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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

ALTRUÍSMO




 

                            Final de ano. Início de ano. Festas, comidas, bebidas e muitas conversas. Período fértil para novas emoções e para uma recapitulação das antigas, das naturais e das inesquecíveis.

 

                            Neste contexto, recebendo em casa todos aqueles que eu considero “meus”, vem o Micka com uma história: estava ele aguardando o sinal verde para pedestre, quando percebeu um deficiente visual iniciando sua travessia. Como é da sua natureza, imediatamente pegou no braço da pessoa cega e passou a conduzi-la sobre a faixa de segurança. Ambos, o Micka e o conduzido usavam óculos escuros. Pois bem, diante de tal situação uma terceira pessoa enganchou no braço dos dois e passou a conduzir ambos para atravessar a rua. O Micka, pela contextualização dos fatos, deixou assim, ou seja, talvez até tenha agradecido.

 

                            Mas a história não acaba assim, simplesmente. Passados alguns minutos, o Micka se encontra com o “seu condutor” numa banca de jornal, quando estava lendo uma revista. Não preciso descrever a expressão facial do condutor! Ou preciso?

 

OS ANOS

 

                            Nada muda, já foi dito muitas vezes. Talvez a mudança mais significativa seja mesmo aquela onde o calendário antigo é substituído. A vida segue e todos seguem por seus contornos, inclusive para todos que comem uva e pulam das cadeiras.

 

AOS LEITORES

 

                            Tenho muito a agradecer àqueles que sempre acompanham as minhas insistentes palavras, minhas frases por vezes desconexa e muitas vezes despretensiosa, que não retiram, todavia, a certeza de que a empatia das palavras possa levar todos aos caminhos do bem.

 

                            Obrigado, sobretudo aos personagens sem rosto que prestigiam esta coluna de forma silenciosa.

 

NO FIM

 

                            Que venha!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

EPITÁFIO



 
                            Olhando para alguns lados sob o pálio de um dia que ainda não nascera, ou de um dia que era simplesmente noite, de uma noite que nada mais foi do que um dia.
 
                            Para um lado, analisava eu silenciosamente a angustia de quem chorava sem lacrimejar. Via dizer que não poderia deixar gravado em seu epitáfio, que a causa de sua morte seria a burocracia. Morreu? Qual a causa? Burocracia!
 
                            Pensei muito nisso enquanto os raios solares teimavam em chegar. Lembrei-me das resistências sobre células-tronco, do abordo de anencéfalos, das primeiras pesquisas sobre o isolamento do vírus da AIDS, sobre a liberação ou a libertação que depende de um ato, sobre seres humanos que não passam de números em um arquivo.
 
                            Também pensei, igualmente muito, em situações de importância secundária, ou de importância direcionada para uma casta, um público muito particular, onde a burocracia incrivelmente nunca se manifesta.
 
                            Pensei nos asilos, nas casas de abrigo, enfim em todos aqueles lugares onde tudo é difícil, tudo é complicado, até para o recebimento de doações, para construção de um banheiro, em detrimento da liberação de valores para um pequeno grupo onde as discussões se resumem e se resolvem em poucas horas.
 
                            O caos já está estabelecido há muito tempo. Não percebo sinais de mudança. Vejo claramente que até a maldita burocracia perde espaço quando tratada “com carinho” pelos poderosos. Sim, o autobenefício é minha praia.
 
                            Sou ingênuo. Sou mais um na multidão.
 
                            Por tudo isso, todas as vezes que alguém fala no céu ou na terra, de que a partir desses dois pontos tudo é encaminhado, não resta alternativa senão silenciar. Rir, talvez. Mas isso é outra coisa, pois o dia, sim o dia, já nasceu.
 
NO FIM
 
                            Nada vai mudar; sem ilusões, por favor!                     
 
                           
 

AO TEMPO



                             O tempo é o amortecedor dos fatos. Já disse isso aqui e também já vi isso acolá. Baliza o início e define o fim. Quero o tempo pelo tempo. Vejo a folhinha, que sempre traz uma foto, quer simples como de uma criança, quer analítica como das mensagens por muitas subliminares.
 
                            Não falo da folhinha, por certo! Analiso o tempo pelo enfoque do amadurecimento, do acúmulo daquilo que não escapa da passagem. O tempo, enfim, é por ele próprio o condutor, inclusive para absorver todos os fatos.
 
                            Neste período onde, parafraseando meu Amigo Nei Godinho, nasce a “síndrome do natal”, que também poderá ser vista por tal ângulo, vejo que o tempo se apresenta na forma especial. Por nada e por tudo. Por tudo e por nada. O tempo é patrão e também serviçal. O tempo leve a traz. Enfim, o que é o tempo?
 
