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quinta-feira, 23 de abril de 2015

TEATRO MÁGICO




 

                            Poderia ser o moribundo que transitava sobre ruas desertas a procura de tudo e de todos. Poderia ser o muro, úmido e escuro, que disfarçava a dor. Poderia, também, ser um sinal; um simples indicador da grande incerteza. Poderia ser tanta coisa!

 

                            Mas, não!

 

                            Não se trata de um teatro mágico, mas de vampiros.

 

                            Eles estão por toda parte, especialmente na tentativa de vender a ideia que a “hoje famosa” terceirização é a saída para todos os males.

 

                            Diversos países se utilizam do expediente: Alemanha (subempreitada); Argentina (locação temporária e responsabilidade solidária); Colômbia (legitima, com responsabilidade solidária). Alguns a proíbem: Itália, Suécia, Espanha ou, como o México, as proíbem parcialmente.

                           

                            A dúvida: será benéfica? E para quem?

 

                            Eu, por exemplo, não tenho dúvidas que é mais um grande engodo contra o trabalhador, apresentado sob o manto de que é a “solução mágica dentro do teatro”.

 

                            Será dito, por outro lado, que é uma sistemática necessária, de evolução do próprio direito do trabalho e das relações consequentes. Talvez, talvez, talvez!

 

                            O que visualizo, de toda sorte, é que, em detrimento desta falada evolução estará aquele que será o produto da discussão, ou o trabalhador. Este vai ser contratado, pelo sistema, de maneira não convencional, mas terceirizada. A vantagem do empregador pode ser evidente. Mas e a do empregado?

 

                            Volto ao teatro dos mágicos e dos palhaços.

 

NO FIM

 

                            Tudo que é lançado e tentado muito rapidamente gera incomodo.

                           

quinta-feira, 16 de abril de 2015

VEIAS ABERTAS




 

                            O título da obra de maior repercussão de Eduardo Galeano, falecido na última segunda-feira, encaixa perfeitamente com o momento atual, não no conteúdo - talvez, também -, mas o título em si é o indicador.

 

                            Analisando com os olhos que enxergam já há quarenta e quatro anos, tendo participado de aulas de OSPB, de educação moral e cívica e, já na faculdade, de EPB (provavelmente os jovens nem saibam do que se trata); tendo experimentado castigos impostos por uma educação (externa) também militar; tendo jogado bolita, taco, e tendo, sobretudo, sido fruto de um período nefasto e de transição, vejo, especificamente e empiricamente, a superficialidade das inserções recorrentes, gradativas e infelizes de pseudo (s) formadores de opinião.

 

                            Vejam que exatamente os que têm os mesmos perfis e, portanto, iguais no raciocínio e por isso os unem, escandalizam com propostas requentadas, esdrúxulas, que sugerem a “solução mágica” para os problemas enraizados.

 

                            Agora volta à discussão a maioridade penal! Novamente os “formadores de opinião” voltam a atacar! São pródigos nisso. De tempos em tempos eles aparecem, com a certeza de que levarão (e levam) consigo uma importante gama da população, a qual, na verdade, cansada do descaso, abraça a ideia, sem ao final entender especificamente o que esta acontecendo, o que volta a acontecer ou as consequências.

 

                            São os mesmos que acham a que a solução é a pena de morte, a ditadura, a volta dos militares, etc., são sempre os mesmos, os que trazem “soluções” finais para questões de altíssima indagação jurídica, moral e, principalmente, social.

 

 

                            Cuidado, você pode estar conversando com alguém do teu lado que tem saudade das câmaras de gás; dos choques e dizem com pulmões cheios que prender, encarcerar num depósito é sim a grande saída.

 

                            As veias talvez não estejam mais tão abertas.

 

NO FIM

 

                            Aqui jaz mais um desanimado.

terça-feira, 7 de abril de 2015

AUXÍLIOS




 

                            Não tenho absolutamente nada contra (ou a favor) aos valores de vencimento, vencimentos ou subsídios de funcionários públicos. Tudo, seguindo os princípios insculpidos na Constituição Federal e as regras definidoras, deve retratar o que está ou foi definido pelas normas.

 

                            Apesar de ainda carecer de um (mínimo) enfrentamento colegiado sobre a sua constitucionalidade, o auxílio-moradia aos juízes causa espanto, especialmente quando é explicado, senão vejamos o que disse o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador José Roberto Nalini:

 

                            Esse auxílio-moradia na verdade disfarça um aumento do subsídio que está defasado há muito tempo. Hoje, aparentemente o juiz brasileiro ganha bem, mas ele tem 27% de desconto de Imposto de Renda, ele tem que pagar plano de saúde, ele tem que comprar terno, não dá para ir toda hora a Miami comprar terno, que cada dia da semana ele tem que usar um terno diferente, ele tem que usar uma camisa razoável, um sapato decente, ele tem que ter um carro”.

                           

                            Como sou ingênuo sempre, não entendi: se o auxílio-moradia “disfarça” um aumento do subsídio, isso não é ilegal? É moral? Ainda, não são todos os brasileiros que devem pagar, entre outros, o imposto de renda? Plano de saúde?

 

                            Agora, quanto a comprar terno em Miami, toda hora, talvez seja porque lá os “ternos são mais baratos”. Confesso que não entendi!

 

                            Também ainda não consegui entender como alguém pode receber auxílio-moradia quando tem casa própria? E quando um juiz é casado com uma juíza e residem na mesma casa, são dois auxílios-moradia?  E quanto o magistrado (a) está aposentado?

 

                            Enfim, estou com muitas dúvidas, especialmente após o que disse o desembargador.

 

NO FIM

 

                            Vamos em frente.