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terça-feira, 10 de junho de 2014

CAPITÃO, NUNCA TE ESQUECEREI....




 

                            Sábado que passou acordo com uma mensagem no celular informando a morte do Fernandão. Num primeiro momento não consegui processar a informação. Qual Fernandão? Obviamente que a pergunta não é nada óbvia, pois só podia ser o nosso Capitão. Mas, pensei, ainda acordando: não, o Capitão não pode morrer!

 

                            Assim fui por alguns segundos, até que finalmente absorvi o que era evidente: morreu o Capitão, o nosso Capitão!

 

                            Muito já foi dito. Muito será ainda dito. Porém, cada um de nós absorveu do seu jeito a notícia que abalou, pasmem, o mundo, e digo isso sem qualquer exagero.

 

                            Nosso Capitão não poderia ter morrido. Não, isso não é possível, pois se trata de uma pessoa eterna, abrindo espaço para o conceito cristão. E pessoas neste plano não têm o direito de morrer e exatamente por isso Fernandão não morreu.

 

                            O paradoxo leva a explicar a comoção que atingiu a todos, independente de cores, amores ou, sobretudo paixões.

 

                            Fernandão, ou simplesmente Fernando, sempre foi um sujeito especial, solícito, culto, articulado, tendo sido protagonista de algo infinitamente grandioso: fez milhares sorrirem; fez milhares chorarem. Quem pode fazer isso? Somente os grandes.

 

                            Lembro-me de uma passagem com o nosso Capitão: estava em um hotel no Rio de Janeiro, junto com a delegação do Internacional, e descemos juntos no elevador, sendo Fernandão já diretor de futebol à época. Entre alguns andares trocamos pequenas palavras, onde não fugi da obrigação e da alegria de agradecer por tudo o que ele tinha feito por nós.

 

                            Ao final do nosso curto e único encontro pessoal, como todo fã, pedi para tirar uma foto com o celular: a primeira, olhei, ele olhou, e silenciosamente constatamos que ficou horrível. Fiquei constrangido em pedir outra. Ele, percebendo, perguntou: acho que devemos tentar outra. Esse era o nosso Capitão!

 

NO FIM

 

                            Nunca te esqueceremos....Obrigado!

 

terça-feira, 3 de junho de 2014

BOLO DE BERGAMOTA




                            Sim é possível! Vi. Provei e gostei muito. Aliás, diria, gostei “pra mais de metro”. Claro, a liturgia dos tempos áureos exige que o tratamento seja por “vergamota”, mas não estamos mais neste tempo, pelo menos em se tratando da bergamota.

 

                            Mas, voltando ao ponto. O bolo, caprichosamente feito pela amiga Laura Helena e servido como dessert após uma não menos extraordinária sopa de brócolis e, para os desavisados ou para aqueles que experimentaram primeiro, a de agnoline (capeletti é para porto-alegrenses), coroou a noite, a qual também, por uma obviedade que não requer maiores indagações, foi regada com pontuais vinhos tintos de qualidade superior.

 

                            Diante de tal contexto, inevitavelmente afloraram discussões. Os caminhos percorridos foram os recorrentes, porém, como sempre acontece, as indagações e as conclusões graduais (nada definitivo) foram a tônica de tudo, especialmente do amadurecimento e da tentativa de evolução.

 

                            Falamos muito: eu, a anfitriã Laura, Vanessa, Gustavo, Tatiana, Marco e Nei, sobretudo a partir de conceitos basilares do cotidiano, onde ao mesmo tempo em que as opiniões gravitavam sobre o ambiente, certamente com alguns mais excitados em dizer palavras, as conclusões foram mínimas, contudo as portas ficaram abertas.

 

                            Sobre o pensamento humano, sobre Mário Quintana, sobre formar opiniões, sobre pena de morte, sobre Joaquim Barbosa, sobre o sistema legislativo/carcerário brasileiro e europeu, sobre figuras desta cidade, sobre azeitonas que podem ser transformadas em armas (eu não sabia!), enfim sobre pessoas, sobre amigos, sobre compartilhamento.

 

                            Confesso, fazia muito tempo que não ria tanto, pois, apesar das vicissitudes, dos embates, das contradições e dos posicionamentos diametralmente opostos, a conclusão foi uma só: devemos realizar muitas outras reuniões, porque eventual e improvável conclusão, se tudo der certo, nunca encontraremos.

 

NO FIM

 

                            Agora, o bolo de bergamota...!

        

 

 

 

A LUTA




 

                            Pensando, dia desses, sob a proteção da lareira e de uma garrafa de vino roso, e, claro, algumas azeitonas e nacos de queijo, na consciência e mais profundamente sobre tudo antes dela.

 

                            Pensei da saída e da chegada. Lembrei-me da frenética perseguição de tudo e de todos. Cansei, outra vez, de retardar um estado feliz por continuar fazendo planos sem realizá-los. Não há tempo ou o tempo é mesmo uma ilusão?

