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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013


TODOS MORRERAM

 

                            Já morri algumas vezes, e sendo possível um fracionamento, ao menos, uma parte (grande) de mim já se foi,  a muito tempo, particularmente quando lembro que perdi o Jeffe e o Vinícius.

 

                            Domingo de madrugada morri mais uma vez, mais um pouco, como muitos, porque não há imunidade para o que aconteceu em Santa Maria.

 

                            A estipudez da situação, da forma, dos meios, da ação e da falta desta, da natureza onde tudo se estabeleceu não é para ser explicada, mesmo e especialmente porque não haverá explicação. Não será encontrado sentido, como por vezes nos deparamos em relação a vida. Não se encontra qualquer motivo para nada, porque o futuro ficou tão sem graça que o passar do tempo somente será o passar do tempo.

 

                            Dizer que agora é “um dia após o outro” é exatamente a falta de outra opção. O conforto que autorize um novo sorriso, uma nova alegria, um novo viver, jamais se apresentará. Será a superação, que virá, pois é da natureza humana, contudo jamais chegará ao estágio do “superado”.

 

                            As mães, pais, parentes, amigos, conhecidos, vizinhos, amigos dos amigos, amigos dos familiares, qualquer pessoa, mesmo que não tenha relação alguma ou conheça alguém envolvido no episódio, estão todos mortos. Eu estou morto.

 

                            Penso, especialmente, na mãe e no pai de todos. Não há castigo ou injustiça maior do que perder um filho. Não há dor similar. Não há explicação e ao menos sentido. Tudo isso é redundante, tudo isso é verdadeiro.

 

                            Muita informação ainda virá, dos heróis anônimos aos que de alguma forma se livraram da morte; dos que bravamente lutam para viver e daqueles que estão perdendo esta luta; dos possíveis culpados e das ações medievais que procuram dar uma satisfação à sociedade. Muito ainda está por vir. Nada alterará a essência, pois o filho, a filha, o irmão, o neto, o primo, o amigo, ficará no mesmo lugar que esteve no último domingo.                          

 

                            Para pessoas que não acreditam em céu ou inferno, em destino, em caminhos traçados, que num mínimo lapso racional conseguem absorver que as “grandes perguntas” não encontraram “grandes respostas”, muito menos na religião, a lógica será mantida, mesmo que, por outro lado, uma maioria respeitável, seguindo a leitura da crença, venha vincular a culpa no chamado Deus.

 

                            Os sinos dobram por todos nós.

 

NO FIM

 

                            Paz.

O SOM DO SILÊNCIO

 

 

                            O momento é de profunda reflexão, mais algumas tantas, que sugere como já disse Agualusa na obra As mulheres de meu pai, recorrer ao som do silêncio.

 

                            O som do silêncio pode ser ensurdecedor, pode ser um alerta, um conforto, uma definição, pode ser tantas coisas. Porém, algo é fato: o som está em todos os lados e em muitas formas.

 

                            Quem não teve medo, sob qualquer prisma, do som do silêncio? Aquele som que se estabelece sem existir e que aguarda os decibéis que podem a qualquer momento florescer. Caso não floresçam, o som permanece no ar, indefinido e muito poderoso.

 

                            O som do silêncio que precede algo muito ruim; que se manifesta após um evento sem que se escute absolutamente nada; os dois segundos de êxtase que antecedem o aplauso; e, voltando a Agualusa, o silêncio de Deus após uma catástrofe.

 

                            Os sons do silêncio são tantos, talvez você conheça muitos outros. Nada é taxativo e não poderia mesmo o ser.       

 

                            O momento, como dizia no início, traz o silêncio como paradigma. Algo deverá ser feito. Porém, não somente isso, o “algo” deverá ser traduzido em ações diretas, pontuais e ao mesmo tempo amplas, a fim de que, para todos os efeitos, as consequências não se transformem num paliativo que simplesmente muda o problema de sala. O silêncio responderá.

 

                            Que o universo conspire e alguém nos ajude, pois ao contrário os prognósticos são assustadores, absurdamente assustadores, na medida em que o nocaute foi sincero, certeiro e irrefutável. Pior, a contagem está em nove e o dez se aproxima na forma imperial.

 

                            Há claro, por que sempre há um lampejo de que não venha acontecer aquilo que todos esperam. Isso, verdadeiramente, é a tradução e o sentido da lógica ao inverso. Penso nisso, ultimamente, com simpatia e expectativa.

 

NO FIM

 

                            Vamos, após o acontecido, empatar com quem?