  Alguma pergunta preliminar? E não adianta pedir para eu acelerar ou embrabecer pelo ritmo que imprimo. Está sendo tão difícil quando o foi no dia em que juntei mortos. Sim, como você sabe, eu estive lá também.

                            É isso, agora até parece ficar mais claro, que enfrento. Minhas dores que teimam em visitar-me por todos esses dias são especialmente de lá. Da terra que ainda vejo. Do som que ainda escuto. Do silêncio que ainda me acompanha. Entende por que isso é difícil para mim?

                            Ele dá uma pequena olhada para os lados para certificar a ausência de qualquer outro, larga a xícara na mesa, recebe o calor do sol em seu rosto, tem um pequeno desconforto no estômago, engole à seco, e fala.

NO FIM

                            Os nossos fantasmas.

COISAS PEQUENAS – PARTE I



                            O encontro que já fora diário hoje já estava a cada dois, três meses ou por vezes até mais. As histórias contadas se repetiam, via de regra com recordações dos tempos em que o mundo era visto com olhos desafiadores e a pele estava colada nos ossos. Ainda assim, seguiam as mesmas risadas, as mesmas pausas e ao final a mesma despedida.

                            Porém, naquele dia em que já tinha feito frio, chovido e estava agora sob um escaldante sol, como só acontece no meio da estação extrema, nada estava igual como sempre esteve. Não tinha ocorrido uma risada qualquer; ninguém tinha lembrado de alguma das histórias passadas; enquanto sob isso tudo o silêncio ditava as regras.

                            Foi quando ele disse: tenho algo a lhe contar que provavelmente terá o poder de romper com tudo aquilo que acreditamos a vida inteira. Pensei muitas vezes em falar sobre isso. Nunca consegui. Sim, já adianto, fui covarde. Mas, de certa forma, após ouvir o que lhe direi, até poderia ser considerado uma pessoa de coragem. Não sei. Mas hoje eu vou lhe contar.

                            E por que hoje? Porque o nosso espaçamento, nossos encontros que se tornaram não mais do que casuais, está incomodando. Acho que você tem também esse sentimento. Mas sei que da sua discrição e não acha isso razão suficiente para que o tempo seja “perdido”. Você sempre foi de aproveitar os momentos. Eu, por outro lado, acho que sempre pensei demais. Talvez isso explique o motivo de que somente agora reúno condições para dizer o que finalmente lhe direi.

                            Sim, o risco e principalmente o temor de que tudo ficasse diferente ou nada mais ocorresse, foi o meu escudo. Mas, como já disse, hoje lhe contarei tudo.

NO FIM

                            Abrandemos as dores.