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quinta-feira, 26 de outubro de 2017

SEPARADOS


                            Surfando na onda Catalunha ouvi um papo de que aqui embaixo teve uma pesquisa, que denominaram “plebiscito informal”, sobre a criação de um novo Estado ou “O Sul é Meu País”, onde RS, PR e SC seriam este “novo”.
  
                          Esta conversa não é de hoje. De tempos em tempos vem à tona esta discussão. Realmente desconheço o âmago e as razões que embasam a organização de evento desta natureza. Quero crer que há um estudo científico, passando por todos os campos, sociais, econômicos, diplomáticos, etc., que dê guarida ao menos para que seja realizada tal enquete. Pois, ao contrário, é uma solidificada perda de tempo.

                            Como de todas as vezes não irá além da esquina de um ou dois finais de semana, tornando novamente tal processo ilusório e mais uma chacota tipo “sirvam nossas façanhas”.

                            Haveria talvez uma vantagem: estaríamos em todas as Libertadores, provavelmente sem muito esforço.

CAFÉ DAS 17h

                            Claro que não necessariamente às 17h. Foi por muito tempo às 16h. Nada ortodoxo como os ingleses. Mas o café da tarde é algo imprescindível, ainda mais quando (e sempre) passado na hora e agregado ao bolo de banana, laranja, chocolate, etc., que a Débora faz.

                            Dia desses recebendo um querido amigo ofereci ao ritual de quase todos os finais de tarde: o clássico café passado, bem quente (ultrapassando os 90c). Tomou e nada disse. Na saída, com uma dose sarcástica que delineava sua face, lascou: o café que você passa é tão fraco que nem força para sair da garrafa tem.

NO FIM

                            Estamos voltando.




ENTRAR EM CAMPO


                            Piero Calamandrei, que juntamente com Giuseppe Chiovenda e Francesco Carnelutti formam os “três C” do processo civil, em sua obra “Eles, Os Juízes, Vistos por Um Advogado”, diz mais ou menos o seguinte: “ O advogado está no último degrau junto com seu cliente; não importa a sua condição, mesmo que a saúde não lhe seja generosa; a chamada para o julgamento o tornará um leão e ele se transformará no intransigente defensor, sem barreiras para garantir o respeito ao direito de seu assistido. Após, se assim o for, retornará com suas dores e sua vida”.
           
                 Tal passagem desta antiga obra voltou ao meu pensamento com o recente episódio que envolveu o suicídio do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina.

                            O reitor preparou seu ato: deixou uma carta e simbolicamente sua atitude acontece em lugar público e improvável. O recado contra o desconforto, o desatino, o desespero, em relação a sua prisão ficou tão evidente quanto ao resultado da ação extrema.

                            A prisão temporária a qual o reitor foi submetido, conforme é dito, foi contaminada pelos holofotes, pelas fotos e pela espetacularização, descontrolando fatos e apresentando a vaidade humana sem qualquer limite. Um ato que deveria ser discreto é tornado grandioso para a satisfação e delírio de alguns.

                            Quem sai vencedor disso tudo?  Ou somos todos derrotados?

                            A defesa, propagada pelos grandes italianos e simbolizada também na obra citada, fica adstrita a quê? Qual a saída? Permanecer no degrau inferior e tentar juntar as penas propagadas por um ato desproporcional e até irregular pela forma? O que será feito? Quais são os verdadeiros limites?

                            A humanidade está definitivamente sem freios e a vida está cada vez mais chata.

NO FIM


                            E o pior é que tudo continuará acontecendo e terá aplauso como alimento.

RUAS


                            O assunto é tão recorrente quanto necessário. Todos nós, moradores desta cidade, experimentamos consequências violentas relacionadas a violência, sobretudo noturna e aos finais de semana.

                            Recentemente um grupo de jovens (leia-se: delinquentes e sem freios), em pleno centro da cidade, em ação covarde, porque sabidamente agem somente em “bandos”, agrediram outro jovem e ocasionaram lesões de grave monta.

                            E não para por aí. Todos, absolutamente todos os finais de semana, algum ato criminoso acontece no centro de nossa cidade. E os resultados estão se potencializando. Ninguém está livre. Qualquer um poderá ser a próxima vítima.

                            O que fazer? Vivemos em sociedade e, por tal condição, necessariamente existem regras, até para que o retorno à época das cavernas ou do faroeste sofram resistências.

                            Ações preventivas e punitivas em contrapartida (dizendo uma obviedade também necessária) é a única resposta. Isso passa (outra questão óbvia) por aparelhamento humano, técnico, logístico e estrutural.

                            O que falta para o monitoramento por câmeras do centro da cidade? Por que o módulo da Brigada Militar não permanece ao menos com um policial fisicamente em plantão durante o final de semana ao menos?

                            Quanto às câmeras de monitoramento a resposta deve vir das autoridades, pois houve uma movimentação e desconheço o atual estágio.

                            Quanto ao plantão, sabedor da recorrente falta de efetivo ou mesmo de condições no geral, talvez como alternativa o deslocamento do plantão (não sei tecnicamente a possibilidade) do quartel para o módulo? Não sei o que é possível, porque o ideal está cada vez mais longe.

                            Há diversas outras medidas prementes que somente os órgãos de segurança podem enfrentar. Algo precisa ser feito e logo!

                            Fenômenos como agressões graves, homicídios, algazarras e desordem sistemática, já estão sofrendo concorrência das queimas de arquivo.

                            Volto a dizer: algo precisa ser feito, urgente!

NO FIM

                            Viver em paz? Não sabemos mais o que isso quer dizer.       

