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quarta-feira, 30 de julho de 2014

RODA DE CONVERSA




 

                            Aprendendo, como sempre, com os colegas de bancada no programa Roda de Conversa (terças-feiras na Lagoa FM e Lagoa TV, às 21h), batemos de frente no muro da desesperança.

 

                            Quando abordamos o espinhoso assunto do “abandono afetivo”, sobretudo dos pais perante os filhos e, especificamente, daqueles filhos que ficam privados do convívio pelo alegado “abandono material”, chegamos a mais uma encruzilhada, a partir da análise das pretensões no âmbito judiciário desta matéria.

 

                            O objetivo, na esmagadora maioria, das demandas que buscam a declaração da privação deliberada do convívio entre país e filhos é uma só: recompensa financeira. Não há, pelo menos em regra, ingresso de uma demanda para, a partir do reconhecimento, se busque um abraço, um beijo ou o caminho para se chegar a uma possibilidade mínima de convivência ou de restabelecimento de algo que nunca deveria ser perdido.

 

                            Mas, ao contrário, a intenção é uma só: monetária!

 

                            Pouco importa, e sempre digo em regra, se um dia haverá um abraço, um beijo, pois importa mesmo é tentar compensar financeiramente aquilo que o pai (ou mãe) deixou de alcançar em época própria, igualmente importando pouco as razões do alegado abandono.

 

                            Os valores estão, também por tal prisma, invertidos, porque não será evidentemente a busca, pela “força”, de um reconhecimento que será possível inverter os fatos e ao final ter a garantia de um convívio de paz. Não, o que resta tão somente é o quantum, o valor financeiro que será conseguido pela indenização da “perda de uma chance” ou dê-se o nome que quiser.

 

                            Definitivamente nunca vi uma ação judicial perseguindo um abraço, ou seja, quero abraçar aquele homem/mulher porque, por diversos motivos, isso não aconteceu quando deveria.

                            É claro que há o lado de quem foi em tese abandonado, o que não se anula ou desconhece. Porém, a compensação financeira é o real sentido da pretensão?

 

NO FIM

 

                            Como já disse o Zé Loucura: Eu sei que tu sabe que eu sei que ele sabe.

                           

 

 

                           

 

 

 

 

 

 

 

 

NOSSAS CONVERSAS




 

                            Seguidamente mantenho um diálogo com Victôrrugô, porém ultimamente estamos nos encontrando muito seguido, o que é bom, mas também, por vezes, é ruim.

 

                            Os nossos encontros geralmente são muito intensos, sempre regados pela profundidade do debate que introduz o ser humano em águas profundas. Não deixamos de enfrentar o embate, mesmo eu sabendo que tenho muitas desvantagens.

 

                            A última conversa foi sobre estas tais “redes sociais”, que, como sustenta Victôrrugô, de rede mesmo só tem a malha, umas mais finas que as outras, deixando presa todas as espécies, das intelectualizadas as de luzes pouco intensas.

 

                            Perguntei o motivo da roda girar nesta velocidade. Ele me afirmou que nas “redes sociais” a roda não gira, ela disfarça com tanta propriedade e eficiência que tudo no final fica parado.

 

                            Como não entendi muito bem, fiz outra indagação: por que o ser humano, que persegue a velocidade por natureza, se concentra em algo que não sai do lugar?

 

                            Como resposta, baseado num misto de superioridade e desdém, ele disse: você ainda tem muito a aprender! Não se trata, alertou com convicção, de velocidade ou natureza, mas da simples capacidade da reiterada busca que o ser - dito por vezes humano, tem de comprometer a si próprio, de complicar um caminho e, ao final, de pavimentar sua própria desgraça.

 

                            Quanto achei que estava entendendo, ele definiu: não esqueças, quando falo, abranjo todos, sem exceção. Por isso, não deixe inclusive de visitar os espelhos, reiteradamente.

 

                            As tais “redes sociais”, já há muito em destaque, ao final nunca ultrapassaram o limite da solidão e o misto entre esta, o desespero, a inveja e a falta da verdade.

 

                            Fiquei novamente sem resposta.

 

NO FIM

 

                            Ainda conversaremos muito sobre tudo isso.

 

 

 

 

sexta-feira, 18 de julho de 2014

O SENHOR DAS MOSCAS




 

                            Já faz algum tempo que tenho contato com a obra do inglês William Golding (Nobel de Literatura de 1983), sobretudo o clássico “O Senhor das Moscas”.

 

                            Agora, revirando alguns livros, olhando tantos outros, buscando descansar da roda viva, novamente cai em minhas mãos esta obra extraordinária a qual tenho a sensação que nunca deixou de me acompanhar.

