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terça-feira, 23 de setembro de 2014

GUARDANAPO




 

                            A função do guardanapo é especialmente auxiliar na limpeza durante as refeições. Boca suja: guardanapo nela!

 

                            Pois estava eu, entre questões básicas da humanidade, do problema do pastel dentro da população indígena até a discussão sobre a origem do universo a partir da teoria da relatividade, então comendo algo, e, pela primeira vez, fiquei analisando o número de guardanapos que utilizei.

 

                            Da primeira mordida até entregar os talheres utilizei incríveis oito guardanapos. E isso que não estava comendo nada que precisasse usar diretamente as mãos sobre o alimento.

 

                            Pensei como é possível alguém utilizar oito guardanapos? Dois, no máximo, já fariam efeito! Tal questão precisava ser enfrentada.

 

                            Paguei a conta, saí do local, e aquilo tudo permanecia na minha cabeça: utilizar tudo aquilo de guardanapos, como seria explicável? Aqui alguém pode pensar: também, o guardanapo estava no estabelecimento, ou seja, estava igualmente no pacote da refeição. Também pensei. Só que em qualquer condição, mesmo em casa, sempre mantinha a média, com o agravante de que ela poderia fatalmente aumentar (e aumentava sempre).

 

                            Ainda penso nisso, querendo buscar uma razão lógica, considerando, sobretudo o princípio da proporcionalidade que deve ser resguardado em qualquer condição.

 

                            Você já pensou nos guardanapos da vida que já utilizou? Ainda não? Pois pense, terá inevitavelmente uma surpresa.

 

                            Alguém falou: uso-os para poesias que surgem do universo etílico. A minha única poesia “de guardanapo”, ao menos que lembro, foi baseada no ensinamento do Zé Loucura: eu sei que tu sabe que eu sei que ele sabe.

 

NO FIM

 

                                      Pare o mundo que eu quero descer.

 

 

                           

 

 

                           

OS RUSSOS (SOVIÉTICOS)




 

                            Os russos têm uma maneira especial de resolver seus problemas: não titubeiam. Eles simplesmente tomam uma atitude, doa a quem doer.

 

                            Os exemplos são muitos, desde a derrocada de Hitler na segunda grande guerra, após ter vencidos todos até então, perdeu para os, à época, soviéticos, com a ajuda da neve, é claro, mas a neve também é parte da Rússia ou da União Soviética.

 

                            Não olvidar, por obvio, ainda mais atrás, que o Imperador Napoleão começou sua derrota a partir da conhecida Campanha da Rússia, de onde nunca mais conseguiu sair.

 

                            Mais recentemente, guardadas as proporções de cada evento, quem não se lembra da solução dada pelo governo russo quando um teatro foi invadido em Moscou por sequestradores que mantiveram mais de uma centena de pessoas sob cárcere. Recordam da atitude das autoridades?

 

                            Nunca houve negociação alguma, simplesmente o teatro foi invadido, agora pelos policiais, e todos os sequestradores mortos, inclusive muitos dos sequestrados, o que foi visto simplesmente como um “efeito colateral” da ação policial/militar.

 

                            Agora, mais recente ainda, qual a atitude na crise com a Ucrânia? Bom, isso todos devem lembrar.

 

OS BRASILEIROS

 

                            Diferentes em tudo em relação aos russos, da cor da pele, passando pelo clima e chegando na literatura. Porém, um aspecto começa a torná-los - como povo -, mais próximos: atitude.

 

                            Será?

 

OS GAÚCHOS

 

                            Quais as façanhas que servem de modelo, a partir de tudo o que foi visto nos últimos dias?

 

NO FIM

 

                            Pensar e evoluir: cansa.

CARTA AO PAI




 

                            Kafka escreveu Carta ao Pai em pouco mais do que uma semana. Em pouco mais de uma semana algo para sempre. Em aproximadamente cem páginas tudo o que muitos sentem e não dizem ou não conseguem dizer a quem deveria ouvir.

 

                            Kafka não era mais criança. Pelo contrário. Tinha à época 36 anos e não conseguiu escapar ileso da herança adquirida em vida de nunca poder dialogar com o seu pai.

