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terça-feira, 27 de janeiro de 2015

LIVRE




 
 
                            Lendo o que diz Lee Hill, no livro “Sem Destino”, sobre o filme Easy Rider (que no Brasil saiu exatamente com o nome “Sem Destino”), onde mais uma vez se apresenta clara a obviedade da diferença entre assistir/compreender ou ler/entender, e também onde, de uma forma especial, ser livre não traduz necessariamente liberdade.
 
                            É frisado que, em regra, as pessoas se dizem livres! Argumentam que tal estado é baseado nisso, naquilo, por esta e aquela razão. Contudo, quando se deparam com alguém realmente livre, caem por terra todos os fundamentos da liberdade.
 
                            Ninguém é livre, é dito em complemento, enquanto todos, exatamente todos, podem ser vendidos como mercadorias ou como peça de um grande mercado.
 
                            A míope interpretação que sustenta a visão de liberdade é exatamente a mesma que deixa na prisão. Tal sentimento, aliás, é um dos grandes conflitos, pois um tenta abafar o outro, enquanto este outro teima em superar o primeiro.
 
                            Definitivamente não sei se alguém é livre.
 
                            A liberdade, por outro lado, é uma parte quase inexistente no conceito do que é ser livre. A confusão é tão clara e ao mesmo tempo tão difícil de entender que é natural que alguém veja a liberdade como sinônimo de ser livre.
 
                            Que espetáculo! Começo a imaginar Denis Hopper, Peter Fonda e o então neófito Jack Nicholson, dentro da áurea sessentista, junto a todos os demais - especialmente o coescritor Terry Southern, levarem o conceito de liberdade ao extremo, para ao final beliscarem o que é “ser livre” e deixa para o espectador ou o leitor definir o encontro.
 
                            Você já pensou se é ou algum dia foi livre?
 
NO FIM
 
                            Talvez seja mais uma daquelas!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

PORTAL




 

 

                            Estive por quatro dias no Portal do Avalon. Não se trata, digo logo, do local onde a espada do Rei Arthur foi forjada ou onde o mesmo curou de seus graves ferimentos de guerra. Trata-se sim, ao final, de um outro local (pousada rural ou eco pousada) onde a proposta principal é enxergar a si mesmo. É um espaço para o reencontro, de autoanálise, para o início ou para o fim.

 

                            Porém, como acontece em todas as formas, ele somente assim se apresentará se o hospede quiser. Tudo sugere e tudo indica. Mas, a decisão sobre o que tudo gravita fica ao critério objetivo de cada um. Ao contrário, poderá ser utilizada quase como uma pousada qualquer, especial, exótica, mas com cozinha internacional e almofadas para sentar; com redes e vinhos; com andar descalço e cartão de crédito; com plástico e não vidros, e ainda com vista privilegiadíssima para lagos do binômio dinheiro/poder. Enfim, pode ser o caminho que o freguês escolher.

 

                            Foi por isso, também, que há uma percepção silenciosa, contudo lógica, de muitos que lá estão sem estarem efetivamente lá.

 

                            Falarei mais sobre tudo isso.

 

VIDA

 

                            Exatamente ao contrário do ambiente pacífico e harmônico buscado no local acima descrito, recebo a notícia que uma discussão banal (pelas informações da mídia) ceifou vida de um jovem surfista catarinense.  

 

                            A pergunta é por qual motivo isso acontece? Por que a vida se torna tão banal entre humanos?

 

                            Não há respostas.

NO FIM

 

                            Ainda tendo entender.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

ESPÍRITO LIVRE, BOLDO E AFINS




 

 

                            Excentricidade é uma das formas de manifestação do “ser” como garantia de personalidade e também de autoconhecimento. Ser excêntrico é ser particularmente individual. O diferente é livre. O igual é vinculado.

 

                            O espírito livre é o que contraria a tradição. É aquele que não reconhece o predomínio do entendimento baseado no costume surgido pelo hábito. Espírito livre, enfim, é característica até da excentricidade.

 

                            Já o espírito cativo não exige razão, exige fé. E na origem desta mesma fé está a falta de razão, que ao fim é exatamente a carência do espírito livre. A fé não exige razão, mas tão somente renovar a tradição que vagueia pelos campos fora desta.

