“STUPID WHITE MEN” (Uma nação de idiotas)
Recentemente lendo a obra Stupid White Men – Uma nação de idiotas, do escritor, documentarista e roteirista Michael Moore, tive a certeza de que não estamos sozinho. Moore afirma categoricamente: Sou cidadão dos Estados Unidos da América. Nosso governo foi deposto. Nosso presidente eleito foi exilado. Homens brancos idosos, brandindo martínis e usando colarinhos postiços tomaram a capital de nossa nação. Estamos sitiados. Somos o Governo dos Estados Unidos no exílio (...) Então, quem é o homem que atualmente ocupa o número 1.600 da avenida Pensilvânia? Vou lhes dizer quem: ele é George W. Bush, “presidente” dos Estados Unidos da América. O ladrão-chefe.”
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Moore teve a “petulância” de fazer questionamentos como: George, você é capaz de ler e escrever como um adulto? Ou afirmações como: você já está feito para o resto da vida, graças ao vovô Prescott Bush e seu comércio esperto com os nazistas antes e durante a Segunda Guerra Mundial.
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A dificuldade que o escritor experimentou ao tentar publicar a sua obra é perfeitamente mensurável. No entanto sua coragem, que mantém consonância com as barbáries promovidas nos últimos tempos pelos americanos, é a cada dia mais reconhecida e censurada nos mais remotos cantos do planeta.
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Não podemos olvidar o que a grande nação ou o que a chamada maior economia do mundo não é tudo aquilo que “eles” tentam nos vender. A aparência está sendo esvaída pelos atuais e recentes acontecimentos. E nós, a despeito de chamarem nosso presidente de bêbado ou de fazerem gestos obscenos às nossas autoridades, devemos, no mínimo, concordar que nossos “superiores” não passam de estúpidos homens brancos.
PALAVRAS NO OUTONO
PASSO MINHA VEZ
Em muitas das rodadas de pôquer que participei, utilizei a frase: passo minha vez. O objetivo era o blefe ou mesmo “assustar” os presentes. Dia desses, em algum lugar, voltei a dizer passo minha vez; por um momento tudo pareceu normal. Mas lá no fundo não pude deixar de relacionar a frase com a desistência, o medo ou a falta de atitude e atribuí-la àqueles que buscam na fuga a justificativa para os seus atos. Não passarei mais a minha vez.
O “SOCIALISMO INDIVIDUAL”
Conversando com amigos, após a enciclopédia espumante estar definitivamente regando o papo, afirmei: a saída é um socialismo individual. Claro que fui bombardeado por todos os ângulos, pois como poderia haver um “socialismo individual?”. Tentando justificar meu ato, sustentei que a idéia era compartilhar ações e conhecimentos, dentro das regras do bem estar comum. Não fui entendido, mas entendi porquê.
SER COLORADO
O Sport Club Internacional nasceu como contraponto. Nasceu vermelho; a cor do sangue; do resultado da luta, do impacto da decisão. Ser colorado é sair para o estádio, ser carregado pela energia da simplicidade e do amor, e no retorno, muitas vezes alegre, outras nem tanto, saber que o melhor de tudo ainda é ter nascido colorado.
GERAÇÃO CELULAR
Minha geração ficou marcada por diversões hoje pouco utilizada ou mesmo conhecida. O jogo de bolitas (gude ou bales?), carrinho de rolamento, “funda” com “borracha de hospital”, jogo de taco, etc. Agora, quando sou questionado por minha filha de 8 (oito) anos, por qual motivo não respondo seus “torpedos”, digo, parafraseando Raul Seixas: pare o mundo que eu quero descer.
FOTOGRAFIA
Dias atrás fui tirar algumas fotos, quando percebi que algo tinha mudado. Ao pagar e abrir o envelope com as fotos, levei um susto! Quem era aquele que estava nas fotos? A funcionária que me atendeu certamente se equivocou e me alcançou o envelope trocado. Mas, olhando mais detidamente, percebi que o sujeito da foto, de certa forma, se parecia comigo; aliás, era muito parecido. No caminho de retorno para substituir o envelope e pegar finalmente as minhas fotos, parei. E se for eu mesmo na foto? Achei melhor voltar para casa.
O MUNDO NÃO É MAIS O MESMO
Passando os olhos na lista da fruteira, entre os itens estavam caquis e bergamotas. Retrocedi no tempo e pensei: eu nunca comprei caquis e bergamotas; essas frutas sempre estavam à disposição, ou no quintal de minha avó, ou mesmo no dos vizinhos. É definitivamente o mundo não é mais o mesmo.
Victor Hugo Muraro Filho
vhmurarofilho@terra.com.br
Anencéfalos, Cicarellis e outros
A discussão sobre a autorização, ou não, de ser realizado aborto em gestação que traga um feto anencéfalo esta ganhando terreno, não só na seara jurídica e religiosa, mas também em outros segmentos que, por conveniência, demagogia ou oportunismo, apresentam seus variados conceitos, quase sempre distorcidos do objetivo final do tema.
Abrangendo mais ainda a matéria, sugeriria que a questão sobre “a falta de miolo” ou “não ter nada dentro da cabeça” não é “privilégio” dos anencéfalos. Como exemplo podemos trazer a classe dos políticos. Quantos, mesmo possuindo “algo” dentro da caixa óssea, podemos considerar anencéfalos? O que dizem, o que fazem, o que não fazem, o que prometem e não cumprem, caracterizam certamente uma espécie de anencéfalos com encéfalo (pode?).
Não podemos esquecer, ainda dentro da querida classe política, daqueles que regados pelo “instituto” do egocentrismo, onde o objetivo é somente a propaganda de si mesmo, que se alimentam de confetes adquiridos previamente e subestimam o poder de discernimento da população, também, com raras exceções na manifestação da sinapse, podemos concluir que não possuem encéfalo.
E “as” Cicarellis? Igualmente não podemos esquecer delas. Entretanto o raciocínio é exatamente pelo ângulo inverso, pois, Cicarellis possuem o encéfalo “turbinado”, ou quem faria o melhor negócio do mundo, considerando as leis de mercado convencionais, em tão pouco tempo?
Bom, tem ainda ou outros, que não estão dentro das classes já citadas, mas que sempre manifestam em seus atos a definitiva “falta” de encéfalo, na violência, no descaso e na dificuldade de amar o próximo. Por esses também, como disse Cazuza: vamos pedir piedade.
Victor Hugo Muraro Filho
vhmurarofilho@terra.com.br
ETERNA DESPEDIDA
Não podemos esquecer que a vida é uma eterna despedida. Temos os amigos de infância, com os quais enfrentamos a primeira sensação de perda; onde a separação pode ocorrer na simples definição da escola ou na escolha de outros amigos dentro desta. Após, a pré-juventude. Acontecimentos, conhecimentos, conflitos, que apesar de sua fase embrionária, nos trazem ao mundo, definitivamente apresentado. A adolescência, ahh.... a adolescência. A melhor fase da vida? Não sei, tenho dúvidas! Acho que posso definir como uma grande fase e um momento importante, que a não ser pela pele esticada, não passa de uma fase dentro das demais.
Muitas conquistas. Muitas perdas. Vestibulares, faculdades, namoros “platônicos”, namoros definitivos ou ainda indefinidos. Aqui a despedida se manifesta com propriedade, no “terminar” um relacionamento; no dar um simples tchau, mesmo não sendo esta a razão buscada, ou no dizer “então ta” quando ainda não sabemos o que o “ta” realmente quer dizer.
A família, os amigos, os companheiros, meu quarto, o lugar do questionamento sobre a alegria, a tristeza, os encontros ou os desencontros. Adeus, eu não digo! Simplesmente afirmo até logo, pois minha volta será breve, espero; aliás, não só espero como quero. Volto porque não gostaria de ter ido. Eterna despedida.
Agora, saio novamente. Estou em casa. Obrigado. Mas onde estão meus amigos. Alguns não vieram, pois tinha que estudar para a prova de segunda-feira. Outros buscam os “melhores amigos” dentro da vida agora enfrentada, longe daqui. Ainda há os que ficaram, mas esses, esses eu não conheço mais. Como isso é possível?
Despedidas parciais ou despedidas circunstanciais, até mesmo momentâneas, enfrentamos com dor. Claro, com dor. Estou agora no momento da definição, e por isso esta dor não pode superar o meu objetivo de vida. O que foi traçado para mim, por mim mesmo e por aqueles que buscam o melhor para mim. Não sei se o fim será aplaudido, mas será um fim. Quero e busco “vencer na vida”, apesar de não saber muito bem o que é isso.
E as despedidas definitivas? A dor agora não possui compensação. A perda de alguém que sentava à mesa todo o dia, para o café, o almoço ou mesmo para janta, esta, definitivamente, não há conforto. Esta é a despedida em sua essência.
Acho que disso tudo a lição que fica é que, para os grandes conflitos, não há resposta. Acredito que a ciência explica muita coisa; diferentemente da religião, que em verdade, somente caminha para traduzir explicações vagas e baseadas no chamado “poder divino”. Só não posso esquecer que, quem sustenta o chamado “poder divino”, considera errado a utilização de preservativo, de anticoncepcionais, do controle de natalidade, etc. Enfim, tudo que é contrário a seus interesses, não pode ser referendado. Por quê? Será que sou muito ingênuo?
Prefiro, certamente, seguir minha definição e orientação antropológica e filosófica, que não me deixa enganar por falsos profetas, ou por aqueles que investidos no manto do interesse, do poder, buscam regular minha vida. A isso não!
Me resta agora deixar minha despedida, claro, minha despedida semanal. Voltarei, mas com a certeza de que outras despedidas virão, umas sinceras outras definitivas. Não posso alterar a regra, mas posso enfrenta-la, pois já faço isso a muito tempo.
PEQUENAS LEMBRANÇAS
TENHO SAUDADES.....
...de minha infância, da pré-escola no colégio Duque de Caxias. Ahhh o Duque. Da capelinha, das escadas, do museu na entrada (demorei para não ter medo das cobras empalhadas), da quadra de futebol, das arquibancadas, dos bebedouros, do pátio interno, das classes onde podíamos esconder em seu interior nossos lanches ou nosso material. Corredores escuros. No terceiro andar ninguém se atrevia ir; diziam que era mal-assombrado. Nunca tivemos esta prova, mas também nunca fomos conferir;
...do “campo das caveiras”, claro já em sua fase final, mas pude desfilar alguns toques sob aquele piso, de onde muitas histórias brotaram, inclusive de que “alguém do além” poderia até fazer parte de um dos times. Tenho alegres lembranças disso;
...do Duque novo, ao lado do então “campo das caveiras”, o qual não tinha o estigma e a beleza do antigo, mas que manteve a áurea do coleguismo e da qualidade dos mestres;
...de tocar na banda do colégio, para a apresentação nos memoráveis desfiles de 7 de setembro. Entrei manuseando um instrumento conhecido por “surdo”; subi de posto, passei para a “caixa”; já estava amigo do instrutor, e a mim foi alcançado uma “tarola” ou um “tarol”, com doze fios no “pente”. Foi o meu auge. No fim da carreira, já como aqueles jogadores de futebol que após o sucesso, terminam em um time de segunda-divisão (qualquer relação com a atualidade não é gozação), passei finalmente para o “bumbo”; gostava do “bumbo”, pois além de ser o primeiro da fila, tínhamos a responsabilidade de ser o exemplo para os mais “jovens”;
...do time de handebol, sob a batuta do professor Orildo Viali, tivemos muitas vitórias. Jogávamos em toda a região, sendo que a dedicação de nosso mestre juntamente com o nosso esforço, nos fez campeões durante os três anos que estudei na Escola Francisco Argenta, o nosso Polivalente;
...de jogar “pebolim”, onde muitos campeonatos foram disputados, podendo afirmar, sem falsa modéstia, que meu adversário mais forte – e único – era meu amigo Adolfo Gilmar, o Giba do fliperama. Onde estiver Giba, um grande abraço;
...da minha turma do 3º ano do então segundo grau, na Escola Arabi Nácul, o Colégio Estadual. Voltando de um breve tempo na capital do Estado, reencontrei diversos amigos, alguns de infância, e tive o privilégio de me formar ao lado de quem tinha e tenho um grande carinho;
...enfim tenho saudades de muitas situações, de uma infinidade de pessoas, de amigos, de conhecidos, de quem nem ao menos perguntei ou lembro do nome. Dizem que isso é um dos fundamentos da existência; nossa bagagem, nossa história, nossa vida.
Victor Hugo Muraro Filho
SOBRE MÚSICAS
Tenho orgulho de minhas preferências musicais, baseadas em uma formação quase que radical, porém clássica. Adoro rock and roll, blues, jazz clássico, jazz contemporâneo, música popular brasileira, aqui incluindo especialmente as bandas gaúchas.
