Tem o ditado que
diz: dor de barriga não dá uma só vez! Mas, confesso: a dor que tive domingo -
o dia da votação -, e a ânsia de vômito que veio no apoio foi indescritível.
Foi uma sensação conjunta de desânimo, de desprezo, de vergonha, de falta de
perspectiva, de ignorância, de apelação, de nem sem mais do que.
Não falo do
resultado. Ao contrário, apesar de entender que a Constituição foi ferida de
morte sei respeitar uma decisão, mesmo que absolutamente concorde minimamente
com ela.
Analiso os
personagens, desprezíveis, papagaios de pirata, conspiradores, que até
homenagem à tortura e aos torturadores tiveram a capacidade de alardear. Não
quero dar ibope (ou qualquer outro “instituto”) para estes personagens, até
porque a simples menção ao nome traria a sensação frisada no início ainda mais
forte. Quero introduzir alguns fatos.
Toda a orquestra levou-me
ao setor “anos 1960”. De lá extraí um, do Zuenir Ventura, “1968, o que fizemos de nós”. E superficialmente encontrei um
pequeno relato que indicava o primeiro brasileiro reconhecidamente “torturado
no ventre”.
A mãe grávida,
torturada por 36 horas ininterruptas, como forma preliminar de “arrancar qualquer
confissão”, estrategicamente agredida em partes onde, em tese, não forçaria a
morte ou o aceleramento do parto, viu-se após o inevitável rompimento da bolsa
infestada de baratas, que, disse ela, “perderam a vergonha”, tendo hora marcada
para ir ao banheiro ou mesmo sendo obrigada a urinar em frente aos soldados sob
uma pequena lata.
A criança nasceu com
a saúde comprometida, sem falar nas consequências psicológicas tanto dela
quanto da mãe a partir de todo o episódio.
Porém isso, para
muitos, acreditem, “foi necessário”, porque fazia parte de uma limpeza, a qual
em nada perdeu para os áureos campos que sustentaram o nazismo.
Foi isso que emergiu
com mais potência para mim naquele dia. Foi muito ruim.
NO FIM
O antigo leite de
magnésia para o combate.