Ouvi, não faz muito:
a maioria dos medos não resiste à luz do dia. Já foi dito e reiterado: tudo
termina no medo; ou tudo começa? Não sei. Só sei que o medo sempre esteve no
comando e regula a marcha da imensurável maioria.
Entre pequenas
inserções naquilo que tudo combina, mesmo com limão e açúcar, o que queima nos
apresenta fatal. Não há como fugir.
Tenho medo dos
deputados que viajam (e dos que autorizam a viagem) e trazem bacalhau na mala,
além de outros produtos de muambeiro; tenho medo de deputados que votam a favor
de um projeto de lei que escancara o calote, o golpe e lança um verdadeiro tiro
mortal na população, limitando mais uma vez o valor das requisições de pequeno
valor (RPV); tenho medo dos deputados que corporativistas encontram formas de
livrar um colega de ser cassado, nada obstante ter cometido diversos crimes,
mesmo que estes sejam corriqueiros na casa; tenho medo de governantes que
sistematicamente se utilizam do terrorismo, como a ameaça de parcelamento dos
vencimentos do funcionário público, como moeda de troca para o aumento de
tributos; tenho medo de governantes ou legisladores que utilizam os microfones
num dia, com gritos contra todo o tipo de corrupção e imediatamente no dia
seguinte são lançados como réus. Tenho medo de tanta coisa!
Mas inegavelmente
tenho muito mais medo do silêncio. Daquela inércia, proposital ou deliberada,
que traz no egoísmo seu cavalo de batalha. Naquilo em que tudo o “eu” supera o
“nós”. Não há como negar.
Enfim, até já acho que importa pouco a luz do
dia, a luz da lua. Talvez o que valha é naturalmente não se ter medo da
liberdade, apesar desta muitas vezes cobrar um preço caro demais.
NO
FIM
Pense!