 

                            Quem conhece um pouco, mesmo um pouquinho de Nietzsche sabe exatamente o que tento dizer. Não precisa concordar por concordar, até porque se isso acontecer a tradução é exatamente o caminho que o cativo percorre. O contrário, de outra sorte, igualmente não suporta o raciocínio senão baseado na razão. A escolha é de cada um.

 

                            Sugiro, como sempre e regularmente, o chá de boldo, que inobstante sua comprovada força contra a desordem digestiva (se é que me entendem), é importante companheiro para os mais variados conflitos existenciais. Caso não seja alcançado o objetivo propriamente visado, ao menos a liberdade e a sustentável leveza será confirmada.

 

                            A mudança somente aparece com a resistência. O que hoje assusta amanhã poderá ser reivindicado. Para isso, senhores e senhoras, esperar na janela, como fazem os cativos, é aguardar simplesmente a banda passar, sendo todos os dias os mesmos dias.

 

                            As teses, os fundamentos ou as opiniões podem até não ser as mais corretas ou as mais aceitáveis. Contudo, quanto vale a libertação do tradicional? A vitória ou a derrota faz parte do jogo, o que não deve faltar é a razão, pois embasar os atos e justificar tudo pela fé, dê-me licença, é um dos manifestos da pobreza de espírito e por assim dizer da falta de recursos.

 

NO FIM

 

                            O “afins” do título é exatamente para saber quem está “a fim” de concordar com tudo isso.

 

 

 

O TEMPO



 
                           
                            É inverno, pois, e o tempo se apresenta correspondente, atingindo decisivamente nosso corpo e fazendo com que os hábitos que adormecem por meses voltem, singelamente e claramente com o poder completo de um estabelecimento natural e, ao que parece duradouro.
 
                            Lagoa Vermelha que é uma daquelas cidades que tem somente duas estações, o inverno e a estação rodoviária, por característica particular vê nascer um paradoxo: como uma cidade tão fria pode agasalhar pessoas de forma tão calorosa! Essa essência, esse povo, da capital dos amigos e da amizade, contrapõe tudo o que indica um povo de clima frio: individualista, pouco hospitaleiro, de precária socialização. Aqui é tudo diferente, mesmo que para tanto sejam agregados outros fatores e outros valores.
 
                            As cidades frias da Europa, especialmente, retratam um povo nada afeito a convivência social. Todos ficam em suas casas, fechados, saindo para o estritamente necessário. Sei também que cada povo tem suas nuances, suas “manias” e o seu jeito de encarar o clima. Mas a interpretação sugere o todo, o meio e a natureza humana em síntese.
 
                            Nisso, aqui, sim aqui em nossa Cidade, que sempre experimenta um clima similar ás frias cidades européias; que não será a escassez de neve que retirará o frio intenso, pois, a neve não traduz necessariamente que determinado lugar está mais frio do que outro lugar que não esta nevando, conduzindo a semelhança, por vezes negada e que, notadamente, leva ao farquejamento do povo dessa terra.
 
                            Passamos pelo último domingo, pela última segunda-feira e pela última terça-feira. Que venham ainda as ondas e as massas polares, que, no entanto, de maneira quase impossível haverão de ultrapassar o que passamos nesses últimos dias.
 
                            Teremos que aguentar mais esse.

TODOS OS NOMES




 

 

                                      Com a licença de Saramago retiro de sua obra o nome desta coluna, por entender a sintonia exata do que será enfrentado.

 

                                      Começo pelo Nelson Rodrigues, quando afirmava aos quatro ventos que se as pessoas se conhecessem na intimidade ninguém se cumprimentaria.

 

                                      Dessa afirmativa, sugiro a reflexão sobre outro ensinamento clássico, que lembrei exatamente no momento que parei para escrever este texto: somente nos apaixonamos pelo que desconhecemos; ninguém se apaixona pelo que conhece. Na medida em que vamos desbravando e somos levados a conhecer alguém, para alguém ou para algo, naturalmente a paixão deixará de existir.

 

                                      Evidentemente que as afirmações mantém uma relação de sintonia clara, por isso, nada sutil. E não quero ou espero que de tudo ocorra concordância, até porque acontecido isso, de nada valerá o esforço compartilhado.

