O caminho seria
longo, todos sabiam. Os objetivos e pretensões, apesar de já pensados, ainda
mantinham a expectativa do desconhecido. Enfim, tudo começou.
Fisicamente os três lançaram
seus pés na estrada, enquanto um, talvez mais de um, o que não se pode definir
ao certo, continuaram longe, apesar de estarem de toda forma juntos.
A ideia no início é
percorrer todo o trajeto em vinte cinco ou até em trinta dias. Há uma logística
quanto ao ritmo, o método, as paradas, a alimentação e, especialmente, quanto
ao objeto maior de tudo aquilo: discutir e questionar.
Quando são dados os
primeiros passos, com o corpo estimulado e no estado da partida, fisicamente
tudo flui como imaginado. A marcha é acelerada, não faltam assuntos e os goles
d´água nem fazem tanta diferença assim. Todas as primeiras horas assim se mantêm.
Passado o tempo,
ainda sob um sol nervoso, porém já dando sinais de um abandono iminente, a
primeira indagação: “você acredita em Deus?”
Alguém respondeu:
claro! Acredito numa força superior e porque esta também é o sentido e razão de
tudo, além de que a vida não pode ter surgido do nada.
Foi dito, por outro,
parafraseando Lennon: “Deus é um conceito pelo qual medimos nossa dor”.
A noite já chegava
feroz, dando sinais e ares de crueldade. Parados agora, em silêncio, também foi
dito: “foi Deus que criou o homem ou foi o homem que criou Deus?”.
Criação ou criatura,
evolução, espécie, origem, nada parava, mesmo que o sentimento em si traduzisse
nada mais do que todos os objetivos alinhavados para que tudo estivesse ali,
daquela forma.
A caminhada vai
continuar.
NO
FIM
Todos
os caminhos levam a si mesmo.