 

                            Golding, baseado na fábula de Ballantyne, porém caminhando em outro sentido, “combate” a tese de Rousseau de que os homens são bons por natureza, sendo que o meio os contamina. Ou seja, não há, para Golding, o chamado “bom selvagem”, pois não seria a organização social que moldaria a nossa natureza, porque “a cobiça e a arrogância” é a base da conduta do ser humano, independente do meio em que ele vive.

 

                            Portanto, segundo os ensinamentos extraídos deste fantástico livro, a ética é a base social e não o sistema político que regulará o sentimento e a razão humana, ou como diz Golding: “Os defeitos da sociedade acompanham os da natureza humana”.

 

                            Tudo isso é muito grande e somente um Brunello poderia ajudar a decifrar os pontos que caminham e conduzem a sinapse.

 

O FINAL

 

                            Terminada a Copa do Mundo ficou a certeza de que o Brasil ultrapassou as desconfianças e conseguiu organizar o evento de maneira mais do que aceitável.

 

                            O que fica, especialmente, é a garantia de que, provada a capacidade, a evolução virá em consequência.

 

NO FIM

 

                            Aguardaremos os próximos capítulos.                                           

terça-feira, 8 de julho de 2014

OUTRA VEZ




 

                            Estive por alguns dias participando presencialmente das aulas do curso de mestrado que frequento na Universidade de Roma ou na “La Sapienza”.

 

                            Sem qualquer demérito ao ensino brasileiro, pelo contrário, a maneira europeia ou precisamente italiana de conduzir os espaços acadêmicos é muito interessante. Não há uma aula na forma conhecida aqui no Brasil, pelo menos conhecida por mim. Há uma interação simbiótica entre a matéria em discussão (jurídica) com outras afins, como filosofia, sociologia, antropologia, etc.

 

                            Aqui no Brasil também acontece isso. Contudo, a inclusão e o enfrentamento da natureza macro que abrange todos os modelos da academia tem ainda uma pitada de timidez. Não acontece aqui, como acontece lá, o mergulho em águas profundas do conhecimento simbiótico. Mas, como todos os pontos, haverá de podermos aqui abranger pontualmente as questões que efetivamente interessam para o nosso fim, sem perder tempo nas questões periféricas.

 

CULTURA

 

                            As manifestações populares devem claro ter um foco e uma finalidade. O Brasil está engatinhando também neste quesito, e igualmente ser querer ou ousar desmerecer todos os movimentos ou manifestações, é importante que para eles seja dado uma razão.

 

                            De nada adianta ficar como um pião, destruindo patrimônios, evocando cânticos seculares, sem que o objetivo final esteja definitivamente traçado e que tal condição, sobretudo, indique o caminho que deverá ser o sentido de tudo.

 

                            Uma forma, provavelmente, para quem tem a intenção de boicotar a Copa do Mundo é não aceitar ser dispensado do trabalho no horário dos jogos e continuar trabalhando. Outra forma poderia ser não participar de qualquer ato correspondente aos jogos, sem violência e com objetivo definido, como, por exemplo, deixar de comprar qualquer artigo correspondente.

 

                            Porém, não é isso que se vê. O que está presente é a manifestação e a ação totalmente contrária a razão pela qual a mesma manifestação teria sentido.

 

NO FIM

 

                            Assim, não funciona.

 

 

 

 

 

 

INTERVALO




 

                            Pelo que tenho notado tudo está se desenvolvendo de maneira perfeitamente aceitável na Copa do Mundo que se realiza em nosso país. Não há intercorrências importantes e tudo parece estar funcionando muito próximo do ideal.

 

                            Sim, o Brasil é protagonista de um evento de magnitude singular e se alguns detalhes fogem momentaneamente do script, em absolutamente nada altera a essência do espetáculo e a grandeza de tudo o que este povo está presenciando e vivendo neste momento.

 

                            É claro que o evento que deu início a tudo poderia ter sido mais interessante. Contudo, meus amigos, este é também um detalhe, importante sem dúvida, mas que não poderá contaminar todo o trabalho e toda a energia imposta.

 

                            A única ressalva, pequena, mas digna de registro, é que na música de abertura talvez tenha faltado a própria razão cultural deste povo, mas, como dito, nada anula o todo.

 

                            Parabéns Brasil.

 

VAIAS

 

                            Evidente que ninguém é obrigado gostar ou odiar a Presidente Dilma. O que não pode é, sob o pretexto de uma manifestação democrática, atingi-la com palavras de conteúdo extremamente ofensivo, pois, queiram ou não, se trata da Presidente do nosso país, que é o responsável por tudo o que esta acontecendo, e se trata, sobretudo, da maior autoridade do Brasil, e, portanto, toda a manifestação desrespeitosa atinge o povo como um todo, também perante a quem nos vê.

 

                            E tem mais um detalhe: pela ignorância daqueles que promoveram as ofensas a Presidente sai do episódio ainda mais fortalecida.

 

NO FIM

 

                            Espero que tudo se mantenha neste equilíbrio.