 

                                      Falar de emoções, e aqui incluo a paixão, é um campo vasto. Todavia, é um campo delicado e por vezes perigoso. O sentimento que emana da paixão pode levar – ou sempre leva – a consequências especiais e mesmo trágicas.

 

                                      O ser humano é ordinariamente apaixonado. Gosta disso, daquilo, não aprecia aquele ou o outro. Mas, geralmente, a definição de seu sentimento está permeada em premissas nem sempre seguras.

 

                                      Quando se diz: adoro isso! Talvez seja porque não conhece; quando se diz: não gosto daquilo! Poderá ser que nunca tenha experimentado. As relações, as ligações e as constatações são fantásticas. Certa ou erradas. Porém, com certeza, fantásticas.


                                      E qual o nome que poderá ser alçado a este raciocínio: todos os nomes!

ESTRADA




 

 

                            Fiquei quase convencido sobre determinado acontecimento o qual me induziu a formular a seguinte frase: o tempo é o amortecedor de todos os males. Sei que não é original, mas o que é original após os clássicos? E isso me levou a conclusão que evidencia o que o cotidiano e as experiências ensinam, porém traduzido sob a forma de “contrabalancear o impacto”. Quero e percebo a necessidade de que a onda venha pausadamente, calmamente, e, caso isso não seja possível, que ao menos tudo seja absorvido em razão do implemento incondicional do tempo.

 

                            Tive a primeira experiência quando me vi dentro de uma fila com aproximadamente trezentas pessoas, com aquela sensação de que todos os meus compromissos iriam para o espaço. E a surpresa, que fui atendido exatamente no horário que foi marcado o atendimento. Isso é absurdamente fantástico. Foi imperialista, mas foi também extraordinário.

 

                            A segunda, quando um colega de viagem teve um surto porque a tripulação não tinha troco quando buscava adquirir uma água mineral (sim, o mercado doméstico oferece os amendoins ou a barra de cereal e vende tudo o resto).

 

                            A terceira e última, durante a palestra de Fredric Jameson, crítico literário norte-americano, dentro do Fronteiras do Pensamento 2011.

 

                            Disse que a melhor designação da estrutura do presente é a pós-modernidade e caracterizou esse tempo, nas mais diversas áreas da vida cultural e social. A característica básica do pós-moderno seria a substituição do tempo pelo espaço. O tempo é abolido e a realidade política e estética do espaço ultrapassou a ênfase modernista sobre o tempo.

 

                            Para o autor, o principal fenômeno espacial é a globalização. Pós-modernidade e globalização são a mesma coisa, a pós-modernidade é a face cultural da qual a globalização constitui a infraestrutura, a realidade econômica, e a isso da o nome de estética da singularidade.

 

                            Tudo é muito interessante e deveras importante, notadamente em razão do momento sempre borbulhante em que as situações se desdobram.

 

NO FIM

 

                            As prerrogativas profissionais do advogado, enquanto atingidas negativamente, caracteriza um atentado à dignidade da pessoa humana e compromete o estado de direito democrático.

O SOM DO SILÊNCIO



 
 
                            O momento é de profunda reflexão, mais algumas tantas, que sugere como já disse Agualusa na obra As mulheres de meu pai, recorrer ao som do silêncio.
 
                            O som do silêncio pode ser ensurdecedor, pode ser um alerta, um conforto, uma definição, pode ser tantas coisas. Porém, algo é fato: o som está em todos os lados e em muitas formas.
 
                            Quem não teve medo, sob qualquer prisma, do som do silêncio? Aquele som que se estabelece sem existir e que aguarda os decibéis que podem a qualquer momento florescer. Caso não floresçam, o som permanece no ar, indefinido e muito poderoso.
 
                            O som do silêncio que precede algo muito ruim; que se manifesta após um evento sem que se escute absolutamente nada; os dois segundos de êxtase que antecedem o aplauso; e, voltando a Agualusa, o silêncio de Deus após uma catástrofe.
 
                            Os sons do silêncio são tantos, talvez você conheça muitos outros. Nada é taxativo e não poderia mesmo o ser.       
 
                            O momento, como dizia no início, traz o silêncio como paradigma. Algo deverá ser feito. Porém, não somente isso, o “algo” deverá ser traduzido em ações diretas, pontuais e ao mesmo tempo amplas, a fim de que, para todos os efeitos, as consequências não se transformem num paliativo que simplesmente muda o problema de sala. O silêncio responderá.
 
