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quinta-feira, 21 de junho de 2018

LOUROS



                            Cristovão Colombo, navegador italiano, que timoneou a comitiva que descobriu o continente americano, não era tudo isso. Ao menos quanto a honestidade literal ao encontrar “novas terras”.

                            Sabia-se que a coroa espanhola recompensaria quem fosse o responsável primeiro por avistar e dizer a famosa frase: “terra à vista!”. E a recompensa seriam 30 moedas de ouro de maneira vitalícia, o que garantiria ao protagonista uma vida de luxo e sem maiores preocupações de cunho financeiro.

                            Um marinheiro foi quem avistou primeiro. Colombo, o “chefe” (não sei se marinheiro tem chefe”), avocou para si a descoberta e abocanhou a fortuna. O marinheiro, desgostoso e sem ter muito o que fazer, dizem, enforcou-se pouco tempo depois.

                            Vejam que os louros muitas vezes não estão vinculados aos reais merecedores. Por vezes, e não raras, os aplausos retratam algo que no fundo não diz necessariamente o que emerge a realidade dos fatos.

                            Disso penso nos jogadores de futebol. Sempre a entrevista, os holofotes e a glória fica vinculada àqueles que realizaram o ato final, ou o gol. Os outros, que carregam o piano, o guarda-roupas, a mesa, e conduzem a sobremesa para o goleador finalizar, apesar de serem considerados importantes no contexto, não recebem toda a euforia.

                            E isso sempre me deixou contrariado. Em absolutamente todas as equipes de esportes coletivos, e aqui precisamente o futebol, sempre há discriminação, mesmo velada, dos que “não fazem os gols”. São tão importantes quanto. Mas a bola na rede é a essência e dela tudo parte ou termina.

                            Minha homenagem aos goleiros, zagueiros, laterais e volantes, que são os construtores da base para que o telhado, quanto o sol estiver gritando, seja construído finalmente.

NO FIM

                            Resultados interessantes até agora (15h de 19.06.18) na Copa do Mundo.  


terça-feira, 12 de junho de 2018

A COPA



                            Uma Copa do Mundo, como uma Olimpíada, é um extraordinário evento de congratulação entre os povos. É uma oportunidade de trocas, de aparições e, sobretudo, de fomentar o enlaçamento da humanidade. É para ser tudo muito bonito e agregador.

                            É claro que procurarei ver jogos, como sempre o faço desde, ao que lembro, a Copa de 82. Aquela que fomos sem nunca termos sido. É uma das únicas seleções que lembro da escalação; posição por posição, inclusive de alguns reservas. Era um verdadeiro espetáculo. Não ganhou. Mas para mim isso não faz hoje qualquer diferença. Porém, à época, fez. E muita! Fui, após o jogo, com lágrimas que teimavam em não me abandonar, participar de um ensaio na banda da querida escola Duque de Caxias, onde excepcionamente o desânimo contagiava. Toda essa dinâmica me acompanha até hoje, provando que o futebol, especialmente em uma Copa do Mundo, é algo muito grande e poderoso.

                            Porém, infelizmente, após toda a lama que envolve o futebol, seus principais dirigentes, alguns recolhidos ao cárcere, outros não podendo se deslocar muito para não fazer companhia aos primeiros, somada a utilização do maior símbolo da seleção, sua camisa, como sinônimo e uniforme de combate à corrupção, por pessoas corruptas, desonestas, traduziu uma inegável perda de brilho em todo o contexto. Hoje a camisa da seleção contém máculas de cunho político que a torna um elemento refratário, ao invés da irmandade de outros tempos. Que tempos, meus amigos!

                            Eu nunca fui um torcedor da seleção brasileira como o fui e o sou do Colorado. Eu sei que isso, para a humanidade, não tem qualquer relevância. Entretanto, para mim sempre foi um termômetro para medir valores e emoções.

                            A Carol, minha filha, sempre lembra (e me lembra) das reuniões em jogos da seleção onde, como sempre o fiz, democraticamente, dizia que o meu time é o Internacional e da seleção brasileira eu assisto os jogos.

                            Isso não impede de eu desejar boas apresentações, inclusive do Uruguai.