 

                            Quantos muros se estendem entre um pai e um filho?

 

                            É muito preocupante tudo isso. Quando falta diálogo, muito provavelmente falta quase tudo. O essencial é sentir e agir. Não deixar para depois uma conversa que deveria acontecer sempre, porque razões para “jogarmos o problema no porão” são tantas, que por vezes podemos ficar contaminados e estimulados à inércia, que fatalmente nos levará ao descaso, o qual levará tudo a perder.

 

                            As nuances são tantas que podemos deixar passar entre os dedos a possibilidade de resolver algo simples, e, isso, infelizmente, pode furtar o tempo precioso e a oportunidade.

 

                            Qual a dificuldade do abraço, do beijo, do falar exatamente aquilo que estamos sentindo, se é somente assim que alcançamos a liberdade? É por tal caminho, por este pequeno, estranho e simples caminho que poderemos viver, pois a vida é o que importa.

 

                            Os muros devem ser derrubados. Sei, alguns possuem uma massa tão forte, tão resistente, que o desmanchar é muito longe de ser uma ação simples. Mas, o que é simples?

 

                            Tudo é importante demais para que sejam feitos cálculos. A matemática é outra. Poucos percebem.

 

                            Kafka nunca enviou a sua carta ao pai.

NO FIM

 

                            Liberte-se.

 

 

 

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

RACISMO




 

                            A condenação do clube de três cores do Rio Grande do Sul por injúrias raciais é o fato futebolístico e social do momento. O Superior Tribunal da Justiça Desportiva, em julgamento emblemático, excluí a equipe de uma competição nacional por força de atitude de seus torcedores. O ponto de discussão: até onde o clube é responsável por atitudes de seus torcedores?

 

                            Entendo, com todo o respeito aos que pensam contrariamente, que o clube deve sim suportar os encargos de atitudes como a presente, sobretudo quando há reincidência. E aqui, por favor entendam, não se trata do clube específico, mas todo e qualquer agremiação de futebol ou igualmente de qualquer outro esporte, permanecendo somente neste âmbito.

 

                            Não há mais como aceitar que as pessoas livremente e impunemente agridam seu semelhante da forma mais baixa e cruel, se escondendo atrás do pífio argumento de que dentro de um estádio de futebol está quase tudo liberado.

 

                            Mais, e ainda bem que isso hoje acontece, está tudo filmado. Se outrora a “dificuldade de identificação” era a tônica, hoje isso não mais ocorre. As pessoas estão perfeitamente identificadas, inclusive aquelas que estufam o peito e dizem que chamar o outro de “macaco”, também através de cânticos, não tem conotação racista! Tem o que então?

 

                            E onde entra a instituição? Exatamente no fato de ser no mínimo conivente, com os cânticos, avalizando e dando suporte financeiro aos torcedores que praticam este crime. Se as atitudes, e repito, de todos os clubes, não forem radicais, e isso não passa por paliativos oportunistas após os fatos ocorridos, eles devem sim pagar a conta, a qual, espero, seja cada vez mais pesada.

 

                            Não vamos olvidar que o racismo está em todos os lugares, contudo não podemos deixar que tal atitude criminosa seja aceita, seja contemporizada de alguma forma, sob o manto e argumento de que se trata de um local onde as pessoas vão para extravazar.

 

                            Perdoem-me, mas tal argumento é tão ofensivo como o ato em si.

 

NO FIM

 

                            Tudo isso, aguardo ansioso, deve mudar um dia. Será?

 

                           

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                           

MILHOS AOS POMBOS




 

                            Lembrei-me de Vandré em muitas oportunidades que escrevo. Isso não anula eventual lembrança em outras condições. E aqui, exatamente neste ponto, que inicio tudo: se tudo está acontecendo, devemos continuar (inertes) dando milhos aos pombos?

