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quarta-feira, 28 de outubro de 2015

OLHAR




 

                            Ouvi, não faz muito: a maioria dos medos não resiste à luz do dia. Já foi dito e reiterado: tudo termina no medo; ou tudo começa? Não sei. Só sei que o medo sempre esteve no comando e regula a marcha da imensurável maioria.

 

                            Entre pequenas inserções naquilo que tudo combina, mesmo com limão e açúcar, o que queima nos apresenta fatal. Não há como fugir.

 

                            Tenho medo dos deputados que viajam (e dos que autorizam a viagem) e trazem bacalhau na mala, além de outros produtos de muambeiro; tenho medo de deputados que votam a favor de um projeto de lei que escancara o calote, o golpe e lança um verdadeiro tiro mortal na população, limitando mais uma vez o valor das requisições de pequeno valor (RPV); tenho medo dos deputados que corporativistas encontram formas de livrar um colega de ser cassado, nada obstante ter cometido diversos crimes, mesmo que estes sejam corriqueiros na casa; tenho medo de governantes que sistematicamente se utilizam do terrorismo, como a ameaça de parcelamento dos vencimentos do funcionário público, como moeda de troca para o aumento de tributos; tenho medo de governantes ou legisladores que utilizam os microfones num dia, com gritos contra todo o tipo de corrupção e imediatamente no dia seguinte são lançados como réus. Tenho medo de tanta coisa!

 

                            Mas inegavelmente tenho muito mais medo do silêncio. Daquela inércia, proposital ou deliberada, que traz no egoísmo seu cavalo de batalha. Naquilo em que tudo o “eu” supera o “nós”. Não há como negar.

 

                             Enfim, até já acho que importa pouco a luz do dia, a luz da lua. Talvez o que valha é naturalmente não se ter medo da liberdade, apesar desta muitas vezes cobrar um preço caro demais.

 

 

NO FIM

 

                            Pense!

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

CHUVA E SOL




 

                            Enfrentarei hoje todas as intempéries. Escalarei reto, os degraus íngremes desta escada escorregadia. Superarei o último obstáculo. Sentarei para sorrir.

 

                            Tenho convivido com pessoas deslocadas. Não no sentido de autoexclusão, timidez, recolhimento estratégico, etc., mas na linha do caráter, da lealdade e de maneira especial da gratidão.

 

                            Conversando, ou melhor, escrevendo na forma ortodoxamente usual da atualidade (leia-se WhatsApp), num grupo de pensadores etílicos e que também gostam de chá de boldo, chegamos a uma conclusão tão evidente quanto a certeza de que a Igreja Católica nunca fala sério quando abre espaços democráticos: as pessoas são essencialmente más! Confesso que fiquei chocado com isso. Não, não se trata de ingenuidade, mas sim de acreditar que a boa-fé é a regra. Ainda acredito, mas um pouco menos.

 

                            Se as pessoas são naturalmente más e, repito, parafraseando sempre, se Deus está morto tudo é permitido, o que nos resta?  O que deve ser perseguido? Não consigo aceitar que a vaidade comande quase tudo. Não posso acreditar que a escada, a mesma já citada, seja pavimentada também com pessoas, com ossos e com sangue. Não, não, não, isso não está acontecendo!

 

                            Lembro-me da sutileza nos ensinamentos empíricos dos humildes. Das casas recheadas de imagens, coladas sob a madeira mal cuidada, desgastada, quase desmanchando. O ambiente é humano. As pessoas devem igualmente ser e são. São casas.

 

                            Vejo também misérias muito ricas. Misérias cerebrais, estomacais e também humanas. Neste momento não quero ser uma pessoa humana. Quero ser algo inanimado, uma porta, talvez uma pedra ou ainda diferente como um vulto escondido dentro da imaginação.

 

                            Não quero mais ver a escala quando chegar para sorrir.

 

NO FIM

 

                            Desalento é muito mais do que tudo isso.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

FALEI QUASE TUDO




 

                            Em idas e vindas todo o cuidado é pouco. A preocupação maior, disse um sábio, deve ser quando se deve (ou não) baixar os faróis.

 

                            Na lição, Einstein, contrapondo Newton, afirmou: a diferença entre passado, presente e futuro é apenas uma persistente ilusão…”. Ou seja, o passado foi presente que foi futuro que um dia se tornou passado. Nossa!