                            Agora onde todos se preparam para sentar à mesa, para curtir os seus, para beber, comer, falar e, sem dúvidas, muitos fazer “coisas” pouco ortodoxas, pode ser o momento de enfrentar o tempo. Não, como de costume, sob a regra da nostalgia, ou da alegação de que “como este ano passou rápido”.  Aliás, vocês já notaram que no mês de dezembro, especialmente quando se aproxima o final do ano, o ano passa mais depressa?
 
                            Quero dizer o tempo como fio condutor da alegria, da felicidade. E existe esta tal felicidade? Talvez! Ou poderá ser ela um fenômeno episódico? Talvez! O certo é que o tempo deve ser nosso aliado, sempre. Sem nunca olvidarmos, de outro norte, que este comprometimento e fidelidade mútua sofrerão cadenciadamente com as provações. Mas, e os sinais? Nossa quanta encruzilhada. Talvez o próprio blues nos conforte. Ou nos deixe ainda mais....sei lá!
 
                            Mas de tudo isso fica a certeza da queda, do passo de dança, da ponte e da escada, e, finalmente, da procura e do encontro, como já disse Fernando Sabino.
 
NO FIM                
 
                            Boas festas, para os que as fazem comunitariamente e para quem as realiza de maneira só.

 
 
 


 

 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

UMA FOTO




 

                            O que é uma foto? É uma espécie de espelho de papel? É uma garantia de visualização da eterna juventude? É uma forma de garantir a nostalgia? É lembrar, de quem vem e de quem vai?

 

                            Uma imagem fotográfica, especialmente de alguém, ao final traduz a presença da ausência, a qual para alguns pode ser conhecida como saudade.

 

                            Caminhando mais alguns passos, longos passos na tentativa do encontro, percebo que fotos podem estimular o hormônio do prazer sem a atividade física, relativizando a própria reação química respectiva.

 

                            Quantas lembranças podem ser extraídas de uma foto? Daqueles que ainda circulam por aí; daqueles que já não passam mais ao nosso lado; daqueles que circulam, mas também não passam; e também daqueles que passam, mas não circulam.

 

                            Uma foto, muito provavelmente, é uma forma de viagem sem sair do lugar. Em quantos lugares é possível retornar, a partir de uma pequena e por vezes quase singela fotografia?

 

                            Tem o outro lado. O exemplo são as redes sociais, facebook, instagram, ou qualquer similar, onde as fotografias são apresentadas, senão para as viagens, para que outros circulem apaixonados, raivosos, invejosos, solidários, enfim, a foto está como nunca deixou de estar, no comando do espetáculo.

 

                            Eu, com licença a tal confissão, sempre achei que a maioria das fotos são muito engraçadas. Todas, as minhas e a de todos. Porque ao final na esmagadora maioria, a foto, considerando a pose apresentada, traduz algo que não é naturalmente verdadeiro.

 

                            A foto mais honesta é aquela sem pose, sem preparação, onde o que se apresenta é o natural, para ver todas as características, desde a pele grudada no rosto, as rugas, as expressões do tempo, o cabelo descabelado, a roupa nem tanto socialmente aceitável, enfim o culto à liquidez sem espaço programado.

 

                            Isso não desnatura, evidentemente, todas as preparações que antecedem uma foto para posteridade. Até porque esta sim, com a mínima margem de erro, é a mais honesta considerando os padrões deste sentimento no âmago social.

 

NO FIM

 

                            Vou tirar uma foto. Da gaveta!

 

                           

 

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

O TUDO E O NADA




 

                            Hoje quero compartilhar amenidades. Quero ser o mais simples possível, porque para o rebuscado (ou tentativa de) estou sem paciência. Melhor, quero ser o mais simplório, sintético e conciso, para que, ao final, a complexidade floresça. Oh vida, da qual tanto se espera e da qual muito desespera. E tal sentimento, na sua esmagadora maioria, não passa de algo fútil, inútil e despropositado. Mas, é assim que tudo se apresenta. E, por isso, é tudo ou é nada.

 

                            Estava refletindo sobre isso e sobre uma passagem na vida de Chaplin, o inventor do “Carlitos”, quando seu personagem era utilizado como parâmetro para recrutar imitadores, em casas de shows, circos, etc., e o próprio Chaplin, também por curiosidade, se inscreveu num desses concursos. Foi desclassificado peremptoriamente, porque os jurados entenderam que a imitação dele era ridícula! Ou seja, ele não foi classificado imitando a si próprio!

