Uma
palavra qualquer, dentro da animação daqueles que por isso se animam, pode
fazer nascer um conjunto (des) ordenado de palavras que se apresentam como um
texto; uma frase, um conto ou simplesmente palavras.
A escrita
não se sustenta sem a experiência. Não há como escrever sem expressar o
sentimento vivido, porque, sem tal matéria prima, apesar de possível, a
honestidade das palavras se restringirá ao campo essencialmente teórico, que
inevitavelmente comprometerá o sentido de tudo. Por isso, não há ficção no
sentido literal.
Na Rua dos
Suspiros, mantida no interior do querido Uruguai, precisamente em Colonia Del Sacramento, solidifica
exatamente a verdadeira matéria prima para o escritor. Lá, e não mais do que
lá, está o local onde seu nome indica a reação orgânica talvez mais verdadeira na
escala das reações verdadeiras.
Como dar o
nome de uma rua como “dos suspiros”? O que isso quer dizer? Alívio ou incômodo?
Trajeto para a morte? Finalização ou recomeço? Simples adeus?
A rua é alimentada pelas teorias e pelas
lendas, as quais mantidas lançam o combustível necessário para a imaginação,
sem desnudar o próprio sentido daquela vida.
Para
entender (ou tentar), será preciso tirar a poeira dos demônios interiores e
pensar na instigante imperfeição que se materializa na harmonia de sua forma. A
forma! A imperfeição! Os demônios!
Os
suspiros são eternos. Mas, os diamantes também o são. Não há conflito. É físico
e é psíquico. Nada é eterno.
Não sei o
certo qual a razão dos “suspiros”. Faz tempo que lá não vou; faz muito que ele
teima em não voltar; porém, faz muito mais tempo que estou a sua procura.
NO
FIM
A rua é
disforme e estreita.