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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

CULTURA POPULAR X CULTURA ERUDITA




 

 

                            Foi Ubaldo, Suassuna, Rubem Alves. Todos num “soco só”. Não houve espaços intermediários. A vida veio, passou e terminou, numa claro continuar, que traduz o fim de tudo.

 

                            O sol virá como a chuva, em espaços regulares dentro de uma forma sempre irregular. Mas, o que interessa mesmo é que tudo segue, do escovar os dentes, da missa diária, do jantar e do deitar.

 

                            Todos ficam mais pobres e mais ricos, a questão é do ponto de vista e do momento. Nada foge a tal inevitável lógica: viver e morrer, sem que nada mude ou tudo mude sem mudar.

 

                            Caminhado por tais “carreiros”, pensando nos imortais (não gosto desta palavra) indicados, lembrei-me dos ensinamentos populares, empíricos, daqueles que muito ensinaram, quase sempre com um olhar, um gesto, uma forma de agir, sem qualquer base teórica à exceção de ter vivido.

 

                            Minhas duas avós, Elsa e Normélia, tanto me ensinaram que ainda tento compreender algumas mensagens, a maioria subliminares, outras tantas diretas sem a minha ideal compreensão, que me foi passada em nosso curto (para mim, sempre será) período de convivência.

 

                            Aliás, uma das grandes “falhas” da engrenagem é a pouca convivência com os avós, por consequência a diluição ao vácuo de ensinamentos essenciais, genuinamente humanos, de amor e paz.

 

                            Minhas avós, cada uma na sua simplicidade e forma de combater os percalços da vida, tinham características marcantes: uma, gringa fortíssima, fazia uma polenta e uma sopa de agnoline como ninguém; outra, um macarrão e uma ambrosia, que nunca mais verei, nem aqui nem em marte; uma gostava de uma caipirinha enquanto cozinhava; a outra tomava especialmente um bom chimarrão, mas, como a outra, nunca deixou de nos embebedar com sutis pinceladas sobre a verdade, o real e a ilusão.

 

                            Lembro-me de minhas avós, de quem ainda tenho muito a dizer, a recordar, mas este ponto de nostalgia que me vi contaminado neste final de semana, onde é comemorado o Dia dos Pais, indica toda a contradição que podemos e devemos enfrentar.

 

                            Os acadêmicos? Verdade, o texto era para ser outro.

 

NO FIM

 

                            Abraço a todos aqueles que nos abraçaram e nos abraçam sempre, aqui ou de qualquer outro lugar.