 

                            Sabemos que para os físicos a repartição do tempo não existe. Aliás, considerando a velocidade da luz como “ponto zero”, qualquer ação em movimento faz com que o tempo passe mais devagar, mesmo que tal constatação seja tão ínfima que pareça ilusória também.

 

                            Portanto, se bem entendi, a velocidade imprimida, além de retirar o “tempo do tempo” levará a “ganhar tempo” sobre o tempo biológico da inércia. Agora sim, me perdi!

 

                            O fato é que, diante disso, efetivamente não haverá o tempo e, portanto, a tripartição entre passado, presente e futuro. Tudo não passa, ao final, da grande dita ilusão.

 

                            De tais premissas, chego a uma conclusão e um encaminhamento: se a inércia leva a “perder tempo”, precisamos nos mexer; e encaminho a questão para aqueles que, de alguma forma, lutam para justificar que o ócio traz o ganho. Digo, somente, e acalmem-se, quanto ao tempo. Porque sei que poucas coisas são mais prazerosas que uma rede na varanda.

 

                            Mas tudo vale pouco, pois o foco são os faróis baixos na encruzilhada. Quando usá-los?

 

NO FIM

 

                            Não tenho mais tempo, mas tenho muito tempo.

 

                             

 

                           

 

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

ESCOLHA




 

                            A sabedoria popular ensina: se ganha a corrida no atá-la. Muito provavelmente não seja tudo isso ou sempre tudo isso, mas que o primeiro ato baliza os seguintes, para um lado ou para outro, disso não tenho dúvidas.

 

                            O problema é que as escolhas sempre são muito difíceis. Ao lado delas caminham as renúncias, as quais teimam em nos incomodar cada vez mais. O verbo incomodar talvez não seja o mais apropriado. Mas, seguramente, um importante desconforto surge quando a escolha é posta à mesa. Afunila ainda mais quando temos certeza de que no ato precisamos analisar todas as consequências e assim optar, e acertar, para que lado será a saída.

 

                            A vida é uma constante escolha. As pessoas são nossas escolhas; escolher é um exercício pleno da consciência. Não gostaria mais de escolher. 

                           

POR QUE A SEGUNDA XÍCARA DE CAFÉ NUNCA É IGUAL A PRIMEIRA?

 

                            Não sei. Definitivamente não sei se acontece só comigo. A primeira xícara de café é saborosa, quente e forte. A segunda, mesmo que bebida com idêntico entusiasmo, nunca se manifesta igual.

 

                            Confesso que nunca entendi tal lógica (mesmo que só minha). Será que o fato é estendido aos contornos de nosso cotidiano? Mas qual o motivo do fenômeno não se manifestar com o chá?

 

                            São muitas dúvidas, as quais por certo não passam somente pela mão do barísta, mesmo que clássico.

 

                            Provavelmente seja porque simplesmente não gosto muito de café!

 

                            Do que é feito o pensamento?

NO FIM

 

                            Já foi dito: abraços aos meus vizinhos que estão sempre ao meu lado.

                           

 

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

O MAPA




 

                            Um dos primeiros poemas que tive interesse foi O Mapa de Mário Quintana. Aliás, também foi um dos primeiros que procurei entender e até decorar. Se hoje a memória teima em trair-me, à época tinha ainda bons espaços disponíveis.

 

                            Este rico material de nosso maior poeta conduz a exatamente outro. A uma das frases emblemáticas e que nunca pereceu: “Quem disse que eu me mudei? Não importa que a tenham demolido: A gente continua morando na velha casa em que nasceu”.  

 

                            Portanto, meus amigos, seguindo quem deve ser seguido, a velha casa é a nossa morada. O mapa não passa de folha levada no vento da madrugada.

 

GENTE

 

                            Dentro do mapa também está localizada a parte de qualquer forma desfavorecida. Quer seja sob o âmbito intelectual, moral, econômico ou de caráter.

 

                            Com isso não se tem mais nada. Somente e talvez o instinto, como o velho de Hemingway, em sua luta com o mar.

 

                            Navegamos todos e a bússola nem sempre conduz aos pontos desejados. Aqueles, os realmente piores, não conseguem manter a linha que divide efetivamente o que merece ser considerado: a vida.

 

NO FIM

 

                            O nada em tudo pode ser absolutamente o tudo em virtude do nada.