Do rock, abrangendo os seus mais variados estilos, tenho muito presente, bandas como Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath, The Who, Pink Floyd, Jethro Tull, entre muitas outras. No blues e no jazz, não posso esquecer do mestre B.B. King, Eta James, Janis Joplin. Na MPB, desde Noel Rosa, passando por Pixinguinha, Lupicínio, Vinicius, Tom Jobim, Secos e Molhados, Raul Seixas, Legião Urbana e Cazuza. A as bandas gaúchas, como: Liverpool, Bicho da Seda, Almôndegas, Bandalheira (a minha preferida), TNT, Cascavelletes, Garotos da Rua, Astaroth, Taranatiriça, Nei Lisboa, etc.
Das letras tirei muitas lições, as quais me ajudaram na tentativa de compreender este mundo, com suas nuances, presenças e ausências. A música sempre me levou longe, e por isso, desculpem-me, não posso apreciar o estilo sertanejo, axé ou similares, deixando um pequeno espaço para o pagode de origem.
Claro, não posso esquecer do samba. O estilo não fez parte do meu crescimento, porém tenho muito gosto pelo samba clássico, do morro; traduzidos e interpretados por verdadeiros artistas da voz. Não poderia deixar de me referir a ele.
A cultura musical influi, ou deve influir, em nosso estilo de vida. Somos o que somos também pela música. Os conceitos, as definições ou os atos, muitas vezes vêem precedidos de nossas preferências sonoras. Não se esta querendo afirmar que a música regula nossas ações. Longe disso. Mas que contribui, de forma muito mais clara do que podemos perceber, a isso sim.
Sempre que posso vou a um show. Lembro bem de um dos primeiros, foi o chamado “III Rock Universitário”, uma promoção de um cursinho da época, em Porto Alegre. Apresentaram-se 22 bandas, no ginásio do Gigantinho. Era a metade da década de 80 e a apresentação foi um pouco longa, iniciou por volta das 20h e veio a terminar, somente, às 4h da madrugada do dia seguinte. Foi um sacrifício compensador.
Hoje não conheço muito das bandas que estão em voga e ainda me mantenho fiel a minha formação. E no ano passado, quando finalmente retornei ao Gigantinho, para novamente assistir um show, acompanhado de meu filho e dos amigos de meu filho, por algum momento lembrei da década de 80, sorri. E também pude perceber que muito pouco mudou; mudaram os rostos, mas o sentido e a mensagem vinda e passada através da sonoridade presente, continuam a mesma.
Victor Hugo Muraro Filho
VIAGRA PODE SER CAUSA DE CEGUEIRA
A notícia de que os vasos-dilatadores, ou também conhecidos como “auxiliares decisivos” para o sexo, poderiam ter relação com uma espécie de cegueira, parcial ou total, em alguns de seus usuários, tem causado pânico.
Os fregueses do produto estão preocupados. A encruzilhada está definida: fico cego e mantenho o prazer ou continuo a enxergar e me afasto do maior relaxamento mundano? A última pesquisa indicou o percentual de 82% de pessoas que optaram pela cegueira.
Fiquei pensando: qual o fator determinante para a opção pela escuridão? Cheguei a conclusão de que contra os prazeres carnais não existe reação. Também me questionei: mas, e cega, como a pessoa poderá distinguir ou fazer sua opção pela melhor parceira; ou ao menos pela que melhor se adapte à suas intenções. Como saber se não estou sendo enganado?
ABRIR E FECHAR PORTAS
A primeira vez em que tive contato com a frase é proibido proibir, que não lembro se li ou se ouvi, experimentei a sensação de abrangência da colocação. Por certo, a contradição estava inserida no próprio sentido do período de exceção, a partir da revolução de 1964 com seus conseqüentes atos institucionais. No entanto, a idéia não estava somente vinculada à lógica trazida ou perseguida pela repressão.
Não consigo entender como ainda alguém louva o período mais recente de ditadura em nosso país. A bandeira desta minoria (quero crer que seja uma minoria) é de que naquela época não “havia bagunça”; que tudo era reprimido com ação e reação; que a economia não oscilava tanto, pois restava em vigor o “milagre brasileiro”; que, não consigo acreditar, a “ordem era mantida”.
Sempre com o maior respeito ao contraponto e na defesa do direito supremo da liberdade de expressão, fato que, aliás, era desconhecido nos anos de chumbo, não posso concordar com os argumentos de que naquela época tudo funcionava melhor. Não entro no cerne deste tema, porém sou obrigado a dizer que, abaixo de pauladas, choques elétricos, torturas, todas as palmas são suspeitas.
Alguém pode argumentar em contrapartida, sustentando que a ordem deveria ser mantida, essencialmente na repressão de atos atentatórios contra a propriedade, como nos assaltos aos bancos havidos para sustentar os movimentos chamados revolucionários ou mesmo nos seqüestros de autoridades estrangeiras.
Disso, posso afirmar que a violência é inaceitável sob qualquer situação, no entanto qual a diferença entre uma violência e outra? Não seria a idêntica solução final de aplicar a pena de morte para quem mata?
E se tal situação fosse trazida para os dias atuais, quando estamos atravessando grave crise institucional. A solução política encerra um ciclo com o presidente atual. E depois? Qual será a esperança para envolver os nossos sonhos?
Ao mesmo tempo estamos diante de uma campanha para o desarmamento. Guardadas as evidentes e obvias proporções, Hitler desarmou a Alemanha antes da segunda guerra mundial. Estamos sendo desarmados, mas e a garantia disso? O que mudará? O sentimento de insegurança desaparecerá?
Não busco aqui fazer apologia ao caos. Mas quero, e disso não abro mão, trazer meu sentimento sobre todas estas questões, não me furtando de referir sobre as características da ronda fantasmagórica de um regime de exceção. Estou certo que a época é outra, mas os medos são os mesmos.
Não posso aceitar que tudo funcione como na época do proibido proibir, onde qualquer voz era reprimida com a mais infeliz atitude humana. Não podemos dar marcha ré.
Victor Muraro
CHUVA E BOLINHOS FRITOS
Ainda não chovia na semana passada quando estava viajando para um compromisso profissional distante. Já na poltrona, com o objetivo de vencer as quase três horas de deslocamento, retornei a leitura de Adam Smith, em sua obra Teoria dos Sentimentos Morais. Entre um conceito e outro, entre um simpático café com leite e um moderno chá de maça com canela, me fixei em um ponto enfrentado pelo autor, traduzido por mim na seguinte frase: jamais uma pessoa poderá absorver a dor de outrem, pois esta dor lhe é personalíssima.
Fiquei a imaginar quantas vezes ouvi pessoas dizerem, e eu mesmo disse, com propriedade: “eu entendo o que você está passando”, “eu já passei por isso” ou ainda “eu sei bem como enfrentar este sentimento”.
Olhei para o lado e meus colegas no deslocamento estavam em sua maioria dormindo; me senti órfão e também procurei adormecer. Entretanto não consegui me afastar do conceito do escritor. Poderei eu sentir a dor de outro? Ou alguém poderá retirar um sentimento meu e acolhê-lo sobre seu manto?
Tento imaginar a dor de uma mãe vendo sua impotência frente a fome do filho; do filho que busca a ajuda dos pais, enquanto esses não enxergam a sua necessidade; da falta de amor, da falta de carinho, da falta de compreensão.
Soluções e conceitos vagos são apresentados todo o dia. Quem os apresenta, apesar de estar, quase sempre, com boas intenções, não passa do campo teórico. Não há compromisso. Somente atos, omissões, ações e conseqüências.
O sentimento é único e pessoal. Ninguém sente o que o outro sentiu. E aqui não se está referindo as condições culturais, ideológicas ou religiosas. É no sentido mais amplo, na fonte, na razão. Confortar sim; é preciso. Absorver, impossível.
Após tudo isso lembrei-me dos memoráveis bolinhos fritos com café preto, devorados instantaneamente junto a chuva do outono, onde a preocupação não ultrapassava os prazeres ou a culpa da gula.
Porque me lembrei deles? Não sei, acho que o chá, a altitude, a leitura e a conclusão, de alguma forma, me trouxeram aos gritos gagos, onde minha aflição não passa de um sentimento definitivamente meu.
Victor Hugo Muraro Filho
MEU CAMINHO
Momentos de definição quase sempre são precedidos de angústias, inseguranças e incertezas. Por mais preparados que imaginamos estar, quando nos deparamos com determinadas situações, julgadas por nós como decisivas, nosso coração, inevitavelmente, bate descompassado.
Dessa premissa, trago para analise o conflito do jovem no momento da definição quanto ao seu futuro profissional. Ouso afirmar que tal encruzilhada, precisamente a do momento do vestibular, do primeiro emprego, é tratada, muitas e muitas vezes, com carga desproporcional. Não é possível que a verdadeira “guerra” que envolve as cobranças, os cursinhos preparatórios ou ainda as reprovações, sejam tratadas como um divisor de águas.
Trago ainda a convicção de que não tenho o direito de exigir de um filho meu, ou de quem entendo ter ou mesmo tenho responsabilidade, um caminho traçado por mim. Não poderei estar no controle. A estrada não é minha.
Posso, e devo, tentar orientar. Buscar demonstrar todas as características e possíveis conseqüências, conceituadas por minha experiência em relação aos conflitos que envolvem o momento. Não posso pecar pela omissão.
Não tenho o direito, entretanto, de exigir que meu pupilo siga exatamente o que eu desejo, os meus planos. Que o mesmo caminhe na via em que eu acho ser a menos espinhosa. Isso, definitivamente, eu não tenho o direito.
Lembro com perfeição de duas obras-primas do cinema, que vem a calhar sobre o assunto enfrentado: A Sociedade dos Poetas Mortos e o Sorriso de Monalisa. Ambos os filmes tratam do conflito entre “o que eu quero ser” e “o que eu devo ser”. Muitas vezes o que eu quero ser, não é o que meu pai imaginou pra mim ou que minha mãe ache que seja “um futuro digno”. Mas e o meu direito? O futuro é meu.
Sei, muitos poderão sustentar que um jovem, no auge de seus conflitos existenciais, não tem condições de discernir o caminho certo do errado, quando se deparam com esta encruzilhada da vida. Dai, na condição de responsáveis, “somos obrigados” a indicar o melhor caminho.
Só que este “melhor caminho” quase sempre tolhe e vem de confronto com o que exatamente imagina o maior interessado. Muitos têm receio de apresentar suas vozes, pois isso virá em desencontro às pretensões paternas de ver um filho doutor. É melhor, então, aceitar que o caminho não é o meu; mas o que traçaram para mim.
As películas indicadas traduzem com perfeição esse conflito. Um acaba em tragédia; outro na desestruturação e na quebra de paradigmas do que era considerado como tradicional para época.
Disso tudo, sempre considerando a propriedade e as contradições do tema, concluo, com a convicção, de que orientar é preciso; traçar o caminho considerando a minha intenção, desaconselhável.
Victor Hugo Muraro Filho
A VIDA E SUAS ROTINAS
Acordo todas as manhãs já condicionado a seguir minhas rotinas: higiene pessoal, café, trabalho, almoço, trabalho, jantar, muitas vezes trabalho novamente e, enfim, o descanso noturno.
Todos temos a nossa rotina e todos lutamos contra ela. Sempre perseguimos o objetivo de poder dizer “hoje saí da rotina” ou “hoje vou fazer algo diferente”. É da essência humana.
Buscamos sempre atingir a felicidade; mesmo sabedores de que esta somente aparece fracionada e por momentos. A rotina é vista como contraponto desta busca, pois tudo o que fizemos em nossa rotina é de certa forma mecânico, pré-determinado.
Diante de tal situação, o conflito é inevitável: como posso ser feliz nesta rotina? O “fazer sempre a mesma coisa” é freado geralmente nos dias de descaso. No domingo, por exemplo. Neste dia, habitualmente, saímos da rotina. Temos mais tempo para pensar na vida, para repensar atos, para definir ações. Para dar encaminhamento importante naquela leitura atrasada; para conversar mais detidamente com os nossos, ou para, enfim, sair da rotina.
Também é nesse domingo, especialmente no final do dia, onde o índice de suicídios se manifesta com mais propriedade; é, exatamente no dia em que estamos fora da rotina.
Como explicar isso? No dia em que podemos deixar de seguir nossos passos habituais, o que traduz em teoria um dia alegre, é o mesmo em que muitas pessoas definem como o momento do “ponto final” de sua jornada!
Claro que estou relatando uma visão superficial e simplista condicionada ao tema proposto. Não enfrento as demais questões que aprofundaria a matéria, pois se assim o fizesse fugiria do próprio sentido buscado com o texto.
Quero, somente, dizer que nossa rotina deve sempre ser “quebrada”, pois faz parte da contextualização do nosso cotidiano. Entretanto, ela também é responsável pelos limites reguladores de nossas angústias.
Estando na rotina, fora, portanto, da possibilidade maior de enfrentarmos questões íntimas, seguimos nossos passos ordinariamente, sem que os pensamentos periféricos nos atinjam. Isso é bom? Nem tanto. Mas que de certa forma me conforta, porque a atitude, ou a falta dessa, somada ao medo, que é onde tudo se resume, são os termômetros que seguram a tênue linha do cruzamento de caminhos.
