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quinta-feira, 2 de agosto de 2018

POLENTA E MOLHO



                            Nossa origem é a base condutora de todo o caminho. Quem foi criado com iogurte, chocolate quente e brioches teoricamente já nasceu em caminho pavimentado, ou, ao menos, menos nebuloso. Outros, onde me incluo, que a travessia original veio regada a pão caseiro, chimia, geleia, e, além das massas, a clássica polenta com molho, via de regra, foi enfrentada alguma estrada de terra e muitos quebra-molas.

                            Vejam que não há aqui qualquer preconceito, em absoluto. Cada um em seu quadrado e em sua realidade. Aliás, em tal quesito “preconceito”, provavelmente traduz o sentimento mais desprezível que advém de um ser humano. Mas hoje nossa “conversa” é outra.

                            Todos estamos no mesmo barco que se chama Brasil. De uma forma ou outra, quem por aqui está, dependemos de um timoneiro. Será ele da turma do iogurte ou da polenta? Talvez de ambas. O certo é que alguém será e logo. Estaremos na mão do quem terá como norte repartir, ou quem vende um sonho de que tudo poderá ser resolvido ao final com a violência. As cartas estão sendo lançadas e os balões de ensaio são todo o dia postos à prova.

                            Vocês já pensaram nas consequências de uma escolha, uma opção não racional, mas alicerçada na emoção vinda de uma terra considerada arrasada?

                            Caberá aos do iogurte com mel aos da polenta com molho feito de galinha caipira as consequências. Além disso, e pior, é que os filhos, netos, de todos, experimentarão o resultado nefasto de uma eventual escolha baseada no egoísmo, no preconceito e na turva visão de um salvador, ao invés de um condutor de ideias e de ideais.

                            Nesse turbilhão lembrei da minha avó Normélia e toda sua ritualística na preparação da iguaria a qual fomos todos nós, de lá, criados. Lindos tempos! Perigosos tempos!

NO FIM

                            Não esqueçamos também da alface e, sobretudo, do radite, mas o clássico, em detrimento dos crótons, sem preconceito.

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