                            Que o universo conspire e alguém nos ajude, pois ao contrário os prognósticos são assustadores, absurdamente assustadores, na medida em que o nocaute foi sincero, certeiro e irrefutável. Pior, a contagem está em nove e o dez se aproxima na forma imperial.
 
                            Há claro, por que sempre há um lampejo de que não venha acontecer aquilo que todos esperam. Isso, verdadeiramente, é a tradução e o sentido da lógica ao inverso. Penso nisso, ultimamente, com simpatia e expectativa.
 
NO FIM
 
                            Vamos, após o acontecido, empatar com quem?

CONVERSAS AO VENTO



 
 
 
                            Caminho sob o manto do Pratto chileno, das cazuelas de carne ou de aves, das parrillas, do congrio frito, do mariscales, do cordeiro, entre tantos, que podem ser saboreados com um autentico cabernet sauvignon, sob a benção da religião católica, tudo junto, num evento continental. Que maravilha! Que êxtase visualizar o “carioca” com cara de professor pardal. Esperem, muito mais virá.
 
                            Falando em faces e fases, a mudança de quem acaba de ultrapassar quadro décadas já pode ser sentida, com propriedade, através dos fenômenos naturais do tempo. Cabelos brancos, artrose, gripes teimosas, recuperação lenta após evento etílico normal, enfim, absolutamente tudo passa ao estágio da ladeira.
 
                            Uma alternativa pode ser a criação de meios para obstaculizar a velocidade desse veículo. E como estamos em tempo de lombadas eletrônicas e pardais, o freio deverá ser necessariamente vinculado a uma sanção.

                            Mas não, de nada adianta qualquer procedimento se mantivermos nossa ideia deslocada do tempo em que ela se move. Não adianta o atraso ou a aceleração. A linha de conduta deve ser convencionalmente transgressora, pois, ao contrário, seremos tão somente protagonistas da banda que passa.

                            Muitas vezes os instrumentos são difíceis de ser tocados. Outras vezes a facilidade é um sintoma. O caminho é exatamente assim, queiramos ou não.

                            Em suma, não há regra. Existem ações, reações, pontualidade e conduta. E tudo é consequência.
 
 
NO FIM

                            Prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.
                           

O BOBO DA CORTE




 

                            O bobo da corte era o nome do “empregado” da monarquia encarregado de entreter o rei e a rainha, com o fito de fazê-los rirem.


                            O bobo da corte, por sua condição de “bobo”, também poderia ser a única pessoa autorizada, oficialmente autorizada, a tecer críticas à monarquia, ao rei ou a rainha, sem que tal fato fosse visto com desaforo ou insubordinação.


                            Enfim, o bobo da corte talvez fosse à pessoa mais idiota e ao mesmo tempo mais importante naqueles tempos e naquela monarquia.


                            Pois bem, qual o tamanho do poder do bobo da corte?


                            A linha transversa de ação, notadamente com necessária inteligência, atrevimento e sagacidade, eleva-o a condição de figura essencial para o equilíbrio entre o povo, a vontade do povo, os monarcas, e as necessidades dos monarcas em ultrapassar os limites do silêncio imposto.


                            Muitas pessoas, diria uma parcela importante da população, necessitam mostrar as nuances de sua face. Contudo, tal mostra não pode ser muito clara, digo clara no sentido de sequer referendar a concordância. A exposição deve ser velada e ao mesmo tempo incisiva, porque o sentido e o objetivo é a própria mistura disso tudo.


                            A partir de então, surge o bobo da corte. Ele é exatamente o elo que toca a necessidade de uns, o caminho definido e a consequente abertura das cortinas.


                            Nesta esteira, vejo monarcas e bobos da corte por todos os lados. Alguns estão na engrenagem sem mesmo saber. Outros, a maioria, que fixaram seus papéis e os exploram de maneira muito eficaz.


                            Quantos personagens nos rodeiam e estão em cada uma dessas condições? Cuidados aos “aparecidos”.


NO FIM


                            Apesar de todas as mudanças, de toda a modernidade, do ipad, ipod, ifone, ainda bem que a sexta-feira santa ainda continua caindo numa sexta-feira.  