Peço licença a quem acompanha essas iniciantes palavras as quais são expostas desde o nascimento deste jornal, para deixar meu e-mail, para o recebimento de críticas, complementos ou qualquer outra observação: vhmurarofilho@terra.com.br
Victor Hugo Muraro Filho
CHURRASCO DE QUINTA-FEIRA
Todas as semanas tenho o privilégio de jantar com alguns amigos. Somente não compareço por motivos excepcionais. Faço questão de me encontrar com eles, após afrouxar a gravata, e levar um papo sincero dentro da alegria e da informalidade.
Acho que tais situações são o “combustível” para a vida, pois é onde todos nós, sem qualquer compromisso, discutimos sobre tudo, e muitas vezes encontramos a “solução” para os problemas do mundo antes do encontro final dos talheres com os pratos.
Começamos com um matambre, para acompanhar o aperitivo; neste momento iniciamos e praticamente delimitamos os assuntos que virão à mesa. Claro muitos haverão de percorrerem o prato com farofa. No entanto, somente as questões essenciais voltarão à pauta.
Quando um pedaço do vazio é incorporado a conversa, a introdução já foi ultrapassada; estamos já na fase dos conflitos. Cada um com seu ponto de vista respeitado, mas, com toda certeza, defendendo seus argumentos incondicionalmente.
Já sentados à mesa, com o chapéu de bispo e a picanha servindo de pilar na degustação, acompanhado da cebola assada, do tomate, do pão, e, como não poderia faltar, da couve refogada, o silêncio não prepondera, e as concordâncias são cada vez mais raras.
Aprendo muito nestes jantares. Cada um de seus protagonistas vem de um lado, expõem seu ponto de vista, e ao final a conclusão nunca é unânime, o que, de certa forma, me conforta.
Não pode falta, então, um café passado, depois da sobremesa, que passa de um doce de abóbora com creme de leite até um respeitado sorvete de morango ou flocos.
Todos nos despedimos em seguida, porque na sexta-feira a vida tem sua relação de continuidade. Antes, porém, ficam definido os responsáveis pela próxima janta, que sempre deverá seguir os padrões e as silenciosas regras que nos mantém unido.
Disso, retiro a sensação de conforto e paz, traduzidos naquelas pequenas conversas sem maiores pretensões, as quais têm tanta importância que me fazem contar os dias até o nosso próximo encontro semanal.
Victor Muraro
OPORTUNISMO
Depois de um desgastante período febril, de onde a realidade e a vida tinham outros contornos, retorno um pouco avariado, mas na expectativa de que tudo volte ao normal.
Quando enfrento assuntos diversos busco traçar opiniões pontuais. Sem qualquer uma daquelas famosas frases: eu disse, eu sabia, etc. Vejo muito isso no dia-a-dia e principalmente em nossa literatura em periódicos.
Agora, quando o assunto é futebol, sou um oportunista. Não que minha formação seja essa, mas por força da atuação e dos atos que partem daqueles que nem ao menos disputam a chamada série A do futebol brasileiro. Aliás, atualmente, a dupla GRENAL serve de parâmetro até mesmo para a alfabetização de nossas crianças. A professora quando inicia o estudo sobre as letras do alfabeto, utiliza o mais sensato método, conforme o exemplo: letra A, sinônimo: Internacional; letra B, sinônimo: Grêmio. E assim as crianças vão aprendendo o que vem primeiro.
Todos afirmam que futebol é momento. Concordo. Mas também não esqueço que futebol é história. Não precisarei falar que meu clube, aquele do povo, tem hoje o segundo time do país, aguardando a próxima rodada para finalmente encabeçar a lista; que possui o melhor, mais confortável e mais moderno estádio da América do Sul, fato comprovado pela própria Federação. E olha que não estou falando de site ou da beleza de um ônibus, conforme o pessoal da azenha gosta de referir.
Também não precisarei referir que o meu time, o do povo, tem o maior número de títulos de campeonatos nacionais, sendo o único invicto, dos clubes gaúchos; que tem o maior número de títulos regionais; maior número de vitórias e de gols marcados. Além do departamento jurídico jamais ter deixado um verdadeiro jogador ir embora, graciosamente, de nosso plantel.
Não serei injusto em desconhecer as glórias do time da Série B. No entanto, o fato de ser hoje um time de segunda divisão resta ofuscada qualquer conquista, as quais poderão ser novamente trazidas à mesa quando a discussão voltar a ser de primeira.
Brincadeiras à parte, tenho a dizer que nutro um profundo respeito e admiração pelos gremistas; principalmente sua capacidade de resistir o jacozinho, o jeovânio e tantos outros.
Abraços e solidariedade de um oportunista, especialmente aos meus amigos mais próximos, todos gremistas, aos quais peço licença para esta saudável gozação.
Finalmente, por um lapso, esqueci de referir na última coluna a participação decisiva da pequena Carol, minha “enfermeira” favorita, no auxílio contra a enfermidade sofrida. Querida, muito obrigado e um grande beijo do pai.
Victor Muraro
RATOS FAMINTOS
Com os últimos acontecimentos está sendo fechado um ciclo na política brasileira. A última esperança, aquela mesma que “venceu o medo”, se transformou na mesmice já por todos conhecida.
O ciclo se fecha exatamente porque a alternativa de um governo dito de esquerda, no qual era vendida a informação de que seria tudo diferente, se resumiu em negociatas, esquemas e falcatruas, traduzindo exatamente o que aconteceu com os governos antecessores.
A esperança não venceu o medo; a esperança se transformou em desilusão, em desânimo e na imediata falta de perspectiva. Somos esperançosos por natureza. Sempre esperamos que tudo, será melhor amanhã. Certamente haveremos de nos recuperar deste golpe. Mas, de novo, estamos à mercê das mesmas pessoas, dos mesmos conchavos, das mesmas idéias que sobrepõem o individual sobre o coletivo.
Os ratos estão mais famintos do que nunca; e o objetivo não é só o queijo. O medo não é só da ratoeira. A definição é muito maior.
Dentro deste contexto, votaremos no dia 23 de outubro o referendo sobre o desarmamento. A população decidirá se haverá a proibição, ou não, da comercialização de armas de fogo. A campanha, principalmente na televisão, é ostensiva em favor da proibição. Todos os argumentos que sustentam esta posição são no sentido de que, proibida a venda, a violência será atacada em seu nascituro.
A relação proibição da venda de armas com o controle da violência traduz raciocínio idêntico ao apresentado pelos defensores da pena de morte. Esses afirmam que a pena de morte inibiria a prática de crimes, especialmente os considerados hediondos. No entanto, o que se vê, é exatamente o contrário: onde há pena capital, a violência não diminuiu, ao contrário, em regra, aumentou, confirmando o equívoco no raciocínio dos defensores da pena extrema, quanto ao controle da violência.
No caso do desarmamento o equívoco se reproduz. É certo que não ocorrerá diminuição da violência pelo simples fato da proibição da venda de armas. A conseqüência imediata será a falta de proteção ainda maior da população, a qual já está órfã no assunto violência. Não tentem nos iludir, senhores controladores da mídia. Não somos ingênuos.
Sem fazer apologia ao terrorismo ou ao pânico, não é demais rememorar que Hitler desarmou a população antes da proliferação dos ideais nazistas.
Assim, caminhamos. De um lado assistindo um show pirotécnico no congresso nacional: políticos inquirindo investigados (?), com caras e bocas, pois as sessões estão sendo transmitidas para todo o Brasil, sendo a chance de aparecerem e parecerem honestos. De outro lado, a polícia federal fazendo a sua parte, com prisões de impacto, sempre com o acompanhamento da imprensa.
Fechou o ciclo. Os ratos estão soltos. São os mesmo sempre, renovando-se, somente, a cor da ratoeira e o pêlo do gato. Fazer o quê? Esperar. Ah, a minha eu quero de calabresa! A minha? Sim, a pizza.
Por fim, não chegamos ainda na liderança do campeonato brasileiro, mas considerando o número de manifestações, via e-mail ou pessoalmente, tenho a agradecer a todos que acompanham esta coluna.
Victor Muraro
CORAGEM
Muitas vezes preteri a leitura em homenagem a um bom filme. Sempre me questionei sobre esta situação: por qual motivo quase sempre escolho assisti um filme ao invés de uma proveitosa leitura? Cheguei a pensar que a preguiça estava sendo vitoriosa, pois, por obviedade, assistir um filme traduz algo já pronto, ao passo que na literatura terei que formar todo o universo sob o qual estarei restrito e acondicionado. Mas não era nada disso!
Por certo fui vitorioso ao assistir muitas produções interessantes, que fixam marcas que são carregadas por toda a nossa passagem. Mas, por outro lado, fui derrotado, porque deixei de lado uma boa literatura pelo objetivo de compartilhar imagens pouco producentes, que somaram pouco dentro do universo de nossas interpretações.
Dessa aparente encruzilhada me chama a atenção o presente questionamento: o que é ter coragem?
Vem à mente a idéia de coragem relacionada com nossa capacidade de luta, de enfrentamento de questões mundanas, que nos conduzem a provações diárias e a busca de respostas.
Entendo que o conceito é bem mais abrangente. Coragem não pode ser confundida com a mecânica da vida. Coragem, na exata acepção da palavra. Claro, alguém pode dizer: todos são corajosos; todos passam por situações que necessitam uma injeção de coragem para suportar a indefinição ou mesmo a dor.
Mas a verdadeira coragem é o enfrentamento de situações definitivamente graves. Não questões corriqueiras, onde a “coragem” apresentada não passa de uma reação química natural, sem qualquer importância dentro de um contexto simples.
Falo da coragem que rebate o sentimento de impotência; que contrapõe a necessidade de encarar o mundo com outras cores, outras visões, outros caminhos..
Esta coragem precede o crescimento. Mas será que eu quero crescer? Será que o preço para a subida deve ser o caminho espinhoso da lança sob o peito? Mas a chamada evolução, ou a experiência dos experientes, tem no seu pedágio um valor ainda indefinido, mas certamente muito caro.
Por isso, apesar de ser uma das minhas atitudes prediletas, deixei de preferir a comodidade de um bom filme, regado a pipocas, pizza, chocolate ou um ortodoxo café preto, para me alimentar das letras de uma leitura eficaz, não menos produtiva ou compensatória, mas com certeza regada de uma parcela prudente de coragem.
Victor Muraro
DIREITO DE IR E VIR
O fenômeno jurídico clássico que define e traz a garantia do direito de ir e vir é o conhecido habeas corpus. Esse remédio heróico, utilizado tanto preventivamente quanto para reconduzir o chamado paciente à liberdade; ou mesmo para o trancamento de uma ação penal que esta levando ao constrangimento ilegal, tem em sua natureza a essência das garantias individuais.
Ao mesmo tempo em que me satisfaço com essa simples e evidente observação, tenho a conhecer mais profundamente pessoas que, exercendo seu direito de ir e vir aparecem em nossas vidas, silenciosamente, cuja importância fica cimentada em nossos próximos passos.
Quantos de nós já enfrentamos a amizade como algo passageiro e repentino. Sim, a amizade não é somente aquela que se renova pelos anos, trazidas junto com a infância. Há grandiosas manifestações de carinho, muitas vezes traduzidas em atos tão simples que parecem irrelevantes, de pessoas que acabamos de conhecer, apesar de conhecermos a muito tempo.
Já ouvi confissões emocionadas de avós que relatam a paixão pelos seus netos. Claro, é a manifestação do amor descompromissado, ou melhor, do sentimento compromissado exclusivamente com a relação presente, sem qualquer interferência periférica. É, mesmo que muitos não admitam esse sentimento potencializado, não maior, não menor, mas diferente.
E aqueles que buscam - e conseguem - finalizar suas emoções sem acompanhar o crescimento de perto, mas porque se deram o direito e tiveram o reconhecimento, de amar e respeitar seu semelhante.
Tenho presente, e isso não canso de afirmar, minha admiração e minha reverência às pessoas que assim se apresentam no meu caminho. Não há preocupação com a garantia do direito de ir e de vir, pois os atos e as posições garantem um habeas corpus, não como fenômeno jurídico, mas como tradução sentimental.
Não esqueçamos de nossos parentes e amigos do coração, como se apresentaram para mim, o Valdir (Balú) e a Matilde, reconhecidos tios, sem vínculo de sangue, mas com o principal: o vínculo do coração. Obrigado.
Encerro, deixando um caloroso e fraterno abraço para todos os meus colegas advogados pela passagem do seu dia, neste 11 de agosto, o qual estendo a todos familiares, os quais provam diariamente a grandeza e a nobreza desta profissão.
Victor Muraro
ACHO ENGRAÇADO
O Brasil enfrenta grave crise institucional que deságua por todos os setores, se concentrando nos porões do Palácio Presidencial.