 

                            Quanta ironia nesta recusa. Eu, que nada mais sou do eu mesmo, quando tento mostrar que eu sou eu não sou aceito. Eu, portanto, definitivamente, não sou eu. Eu posso ser tudo, menos eu. Eu não consigo imitar a mim mesmo. Quem sou eu?

 

                            O que posso extrair? O simples fato de que não sou absolutamente nada mais do que um partícipe da grande massa por quem também os sinos poderão um dia dobrar. Talvez, como dito, eles dobrem por ti. Eles dobrem por mim, eles dobrem por nós.

 

                            Ou tudo isso seja uma grande roubada. As dobras simplesmente dizem aquilo que você não vê! Nossa, que espetáculo!

 

                            Hoje escrevo com muitas exclamações!!! Provavelmente estou com dificuldade de colocar o ponto certo. Mas, isso é exatamente a forma que leva tudo e todos a qualquer lugar. Não há parada, existem sim escolhas e consequências.

                           

                            Alegria que tudo não passa de pacatas e pouco úteis amenidades, como já foi dito.

 

NO FIM

 

                            Espero que eu nunca consiga imitar ninguém, especialmente a mim mesmo.

 

 

terça-feira, 18 de novembro de 2014

PARA OS “BONS”




 

                            Para começar, parafraseando de forma oblíqua Raul Seixas em “Tu ÉS o MDC da Minha Vida”, dedico este texto a todos que dizem, sustentam, alimentam e sugerem a volta da ditadura militar. Obrigado!

 

                            Não quero ingressar no âmago ou na verdadeira essência dos horrores, dos crimes institucionalizados e das consequências políticas, sociais e humanas da época. Quero concentrar as pequenas palavras sobre mais um efeito colateral da “solução final” implantada pela ditadura militar, qual seja, as crianças.

 

                            No livro Infância Roubada – Crianças Atingidas pela Ditadura Militar no Brasil há depoimentos de filhos de presos políticos e das mães destas crianças, tudo objetivando exclusivamente dar a verdadeira contextualização dos fatos e dos crimes cometidos pelo estado.

 

                            Os pequenos, meninos e meninas, à época, para quem ainda não sabe, eram igualmente “fichados”, “tocavam piano” e tinham suas fotos lançadas nos registros dos órgãos de repressão. Todos eram tratados da mesma forma, não havendo espaço para a exceção, porque, na visão dos articuladores do sistema, as crianças, na condição de filhos de acusados e taxados de subversivos, eram igualmente criminosos.

 

                            Vejam o espetáculo. Os crimes, choques, sessões intermináveis de tortura, falta de comida e especialmente de água nas prisões, efeitos devastadores no aspecto físico e psicológico aos adultos não era suficiente. Os requintes - e a final crueldade, inominável, alcançava as crianças, pelo simples fato de serem filhos de alguém que não “tinha a simpatia” do estado repressor.

 

                            As crianças vítimas destes verdadeiros crimes contra a humanidade, e por isso imprescritíveis, desapareceram, foram adotadas, banidas, cometeram suicídio, mas, o que isso importa se devemos lutar para que tudo retorne, até o momento em que um de nós, um de nossa família, seja covardemente atingido pela máquina estatal que legaliza o meio, a forma, o procedimento e o fim do crime, que é, portanto, legal!

 

                            Viva àqueles que querem tudo isso de volta!

 

NO FIM

 

                            Não podemos desistir.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

PELADOS




 

                            Iniciou com uma simples corrida e foi contaminando as pessoas num ritmo feroz. Agora todos estão ficando pelados, correndo pelas ruas. A moda está concentrada na capital, mas poderia vir também aos campos de cima da serra, especialmente para alimentar e aguçar os pensamentos e comentários daqueles que ainda não sairam da década da brilhantina.

 

                            Lembrei, a partir de tais reações, descartando aquelas oportunistas onde a desnuda, linda e também bela, certamente estava buscando uma vaga numa revista masculina qualquer, que a ação de uma pessoa desencadeia um sentimento de coragem nas outras, que simplesmente aguardavam o primeiro (ou a primeira) a transgredir.

 

                            Assim, o fenômeno remonta a uma resposta única: muitos estão só esperando alguém dar o primeiro passo, para, após, poder se apresentar sem máscaras.

 

                            O ser humano é assim. Ele é completo na sua essência, porém fragmentado na sua ação. A culpa, o medo, o conflito e as angústias, tudo de uma vez só e traduzido na entrega aos outros de uma imagem de impacto. Por que tudo isso? É uma das perguntas sem respostas.