NO FIM

                            É sempre um momento diferente.
                                              


DUAS VOLTAS NA CHAVE



                            Confesso que nunca entendi (ou absorvi as respostas) o motivo de dar duas voltas na chave para trancar uma porta. Dizem que sendo o marco de madeira duas voltas trariam mais resistência na eventualidade de ser forçada. Não sei. Tenho dúvidas.
                            
                            Alguém sabe de notícias de que uma abertura (arrombamento) foi facilitada em razão de que havia uma só volta na chave? Acho que no final é somente a sensação de mais segurança, condição que naturalmente, na minha opinião, na prática inexiste.

                            E qual a importância disso em nosso dia a dia?

                            Talvez mínima ou quase nenhuma. Entretanto tal procedimento não deixa de ser um TOC, inofensivo, claro, mas é uma espécie de transtorno obsessivo. E vocês já pensaram em quantos destes promovemos a todo o momento?

SOPA NO PÃO

                            A turma da Hamburgo Hamburgueria não para de inovar. Agora são mais duas novidades: sopa e filé ao molho de gorgonzola no pão. Espetáculo! Cabe uma sugestão: comida encorpada indica um vinho correspondente. Parabéns, novamente, a toda a equipe: Micka, Ivens, Thaís, Pan Kito, Fish, Gordo e Juarez (Shaolin).

JOGO DE FUTEBOL

                            Li que a Argentina, liderada pelo Messi, cancelou um amistoso que realizaria com Israel. O motivo, de sempre, é a guerra sem fim por territórios, entre outros tantos motivos, na Faixa de Gaza. Uma atitude, com observações de todos os lados, todavia com uma inegável constatação: o futebol, como instrumento político tão importante que é, não pode ficar no limbo. Que tempos aqueles em que ouvíamos atentos o dr. Sócrates e muitos outros. Até neste quesito nosso país é de quinto mundo.

NO FIM

                            Ajudem as pessoas nesse inverno.  





segunda-feira, 4 de junho de 2018

QUEDA LIVRE



                            Esse governo moribundo, natimorto, ilegítimo e sem qualquer credibilidade, agoniza melancolicamente dia após dia. O ápice se estabelece com uma crise anunciada. Desta nascem outras demandas. A roda gira como maior velocidade e não haverá surpresa se uma queda acontecer a qualquer tempo.

                            O mandatário não possui a mínima condição de manter-se no cargo. Seus asseclas idem. Absolutamente nenhum transmite ao povo a confiança necessária para que a crise seja enfrentada da maneira que a situação reclama.

                            Amigos, queridos leitores e leitoras, retorno à origem: o rompimento institucional ocorrido em nossa “democracia consolidada” determinou tudo isso. Foi com o pato, a panela e a política derrotada trazida como solução.

                            A queda imediata do Presidente é um horizonte que se desenha com clareza.

CAMINHÕES

                            Achei plausível, apropriada e necessária a movimentação originada pelos caminhoneiros. Trouxe à mesa questões que até então passavam “em branco”, com o governo fazendo o que queria, todo dia, a partir de uma política chamada “de mercado”. Aumentar combustível diariamente nem assustava mais. Aí apareceu um freio que não havia. E foram sim os motoristas da estrada que protagonizaram isso.

                            Entretanto, entendo necessária algumas ponderações. A primeira delas que o país não pode ficar de joelhos a uma categoria, apesar, como disse, a causa ser justa. O fato é que as consequências da dependência da malha rodoviária chegaram a um patamar muito perigoso.

                            Precisamos encontrar um meio ou ponto de equilíbrio entre as demandas e o hiato ou tempo de maturação entre as negociações. Não pode tudo ficar ao critério de uma parte em detrimento de todas as outras, que gradativamente experimentam prejuízos que se acumulam e sendo tudo alimentado pela inoperância governamental e a utilização desta, sobretudo, como bandeira.

                            Vejam que tudo isso indica o retorno ao início: não há legitimidade; não há comando; não há respeito.

NO FIM

                            Obviamente o movimento não é mais só dos caminhoneiros.  






PARALISAÇÕES



                            Os caminhoneiros pararam. Parou também o abastecimento em geral; e aquela frase “sem caminhão o Brasil para” é presente e verdadeira.