Assisto, leio, analiso e fico pasmo, diante de todas as informações que são lançadas na mídia, especialmente as que partem dos espetáculos proporcionados pelos nossos deputados e senadores. Hoje o meu programa favorito é assistir os debates, os discursos, e as conclusões de nossos parlamentares; não que os trejeitos, as caras e bocas, me tragam algo de novo; mas, não posso deixar de perceber, como diversos parlamentares agem, diante dos holofotes: penteados bem perfilados, sem faltar o pó e a base facial para esconder ou disfarçar, não rugas, mas a serragem que naturalmente é expelida na feitura diária da higiene.
Não sou contra, absolutamente, a elegância ou ao bom gosto do vestuário em apresentação pública. Entretanto, considerando as figuras carimbadas de nosso meio político, que, nesta CPMI, se apresentam como “santos” ou como supra-sumo da honestidade, este fato – a elegância - não pode ser vista como uma situação isolada.
Onde quero chegar? No mesmo lugar de sempre! Os acusadores de hoje são exatamente os corruptos de ontem. Ou será que esqueci? Não, eu não esqueci. Toda a gama de corrupção que assolou o país desde sempre, passando naturalmente pelo período de exceção, da pré-democracia e do retorno às eleições diretas, estão mais presentes do que nunca. Qual a única diferença? Antes os corruptores, e o povo, já estavam acostumados com esta situação, não causava mais tanto impacto. Agora, os bandidos que eram visto como a vovozinha ou o chapeuzinho vermelho se apresentam como o lobo-mau. Caiu a máscara. Por isso, esta aparente surpresa.
Mas já estou me acostumando. Gosto do Toninho Malvadeza Neto, o qual se põe como bom moço, o que, no entanto, não lhe retira a pecha de ser fruto da era dos coronéis. Tem ainda parlamentares gaúchos, que nem ao menos se sabe, na maioria das intercessões, o que realmente pretendem. Gritam, esperneiam, atrás de questionamentos que são renovados quatro, cinco, dez vezes, comprometendo os trabalhos e a visão global de credibilidade na atuação. Uma pena!
A lucidez é concentrada em poucos, que não obstante toda a pirotecnia que envolve a situação se mantém posicionado e direcionado na objetividade e na busca da verdade real.
Tendo um sentimento claro de onde tudo isso vai dar, sem a utilização de qualquer complemento facial ou mesmo de corretivos que busquem mascarar a minha real e evidente cara, acho simplesmente engraçado, pois minha reserva lacrimal não será utilizada em benefício ou homenagem aos donos do circo.
Victor Muraro
OS MESMOS VELHOS MEDOS
Iniciei com temor aos personagens que a mim foram trazidos pelos meus pais, tios, avós, enfim por aqueles que, seguindo a tradição, e não utilizando isso com crítica, faziam do medo uma forma de resistência ou registro de autoridade. Lembro de algumas frases: toma a sopa senão o bicho-papão vem te pegar ou a clássica dorme enquanto o lobo não vem.
Cresci e continuei sendo apresentado aos temores que regulam e conduzem nossa existência. Sim, o medo, que para mim é o sentimento onde tudo se resolve, sempre foi a via-mestra que definiu o caminho nas encruzilhadas; que sempre me orientou dentro do oceano das indefinições.
Neste último final de semana, lendo Robert Pirsig e escutando o clássico the final cut do lendário Pink Floyd, enxerguei novamente “os mesmos velhos medos”. Sim, os enxerguei, mas também sei que isso antecede o sentimento, e nesta ordem escrevo.
Os velhos medos são alimentados na rota que nos persegue desde a infância. Hoje, tenho muito mais medo do que tinha tempos atrás. Tenho receio da dor, da solidão, do descaso, da fome, da falta de sensibilidade, dos que entendem que humildade é feio, da pobreza, ou seja, quanto mais cresci, mais tenho medo e eles me acompanham.
Tenho saudades do bicho papão ou do lobo-mau. Agora vejo que ele não eram tão ruins assim.
Muito se é afirmado quanto a necessidade de condução dos fatos seguindo a lógica e o bom senso. Eu mesmo já escrevi e raciocinei baseado nestas duas premissas. Mas, sem retirar a finalidade desta visão, vejo que nem sempre a lógica ou o bom senso traduzem a melhor condução.
Posso estar sendo evasivo ou genérico, mas ao caminho do certo ou do errado, conceituado por lógica, se desfaz com o implemento de uma simples característica visionária ou da própria realidade.
Tenho medo sim, pois sou humano. Mas dentro do próprio medo ou das velhas conclusões, essas sempre mais atuais com o passar do tempo, sou obrigado a reconhecer que o medo tem escalas, e dentro destas sinto que está diminuindo, pois após um pequeno deslize, proporcionado por um homo sapiens de quatro patas, meu time retornou ao caminho das vitórias.
Continuo com medo, mas agora está, gradativamente e sensivelmente, desaparecendo com a graça Colorada.
Victor Hugo
VIAGEM
Dia desses, vasculhando gavetas, me deparei com algumas fotos que registraram uma viagem que realizei, de motocicleta, a aproximadamente cinco anos atrás, na companhia de dois bons amigos. Olhando para aquilo, me fez lembrar de diversas imagens e passagens que me fazem sorrir até hoje.
Saímos de Lagoa Vermelha por voltas da 10h da manhã; era um dia de primavera, nublado, não muito frio, onde o ar trazia um leve sentimento de uma temperada mistura de ansiedade, prazer e expectativa.
Após abastecermos as motocicletas e das últimas despedidas, rumamos com destino a Buenos Aires, com necessárias paradas protocolares em Punta Del Leste e Montevidéu.
No primeiro dia de viagem, após mais de 600 km, chegamos a cidade de Pelotas. Já era início da noite e nos abrigamos na residência de amigos, onde pudemos descansar e comer um respeitável churrasco, preparado pelos nossos anfitriões e assado na sacada do apartamento sob a guarda eficaz de um nervoso pittbul.
No outro dia saímos cedo, e após passarmos por Rio Grande em direção a Reserva do Taim, fomos surpreendidos por uma feroz chuva, a qual nos vez parar, estrategicamente, na cidade de Chuí, na divisa com Chuy, está no Uruguai. À noite comida da região, chopp, roupas molhadas atrás do frigobar e na frente do ar-condicionado e o merecido descanso.
Por estar com minha identidade já fazendo muitos anos, necessitei conversar com o Cônsul do Brasil no Uruguai e agilizar um passaporte, a fim de que nossa viagem não fosse prejudicada. Após umas quatro ou cinco horas tudo foi resolvido e rumamos, em pista livre, na direção de Punta.
Dois dias em Punta e Maldonado, e o deslocamento foi até Montevidéu. Dois dias também nesta bonita e interessante cidade, agraciada por uma arquitetura peculiar e por um povo educado e solícito. Lembro de muitas livrarias e muitos cafés, que o gosto parecia ser único e com patente de registro.
Por fim, Buenos Aires! Sempre linda, ainda mais quando se chega pelo porto. Trânsito confuso, pessoas elegantes e o sentimento de que tudo pode estar calmo, mas não se sabe até quando.
Retornamos após doze dias, com a sensação de que as fronteiras são muitas vezes definidas por nosso estado de espírito e que a realização que emerge de uma aventura descompromissada, amadora, somente com regras estabelecidas conforme se apresentavam as situações, não possui tabela de preço.
Um pequeno brinde na chegada e a sensação de que não só os laços foram apertados, mas que nós, nossas vidas, definitivamente não são mais os mesmos.
Victor Hugo
DIREITO DE MORRER
Muito se discute sobre o direito do cidadão exigir sua própria morte. A eutanásia tem conceitos, controvérsias e definições deste os primórdios, mas seu encaminhamento vem sofrendo um crescente relato nos últimos tempos.
Com a própria evolução, onde a morte pode ser “mais silenciosa”, a aceitação do direito de morrer vem gradativamente sendo trazida ao campo de exploração da mídia e, como é matéria que vende, igualmente é enfrentada em diversas obras com publicações recentes.
Sendo moda, todas procuram emitir suas conclusões. Evidentemente que os chamados “formadores de opiniões”, os quais não têm vinculação ou responsabilidade alguma com o fato concreto, mas simplesmente com o direito de fazer valer suas vozes, trazem as mais diversas teses e constatações; algumas me levam a pensar: porque tais pensadores não utilizam o direito de morrer na prática, para si?
Mais o norte deste escrito não é a via do atentado aos oportunistas de plantão. Quero dizer que a eutanásia se manifesta todos os dias, sem que precisemos recorrer ao poder judiciário para nos dar guarida. Sem guerra de argumentos, de teses ou do poder divino de uma caneta.
A morte está nas esquinas, nas vilas, debaixo de marquises, ao som da chuva ou no queimar do sol. Esta em toda a parte! O direito a ela pode não ser notado, mas sobre aquele que simplesmente sobrevive, ela, a morte, o acompanha diuturnamente. Sobre aqueles que morrem um pouco a cada dia, em razão da fome, do frio, por não ter dinheiro para um tratamento de saúde adequado e preciso, a “eutanásia branca” não é um ato definitivo, mas um sofrimento que traduz um desaparecimento contínuo e definido.
Eutanásia não é somente a busca do direito de morrer; é também a caracterização do direito de ver a vida sendo levada ao cabo, sem que o interessado maior possa influir.
Poderá ser questionado: desta forma não se caracteriza a eutanásia! Penso exatamente ao contrário, pois o direito de morrer pode simplesmente nascer e se desenvolver dentro de uma vida, a qual já está morta, mas a insistência faz que ela se mantenha com o disfarce necessário, para que a censura da sociedade aceite o estado geral do posicionamento hipocritamente apresentado.
Não tenho nenhuma dúvida quanto a presença da morte, ou ao menos do inicio desta, sobre a vida de muitas pessoas, que mesmo vivas sentem que estão morrendo aos poucos, dentro de seu direito ou mesmo contrário a ele.
Não busquemos justificativas para acelerar o que caminha naturalmente em sua cadência e velocidade. Sejamos fortes e prudentes, pois a missão também deve considerar o abrigo alheio e o agasalho termal do coração.
Victor Muraro
O LÍDER
A humanidade já experimentou ao longo de sua história muitos correspondentes, tradutores e controladores de sentimentos. Os lideres, como César, Augusto, Napoleão, Hitler, etc., marcaram suas épocas, em todos os sentidos, especialmente os que dizem respeito a própria formação e condução dos fatos a partir de suas decisões.
Hoje nos deparamos com um grande Líder: Sport Club Internacional. Classificação encaminhada na Copa Sul-Americana, e o primeiro entre todos no maior campeonato de clubes do mundo. Claro, sabemos todos que tal fato pode ser circunstancial. No entanto, também circunstancialmente as bombas atômicas dirigidas ao Japão na segunda grande guerra, pararam nas cidades com tempo mais propício para a ação.
O que interessa, portanto, é que ao Líder todos devem reverência. Ainda mais quanto o Líder já causa temor, pois sua ascensão indica competência para estacionar na posição mais desejada entre todos.
Aliás, não podemos deixar de referir a posição do time azul, que honrosamente, dentro de seu lugar, faz bonito na segunda divisão. Não é fácil, sei disso, lutar contra o Santo André, o Avaí ou o Santa Cruz.
Mas, como o assunto é noutra dimensão - ou de primeira divisão - finalmente até o centro do país reconhece e bate palmas para o time e o clube que dá guarida à Nação Colorada. A mídia já reconhece que o título também está sendo perseguido por alguém mais ao sul.
Isso me faz lembrar o nosso dia: 20 de setembro. O dia do orgulho gaúcho. E para que maior orgulho que estarmos na frente de todos, naquela situação em que se diz ser a maior paixão do Brasil, que é o futebol.
Nós somos e sempre fomos invejados por todos os outros Estados da República. O gaúcho é uma marca e um sentimento, o qual é respeitado sem qualquer discriminação, como o é o Internacional. Respeitado com o lenço vermelho; como a cor vermelha que também faz parte de nossa bandeira.
Não fraquejaremos jamais, pois quando estávamos lutando contra o naufrágio, quase abatidos, reconhecemos, busquemos força e como Fênix, ressurgimos das cinzas. O que dizer agora, aliando a todos esses predicados a condição de número um! O sentimento avesso é cruel, ainda mais quando a distância surge cada vez maior.
Pode a situação permanecer ou mesmo ser desfeita a qualquer momento. No entanto, o sentimento e o orgulho de ser gaúcho somado a condição de Líder, não irá se desfazer jamais.
Victor Muraro.
MINHA INTERPRETAÇÃO
Entre o meu universo de leitores - onze no total, tenho sido questionado sobre o fato de não escrever sobre assuntos jurídicos. Afirmo que já escrevi muitas vezes, quando enfrentei temas como pena de morte, aborto, prisões, além de que praticamente quase todos os assuntos têm um cunho jurídico.
Mas, confesso, procuro não pontuar situações jurídicas, até mesmo porque entendo que estas são supridas, com propriedade, por colegas que nos agraciam com seus conhecimentos na esfera jurídico/acadêmica, periodicamente, em nossos meio.
