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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

CANSA




                            Resolvi bater panelas. Vou comprar uma camisa da seleção brasileira, dessas bem atuais que devem custar nem sei quanto. Sei que é bem cara. Farei em doze prestações.

                            Também vou colocar uma fita na cabeça com os dizeres: “Avança Brasil!”. Vou pegar uma bandeira, para ficar completo, e abrir aquele sorriso.

                            Certamente encontrarei outros com o mesmo propósito. Irei me juntar aos milhares que buscam mudar o país. Caminharemos juntos. Até acho que poderia vestir um cachorro com as cores deste país que vai pra frente. Achei melhor não, poderia deixá-lo confuso.

                            Preparei-me. Vesti a indumentária e sai bem alegre, faceiro ao encontro daqueles que querem mudar, que buscam a mudança total contra a corrupção.

                            Passei a primeira quadra, venci duas esquinas, caminhei mais um pouco, mais um pouco e nada. Fiquei preocupado. Onde estavam todos?

                            Provavelmente eu estava adiantado. Mas, não. Não enxergava nada. Nenhuma movimentação; nenhuma bandeira ou faixa. Somente pessoas em seu ritmo normal.

                            Num primeiro momento fiquei feliz! Sim, se tudo estava normal, apesar de eu ter comprado material novo, inclusive a panela, é porque nada mais será necessário. Estamos livres! A corrupção acabou! Tiramos todos! Viva a camisa da seleção! Viva as fitas de cabelo! Viva todos!

                            Mas aí, acordei! E o pesadelo permaneceu. Eu acordado e sonhando, enquanto pensava que estava sonhando acordado.

                            Não vi saída. Alguém me assoprou que seria pela esquerda. Ficou a panela.

NO FIM

                            Que susto.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

SÉRIE




                           

                            Depois da novela Roque Santeiro nunca mais - com raríssimas exceções para ser honesto -, tinha visto programas em série. Nada contra. É que a pouca atração somava-se a falta de estímulo para tanto. Agora estou mudando.

                            Após assistir quase todos os filmes possíveis no Netflix, assessorado pela Thaís, passei a ver uma série, primeiro despretensiosamente, depois com muito cuidado para ver se dela não foi que surgiu os alicerces deste “novo Brasil”.

                            Claro que a série retrata naturalmente a falcatrua. Do sistema e da sua podridão. E, sobretudo, como alguém sem um voto sequer consegue alcançar os degraus mais altos do poder.

                            Fiquei pensando: o pessoal daqui, do Brasil, estudou este programa. Não pode ser natural a convergência de elementos e o resultado. É tudo muito igual. São situações gêmeas, univitelinas!

                            Por outro lado, igualmente refleti sobre a possibilidade de que se trata de ações humanas. Os humanos são iguais. São repetições. E disso a igualdade nada mais é do que, tudo igual como sempre. Tudo é cópia.

                            Mas confesso que não me satisfiz.

                            As pilantragens; relações ardilosas; conchavos; negociatas; compra e venda de pessoas; interesses econômicos acima de tudo, sem perder de vista que o poder é muito maior que o dinheiro, é exatamente o que experimentamos após o nosso avião (Brasil) ficar totalmente à deriva, desgovernado e tendo à frente uma “equipe” que ninguém acredita, principalmente no quesito honestidade e de que realmente terá objetivo coletivo em detrimento da salvação individual.

                            Senhores, senhoras, não temos realmente para onde correr, somente permanecer na janela vendo aqueles que, de vergonha, ainda tentam sustentar que tudo foi pelo melhor, que tudo foi “tira primeiro ele, ela, e depois tiramos os outros”. É risível! A conta veio e é muito cara.

NO FIM

                            Estou gostando de assistir.

                           

 

                           

                           

                           

 

                                     

DESAFORO




                           

                            A indicação do Ministro da Justiça para Juiz do Supremo Tribunal Federal é sim um soco no estômago do povo. E não porque foi advogado do PCC ou como advogado atuou na defesa de clientes envolvidos neste ou naquele crime, pois, apesar de alguns não entenderem (ou não quererem), o advogado não defende o crime, mas o direito de todo o cidadão de ter uma defesa conforme a Constituição Federal.

                            Refiro-me às circunstâncias e as características que envolvem a indicação. É um militante político que tem sim lado. Deixou transparecer neste mínimo período em que comanda uma das mais importantes pastas do governo que não seria a escolha apropriada, a não ser que o objetivo seja os “benefícios” da escolha perante a mais alta corte de justiça deste país.

                            É sim uma escolha pontual, cirúrgica, inapropriada e que fere o princípio da moralidade. Todos sabem e todos dirão que é assim que também pode funcionar o sistema.

                            Alguém dirá: o ministro Toffoli era o Advogado Geral da União quando foi indicado ao STF pelo Lula, como aconteceu com Gilmar Mendes em relação ao FHC. Todas as situações se comunicam, entretanto para o caso específico do ministro da justiça indicado a gravidade é potencializada pelo momento e pelas posições de cunho partidário e pessoal sobre o principal julgamento político que lhe cairá no colo (lava-jato).

                            Ainda a sabatina no Senado será por muitos que estão envolvidos de qualquer forma neste mesmo processo. Ou seja, será sabatinado por aqueles que, eventualmente, julgará. Não é extraordinário!

                            Morreu o relator. O atual relator passou de um colegiado para outro dentro do STF. Coincidentemente este ministro foi escolhido o relator. Agora em substituição ao grande ministro falecido entra o ministro da justiça, a partir de todas as outras coincidências.

                            Será que foi sempre assim?

NO FIM

                            Espetáculo.