Nesta semana assisti
o filme Uma Noite de 12 anos, o qual retrata a história real do período em que
José Alberto Mujica ou simplesmente Pepe Mujica, juntamente com mais dois
amigos, passaram nos calabouços então existentes no Uruguai.
Pepe, pertencente ao
grupo Tupamaros, o qual lutava contra a ditadura no país vizinho, foi recolhido
primeiramente ao cárcere. Logo em seguida passou de preso à refém do Estado. E
a partir de então, em tal condição, experimentou doze anos de sua vida sendo
transferido entre calabouços. Estava preso, mas não era somente um preso.
Dentro do Estado de
Direito e dentro de um Estado Democrático, a lei deve ser cumprida. Acho que
com isso todos concordamos. Cometido um crime, seu protagonista deverá ser
punido. A punição poderá ser o cárcere. Agora a punição poderá ser a
sistemática degradação do ser humano? A tortura, os choques nas genitálias; a
extração de dentes sem anestesia; pau de arara; ausência de comida, de água ou
mesmo local para fazer as necessidades básicas, é cumprir pena?
Não se trata de
propagar a impunidade. Longe disso. Criminoso terá que pagar sua dívida com a
sociedade. A regra é essa. Agora ultrapassar os limites impostos pela lei,
torna os torturadores tão criminosos quanto o próprio criminoso.
Bom, enquanto se
tratar dos outros, tudo bem! Agora se isso acometer “um dos nossos” um dia,
talvez possamos mudar de ideia. Talvez.
Pepe ficou 12 anos
como um refém. Não enlouqueceu por intervenção de sua mãe, que lhe procurou
muito tempo entre as “prisões” até que finalmente o encontrou. Deu-lhe de
presente um simples penico, utensílio que ajudou a salvar a sua vida. Uma coisa
qualquer ou um ato singelo, para quem não tem nada, nem dignidade, pode ser
tudo. Até ser utilizado como um vaso de flores.
NO FIM
Enquanto em nós não
doer, a dor alheia será somente mais uma dor.
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