                            Pois bem. A reivindicação da categoria é, além da redução dos combustíveis na origem, a discussão sobre os impostos (redução) em relação ao produto.

                            Para nós, simples mortais e consumidores finais, o fato é que o preço da gasolina/diesel sobe a todo o momento. Houve até a informação de que em dez dias subiu cinco vezes!!! Isso mesmo, a média indicou um aumento a cada dois dias! E vem aquela observação: subiu nas refinarias e o repasse ao consumidor “depende dos postos”. Você ainda acredita nisso?

                            Pois é. Seguimos no ritmo do absurdo, sem comando, com desmandos e só vem à mente a face do Presidente da República, o traidor mor, que mantém sarcasticamente sua íntima relação com as trevas.

PHILIP ROTH

                            Faleceu nesta semana Philip Roth, escritor norte-americano responsável por vasta e consistente obra literária. Com estilo claro e objetivo, a partir de obras de leituras rápidas, sempre dizia que escrever é entre outros um ato de solidão.

                            Dos livros que li, Patrimônio e A Humilhação têm a minha predileção. São livros duros. Aqueles que retratam as vicissitudes humanas com muita dor e angústia, como ao final é a luta pela sobrevivência.

                            Se puder deixar uma dica, leiam Philip Roth.


NO FIM

                            A bagunça permanece descontrolada.
                             

JAMPA



                            Em uma pequena inserção dentro deste nosso imenso país, obviedades e constatações recorrentes floresceram outra vez.

                            Começo dizendo o óbvio: o Brasil é muito grande. E não só na dimensão de seu território, mas na diversidade de sua cultura e ao final de seu povo.

                            Tudo é diferente. Costumes, alimentação, formas, jeitos, vestimentas, clima, cumprimentos, dia e noite, enfim somos inevitavelmente diversos povos dentro de um mesmo território que quase fala a mesma língua.

                            Em Jampa, nome carinhoso ao que se referem a cidade de João Pessoal, a capital da Paraíba, tudo é inevitavelmente particular, desde o nascer do sol, passando pelas características pontuais da via beira-mar ser fechada para atividades esportivas das 5h às 8h, todo o dia. Sim a partir da 5h, com o sol já se apresentando com força, o povo começa sua movimentação. E é muito grande, não só com atividades ao mar, mas especialmente voltadas às caminhadas, corridas, bicicletas, entre outras.

                            A cidade pulsa, como não percebi em todas as outras que estive no norte/nordeste, com tais características. A vida esportiva é a tônica e dela tudo começa ou termina.

                            Evidente, e já dissemos aqui em muitas oportunidades, que o povo é mais alegre em climas tropicais. E como não poderia deixar de ser, se o próprio clima convida para a vida se desenvolver ao ar livre.

                            Não há introspecção. Talvez nem mesmo saibam o que isso pode ser, considerando, por exemplo, a situação pelo clima nosso aqui do sul.

                            E vejam, não há censura ou desprezo. O que há sim é qualidade, alegria, divertimento e ao final mais um país dentro deste nosso país.

                            Viva o Brasil! Ao mesmo neste quesito.

NO FIM

                            O vinho igualmente gravita, por aquelas bandas.

QUERO ACREDITAR



                            Sabem aquele cântico que até ficou famoso: “Eu acredito!!! Eu acredito!!!”. Muito usado pelas torcidas quando o time está à beira do abismo. Aquele mesmo. Sempre achei, com todo o respeito, “meio bobinho”, tipo: vamos agregar energia para chegar a um lugar que está deverás distante. Vamos atrás do “milagre”.

                            Como aconteceria se um jogo estivesse empatado e para cada um dos lados precisasse somente de um gol para ser campeão? As duas torcidas passavam a gritar a todos pulmões: “Eu acredito!!! Eu Acredito!!!”. Venceria quem gritasse mais forte? Venceria quem tem menos dívidas com o “todo poderoso”? Venceria àqueles que no conjunto de vozes expressa um som temperado em limites graves e agudos? Tim Maia, por exemplo, poderia gritar sozinho contra uma multidão!