 

                            Vamos pensar um pouco juntos: Garotinho, aquele mesmo de sempre, lidera as pesquisas e deverá ser tranquilamente e novamente o governador do estado do Rio de Janeiro; Arruda, aqueles mesmo que foi cassado, que foi filmado recebendo propina, etc., lidera com folga para o governo do Distrito Federal, sendo para o raciocínio irrelevante se o TSE barrou sua candidatura; Marina Silva, até então sombra de Eduardo Campos, segundo pesquisa, desbancou Aécio e venceria Dilma em possível segundo turno.

 

                            Pois bem, qual o fenômeno ou a “mágica” que regula todos estes episódios? Garotinho liderando traduz, ao menos de longe, que o Rio de Janeiro ao recebê-lo novamente pelas urnas entende que ele é o “cara”. Ou que não há naquele valoroso e prestigioso estado da federação qualquer outro candidato que supere suas virtudes! E agora?

 

                            Quanto ao Arruda, repito: não importa se a sua candidatura vai prosperar, mas como o Distrito Federal pode recepcioná-lo após tudo o que aconteceu? Será que a máxima “o menos pior” é o ponto de apoio dos eleitores. Igualmente não há mais ninguém por lá que possa ao menos empunhar uma bandeira mais honesta?

 

                            E Marina? Será Enéas, será Collor, será quem? Como explicar este fenômeno em âmbito nacional? O que pensamos nós, os condutores, os eleitores, quando buscamos num efeito fúnebre a razão para um voto? Somos órfãos da democracia ou isso é ela na essência? Somos vulneráveis a episódios pontuais? Quem somos nós? O que somos nós?

 

                            Outra pergunta: segundo turno entre Marina e Dilma, para a direta (se é que ela ainda existe), qual será a postura? Teremos muitos votos em brancos ou nulos? Que loucura!

 

                            Se algo serve de alento em tal conjuntura e contexto, o Rio Grande do Sul pode sim bater palmas, pois, temos ao menos quatro candidatos ao governo e três ao senado com linhas de pensamento ideológico (existe isso ainda?) diversos, o que sugere ao eleitor, ao menos, a chance de escolher propostas, a partir de ações conhecidas, mas não, em qualquer hipótese, falar em “menos pior”.

 

                            Isso é, ao final, muito bom.

 

NO FIM

 

                            Somos heróis, porque continuamos dando milho aos pombos.

 

 

 

 

NÃO PARE NA PISTA




 

                            Fui assistir Não Pare na Pista – A Melhor História de Paulo Coelho e, de certa forma, me surpreendi.

 

                            Nunca fui apreciador da obra do Paulo Coelho, mas a sua história (especialmente junto ao Raul Seixas) sempre quis conhecer, pois se trata dos anos 1960/1970 o que por si só me estimula sobremaneira.

 

                            O filme retrata a maneira como os pais conduziam a vida dos filhos. É claro que o objetivo sempre era o melhor para a prole. Contudo, os erros, alguns crassos e muito amadores, levavam a consequências avassaladoras e definitivas.

 

                            Paulo Coelho - que também vítima disso, sempre quis ser escritor. Foi sistematicamente podado por tudo e por todos. Alcançou a segurança com apoio de sua companheira (atual), após ver sua obra recusada em diversas esferas.

 

                            O Caminho de Compostela foi divisor de águas para seguir em frente. A parceria com Raul foi intensa, porém deixou muito claro que foi traído pelo mesmo, e, ao que demonstra, em nome do sucesso/egoísta. Não temos ainda a versão do Raul.

 

                            Assim, inobstante a obra de Paulo Coelho, sua história de vida, vícios, conflitos, tentativas de suicídio, encontros, partidas, loucuras e retorno a vida, leva este homem a ser hoje o único autor vivo mais traduzido que Shakespeare, o que, certamente, não pode ser considerado qualquer coisa.

 

FORMATURA

 

                            Peço licença para registrar a formatura do Micka neste final de semana, no mesmo curso que o pai dele também já tinha escolhido.

        

                            Além dos parabéns ortodoxos, desejo sucesso a um homem (acho que já posso chamar assim) que mantém sobre seu peito um coração valoroso e com tamanho imensurável.

 

NO FIM

 

                            Estou feliz!