Tomando um respeitado café passado no filtro, dia desses, do qual só lembro que chovia muito, tive a sensação de que ainda existem soluções para muitas coisas.
Muitos problemas conduzem a humanidade, desde o perigo da escassez de água num futuro próximo até a utilização de manteiga na bolacha salgada, quando essa sempre racha ou se esfarela totalmente. Será que isso só acontece comigo?
Não gosto, apesar de um profundo respeito aos que pensam contrariamente, de músicas sertanejas. Por isso, respondendo a uma pergunta de um amigo, não irei assistir o filme Dois filhos de Francisco, que retrata a história dos sertanejos Luciano e Zezé (é isso?)
Não se trata de radicalismo contra os artistas, que até parecem ter uma trajetória simpática, mas já não agüento o apelo ao sentimentalismo barato. Não quero fazer parte desta campanha.
Prefiro assistir um jogo apitado pelo árbitro Edílson Pereira de Carvalho, pois tenho certeza de que não serei enganado, ou é certo que tudo não passará de uma farsa, não haverá ilusão.
Somado a tudo isso ainda tem o engodo do referendo sobre a continuidade ou não da venda de armas de fogo e munição. A Rede Globo de Televisão, da qual não morro de amores, está com campanha cerrada em favor do desarmamento. Até uma novela que esta iniciando tem, sorrateiramente, o apelo ao interesse do legitimo quarto poder.
Não sei, acho que algumas coisas estão fora da ordem; apesar disso tudo, de um ato não abro mão: retirar a manteiga da geladeira quinze minutos antes de passá-la na bolacha, assim a probabilidade de tudo se espatifar reduz, sensivelmente.
Victor Muraro
LÁGRIMAS NO VENTO
Muitas situações tocam profundamente as pessoas. Fazem refletir sobre conceitos, ações, faltas e antigas conclusões. Fazem viver, renascer ou traçar aquela linha até então dita ultrapassada ou esquecida em uma gaveta que teimamos em não abrir mais. Fazem renovar sentimentos, uma vez declarados imutáveis.
Pequenas ações, pequenos atos, tão grandiosos como um eclipse solar, porém tratados como uma constelação escura, de alcance imediato e de percepção nula.
A enorme sabedoria dos antigos, de onde extraio definições sobre tudo: vida, morte, alegria, descaso, tragédia; da eminente certeza do sabedor caminho para onde tudo vai dar.
Quando John Lennon disse: estive em todos os lugares, mas só me encontrei em mim mesmo, definiu na minha razão, todos os caminhos de ida e de volta dentro da estrada nebulosa e pouco conservada dos conflitos existenciais.
Quando sou estimulado a um raciocínio, que pode ser lançado desde um pequeno cartaz exposto na sala de aula das primeiras séries de ensino fundamental; ou mesmo num livro de poesias (de preferência do Quintana), ou até na realeza complexa dos conflitos trazidos sobre a desgraça humana, como Hermann Hesse no Lobo da Estepe, vejo que tudo não passa de uma contínua necessidade das pessoas se conhecerem mais, de entenderem quem são.
Os poucos que atingem a excelência do conhecimento interno caminharão com a mais profunda leveza de encontro ao bem-estar e da necessária paz.
Assunto trocado, neste final de semana e no início da próxima, dois eventos certamente irão movimentar nossa cidade e região. O primeiro a Expolagoa 2005, que entre outras atrações, no dia 14, sexta-feira, antes do show da banda Cidadão Quem, terá a apresentação da banda local Inimigos do Acaso. A todos os componentes: Tomás, guitarra, Micka, baixo, Genaro, Vocal, Dudu, guitarra e o alegre Fernando na bateria, um grande abraço e sucesso, com a certeza que todos estaremos lá.
O segundo, será um evento promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil, subseção local, a Câmara de Vereadores, Rádio Lagoa FM e Jornal O Regional, onde haverá um debate que abordará o tema sobre a continuidade ou não da comercialização de armas de fogo e munição em nosso país, tendo em vista o referendum marcado para o dia 23 de outubro próximo. Será nas dependências da sede social do SER Lagoense, a partir das 20 horas e 30 minutos e buscará contar com a participação de toda a sociedade.
Victor Muraro
TODOS OS SONHOS
Sempre gostei de música, sendo uma das minhas grandes frustrações, seguindo a “ordem de Caetano”, é não saber tocar nenhum instrumento. Hoje, ainda não sei, mais insisto semanalmente para mudar esta situação.
Sábado à noite tive o imenso privilégio de participar do III Encontro Regional de Corais, realizado nas dependências da Igreja Santo Antônio. A organização coube ao Coral do Centro Cultural Lagoense, que na oportunidade também comemorou a passagem de seu décimo aniversário.
As apresentações de diversos corais da região, mas principalmente do coral organizador e do coral do Creati, me deixaram, confesso, emocionado.
As vozes, algumas potentes outras melódicas, transformaram o momento em uma definição de paz, harmonia e bem-estar.
Os artistas da voz, sempre regidos por maestros ou maestrinas de competência gritante mesmo a “olhos nus”, revelaram o desencontro da timidez com o encontro da vontade e da satisfação do sentimento de estar vivo.
Muitos cabelos brancos, os quais, aliás, eram a maioria, traduzindo e revelando o aspecto de amizade somado ao gosto e ao enlace que só a música pode proporcionar.
Minha atenção ficou voltada para alguns momentos, como na definição dos aplausos, que por vezes igualmente representavam uma sincronia que acabava por ser uma verdadeira continuação da obra recentemente apresentada.
Senti, somente, pelo público, ou seja, pela falta deste, que simplesmente perdeu um momento de extrema grandeza e alegria. Não entendo como as questões culturais sofrem resistência em nossa cidade. Deve ser por isso, também, que estamos nesta “maravilha” toda.
Eu estou feliz, pois é o segundo final de semana que tenho o prazer de participar e ser agraciado com apresentações de artistas de nossa terra, tendo saído com o sentimento de que não precisamos sair daqui para sentirmos os fluídos da arte musical.
No mais segue a vida, como a vitória do “não” no referendo; com os Malufes livres; a natureza dando sua resposta com furações, secas, etc., e o homem, ao invés de buscar a realização nos pequenos prazeres, como na apresentação de uma boa música, se volte para objetivos bélicos, mesmo que estes se manifestem com omissões ou ações pouco convencionais.
Victor Muraro
PARADOXO
Umberto Eco sempre sustentou e me fez refletir sobre o paradoxo de uma coleção. Sustenta o respeitado escritor, que o objeto inserido numa coleção é total ou parcialmente esvaziado em seu significado. Aliás, o significado passa a ser a totalidade.
Tais conceitos podem ser inseridos em diversas definições e encaminhamentos de nossa vida.
Quando penso no todo, excluo a individualidade como parâmetro e traço uma visão colegiada, onde a possibilidade de erros ou mesmo equívocos, segundo a orientação paradoxal em questão, são sensivelmente reduzidas.
Entendo, por outro lado, que o recurso do conjunto não pode ser considerado simplesmente um regulador de conceitos individualmente perseguidos. Cada um tem sua verdade e seus contornos. Não há continuidade, porém esta se resume na presença dos aspectos individuais.
São muitas informações para a linha de chegada. Muitos assuntos que desembocam em outros e mais outros...e o espaço não nos autoriza a discutir e enfrentar todos eles – se é que eles tem fim.
Concentro uma pequena linha, dentro do sistema hierárquico e da lógica, na busca das verdades subjacentes da compreensão deste mundo.
Alguns pensadores transmitem suas posições com base no romantismo; outros, procuram a explicação na razão, no respeito as regras.
Eu? Prefiro um posicionamento que me leve as regalias da paz, da eficiência e da solidariedade. Pode ser o respeito a razão ou ao estado de prazer surgido a partir de uma idéia desconexa. Não me importa, pois, para mim, não há coleção que influa na garantia e na grandeza individualmente apresentada.
Em nosso interior temos verdades, segredos e conclusões, desconhecidas do “colegiado”; porém, latentes em nosso coração, e, com certeza, jamais serão reveladas, pois este mesmo colegiado, esta mesma “coleção”, poderá censurar a individualidade, com os vícios surgidos da própria inter-relação humana. Não agüentaríamos isso.
Nossos respeitos aos que já passaram por aqui e nossos sentimentos nesta data de recordação.
Victor Muraro
A REGRA DA VIDA
Escrevo com profundo pesar em face da tragédia ocorrida no último final de semana, e que acometeu famílias de nossa cidade.
Palavras de conforto, uma mão amiga, um simples gesto carinhoso são de extrema valia e necessidade. Porém nada, absolutamente nada, amenizará a dor e a sensação de que tudo poderia não passar de um sonho.
Minha solidariedade é para todos os envolvidos. Mas não poderei deixar de referir, de forma especial, aos amigos de meu filho e também meus amigos.
É muito vaga qualquer pontualidade ou pretensão de buscar trocar o vácuo existente pelo tubo de oxigênio. Poderia apresentar tratados sobre o sentido da vida, ou mesmo a busca deste; sobre a alegria de viver; sobre a presença firme e positiva dos que amamos, mesmo que agora traduzida em fotos ou nos resquícios da memória. Enfim, sobre tudo aquilo que, convencionalmente, estamos acostumados a dizer “nestas horas”.
Mas me reservo no humilde direito de não dizer nada, senão promover um forte abraço potencializado por todas as palavras que teimam em não sair.
Momentos como esse faz retornar à mente alguns conceitos que, por um tempo, permaneceram adormecidos. Voltam depois, adormecem novamente e o ciclo continua...
Por qual motivo nossa (ou pelo menos a minha) espiritualidade somente é aguçada em momentos delicados? Definitivamente não encontro resposta.
Deixo, e somente isso posso alcançar, meu pesar e minha vontade de que o barco que conduz nossa caminhada não sofresse um revés desta ordem. Mas, por outro lado, também sei que as regras da vida não estão para serem alteradas. Gostaria que não fosse assim, mas é! Amigo Jerônimo, amigo Fabrício, meus sinceros sentimentos.
Victor Muraro
PARA ONDE VAI A ESTRELA?
Fiquei realmente comovido pela manifestação gremista após o inegável triunfo de subir de divisão. A explosão de alegria pela conquista do campeonato da 2ª divisão do futebol brasileiro e pela vaga na 1ª divisão foi, realmente, emocionante.
Pude acompanhar, atentamente, a posição de muitos pais, que para completar sua alegria, levavam os filhos a comemorar a glória da grande conquista. Jovens, com semblante ainda assustado, se desmanchavam no êxtase. Até alguns, que eu nem sabia do gosto pelo esporte, se comportavam como verdadeiros campeões.
A controvérsia que se estabelece, após a inquestionável conquista, é uma só: a estrela comemorativa a essa oceânica glória vai, ou não, ser confeccionada no uniforme? Entendo, humildemente, que o clube não deve deixar passar “em branco” tal conquista. Deve sim, até mesmo em respeito a toda a festa realizada no Estado, selar seu uniforme com a estrela que marca a conquista da 2ª divisão no ano de 2005.
Achei estranho que os jornais não fazem muita referência ao título, nem mesmo a taça que irá servir de adorno na galeria triunfante da equipe campeã.
Mas, voltando à estrela, que é a prova máxima das grandes conquistas, espero, como gaúcho, que não seja suprimida das reverências comemorativas ao título conquistado. Ainda, como sugestão, dentro do regramento de qualquer conquista, deve ser renovada a comemoração anualmente, com festa de aniversário e fixação dos principais jogadores na calçada da fama. Por favor, não esqueçam dos heróis!
Que o time azul seja bem-vindo à elite do futebol brasileiro, de onde seu co-irmão, o glorioso Sport Club Internacional somente não será o campeão, em face das “justas” posições do STJD e das “justíssimas” arbitragens que se manifestaram ao longo da competição.
Ademais, a falta do Grêmio na 1ª divisão este ano foi determinante para o resultado do campeonato nesta esfera. Caso o time azul estivesse na 1ª divisão, mesmo com a atuação lamentável e a ingerência indevida do tribunal, o Internacional estaria com seis pontos a mais na tabela, já considerando o resultado das duas partidas em que enfrentaria seu co-irmão.
Por tudo isso, estou igualmente feliz em face dos acontecimentos. No entanto, não perdoarei o “esquecimento”, caso ocorra, do lançamento da estrela que simboliza a grande conquista e a grande festa do último final de semana.
Victor Muraro.
O TEMPO
O tempo é agraciado com o poder controlador de nossas vidas. Sempre estamos em função dele. Eu, por exemplo, não consigo viver sem relógio. E não consigo viver sem estar olhando periodicamente para ele.
Agora a situação piora, pois se aproxima mais um final de ano, onde todas as emoções são potencializadas pelo chamado “espírito” festivo e que revelam uma tentativa das pessoas “atropelarem” o tempo para buscar soluções não conseguidas durante o ano inteiro.
