Resolvi bater
panelas. Vou comprar uma camisa da seleção brasileira, dessas bem atuais que
devem custar nem sei quanto. Sei que é bem cara. Farei em doze prestações.
Também vou colocar
uma fita na cabeça com os dizeres: “Avança Brasil!”. Vou pegar uma bandeira,
para ficar completo, e abrir aquele sorriso.
Certamente
encontrarei outros com o mesmo propósito. Irei me juntar aos milhares que
buscam mudar o país. Caminharemos juntos. Até acho que poderia vestir um
cachorro com as cores deste país que vai pra frente. Achei melhor não, poderia
deixá-lo confuso.
Preparei-me. Vesti a
indumentária e sai bem alegre, faceiro ao encontro daqueles que querem mudar,
que buscam a mudança total contra a corrupção.
Passei a primeira
quadra, venci duas esquinas, caminhei mais um pouco, mais um pouco e nada.
Fiquei preocupado. Onde estavam todos?
Provavelmente eu
estava adiantado. Mas, não. Não enxergava nada. Nenhuma movimentação; nenhuma
bandeira ou faixa. Somente pessoas em seu ritmo normal.
Num primeiro momento
fiquei feliz! Sim, se tudo estava normal, apesar de eu ter comprado material
novo, inclusive a panela, é porque nada mais será necessário. Estamos livres! A
corrupção acabou! Tiramos todos! Viva a camisa da seleção! Viva as fitas de
cabelo! Viva todos!
Mas aí, acordei! E o
pesadelo permaneceu. Eu acordado e sonhando, enquanto pensava que estava
sonhando acordado.
Não vi saída. Alguém
me assoprou que seria pela esquerda. Ficou a panela.
NO FIM
Que susto.