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

AQUELE ALEMÃO




 

 

                            Recebo e-mail do amigo, sempre atendo, Marcos, alertando pela falta de envio da coluna semanal. Imediatamente chegou ao teclado e passo a escrever. Tinha pensado em diversos assuntos, nada de muito importante, mas que passaria, sem sombra de dúvidas, pela discussão de que “todos somos Charlie” ou muito provavelmente, como no meu caso, “não sou Charlie”. Ainda, das recentes tragédias com o transporte coletivo, numa clara evidência de que o conjunto humano/veículo/estrada/velocidade/estresse, mais do que nunca restam ultrapassados; prisões, ainda que sem algemas, mas espetaculares, etc.

 

                            Mas de tudo isso, para o momento ficarei concentrado no alemão.

 

                            Antes de nada, para que o texto não seja interpretado erroneamente, diga-se, como racista, declaro que sou 25%, considerando meus avós, de origem germânica, condição que autoriza minha exposição, pois, ao final trato de algo que muito provavelmente tenha, mesmo que minimalistamente, a ver com alguma ação ou reação próxima.

 

                            Este tal alemão que indica a referência a todos que de uma forma ou outra, em alguma condição, têm a característica do esquecimento, está cada vez mais presente, sobretudo quando despretensiosamente estamos num período de recesso, ou seja, quase todos os dias podem ser, para os advogados, considerado uma espécie de domingo, porque a nossa vida, ou os prazos, não correm, e por isso nós podemos correr, ou ficar parado.

 

                            Talvez nestes dias, ou nestes momentos, ou nestes períodos, é que o alemão chega com mais propriedade, arrasando, ao final, traduzindo tudo aquilo que nós, outrora pensávamos que muito possivelmente não aconteceria.

 

                            Por isso, salve o alemão, pois ele talvez seja a sineta que nos indicará o que definitivamente virá.

 

NO FIM

 

                            Ele chegará!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

PESSOAS




                            Aproveitando a alta temperatura - especialmente noturna, nesta época do ano, por vezes fico apreciando o vai e vem das pessoas em nossa principal avenida.
 
                            As ações são tantas, passam do tradicional passeio de automóvel; do sentar em bancos das nossas lindas praças, do velho e bom chimarrão; uma caminhada, uma corrida, uma conversa a toa, uma troca de olhar, um abraço e até, como acontece na turma da Thaís, um novo (nem tanto) tereré, cevando a antiga tradição dos índios Guaranis.
 
                            Nesta dinâmica, muitas situações se manifestam, pois, como indica o título, são pessoas, são seres que fazer a vida acontecer e a roda girar e todos os sentidos aflorarem, inclusive alguns primitivos.
 
                            Exatamente nestes, visualizei na última segunda-feira à noite, provavelmente um pouco depois das 21h, um grupo de meninos; não, talvez rapazes; não, talvez jovens; não, provavelmente pessoas, somente, que retiram um dos bancos (lindos, aliás!) da praça e começaram a transportá-lo aleatoriamente, pelo simples prazer de fazer isso!
 
                            Olhei, pensei, ajeitei os óculos para focar o evento e, tudo constatado e confirmado, não titubeei: assoviei com toda a força possível que pude extrair dos pulmões, lembrando os clássicos assovios da minha avó Normélia e do meu Pai, condição que determinou a parada na operação “levar o banco da praça para algum lugar”.
 
                            Os meninos, jovens ou pessoas, pararam. Olharam para todos os lados, numa clara certeza de que alguém estava vendo e estava censurando tal ato, levou todos a um sentimento de “estamos fazendo algo errado”. Tal break durou aproximadamente cinco segundos, quando a operação retomou o seu curso.
 
                            Vi aquilo e prontamente renovei a atitude. Mas, agora, com um assovio clássico, daqueles que faz um estádio de futebol ficar na dúvida se foi mesmo o árbitro que apitou ou a mensagem veio das arquibancadas, e todos pararam, porque definitivamente algo estava acontecendo.
 
                            Todos se olharam novamente e, frente a situação e o desconhecido que teimava em enfrentá-los com os pulmões, acharam de bom alvitre deixar o banco no meio da praça, quase invadindo a rua, e seguirem seus caminhos.
 
                            Tudo isso são pessoas. Humanos, talvez essencialmente humanos.
 
NO FIM
 
                            O baile não pode parar.