Aliás, é difícil encontrar uma pessoa que diga: eu gosto do natal e das festas de final de ano. Alguns com explicações interessantes; outros com opiniões respeitáveis. Mas, se ninguém gosta ou poucos apreciam, por qual motivo toda essa estrutura natalina, encontrada por todos os lados?
Acho que no fundo todos têm um sentimento, pequeno que seja, especial por essa data. Encontramo-nos com familiares, amigos, com quem não tínhamos contato desde o final do ano passado. Só por isso já se torna importante a comemoração destas datas.
Mas eu tinha proposto o tempo como parâmetro. E nele ou por ele seguirei.
Todas as pessoas, de uma forma ou outra, necessitam regular suas vidas, seus compromissos, seus prazos, suas definições, e seus projetos, baseando-se primeiramente no tempo disso tudo.
Mas que perda de tempo!
Outros tantos buscam no tempo o salvador da lavoura, literalmente. Aqui o tempo não é do relógio somente, mas de como virá se apresentar sobre as nuances da meteorologia.
Bendito tempo, que traduzo o encontro ou reencontro com minha infância, adolescência, ingresso na faculdade, saída da faculdade, atividades profissionais já a dez anos, e daí? Daí que o barco segue, pois serão mais dez e mais vinte...e mais trinta...
Ah, final de ano, mais um tempo que vai, outro que vem, e tudo continua dentro da regra dos compromissos, já agendados ou por vir; espera de férias; retorno ao trabalho, numa relação de seguimento jamais questionado.
Tempo, que trará o vento; que por sua vez espantará o pássaro; que perderá seu ninho; que buscará outra pousada; que já estará ocupada, pois a vida não passa de nosso próprio tempo.
Victor Muraro
UM GRANDE DIA
Dia 8 de dezembro é comemorado o Dia da Justiça. Não há expediente forense, num claro aviso da importância da comemoração para a comunidade jurídica, a qual reflete diretamente em todos os cidadãos.
Mas o que temos para comemorar? A lentidão, o desrespeito ou as decisões políticas? A ineficiência do serviço ou uma liminar “conseguida” nos porões forenses? (relembrar o recente conluio entre CBF e STJD)
Os advogados - os primeiros juízes da causa, cuja importância consta, inclusive, no texto constitucional, estão cansados. Estão cada vez mais acuados, pelo sistema e pela forma com que estão sendo tratados.
Esses profissionais que traduzem o elo entre a população e a busca da justiça, que refletem e garante a liberdade de um povo, não tem praticamente nada para comemorar.
A cada dia que passa os profissionais da advocacia enfrentam um novo entrave. Não só por questões administrativas, como juízes que não recebem os advogados em seus gabinetes ou os recebe após quase um pedido de clemência através de servidores. Olvidam os julgadores, muitas vezes, que os advogados estão trabalhando e a importância de uma conversa pode atalhar um longo procedimento.
Há ainda as questões de ordem jurisdicional, como a recente lei do agravo (recurso judicial contra decisões interlocutórias), a qual vigorará a partir do próximo dia 19 de janeiro, que afetará diretamente não os advogados, mas a população. E tudo isso sob a bandeira da celeridade.
Não esqueçamos dos Juizados Especiais (antigo juizado de pequenas causas), onde é explorada a estatística sobre o número de acordos realizados, mas não se complementa a informação sobre quantos desses acordos foram cumpridos e efetivamente houve o encerramento do processo.
Está se caminhando para o dia em que o advogado, aquele mesmo que é o veículo para a busca da justiça, o instrumento que liga as angústias de um povo ao poder de julgar, terá que pedir licença para ingressar nas sedes do poder judiciário. E, quando isso acontecer, todos podem ter certeza, o Estado Democrático de Direito estará seriamente comprometido, com a institucionalização da mais grave das crises.
Por outro lado, e para o alívio e garantia do respeito a liberdade, quanto mais deixarem acuados os advogados, mas terão que enfrentar sua fúria e seu poder, sempre dentro das regras que norteiam as relações e os conflitos institucionais.
Não há muito para comemorar, pois o Dia da Justiça não traduz necessariamente a paz, a harmonia e a segurança esperada por todos, especialmente por aqueles, como os advogados, que fazem parte desta engrenagem.
Victor Muraro.
PRATO FEITO
Mais um ano se aproxima do fim, trazendo com ele reflexões, fatos e constatações do que fizemos, deixamos de fazer ou acompanhamos atentamente outros fazerem. Eu, pelo menos, faço tal encaminhamento. O motivo? Ainda não descobri.
Nesse universo de ações e omissões tenho que praticamente nada mudou: os políticos continuam fazendo a mesma coisa; os principais ladrões estão soltos; não há comando; a fome perdura; a natureza dá sua resposta ferozmente, enfim, tudo continua como antes.
E daí? Por qual motivo teimo em fazer um resumo disso tudo, sabendo que o tudo é nada e o nada traduz exatamente o que eu já sei?
Assistindo mais uma dessas propagandas de final de ano na televisão – aquelas em que o objetivo é emocionar, me deparei com uma interessante frase: a velocidade do tempo é diretamente proporcional a sua rotina. Sugestiva interpretação de um fenômeno (velocidade do tempo) e de um conflito existencial (rotina).
Ouço dizer, que quanto mais experientes ficamos o tempo passa mais depressa. Que na infância, até mesmo parte da adolescência, o tempo passa mais devagar, pois não estão estabelecidos ou registrados os problemas naturais que envolvem a linha para a chegada da fase adulta.
Até pode ser que a velocidade esteja ligada à rotina, mas não conseguirei me livrar de nenhuma delas. Amenizar os efeitos? Quem sabe...Pagar pela ilusão, certamente!
Buscarei pegar uma carona, de preferência na janela, no trem da existência. No veículo que me leve ao encontro da bondade, da paz, onde meros desconfortos não sejam pontuados como arrogância ou como uma tentativa de louvor ao egoísmo.
Quero e busco sintonia, mesmo que o ponteiro às vezes marque somente 20 km/h, pois a minha velocidade não é medida no termômetro da dor, mas na escada onde poderei subir e, igualmente, poderei descer.
A todos aqueles que me deram o privilégio de acompanhar esta coluna, um feliz ano de 2006, com realizações, alegria e paz.
Victor Muraro.
A PRIMEIRA IMPRESSÃO
Passado o primeiro impacto do ano novo, se conclui que tudo continua a mesma coisa. Nada de excepcional ocorreu a não ser a troca do mês, pois as mortes no trânsito continuaram em sua média, os atentados no Iraque fazem parte de nossa rotina e tudo mais está como antes.
Estava pensando, domingo pela manhã, por volta das 8horas, no momento do chimarrão na praça, junto com minha filha caçula, que como eu não foi ao baile da virada, quais as expectativas para esse ano. Enquanto pensava, relia algumas passagens do livro Bento Gonçalves – Parlamentares Gaúchos, e me dei conta que o ano também é de eleições. Novamente iremos às urnas, para o grande conflito na escolha do presidente, deputados e senadores (é só isso?).
Votar em quem e qual o sentido deste ato cívico, são as perguntas que tenho ouvido com bastante freqüência. Teremos um presidente candidato a reeleição; um ministro da mais alta corte como adversário e um pupilo de um antigo presidente, no mínimo, para nossa livre escolha. Ah, temos ainda como candidatos fortes a tecla “branco” e a opção pelo nulo.
Também será ano de mais uma Copa do Mundo. Espetáculo maravilhoso, no qual serei torcedor da Costa do Marfim, pois pelo Brasil não torcerei, depois de tudo o que aprontaram para o meu Internacional no ano que passou. Não se trata de revanchismo ou de rancor. Mas sim de respeito a justiça e a honestidade de muitos cidadãos.
Enfim será um ano cheio. Muitas promessas, muitos churrascos, discursos, e nós, aqui neste cantinho do Rio Grande, permaneceremos órfãos como sempre, nos alimentando de compromissos que jamais serão cumpridos.
Para primeira coluna do ano até que estou otimista.
Mas vamos lá, não resta outra alternativa. Enfrentaremos mais essa situação e nos renovaremos para mais uma missão, que é exatamente encarar 2006 de peito e alma aberta.
UMA SAÍDA QUE RENOVA
Nesta época do ano as pessoas pensam quase exclusivamente em suas férias: viagens, praias, balneários, visitar parentes, enfim tudo aquilo que os faça sentir fora do trivial, na busca do merecido descanso.
Eu não gosto de praia, a não ser um joguinho de futebol na areia. Não sou adepto a reunião da areia/calor/água salgada que se soma ao milho verde e a todas aquelas pessoas que ficam mais preocupados em não perderem seus filhos na multidão do que passar algumas horas agradáveis.
Prefiro, e me desculpem os que pensam contrariamente, algo mais simples: piscina e a exploração de rios, especialmente os que banham a nossa região.
Nesta ordem, pude sair na última sexta-feira, para levar quatro crianças (pré-adolescentes me dizem) ao seu primeiro acampamento. Quanta alegria na busca da lenha, no início do fogo, na montagem das barracas e principalmente nos passeios com cavalos e no banho de rio. Quanta satisfação minha ao ver tudo isso.
Tudo é tão simples e recompensador que praticamente não me importei com os mosquitos, que apesar de ferozes até pareceram simpáticos assistindo nossa ginástica na montagem de toda a estrutura.
A recompensa disso tudo, além da contagiante alegria dos personagens principais, é poder presenciar a sintonia humana com as palmas da natureza, tudo sob os olhos atentos de uma lua brilhante.
No retorno, ainda quando tentávamos acondicionar todo o material em seus respectivos lugares, fui questionado diversas vezes sobre quando voltaríamos novamente acampar; numa clara satisfação sobre tudo o que tinha acontecido e sobre aquilo que poderíamos fazer no próximo encontro.
Isso é a vida, simples, objetiva e simpática, onde todos os contornos levam sempre ao mesmo caminho; onde devemos (me permitam utilizar o verbo neste tempo) buscar a realização e acomodá-la em nossos passos, os quais, com certeza, não são únicos, mas são firmes e poderosos no fluxo desta estrada a qual, misteriosamente, desconhecemos seu fim.
Victor Muraro
CERVEJA OU VINHO?
Entre as bebidas apreciadas no mundo inteiro, duas se apresentam, de certa forma, com destaque e ao mesmo tempo contraditórias: cerveja e o vinho.
Os apreciadores de cerveja, sem distinção de classe social, tem um vínculo mais direto com o sentimento comum e descompromissado da população. Quem aprecia esta bebida geralmente discute sobre futebol, mulheres, carros, motos, filmes, livros, com a devida e providencial cadência, pois, apesar da insistência, todos se deparam com a barreira que informa o limite da bexiga. E após a primeira pausa, definitivamente, as próximas serão mais rápidas.
Já os apreciadores de vinho, sem distinção de classe social, não estão ligados umbilicalmente com o sentimento descompromissado da população, isso via de regra. Quem degusta esta bebida geralmente discute sobre futebol, mulheres, carros, motos, filmes, livros, sem a cadência implacável da bebida anteriormente citada, mas com intervalos sugestivos e intelectualizados, como aquele: espera um pouco que vou ao banheiro e já volto; e com essa frase, os bebedores de vinho, buscam não só a necessária pausa por questões fisiológicas, mas também para retomar a linha de raciocínio, que muitas vezes já cruzou com a do horizonte.
Notaram a clara e gritante distinção?
Sim, todos discutem sobre os mesmos assuntos; sim, todos têm seus compromissos com o sentimento comum, uns em maior outros em menor intensidade. Igualmente todos bloqueiam o estágio racional, para a providencial ida até onde, geralmente, há a maior concentração de cerâmica do estabelecimento. Então, onde está a contradição?
Está na disputa desleal entre pessoas leais; está na presença do amor no quintal do ódio; na inveja do “querer mais”; na infelicidade quanto ao sucesso e a alegria do próximo, e em tantas situações que nem mesmo sequer imagino onde não poderia estar.
E a controvérsia entre a cerveja e o vinho?
Definitivamente não sei, mas retornarei ao velho, e eficiente Johnnie Walker, juntamente a sua eterna companheira, a água mineral, de onde as contradições somente são postas em mesa raramente, pois não se pode sair imune ao etílico conceito que rega as ligações peptídicas.
Victor Muraro.
UM NOVO PRÉDIO
Quando a Ordem dos Advogados do Brasil, Subseção de Lagoa Vermelha, a exatamente dois anos passados, lançou a idéia de ser reivindicado junto ao Tribunal de Justiça a construção de um novo prédio para o nosso fórum, as opiniões se dividiram.
E essa divisão não foi quanto a clara necessidade de uma nova casa para a justiça em nossa cidade. A discussão se fixou quanto ao melhor local para a construção deste prédio. Muitos se posicionaram favoráveis na construção no mesmo local onde está o prédio atual. Situações de ordem técnica e mesmo estrutural impediram qualquer evolução neste sentido. Outros fizeram a sugestão do local onde funcionava a antiga CINTEA; também o terreno defronte a sede da AABB ou o localizado ao lado do Colégio Polivalente, entre os mais citados.
