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quarta-feira, 31 de maio de 2017

PAPAGAIO

                            Só para não dizer que não falei das flores, o melhor mesmo foi a (tentativa de) explicação daqueles que se postaram oportunisticamente perto ou mesmo ao lado do Dick na posse; apareceram em todas as mídias; desfrutaram do “prestígio”, e agora tiveram que dizer, mais ou menos assim: eu não sabia que o cidadão era o que é! Sabia sim! Mas não tive culpa, eu votei, em quem mesmo?

O SACO E A FARINHA

                            Um adágio popular como forma de generalização é dizer: farinha do mesmo saco! Na política brasileira, de modo geral, não está mais importando a farinha ou mesmo o saco. A produção de farinha, e de sacos, é única. A lama atinge todos, assustadoramente. Enquanto uns atingem os outros e os outros atingem aos uns (coxinha x esquerda caviar) a coisa caminha perigosamente para a consolidação do ajeite como resolução institucional.

                            Sabe o que pior: em consequência do resíduo de tudo o que efetivamente aconteceu desde o ano passado; das lesões graves experimentadas por nossa democracia, quase não resta solução senão uma “gambiarra”, até mesmo jurídica, para uma quase desesperada tentativa de algo de bom realmente aconteça e pessoas com alguma boa intenção estejam à frente disso tudo.

                            O que penso: não vai acontecer. Sai o Dick, entra um associado; não entra o associado, entra o do outro. Que coisa!

                            E o pior é que a farinha teve épocas que até manteve uma regularidade interessante. Pães, roscas e bolos de outras épocas pareciam mais palatáveis. Ou é impressão?

GUTO

                            Agora não tem volta: é Guto Ferreira! Precisávamos mesmo alguém do peso do Guto para encarar os meandros e as nuances desta empreitada que fomos metidos. Dá-lhe Guto! Vamos Colorado!

NO FIM

                            São praticamente todos iguais ou pardos. 




                            
CONVERSA DE BAR

                            Minha geração, concebida no início dos anos 1970 (tudo isso já?), sob a égide da tortura e do pau de arara, está ultrapassando 45 anos. Realmente o tempo passa. Sei, Einstein disse (e provou) que o tempo é uma ilusão; que o futuro já aconteceu. Sabia nada! Ou sabia? O certo é que a pele não está mais grudada ao osso e os rios afluentes teimam em aparecer em toda parte do corpo.
        
                     Mas queria dizer mesmo algo sobre nossa geração. Aquela que sentou em bancos escolares e experimentou aulas de EMOCI, OSPB e mais à frente EPB. Alguém sabe o que isso significa? Não? O Google dará uma mãozinha, caso tenham interesse.

                            Uma geração forjada nos campinhos de futebol; nas árvores de bergamota; nos jogos de taco; nas peleias clássicas com bolitas; carrinho de mão; tudo e todos sempre em atividade constante e plena. Claro, o tempo era outro. Mas, como dito, este não existe ou mesmo já passou! Bons tempos!

                            Imaginem que uma das grandes contravenções era bater na campainha das casas e sair correndo; amarrar com fio de náilon uma nota de dinheiro e ficar escondido, puxando sempre que alguém tentasse pegar. Ir ao cinema do ginásio Adolfo Stela e assistir o filme, uma parte de cada lado da arquibancada, para não cansar o pescoço. Não havia como “fraudar” (outra questão grave) a faixa etária que os classificava. Não tinha a idade mínima, não entrava. Todo o domingo, estávamos lá. Foi bom e melhor ainda lembrar.

                            É claro que há fatores importantes que ao tempo de aguçar igualmente freava; era o sistema e dele nós nos alimentávamos. Hoje quem desconhece a história recente do Brasil talvez não entenda. A minha geração sim é produto final da falta de liberdade e da norma pela causa. Disse o poeta: aquele amigo que embarcou comigo/cheio de esperança e fé/já se mandou.

                            Sobrou o “Fliperama Old Times”, do qual rendo homenagem aos amigos André Cerri, Sinclair Bombassaro Júnior, Carlos Ferri e Lairton Zulianello.

NO FIM

                            Por vezes volta tudo.


quarta-feira, 10 de maio de 2017

APENAS UM RAPAZ LATINO-AMERICANO



                            De minhas predileções musicais, fosse para citar entre os maiores; fosse para espremer necessariamente qual a nata que permaneceria, sem qualquer oscilação, sempre estaria Belchior.
                            Sempre pensei que ele nasceu e morreu nos anos 1970. O que ele produziu nesta década não é possível ordinariamente ser repetido. Tanto isso é verdade que sua obra, com exceções pontuais, reside desta época, e permanece tão atual como nunca. Repete-se a todo o momento e permanece tão viva quanto o foi na origem.
                            A força da letra de suas músicas, que agregadas à melodia tornavam recorrentemente os dias mais felizes, mais agradáveis, para podermos como alucinação suportar o dia a dia e fazer com que nossos delírios sejam experiências com coisas reais.
                            Ou talvez, para que não esqueçamos que a velha roupa colorida é como o passado e já não nos serve mais. Ou, por outro lado, chegar a conclusão que apesar de termos feito tudo o que fizemos ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais.
                            A vida, a renúncia é exatamente o que foi retratado em sua obra. Não guardou seus metais. Foi simplesmente e para sempre um rapaz latino-americano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes, vindo do interior. Quanta identificação!
                            Não existem mais Belchior. O resultado e o medo de avião ficaram naquele tempo. Tempo que anda por fora ou por dentro do meu coração. Nunca mais acontecerá.
                            Viajava de bicicleta quanto soube da sua morte. Estava naquilo também por conta dele, como Fedro na fantasmagórica obra; como deve ser a vida, leve, solta e talvez com a angústia de um goleiro na hora do gol.
                            Posso esperar o analista amigo meu, ou alertar que o amor é coisa mais profunda que um encontro casual.
NO FIM

                            São poucos.