Seguidores do Victor Hugo

Páginas

Total de visualizações de página

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

PEPE



                            Nesta semana assisti o filme Uma Noite de 12 anos, o qual retrata a história real do período em que José Alberto Mujica ou simplesmente Pepe Mujica, juntamente com mais dois amigos, passaram nos calabouços então existentes no Uruguai.

                            Pepe, pertencente ao grupo Tupamaros, o qual lutava contra a ditadura no país vizinho, foi recolhido primeiramente ao cárcere. Logo em seguida passou de preso à refém do Estado. E a partir de então, em tal condição, experimentou doze anos de sua vida sendo transferido entre calabouços. Estava preso, mas não era somente um preso.

                            Dentro do Estado de Direito e dentro de um Estado Democrático, a lei deve ser cumprida. Acho que com isso todos concordamos. Cometido um crime, seu protagonista deverá ser punido. A punição poderá ser o cárcere. Agora a punição poderá ser a sistemática degradação do ser humano? A tortura, os choques nas genitálias; a extração de dentes sem anestesia; pau de arara; ausência de comida, de água ou mesmo local para fazer as necessidades básicas, é cumprir pena?

                            Não se trata de propagar a impunidade. Longe disso. Criminoso terá que pagar sua dívida com a sociedade. A regra é essa. Agora ultrapassar os limites impostos pela lei, torna os torturadores tão criminosos quanto o próprio criminoso.

                            Bom, enquanto se tratar dos outros, tudo bem! Agora se isso acometer “um dos nossos” um dia, talvez possamos mudar de ideia. Talvez.

                            Pepe ficou 12 anos como um refém. Não enlouqueceu por intervenção de sua mãe, que lhe procurou muito tempo entre as “prisões” até que finalmente o encontrou. Deu-lhe de presente um simples penico, utensílio que ajudou a salvar a sua vida. Uma coisa qualquer ou um ato singelo, para quem não tem nada, nem dignidade, pode ser tudo. Até ser utilizado como um vaso de flores.

NO FIM

                            Enquanto em nós não doer, a dor alheia será somente mais uma dor.



Nenhum comentário: