Enquanto ainda
podemos livremente escrever sobre as nuances da vida, nossas posições e
predileções, estamos livres. A concordância, ou não, é exatamente o sentido de
todos poderem se expressar e conjuntamente evoluir. Tirando a fauna e a flora,
podendo agregar a tudo o privilégio da natureza que nos rodeia, não sobra muita
coisa. Muito provavelmente quase nada.
No limiar da
tolerância, lá no último degrau, já no estágio onde tentamos nos convencer que
é preciso sempre considerar, respeitar as opiniões diversas, o contraponto, há
também um limite. E este é intransponível.
Em mais uma dessas
noites primaveris, onde o vento ainda gélido teima em não deixar ninguém
sossegado ao banho do luar, pesquisando sobre as carreiras de minha estante de
livros, encontro farto material, depositado por anos, que permaneceu num espaço
pouco visitado. Estava lá em posição idêntica àqueles países que lutam para
conseguir uma simples medalha de bronze durante toda uma olimpíada. Ou seja,
apesar do conteúdo de suma importância, estavam adormecidos, como que
praticamente material de museu.
Entretanto, como
qualquer região propensa a vulcões, temporais ou tsunamis, eles emergem do
quase nada para o praticamente tudo. Eles estão de volta. E pior: avalizados.
Realmente, até sob
outros vieses, 1968 não acabou. Zuenir Ventura ensinou. Não aprendemos. Somos espécie
que enfrentará um longo passado pela frente. Virou clichê. Virou realidade. Como
a marcha de carnaval inversa, este é um país que não vai para frente.
Ah, o vinho!
Bebericava naturalmente um prazeroso tinto. Nada extraordinário, à exceção da
clareza do reflexo que os títulos das obras revisitadas emergiam sob a taça.
Outrora, o tinto era tão denso que essa luz não penetrava. Não era possível então ultrapassar. Não havia
mais obras. Não havia mais reflexo.
NO FIM
E isso que era um
Tannat.