No entanto, dentro da situação consolidada, o local ficou definido como sendo o do antigo aeroporto municipal. Diversas razões convergiram para este entendimento. Primeiro, que foi o único terreno colocado pelo município à disposição do Tribunal de Justiça; segundo, que o terreno está disponível para doação, como já teria ocorrido com o vizinho campus universitário; e, terceiro, que a eventual necessidade de aquisição de um terreno poderia atrasar perigosamente o início e mesmo a conclusão da obra.
Após algumas reuniões com a Presidência do Tribunal de Justiça, sempre acompanhada com o setor técnico competente, foi aceito o local oferecido, desde que os documentos estivessem em ordem, ou seja, regularização do terreno, escritura e posteriormente o registro em nome do Estado do Rio Grande do Sul. Tudo foi realizado, e finalmente houve a assinatura da respectiva escritura de doação no início deste ano.
Hoje ocorre o lançamento da chamada “pedra fundamental”, a qual irá materializar as intenções, os objetivos e, quem sabe, o início da obra.
Cabe ao município, ainda, todos sabem, a obrigação de realizar as chamadas estruturas básicas (energia elétrica, ruas, água e esgoto) para que efetivamente seja encaminhado o início da obra. O processo de licitação deverá ser iniciado imediatamente, entretanto o início da obra dependerá das ações que o município de comprometeu.
Tenho certeza que estamos iniciando uma nova era jurídica em nossa comunidade. Com a nova estrutura todos serão beneficiados, especialmente aqueles que buscam no Poder Judiciário a salvação de seus mais preciosos valores.
Por fim, não obstante a Subseção local da Ordem dos Advogados do Brasil, a qual lançou a idéia, ser “esquecida” do processo, especialmente no momento em que estava tudo para ser concretizado, devemos pensar que o benefício desta obra tem um eco muito superior em relação ao perseguido benefício de ordem pessoal ou mesmo política.
Victor Muraro.
CONSTATAÇÕES
Muitas vezes pensei que conhecer uma pessoa era um exercício muito simples. Conhecia seus pais ou parentes, alguns costumes, algumas preferências, e pronto, conhecia satisfatoriamente esta pessoa.
Li, em algum lugar, que muitas pessoas são conhecidas – ou reconhecidas - a partir de uma análise sobre o lixo que produzem. Muitos mistérios são desvendados considerando aquilo que é jogado fora.
Penso, nos desafortunados, aqueles mesmo que reviram o lixo alheio jamais em busca de alguma informação, mas sim para saciar suas necessidades, alimentares ou não, sem a imaginação de que podem se defrontar.
Um dia, ainda na época das lixeiras, após algumas limpezas, deixei defronte a minha casa um saco de lixo contendo os mais diversos produtos, aqueles mesmos que só estavam “trancando canto”. Após sentar no banco da praça pude notar um jovem vasculhando aquele saco de lixo. Depois de algumas braçadas, vi que encontrou um documento (depois pude constatar que era uma velha carteira de um clube da cidade), o qual lhe causou grande impacto. Analisou detidamente o material e passou a chamar por alguém da casa.
Como eu estava vendo tudo, chamei a atenção do jovem que então veio até a minha direção. Mostrou-me a “carteirinha” do clube e lhe argumentei que não tinha mais validade e a foto, quem sabe por descuido também foi parar no lixo, eu poderia retirar, até por uma questão de respeito, já que se tratava de meu pai.
O jovem não aceitou minhas ponderações, sustentando que a foto não traduzia “as minhas características”, e por isso ele não poderia me repassar o documento. E olha que não adiantou nenhum de meus argumentos.
Diante da situação criada, percebi que não tinha direito mais algum sobre a “carteirinha”, pois a partir do instante em que foi colocada no lixo, sua propriedade foi transferida indefinidamente.
O jovem foi embora, levando consigo, triunfante, somente a carteira vencida, enquanto eu, vendo aquela situação, sorri, pois a glória de uns pode ser a salvação de muitos.
Victor Muraro
VIAGEM E EXPERIÊNCIA
Ao findar a leitura do livro Memórias de Minhas Putas Tristes, do Nobel Gabriel García Márquez, mais uma vez experimentei a clara sensação de que a frase “tudo tem seu tempo” não é uma regra absoluta.
Todos podem fazer valer suas pretensões, seus objetivos, respeitando tão-somente os limites físicos impostos pelo tempo. No entanto, tais limites não podem ser vistos como obstáculos, mas sim desafios dos quais necessitamos para a manutenção da vida.
A qualquer tempo podemos enfrentar uma maratona, realizar uma viagem, conquistar amigos, encontrar o amor. O fato dos cabelos brancos teimarem em assumir uma posição de destaque, não deve ser visto como o término das fases gloriosas de nossa caminhada. Ao contrário, deve ser tudo somado e digerido de uma forma alegre e satisfatória.
Tudo isso sem falar na alegria dos cabelos brancos, com os quais acho que não terei o privilégio de compartilhar emoções, pois, se a regra familiar for seguida, nesta época, possivelmente, a calvície já será minha eterna companheira.
Alguém poderá sustentar que não há escolha, pois este regramento não comporta censura, mais simples aceitação. Então, se é assim, por qual motivo muitos tentam mudar a regra?
Por qual razão a vida não pode ser vista com dignidade frente ao implemento temporal inevitável? Claro que pode e merece!
Nesta já longa viagem, com paradas em muitos portos, com reações até hoje inexplicáveis, segue-se o rumo da existência, com toda a gama de experiências acumuladas, as quais jorram da fonte e nos fazem cada vez mais buscar alguma explicação.
A todos aqueles que se identificaram com esse texto, especialmente aos que a cadeira de balanço, a de rodas, o tricô, a televisão ou o rádio, são os parceiros mais fiéis, renasçam, e tenham a certeza de que o respeito e a admiração haverão de preponderar. E para isso acontecer, não esqueça que a nossa atitude identificará o melhor caminho.
Victor Muraro
PEDRAS QUE ROLAM
A inspiração para escrever muitas vezes teima em não se apresentar, fazendo com que o responsável busque a luminosidade junto ao lado negro da lua.
Nesta ordem me preocupei seriamente com a informação de que Porto Alegre é a segunda cidade do Brasil em número de suicídios por jovens. Mas como, se somos o Estado mais politizado, mais alfabetizado e com a melhor qualidade de vida?
Talvez seja exatamente pela reunião de alguns desses fatores que tornem a nossa Capital nesta incômoda posição.
O conflito existencial não está realacionado
A PRAGA DO RACISMO
Não posso deixar de expressar a minha opinião sobre os fatos lamentáveis ocorridos no último final de semana, no jogo de futebol entre as equipes do Juventude e do Grêmio.
Assistindo o jogo, confesso que não percebi no momento a intenção e a intensidade do ato praticado pelo jogador Antônio Carlos. Não sei se minha falta de percepção foi movida pelo descrédito quanto a existência ainda de atitudes como essa; ou mesmo por estar quase dormindo em frente da televisão.
Mas o certo é que resta muito claro a repugnante atitude do jogador “branco”, fazendo menção a cor negra do jogador do clube da capital.
O jogador-réu já mudou sua versão: primeiro afirmou que estava limpando um corte no braço. Aliás, um corte que ninguém viu. Posteriormente, no dia seguinte, sustentou que estava fazendo referência a sua pele, a qual já tinha sido coberta com muitas camisas gloriosas. Além de se complicar mais ainda ao tentar explicar o que não tem explicação, ainda foi indigno com o seu clube, pois desprezou, com seu ato, a atual agremiação que defende.
No final pediu desculpas ao jogador ofendido, afirmando que se “de sua boca saiu a palavra macaco” foi uma infelicidade, foi “o momento quente do jogo”. Até parece uma piada.
Não posso acreditar que a simpática cidade de Caxias do Sul seja palco novamente dessas atitudes criminosas. Primeiro a vítima foi o jogado Tinga do Internacional. Agora essa. E pior, praticada por um jogador experiente, com trabalho na Europa, e que, inclusive, já fora vítima outrora de atitudes racistas.
Não consigo entender como ainda existem pessoas que pensam e agem como se a cor da pele fosse parâmetro para direcionar caráter, atitude, decência, responsabilidade, ou qualquer outra situação.
Somente uma reação completa e firme das autoridades competentes para que tais atos sejam, definitivamente, banidos de nossa convivência.
É o que espero.
UM COMUNICADOR
Na segunda-feira, 6 de março passado, como de costume, o rádio foi ligado no “Programa do Ademar Fagundes”. O hábito reiterado alimenta o costume, e a este eu me vinculei a diversos anos em relação a Ronda da Cidade.
Naquele dia, passado algum tempo, dei-me conta de que meu amigo Ademar não estava na locução do programa, fato que me causou estranheza, pois na sexta-feira anterior teria conversado com o mesmo sobre alguns assuntos de interesse da comunidade e especialmente da Subseção local da OAB, e estava no aguardo de uma entrevista que ele iria gravar naquele dia.
No dia seguinte, para minha surpresa e acredito de um considerável número de cidadãos lagoenses, me informaram que o Comunicador não trabalhava mais na rádio, que teria sido dispensado.
Admissões, dispensas, reformulações, são ações comuns em qualquer empresa. No entanto, em se tratando de uma pessoa que tinha seu trabalho acompanhado por uma enormidade de ouvintes, não só da Cidade de Lagoa Vermelha, mas de toda uma região, é perfeitamente compreensível o impacto causado.
Ademar prestou serviços por aproximadamente 38 anos junto a Rádio Cacique, se tornando o repórter, locutor e apresentador mais conhecido de nossa região. Quem não conhece o Ademar?
Ademar se caracterizou por ser aquele repórter que buscava tirar do entrevistado tudo o possível; um legítimo furungador. Para alguns, gostava de ver “o circo pegar fogo”. O que na verdade não deixa ser um elogio. Para outros tantos, é o legítimo representante da imprensa desta terra, sendo este, sem dúvida, seu maior troféu.
Sou testemunha da luta, do engajamento e da cumplicidade do Ademar quando o assunto dizia respeito a nossa cidade. Não foram poucas as vezes que repartimos angústias assistindo nossos pleitos serem minados paulatinamente por “inimigos invisíveis”. Mas também foram muitas oportunidades que pudemos comemorar juntos as grandes conquistas.
Assim vejo o Ademar, um amigo e um lutador, que certamente inicia agora uma nova fase em sua vida, tendo a certeza de que possui muitas opções para escolher o caminho menos espinhoso nesta grande encruzilhada de nossa existência.
Um abraço e sucesso.
CORRER PARA ONDE?
A inspiração para escrever muitas vezes teima em não se apresentar, fazendo com que o responsável busque a luminosidade junto ao lado negro da lua.
Nesta ordem, semana que passou, assisti O Jardineiro Fiel, filme do diretor brasileiro Fernando Meireles. Excepcional enredo e produção. Interessantíssima atuação do personagem principal e da atriz coadjuvante, a qual, aliás, foi vencedora do Oscar da categoria.
Em resumo, o filme trata de um conflito estabelecido entre grandes potências econômicas e um povo miserável e faminto. Qual conseqüência lógica e imediata disso? Injustiça, mais fome e muito mais desespero.
O filme apresenta uma infeliz experiência de uma grande empresa farmacêutica que, ao invés de gastar milhares de dólares e de tempo, se utiliza de um povo miserável de um país do continente africano, como cobaia para apurar o “ponto” de medicamentos, antes de serem colocados no mercado. Legitimamente, o mesmo procedimento realizado com animais em laboratórios, com uma diferença: se tratam de seres humanos, que, no dizer dos poderosos “irão morrer mesmo”, e ai porque não utiliza-los nas experiências? É tudo tão simples.
Nada é só ficção. Sabemos todos que tal procedimento é realizado sim, habitualmente e ininterruptamente, em detrimento da desgraça humana e das necessidades primárias de um povo à mercê da sorte.
E desta falta de sorte, lembro de outro filme, tão interessante quanto o primeiro, Match Point, ou Ponto Final, de Woody Allen, onde expressa que tudo na vida é regulado pela sorte. Todos os caminhos, situações e conseqüências, têm na sorte o seu parâmetro principal.
Desta soma, quero crer que a maldade, a pior delas, aquela que a vida de um ser humano é utilizada como referência de objetivos monetários, quanto se encontra com a falta de sorte, definitivamente está diante do que os cristãos chamam de inferno.
Que o lado escuro da lua busque os raios solares, para que o coração não alimente um pensamento que traduza somente esta realidade que muitos teimam desconhecer, mas que se manifesta diariamente em nossas vidas.
Victor Muraro.
ALGUMAS DÚVIDAS
Nunca entendi a posição do recheio de uma pizza. Peço geralmente de calabresa – sou conservador. Para variar posso enfrentar uma de quatro queijos. Dificilmente ultrapasso estas fronteiras.