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

DESTINO?



                            Partindo de conceitos e orientações cristãs, quase automaticamente pessoas solucionam uma questão ou explicam outra com o clichê: “foi o destino”; “tudo o que é para você já está determinado previamente”.

                            Pois amigos, este que vos escreve não concorda com tais conclusões. Primeiro que atribuir tudo ao destino é exatamente transferir para o vácuo tudo o que não se consegue explicar. E, segundo, só para ficar em número de dois, se já está tudo programado não passamos de máquinas e fantoches em nome disso que chamam de “destino” e nesta trilha está também a condição de ser, ou não, feliz.

                            Bauman, na magistral obra “A Arte da Vida”, disse que o destino é o “apelido para todas as coisas que não temos influência” ou “o que acontece conosco, mas não foi causado por nós”.  Há sempre uma gama de opções proporcionadas pelo “destino”, como o local onde nasci e vivo e que balizarão as oportunidades, que serão diversas em relação ao outro que nasceu e viveu em lugar diverso.
                            E aí entra o caráter, pois todas as opções e todas as escolhas frente a realidade apresentada são feitas pelo caráter. E existem muitos tipos de caráter, que são diferentes, evidenciando que não há formula ou receita para felicidade.

                            Há, todavia, uma fórmula que distancia esta procura: buscar na felicidade do outro o modelo para a sua. Cada um constrói sua forma de vida, que é tão somente sua.

                            Continua o filósofo: o maior perigo disso tudo são às fórmulas para a felicidade baseada em consultores e comumente encontradas em obras e mais obras por todos os lugares. Fujam deles, eles o estão enganando.

                            Portanto, buscar a felicidade não passa pelo conceito aberto de “destino”, uma vez que tal dependo do caráter, o qual é inerente a cada um, a partir das opções apresentadas, a quais são as mais diversas.

                            Cuidado ao explicar tudo através do “destino”.


NO FIM


                            Caráter.

FESTIVAL DE ROCK SEM ROCK



                            Que tempos estranhos os atuais, onde até um festival de rock (Rock in Rio) não tem rock! Tem tudo, menos rock. O que é isso? Um atentado ao código de defesa do consumidor? Não, este adquiriu uma mercadoria da qual conhecia. Mas é possível um festival sem o produto que é inclusive seu nome? Ou posso ir a um festival de jazz e não ver jazz? Blues e não ver blues? Sertanejo e não ver sertanejo? Apesar que quanto a este último, todos só teriam a ganhar.

                            Em tal universo deslocado vi algo que me chamou atenção: Johnny Hooker. Um nordestino com voz que lembra Ney Matogrosso, interpretando canções socialmente fortes, contraponto regras e enfrentado a hipocrisia com naturalidade.

                            Para um festival que indica algo que não teve (pelo mesmo até então), ficou uma boa dica.

LUIS FERNANDO VERÍSSIMO

                            O escritor (entre inúmeras outras atividades) Luis Fernando Veríssimo foi demitido do jornal Zero Hora. Era praticamente o último que eu ainda lia (apesar do novel Paulo Germano ter muito a dizer), o que faz-me encerrar um longo ciclo.

                            Veríssimo é um ET das crônicas. Como também é na condição de cartunista, humorista, etc., pois está em patamar infinitamente superior à média dos demais. Não há absolutamente ninguém que consiga chegar onde ele chega.

                            Mas ele diz coisas que talvez não seja politicamente correto dentro de um país sem rota ou rumo. Ainda mais dentro de uma instituição sabidamente parcial. Acho que na verdade ele até durou demais. O talento sem limites foi a garantia.

                            O mundo realmente está ficando cada vez mais chato.

NO FIM

                            Enfrentaremos.

                            

O VERDADEIRO CAPO



                            Em dias onde a gripe teima em querer derrubar tudo, aqueles que não se abalam nem com um furacão Irma (que nem foi tudo aquilo), continuam sem pestanejar, firmes no passo e no compasso.

                            Finalizando uma obra sobre Getúlio Vargas (mais uma), agora essencialmente sob a ótica psicanalítica, entre um espirro e ataques recorrentes à coriza; juntando a um mergulho mais profundo sobre aos cartéis do narcotráfico e os contornos da política, la prensa sempre manteve seu decisivo papel.

                            A mídia produz, sustenta e acaba com o personagem. O comando é totalmente dela, pois, além da informação que é ao final seu papel, a forma como aborda e apresenta traz toda a massa para o “brete” escolhido. Ao final ela é o verdadeiro “Capo”.

                            A grande maioria é sedenta. Quer seja pela verdade ou mesmo pela verdade que mais lhe é apropriada. E dependendo tal verdade pode até mesmo ser transformada em uma “pequena” mentira, dependendo para que lado efetivamente ela, a imprensa, entende mais apropriada.

                            É assim e infelizmente está sendo assim mais do nunca. Getúlio, que é mito, porém longe de ser herói, cometeu o suicídio, apesar de tal condição (ou solução) lhe acompanhar desde sempre, pela pressão recorrente de alguém que tinha a imprensa do seu lado.

                            E aqui, para ficar consignado, não se contrapõe absolutamente do imenso valor da informação. O que se indica temerário é a utilização desta informação de maneira nem tanto honesta. E isso acontece diariamente. É ler e ver todo dia. E o mais nefasto é que disso nasce coisas como MBL e outras ervas intelectualmente daninhas.

                            E pior ainda: existe uma ressonância, a partir da intelectualidade nula, que até indica “carreiros” para construção de uma lógica da pseudoverdade.

                            A arte desta vez pagou a conta.

NO FIM


                            É lamentável.