                            Digo isso para chegar onde realmente quero: acredito num bom jogo e até mesmo numa vitória do Internacional em seu próximo compromisso pelo campeonato brasileiro. Será que estou mais insensato ainda? Sou um sonhador? Sou mais um da equipe dos “Eu acredito!!!”. Talvez tudo isso junto. O fato é que, com o respeito a tudo e a todos, acho que sim, será um bom jogo e o Internacional sairá bem. Será talvez o início de um novo início.

                            Agora, também é possível que eu tenha adversários pensando de outra forma. Que esse confronto estabelecerá descer mais um degrau nesta terrível caminhada que seguimos. Digo: acho que não há mais degrau para descer; e, também, que tenho treinado minha voz e está afinadíssima. Não vai ser fácil ganharem no grito.

                            Finalmente até pensei em gritar “Eu não acredito!!!”.  Porém, como tenho dito isso praticamente todos os jogos, resolvi mudar a estratégia.

                            Vai que dá certo!

NO FIM

                            Não duvidem do improvável.

DOENÇA E VIDA



                            Apesar de ordinariamente não apreciar as colunas diárias do David Coimbra ou suas observações em geral, não deixei de ler seu livro Hoje Eu Venci o Câncer.

                         Em primeiro lugar é uma grande obra/depoimento. O autor discorre dentro de uma sistemática simples e ao mesmo tempo definidora sobre ser acometido, praticamente “do nada”, por uma enfermidade que pode levar à morte.

                              Um dia está bem. Em outro tudo mudou.

                        Inevitavelmente tais obras servem, antes de tudo, para uma reflexão profunda sobre a vida. Qual realmente a razão de nossas buscas, de nossos objetivos e do sentido que damos a nossa vida.

                        Será que vale a pena? Será que o meu foco não está um pouco equivocado? Será que minhas prioridades efetivamente me levarão a algum lugar? Lugar esse que seja ao menos confortável? O que estou fazendo da minha vida e de mim?

                              É certo que algumas questões somente emergem em momentos críticos. Sempre que conversei com pessoas em momentos de expressão de solidariedade, sobretudo a partir do sofrimento extremo, chegamos invariavelmente a conclusão de que a vida é simples e precisamos perseguir coisas simples e deixar de lado de alguma forma tudo que nos angustia. Saímos dali dispostos a isso. Porém a cada esquina que vencemos o nosso pensamento retorna ao estado inicial e praticamente esquecemos que devemos viver ao invés de simplesmente existir.

                           Quando, como no caso do David, a proximidade de uma definição avança em velozes galopes, as alternativas escassas serão o tudo e o nada. Como, aliás, é a vida. Esse fenômeno que teimamos em destruir por vezes com prioridades menos que insignificantes.

                            Sugiro a leitura.

NO FIM
  
                          Por tudo e por todos.  







RESÍDUOS



                            Em mais um dos bate-papos semanais dentro do Programa Roda de Conversa que vai ao ar na LAGOA TV todas às terças-feiras às 21h, fixamos discussão sobre os chamados “resíduos da sociedade”. Aqueles que vagam sem rumo; que são considerados a escória; estão à mercê do que é socialmente aceitável; aqueles em que a maioria quando encontra atravessa a rua.

                            Esse verdadeiro “subproduto” humano está cada vez mais presente, porque não passa ao final do resultado da própria sociedade. É mais uma das contas que todos nós somos responsáveis. Nosso egoísmo é o fio condutor.

                            É muito comum criticar, ter ojeriza, aversão, até porque tais sentimentos estão vinculados também e principalmente ao medo. Quem poderá saber da reação de quem não está mais inserido no regramento social?

                            Porém tal condição é outro ponto. É outra coisa. O fato é anterior. É como esse subproduto humano está na condição de subproduto humano.

                            Talvez muitos pensem: e o que eu tenho com isso? Sinto informar, caros leitores, para quem pensa assim, que todos têm sim tudo a ver com isso. Absolutamente ninguém fica de fora desta responsabilidade. Ela é de todos!

                            E como fazer para enfrentar esse verdadeiro colapso social? Ficarmos de braços cruzados é uma solução? Até quando? O que será de nós?

                            A conta é muito cara.


NO FIM
                            Atitude, novamente!