 

                            Sobre tal condição, sob meus olhos, cai uma entrevista do Nando Reis, publicada na última edição da revisa TRIP, onde a análise sistêmica e pontual daquilo que pensava, entre uma lenha e um gole de vinho, agora saboreando também Air de Sabastian Bach, tendo o calor do pensamento atravessado a última ponte ainda a ser superada, tendo a lenha feito outros estalos, tendo a volta da garrafa sofrido intercorrências quando em contato final com o copo, percebi não estar sozinho.

 

                            Sobre a entrevista algo a dizer: a busca pelo estado de alteração é humana; uma boa música, uma refeição, um copo d’água, tudo é parte; tudo faz parte daquilo que realmente é buscado, ou deveria: o presente é o que há, pois o passado é lembrança e o futuro esperança, sendo este provavelmente o pior sentimento do ser humano.

 

                            O inverno, disse o amigo Nei, nos transporta para outras dimensões, sobretudo na escala, no “piano”, do pensamento, o que de certa forma conforta o fato de nossa cidade, como já frisei outrora, só ter duas estações.

 

                            Tudo é importante, porém nada é mais do que viver, em paz, consigo e com os outros, sabendo tudo e sempre que tal condição é talvez o maior dos desafios, não pela dificuldade em si, mas especialmente pelos nossos próprios atos.

 

                            A lenha acabara, e será complementada; o líquido findará na espera de seu substituto; a azeitona e o queijo nesta altura desapareceram e a órbita, dos fatos, dos atos e do pensamento, seguirá o rumo que você escolher.

 

NO FIM

 

                            Escolha.

MANTER A PALAVRA




 

                                     

                            Maquiavel alertou ser louvável num príncipe manter a fé e viver de forma íntegra, não com astúcia. Contudo, os atos daqueles que viveram com astúcia superam (sempre superaram e superarão) aqueles que pautaram seus atos pela lealdade.

 

                            Disse que há somente duas maneiras de lidar com a situação: com a lei, criada pelo homem; e com a força, própria dos animais. Quando aquela não se apresenta suficiente, necessário será recorrer a esta.

 

                            Portanto, é necessário utilizar o lado humano e o lado animal, como exatamente os historiadores antigos se referiram ao centauro.

 

                            Pois bem, seguindo Maquiavel - cujo adjetivo “maquiavélico” é utilizado recorrentemente de maneira infeliz -, um príncipe deve saber utilizar a natureza dos animais ou as qualidades da raposa em relação as armadilhas, e dos leões para combater os lobos. A metáfora indica que somente um ou outro de nada adiantara a investida, pois a simbiose é exatamente o que se persegue.

 

                            Ao final, não se afaste do bem, mais saiba utilizar o mal, quando necessário.

 

                            Pensei em Maquiavel neste período pré-eleitoral, onde, buscando o exemplo de Alexandre VI, que jamais fez outra coisa senão prometer e não cumprir, porém sempre foi beneficiado pela sua capacidade de simular e dissimular. Sempre jurou, mas quase sempre nunca cumpriu.

 

                            Ainda em Maquiavel, o benefício de saber interpretar que os homens julgam mais com a vista do que com o tato, pois ver é dado a todos, todavia sentir, a muito poucos, chancela a miopia coletiva e faz nascerem as conhecidas massas de manobra, nas quais, pasmem, muitos estão, provavelmente do seu lado.

 

                            Tudo isso entre os anos de 1400 e 1500, o que a atualidade em absolutamente nada influência, mas complementa.

 

NO FIM

 

                            Alguém lembrará de Maquiavel no momento do voto?                  

 

MEDO




 

                            Começo com Belchior na enigmática Pequeno Mapa do Tempo onde: (...) Eu tenho medo e medo está por fora. O medo anda por dentro do teu coração (...).

 

                            Tudo converge no medo. Isso já foi dito e isso deve ser dito. O medo é quem regula todos os demais sentimentos. Tenho medo, portanto estou vivo!

 

                            Agora, é claro, medo demais é nocivo, mas medo de menos? Quem “tem menos medo” vive, em tese, mais ou vive menos?

 

                            Estou tentando aprofundar o estudo sobre o “medo”, mas, pasmem, fiquei com medo do que encontrei pelo caminho.

 

                            Haverá cenas dos próximos capítulos. Se tiverem paciência, aguardem.

 

PERDI A VAGA (ou deveria)

 

                            A coluna da semana passada, assinada pelo Micka, teve uma retumbante ressonância que talvez nem o próprio esperasse.

 

                            Que ele escreve de maneira linear, analítica e com saborosos argumentos, eu já sabia. Mas quem sou eu? Simplesmente o pai do rapaz, o que naturalmente torna a minha opinião relativizada, se não pelos outros, por mim mesmo.

 

                            Pois bem, o guri escreveu e disse ao que veio. Emocionou a todos, do homenageado aos desconhecidos. Pensei: não é que o agora homem feito é “sabido”.

 

                            Ao final, sem delongas, peço licença para solicitar aos diretores deste periódico que, caso entendam que o bom senso deve preponderar, eu por aqui perdi minha vaga.

 

NO FIM

 

                            Caminhamos ao tudo e ao nada, sempre.