 

 

PERMESSO

 

                            Hoje é um dia especial, como aliás é especial todos os dias 14 de novembro. Ele se tornou especial, talvez especialíssimo, no ano de 1996. Não lembro, talvez devesse, o horário que o fez assim. Mas isso se torna irrelevante se tratando da linda Thaís Helena, que hoje completa 18 anos de idade.

 

                            Parabéns!

 

 

NO FIM

 

                            Grande Ivan Barreto, protagonista e maestro de mais uma festa do nosso Colorado, que acontece hoje à noite, às 20h30, no salão da igreja São Paulo.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

TOQUE




 
                            Desde tenra idade me dei conta que deveria conviver com o toque. Com o tempo fiquei “aliviado” ao saber que a grande maioria possui alguma espécie de toque, o qual ainda hoje é um enigma quanto as suas causas, apesar de algumas, dependendo do estágio, já são perfeitamente identificáveis.
 
                            O meu toque mais importante é tentar encontrar uma explicação para a maldade. Conversando, e muito, com amigos queridos esta semana, chegamos à encruzilhada, considerando o que defende Rousseau (todos nascem bons e o meio os contamina) e William Golding (não há o “bom selvagem”).
 
                            A origem do mal provavelmente deve ser vista como uma simbiose entre tudo isso. Não posso acreditar que as pessoas são essencialmente más, como também não posso desconhecer que o ambiente reflete diretamente no falquejo desta maldade.
 
                            Assim tudo se relativiza, pois, se não há o genuinamente mal, igualmente não há o mal provindo de tal contaminação.
 
                            O certo é que levei tal discussão ao patamar do toque, porque entendo sim que a maldade belisca o transtorno. Acredito que fazer o mal é uma doença, independente da origem na essência ou de forma adquirida.
 
                            Mas, também penso que o feitor igualmente é vítima de seu ato. E tal condição o leva a ser juiz e réu ao mesmo tempo, o que definitivamente não deixa que saia incólume, mesmo sendo o protagonista do aludido transtorno.
 
                            Tudo isso fica dentro dos limites do que o ser humano é capaz. E ele é capaz de muita coisa, inclusive de praticar atos e fazer ações com o simples desejo de que, mesmo condenando a si mesmo, atinja o ponto final, que é verdadeiramente a infelicidade.
NO FIM
 
                            Abrace.


 



                           


quarta-feira, 29 de outubro de 2014

QUAL SUA GRAÇA? SOU BRASILEIRO!




                            São cômicas as manifestações racistas, xenofóbicas, autoritárias e alimentada por um senso de pseudo superioridade dos sulistas em relação aos nortistas  deste país.
 
                            Digo cômicas para não dizer criminosa, porque é evidente que os protagonistas de tais afirmações devem sim sofrer um processo judicial, pois tal expediente de condução é exatamente idêntico ao implantado na Alemanha nazista quanto da busca pela “solução final”, onde o resultado todos nós conhecemos.
 
                            Aqui, sob a justificativa maldosa e reacionária, de que os estados do norte e nordeste foram os “responsáveis” pela reeleição da Presidente da República está valendo tudo, inclusive a invenção de uma onda oportunista/separatista, sob o argumento de que: “se você não pensa igual a mim, você está errado”. Ou seja, eu sou o dono da verdade, eu sei o que está certo e a tua opinião, ou melhor, a opinião de mais da metade do país está errada.
 
                            Tal raciocínio é sim alimentado pelo ódio, o qual passa, dentro de manifestações vistas, sem qualquer generalização, pelo estágio mais lamentável do ser humano, qual seja da separação por raça, por cor, o que nunca é demais rememorar é crime, inclusive contra a Constituição Federal.
 
                            Então, pouco importa se você é “alemão” ou “italiano” do sul do Brasil ou você é mameluco ou mulato do norte, você é brasileiro e ponto final!
 
                            Absolutamente nada altera se você é um banqueiro, um deputado, um empresário ou se vende rede nas esquinas, é chapa ou servente, você é brasileiro, e o teu voto tem o valor exatamente igual.
 
                            Portanto, a superioridade trazida à discussão a partir de elementos com: foram pegos pela barriga, torna esta passagem de nossa história um elemento muito triste, infeliz, para dizer o mínimo.
 
                            Não vamos retornar ao tempo das cavernas, apesar de por vezes eu pensar que não podemos voltar para um lugar de onde nunca saímos.
 
