Argumentava
eu no almoço de domingo, o qual é sempre momento especial para falar sem
maiores compromissos, especialmente sob o olhar da carne que assa e do vinho
que trafega sob taças, dos olhos que se cruzam sempre com algo a dizer, sobre
tudo que era possível ou não.
Disse
ser impossível confiar numa mulher que confessa sua verdadeira idade, pois se
diz isso é capaz de qualquer coisa! Claro, parafraseio o extraordinário Oscar
Wilde, que entre tantas outras relíquias têm o conceito mais claro sobre ética
e caráter, questões sempre atuais e, no momento, especialmente pontuais.
Disse: Chamamos
de Ética o conjunto de coisas que as pessoas fazem quando todos estão olhando.
O conjunto de coisas que as pessoas fazem quando ninguém está olhando chamamos
de Caráter.
Porém, Wilde era homossexual.
E tal condição o levou à prisão e por consequência desta à morte. Tudo isso
quando os séculos “viravam”, sim o XIX para o XX, mas poderia ser agora, porque
as entranhas ainda se mantêm incólumes e inafastadas do preconceito.
Entre um naco de
queijo, pedaços de carne, daquelas servidas como entrada com o poder incontestável
do aperitivo alimentar seguimos até com generosos goles daquela clássica
mistura que envolve limão, açúcar, gelo e vodka, a qual sempre consegue retirar
da sinapse tudo o que ela é capaz de produzir (ao menos para o momento), quando
chega “do nada” o Chico cantando roda viva: tem
dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu.
Ocorrem visitas,
igualmente de maneira regular, por exemplo, da Elis, sobretudo como nossos pais. Outros vão e vem. Alguns
também nunca voltam, mas para dizer que
não falei das flores jamais, em momento algum, teve a indecência de não
participar.
Tudo continua até
terminar. Quanto termina há um começo, porque é após a entrada que o principal
é apresentado. Ele pode ser tão interessante quanto, mas dependendo do que já
circulou ele ficará para sempre acessório.
NO
FIM
Podia dizer tanta
coisa.