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terça-feira, 26 de maio de 2015

SABEDORIA




 

                            Toda ritualística voltada ao descobrimento ou ao redescobrimento tem obrigatoriamente que vencer a escuridão. Este lado sombrio, nebuloso, verdadeiramente sincero, é útil, necessário e inevitável ao encontro.

 

                            Desamarrar os monstros é mais fácil do que enfrentá-los.

 

                            Isso serve desde os ensinamentos de Balzac, sendo tais, hoje, estendido às mulheres de quarenta, inevitavelmente. Aliás, quarenta é o número. É definitivamente dele que se desprendem o risco. Muito provavelmente pelo tempo, que se esvai. Mas, pode ser pelo mesmo tempo que nasce.

 

                            Mas, se o tempo, como disse Einstein, só existe no contexto biológico/psicológico ou a separação entre passado, presente e futuro não passa de uma ilusão, do que vale Balzac e os monstros presos?

 

                            Assunto para ser diluído sob as mesas dos bares meio ruins.

 

PARABÉNS

 

                            Vai para a Folha do Nordeste, que apesar do nome é de Lagoa Vermelha e do Rio Grande do Sul.

 

ABRAÇO

 

                            Para o colega, amigo, conhecedor de cortes e assemelhados, Joel Muliterno, que desde sempre tem o hábito de ler, além de Nietzsche, a Folha.

 

QUASE NO FIM

 

                            Algo está se movimentando no horizonte. Espero que não seja um terremoto em compasso de ataque.

 

NO FIM

 

                            Disse Chico: “você não gosta de mim, mas sua filha gosta”.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

MEIO DE ESQUERDA




 

                            Antonio Prata (aquele escritor paulista, pra quem não lembra), sustenta ser meio intelectual, meio de esquerda e, igualmente por isso, frequenta bares meio ruins.

 

                            Eu, contextualizando tudo, acho que sou meio de esquerda e frequento bares meio ruins.

 

                            Por isso, o fato de ser meio de esquerda e frequentador de bares meio ruins indica que sou meio boca aberta?  Incida que sou meio bem de mal com a vida? Indica que busco na teoria a razão de justificar aquilo que digo ser e no fundo nunca serei?

 

                            Como Prata, sempre pensei que o bar, ainda meio ruim, deve ser visitado antes dos “analistas da Veja”, porque, após, ele é capaz de ser considerado meio bom e meio de direita, o que sugere a presença anterior de um meio atrasado como eu.

 

                            Ser de esquerda ainda assusta? Ser meio de esquerda assusta um pouco menos? Ser de direita (ou meio de) é sinônimo de visão analítica/intelectual/progressista/garantidora e que utiliza sabonete bem cheiroso no banho?

 

                            Na encruzilhada, você perdido, opta no instinto pela direita ou pela esquerda? Você entra em bares meio ruins?

 

                            Por ideologia você pede pizza de calabresa ou de camarão ao molho catupiry?

 

                            Acho que, sendo meio de esquerda, devo pensar como meio andarilho, meio desapaixonado, meio com medo. Talvez não. Posso caminhar meio cansado, meio sem sono, meio desanimado, mas nunca deixarei de entrar num bar meio ruim.

 

                            A única situação, como meio de esquerda e animado com bares meio ruins, que não suporto, é beber um vinho meio ruim num copo meio bom.

 

NO FIM

 

                            Sou meio assim mesmo.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

O PASSADO É UMA ROUPA QUE JÁ NÃO SERVE MAIS




 

                            Parafraseio Belchior com a intenção de retornar. O passado é uma roupa que já não serve mais. O nosso patrimônio é o passado que já não serve mais.

 

                            Preciso do passado para entender. Não quero o passado, porque como já foi dito, sendo bom é lembrança e saudade; sendo ruim, é martírio.  Quero sair dele, mas ele insiste em me perseguir.

 

                            A velha roupa, mesmo aquela colorida, nunca mais serviu, porém foi usada. E quando isso aconteceu estabeleceu laços que não se desprendem. E, caso isso venha ocorrer, dificilmente a corda se livrará da lembrança do nó. E voltamos ao início.

 

                            Somos feito do passado. Somos falquejados pelo seu contorno. O presente, apesar do lindo nome e de que devemos sim viver nele, não terá a pretensão de se definir como borracha sobre o escrito pela pena em papel virgem.

 

                            Não há como negociar! Tudo resta vinculado. O passado é – repito -, nosso patrimônio moral. Dele precisamos para entender. É a partir dele que os passos cadenciam.

 

                            Por isso, olvidar a velha roupa ou tentar desconhecê-la é exatamente dormir para não pensar; é definitivamente mentir para si mesmo.

 

                            Quando você revirar o seu roupeiro em busca de algo que você lembra possuir, mas não encontra, não esqueça: poderá, e possivelmente, encontrará, mesmo que escondido nas entranhas, o seu passado. Ele se apresentará com muitas faces ou talvez nenhuma

 

NO FIM

 

                            Talvez a roupa ainda sirva.

FEIJÃO E O ARROZ




 

                            Recebemos no início desta semana a graciosa companhia da Tia Maria para o almoço. Falávamos sobre amenidades, como deve ser numa mesa de refeições tradicional, quando ela sentencia: não gosto muito de feijão com arroz! Talvez quando o feijão é novo, mas nem sempre.

 

                            Pensei: é possível não gostar de feijão com arroz? De mondongo, bife de fígado, coração ou pescoço de galinha (tirando as mães, que comem tudo para deixar o “mel” aos filhos), miúdos em geral, tudo aceitável, mas feijão e arroz!

 

                            Quando comi sushi e sashimi pela primeira vez, já há muito tempo, bem antes de virar moda, nunca experimentei qualquer dificuldade. Outros experimentaram ou experimentam até hoje, sendo impossível pensar (e comer) o peixe cru. Por outro lado, comem mondongo, vai entender o ser humano.

 

                            Aliás, quanto ao sashimi tive que “comprar” muitos dos “meus” para que experimentassem. Compra cara, mas pela intensidade de hoje vejo que até barata ficou. Nunca mais os abandonaram.

 

                            Mas, dizer que não gosta ou, mais corretamente, que até dispensa a clássica brasileiríssima combinação do arroz com o feijão causa espanto. Fiquei, confesso, pasmado. Cheguei a pensar que arroz e feijão deveria ser prato brasileiro obrigatório em fast food, agregando laranja e couve folha. Mas não. Continuamos com batata frita, cebola frita, ovo frito, etc. É a vida que segue.

 

                            Agora, quando retorno aos mercados, deslizando sobre as prateleiras, chego ao preço do arroz e do feijão, acho que talvez a combinação não seja tão boa assim. Inclino-me a concordar com a Tia - reconhecidamente sábia -, condição que me leva a evidência da escolha.

 

                            Não sei onde vamos parar. Talvez perto ou longe de tudo isso. Mas deixar de “escolher o feijão” (nunca mais ninguém fez isso! Fez?) é de uma tristeza faraônica.

 

NO FIM

 

                            Põe água que chegou mais um.