NO FIM
 
                            Vamos em frente.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

PLANT – UIVO FERIDO




 

                            Gosto muito de biografias, apesar de que, em muitas delas, a honestidade da informação é relativizada pelos interesses de toda ordem, especialmente comerciais e evidentemente pessoais.

 

                            Estou lendo Robert Plant – Uma Vida e visualizando diversas questões para mim desconhecidas, seguindo o quesito “show business” dos anos 1960/1070, revendo Robert Plant e o Led Zeppelin quando caminharam (ainda caminham) gigantes sobre a terra.

 

                            A curiosidade que alimenta a questão mais importante pós-Led sempre é a mesma: por que não voltam? Todos aguardam ansiosamente por um retorno triunfal!

 

                            A resposta, reiteradas vezes repetidas, segue a mesma linha de sempre: não há mais “Led Zeppelin”; não existe razão para retornar em algo que definitivamente terminou. Ponto final. Simplesmente isso.

 

                            Mas, tal pergunta, mais uma daquelas que não querem calar, vagueia desde as primeiras páginas do livro. Tal fato confirma o óbvio: ela ainda não foi respondida. Ela ainda está gravitando e batendo nas paredes. Ela ainda incomoda.

 

                            Plant, que após o grande show realizado em Londres em 2007 - Ahmet Ertegun Tribute Concert - (último encontro dos três remanescentes, com o apoio do filho do Bonhan), ao invés de continuar a noite em companhia dos colegas, autoridades e celebridades (Mick Jagger e Sir James Paul McCartney, entre outros), preferiu ir comer um “prato feito” na periferia londrina num pub qualquer.

 

                            Perguntado sobre o motivo de sua “fuga”, foi simples e direto: “os fantasmas voltaram”! E para quantos de nós os fantasmas voltam? E quando eles voltam....

 

                            Ao final, a voz que se identifica como um verdadeiro e único uivo ferido que traduz dor e luxuria continua se propagando sobre os tímpanos de todos que ainda sabem o que é bom.

 

NO FIM

 

                            Que o uivo sempre te acompanhe.  

 

                             

 

                                     

 

                                     

 

                           

terça-feira, 7 de outubro de 2014

DIAGNÓSTICOS = LEITURA




 

                                      Desapaixonado é melhor. A análise é mais reta, mais perto da linha que persegue a honestidade com a prudência. Não há espaço para conversas despretensiosamente maliciosas. Há sim fatos, diagnósticos e coerência.

 

                                      Pois disso extraio alguns fatos curiosos, sem que tais estejam no patamar das surpresas, porém entre tais, um chamou a minha atenção de maneira particular, qual seja o candidato que fez declarações de cunho racista foi o mais votado para Câmara Federal.

 

                                     Que a democracia (ainda bem), diferente de “outros tempos”, garante (ou deve garantir) o respeito ao livre arbítrio do eleitor e, disso, o respeito ao direito de votar em quem bem entender, é o primeiro ponto e é reconhecido.

 

                                      Hoje as pessoas são livres, podendo votar em eleições diretas, inclusive para o maior mandatário que é o Presidente da República. Todavia, num passado não tão remoto, não era assim! As pessoas foram privadas do mais emblemático ato democrático aqui no Brasil por um período muito longo. E como medida disso, pedindo licença ao meu pai, pois quando votamos pela primeira vez para Presidente da República votamos juntos. Ou seja, no ainda, historicamente, recente ano de 1989, sendo que eu tinha à época 18 anos e ele 43 anos, exatamente a idade que tenho hoje e já votei SETE VEZES para Presidente. É fácil perceber a diferença!

 

                                      Assim, conceitos retrógrados, ultrapassados, ofensivos em sua essência me remetem àqueles tempos. Isso me preocupa. Isso me deixa apreensivo, porque vivi, mesmo que em idade tenra, todo o processo e todos os contornos daquela “época doente”, que demoraremos certamente muito tempo para sair, se é que sairemos algum dia.

 

                                     Se a Constituição Federal de 1988, que garante a liberdade, a igualmente e considera crime a discriminação, não é a ideal ou não o traduz, ao menos foi a possível dentro da transição que ainda grita sobre os porões de nossa recente tentativa de sermos livres e deve, sobretudo, ser respeitada.

 

                                      Tenho um sentimento muito claro e ao mesmo tempo preocupante com os conceitos simplistas que resumem todo um período o qual, tenho certeza, nenhum de nós espera que retorne.

 

NO FIM

 

                                     Seguimos em frente, porque logo ali há outra bandeira de chegada.