Foi
Ubaldo, Suassuna, Rubem Alves. Todos num “soco só”. Não houve espaços
intermediários. A vida veio, passou e terminou, numa claro continuar, que
traduz o fim de tudo.
O sol
virá como a chuva, em espaços regulares dentro de uma forma sempre irregular.
Mas, o que interessa mesmo é que tudo segue, do escovar os dentes, da missa
diária, do jantar e do deitar.
Todos
ficam mais pobres e mais ricos, a questão é do ponto de vista e do momento.
Nada foge a tal inevitável lógica: viver e morrer, sem que nada mude ou tudo
mude sem mudar.
Caminhado
por tais “carreiros”, pensando nos imortais (não gosto desta palavra) indicados,
lembrei-me dos ensinamentos populares, empíricos, daqueles que muito ensinaram,
quase sempre com um olhar, um gesto, uma forma de agir, sem qualquer base teórica
à exceção de ter vivido.
Minhas
duas avós, Elsa e Normélia, tanto me ensinaram que ainda tento compreender algumas
mensagens, a maioria subliminares, outras tantas diretas sem a minha ideal
compreensão, que me foi passada em nosso curto (para mim, sempre será) período
de convivência.
Aliás,
uma das grandes “falhas” da engrenagem é a pouca convivência com os avós, por
consequência a diluição ao vácuo de ensinamentos essenciais, genuinamente
humanos, de amor e paz.
Minhas
avós, cada uma na sua simplicidade e forma de combater os percalços da vida,
tinham características marcantes: uma, gringa fortíssima, fazia uma polenta e
uma sopa de agnoline como ninguém; outra, um macarrão e uma ambrosia, que nunca
mais verei, nem aqui nem em marte; uma gostava de uma caipirinha enquanto
cozinhava; a outra tomava especialmente um bom chimarrão, mas, como a outra,
nunca deixou de nos embebedar com sutis pinceladas sobre a verdade, o real e a
ilusão.
Lembro-me
de minhas avós, de quem ainda tenho muito a dizer, a recordar, mas este ponto
de nostalgia que me vi contaminado neste final de semana, onde é comemorado o
Dia dos Pais, indica toda a contradição que podemos e devemos enfrentar.
Os
acadêmicos? Verdade, o texto era para ser outro.
NO FIM
Abraço a
todos aqueles que nos abraçaram e nos abraçam sempre, aqui ou de qualquer outro
lugar.