Agora, porque o recheio da pizza se encontra sobre a massa, não sei explicar. Sendo recheio não deveria estar no meio ou dentro? O verdadeiro recheio não é o da borda?
Ainda, não gosto de pizza doce. Acho que há uma abstrata incompatibilidade entre os elementos doce e salgado. Não posso aceitar massa, queijo e um pêssego! Definitivamente.
Mas, a palavra pizza tem um valor muito abrangente. Por exemplo, a dança “tribal”, desengonçada, irritante e descarada daquela deputada federal de São Paulo, comemorando a absolvição e um “mensaleiro”, é uma pizza interessante. O recheio apropriado poderia ser de chuchu com abacaxi; de pepino, pimenta vermelha e cebola rosa. Tudo tem que conter falta de paladar, gosto infeliz e cheiro desagradável.
Acho que prefiro pastel. Aliás, gosto de pastel de queijo. Se frito na hora, necessário esperar que esfrie. Acreditem. Experiência própria. E, ainda, o recheio sempre estará definido e no seu devido lugar.
E o caseiro? O seu nome já traduz uma vida com poucos privilégios. Mas a força de suas palavras fez atingirem em cheio o alvo do momento, o intocável Ministro da Fazenda. Mais um que sai pela porta dos fundos, também desengonçado, e sem experimentar o pedaço final desta pizza.
Nelson Jobim, Ministro Presidente do Supremo Tribunal Federal e candidato a alguma (qualquer) coisa nas próximas eleições. Aposentadoria iminente, neste final de mês. Qual o recheio da pizza?
Não sei, acho que estou sendo injusto. Gosto tanto de pizza, que fico até meio receoso em buscar a explicação para a garantia e a posição de alguns “recheios”.
Esperaremos, os próximos capítulos serão, sem dúvida, interessantes. No entanto, ainda buscarei a resposta sobre a exata posição do recheio! Disso, não abro mão.
Victor Muraro
O QUE FAZER?
Primeiro devem ser cumprimentados todos os jogadores, direção e torcedores da equipe do Grêmio, que legitimamente são os campeões gaúchos de 2006. Não se pode, agora, falar de regulamento, pois todos o conheciam antecipadamente; e a atuação dos árbitros foi pautada pela lisura e por pequenos equívocos que não comprometeram os resultados de ambos os confrontos. Enfim, o título foi merecido.
Outra constatação evidente, e todo conhecedor mínimo de futebol sabe disso, é que a equipe de jogadores do Internacional é superior tecnicamente a do Grêmio. Aliás, a diferença, em tese, era tão escancarada que o próprio Grêmio, jogando em seus domínios, comemorou, e muito, o empate sem gols no primeiro jogo.
E sendo assim, com duas equipes tão distantes tecnicamente, como os dois clássicos foram tão iguais? Sendo, ainda, que no primeiro, o Grêmio teve momentos de superioridade?
A resposta é tão simples quanto a luz de um dia de sol!
É evidente que todo o problema passa necessariamente pelo técnico do Internacional e por conseqüência sua conivente diretoria. Por favor, como dar guarida a escalação de Ceará, Rubens Cardoso, Michel e Iarlei? Como preterir os jogadores Elder Granja, Jorge Wagner, Perdigão, Rafael Sobis ou o Renteria?
E não venham com aquela retórica de que “taticamente” o jogador cumpriu as determinações do treinador. Não adianta os melhores tem que jogar. Isso que não estou falando do “falecido” Clemer, ainda.
O pior disso tudo é que nada irá mudar. O técnico continuará dirigindo a equipe, trazendo e alimentando seus conceitos errôneos, levando nossa Grande Torcida, mais uma vez, a outras desilusões.
Claro que nosso maior rival somente comemorou o título gaúcho disfarçadamente, pois sempre pregou que o campeonato regional não vale nada. Tal situação, que nós, colorados, não podemos concordar.
Por fim, com todo o respeito eclesiástico e aos conceitos espirituais, como não conseguimos vencer este Grêmio, certamente não venceríamos nem mesmo a equipe das Freiras.
LINCHAMENTO PÚBLICO, NÃO!
Estou acompanhando com atenção todo o procedimento que envolve a jovem Suzane Louise Von Richthofen, co-autora confessa do assassinato de seus genitores.
Causou espécie a toda nação o seu procedimento perante uma entrevista junto ao programa Fantástico, da Rede Globo. Apesar de instigada a chorar ou a promover um verdadeiro “teatro”, com o objetivo, ao que parece, de sensibilizar a opinião pública em face da proximidade de seu julgamento, a mesma se apresentou uma péssima atriz.
Toda a aparição pública se manifestou como uma grande palhaçada. Houve equívocos de todos, principalmente da própria e de quem a está auxiliando. Confesso que ainda não entendi quais os reais objetivos dos promotores de sua defesa, visto que a sistemática utilizada foi exatamente a mesma que levou os autores confessos do homicídio (irmãos Cravinhos) novamente para a cadeia.
Nada obstante a tudo isso, acho que o verdadeiro linchamento público que está sendo submetida esta jovem não se coaduna com o regramento vigente. Não estou, e, por favor, não me interpretem mal, fazendo qualquer defesa dos atos desgraçadamente e covardemente praticados. A minha resignação é quanto ao fato, por exemplo, da ré permanecer algemada (ou acorrentada) dentro de uma cela especialmente para que fotos fossem tiradas e exibidas para todo o país. Qual a vantagem ou o interesse disso para o processo?
A jovem cometeu um crime, fato incontroverso. No entanto, haverá de ser julgada e responsabilizada proporcionalmente pelos atos que confessadamente praticou. Sua condenação, evidentemente, já resta consolidada. O Tribunal do Júri simplesmente irá ratificar todo o sentimento de desprezo em relação a ilegalidade levada a efeito.
Mas tudo isso não traduz a necessidade de ser realizada uma tortura branca. De voltarmos aos porões de um regime de exceção. De praticarmos justiça com as próprias mãos.
O ato foi deplorável sob todos os aspectos. No entanto, seguindo as normas que regulam nosso ordenamento jurídico, e sem fazer qualquer referência aos oportunismos dos chamados Direitos Humanos, todo o criminoso, inclusive esta jovem, tem o direito de ser julgada dentro dos limites da lei.
FILOSOFIA, AGORA?
Findando mais uma obra de Irvin D. Yalom, cheguei a conclusão que, definitivamente, o que conta mesmo é o presente; nada de passado ou futuro.
Já passavam das duas horas da madrugada de domingo, quando entendi porque nunca acerto a fila do supermercado ou mesmo do pedágio. Qualquer das filas que entre, sempre será a mais lenta. Um dia até fiz um teste: escolhi um guichê do pedágio e em sua direção fui conduzindo. Antes de chegar, virei bruscamente para o guichê vizinho, tentando com isso enganar “meu azar”. Qual a minha surpresa? A fila que renunciei no último instante, passou a fluir com maior rapidez.
Só encontrei uma resposta para isso, sem ingressar no campo da física ou da lei das probabilidades - das quais não entendo absolutamente nada -. Primeiro que jamais tentarei novamente burlar meu curso, objetivando enganar a mim mesmo, pois, a única conseqüência será um acidente ou uma multa; segundo, não poderei ficar silenciosamente cuidando o fluxo vizinho, posto que, pagarei por minha atitude desleal. E, terceiro, que os segundos ou minutos que “perderei” em nada contribuirão para minha vida. Concluindo, não pensarei mais nisso!
Por qual motivo as pessoas estão cada vez mais apressadas? Não existe mais tempo para nada, que não seja alimentar a correria de todos os dias.
Nesta esteira, Yalom, considerando os debates conflituosos estabelecidos entre seus personagens, revela que tudo nasce da vontade, e a partir desta a perseguição de uma meta. O encontro desses dois elementos – vontade e meta – é o nascimento da felicidade.
Sempre buscamos realizar nossos sonhos e alcançar nossos objetivos. Mas o vencimento de uma etapa, ou a concretização daquilo que buscamos faz nascer, automaticamente, novos sonhos e novos objetivos. E este ciclo é eterno, pois, ao contrário, de que adiantaria viver?
Apesar de tudo isso, manterei os pés no presente, malgrado os fantasmas passados e a incógnita do futuro, buscando, na medida do possível, frear muito mais que acelerar, dentro das escolhas que a vida apresenta diariamente a todos nós.
BANHO-MARIA
Poderia escrever sobre muitos assuntos, como por exemplo, a greve de fome do candidato Garotinho, que é a piada mais ridícula dos últimos anos; ou mesmo do time do Paraná. Sim, o grande Paraná. Mas não, acho que assuntos mais amenos e com uma dose de vida são mais agradáveis.
Sem motivos aparentes nos censuramos e muitas vezes apresentamos ansiedade que não possui qualquer explicação. Quem nunca experimentou uma angústia que “caiu de para-queda?”. Quem nunca acordou ou sentiu um aperto no peito, sem saber exatamente o motivo daquela sensação?
Não tenho a pretensão de pluralizar minhas colocações, mas numa lógica mediana quero crer que tais observações são altamente pertinentes para os nossos dias. Há “os nossos dias”!
Mário Quintana, ao profetizar O Mapa, referiu “...sentir uma dor infinita...” das ruas de Porto Alegre onde jamais haveria de passar. E também que “...há uma rua encantada...”, que nem em seus sonhos pode sonhar. Tudo isso é a mais pura manifestação de uma ansiedade, travestida no poder da palavra de um gênio.
Mas e quanto a nós? Quando digo nós, perdoem-me, me refiro aos mortais. Me refiro aqueles que comem, que sentem frio, e que, por vezes e outra, se deparam com uma ansiedade que ultrapassa os limites da razão. Que coloca em dúvida a própria capacidade de raciocinar.
O poeta, e quando me refiro a eles o faço aos verdadeiros comandantes da sensibilização humana - deixando de pensar na filosofia barata, a qual pode ser adquirida em qualquer esquina -, se equipara, sob muitos aspectos, a mulher bonita.
Tanto um quanto o outro, tendem a viver isoladamente, pois as aproximações se traduzem em interesses pouco convencionais, que aos poucos se apresentam e tendem a minar qualquer perspectiva de continuidade.
De tudo isso, tiro a lição de que, como as ondas do mar, nossos conflitos vão e voltam, e nossas indefinições são jogadas no quarto escuro, para posteriormente renascerem com a apresentação daquela dor silenciosa que nós chamamos de angústia sem explicação ou sem causa aparente.
É, acho que o Garotinho ou a equipe do Paraná teriam sido melhores explorados.
UMA LAGOA
Nasci aqui e tenho muito orgulho disso. Digo sempre, quer onde esteja que sou lagoense e que minha terra pode não ser, para muitos, a melhor para se viver, mas é a minha terra e por isso é especial.
Com este sentimento, também me sinto de parabéns para passagem de mais um aniversário de Lagoa Vermelha. Sim desta Cidade onde passei minha infância, jogando “bolita”, taco, muito futebol, e vi nascer amizades sinceras que mantenho até hoje.
Aqui também passei parte de minha adolescência. E quando fui estudar fora, me lembro que sempre contava os dias para retornar, pois as melhores coisas, dentro de uma fixação subjetiva de valores, estavam em Lagoa, apesar de toda a gama de possibilidades e alternativas de uma “Cidade grande”.
Dia desses pensando em nossa Cidade, fiquei muito triste. Lembrei dos conflitos sociais modernos, fatos tão comuns em localidades maiores, mas até então desconhecidas por aqui. Pensei também na falta de alternativa, especialmente de quem detém o poder de tomar posições e decisões. Sei que muitas vezes não há má-vontade; existe sim falta de competência, de visão e discernimento quanto às direções devidas às pedras no tabuleiro.
Mas isso acontece por toda parte. O jogo é posto, como o de “bolitas”, e os protagonistas nem sempre tomam, ou querem tomar, a iniciativa da jogada. Esperam o outro para ai dizerem a que vieram. Quanto a isso não tenho dúvida, é o selo mestre da conhecida e já ultrapassada politicagem, da qual todo mundo está saturado.
Mas o momento é de comemorações e hoje também faz aniversário o periódico O Regional, o qual já se consolidou como um moderno veículo de comunicação de nosso meio, tendo angariado admiradores em toda a nossa região.
Parabéns Lagoa Vermelha, parabéns ao jornal O Regional, e parabéns especialmente a todas as mães, já pedindo licença para cumprimentar minha mãe, Dona Marisa, e a mãe de meus filhos, Adelina.
OBVIEDADES
Percebo que muitas decisões precipitadas podem comprometer uma estrutura já consolidada. Uma ansiedade pode por tudo a perder. Hoje a vida é assim; poucos limites e reações desproporcionais.
A dificuldade de encontrar o crédito moral, de apresentar considerações baseada no óbvio não garantem a redenção. O que é louvado são posicionamentos ortodoxos sobre imagens e após juízos nascidos da sólida base de uma novela global.
Quero crer que mudanças poderão surgir logo, com a marca registrada na sensibilidade e na resolução dos conflitos ainda dentro desta passagem terráquea.
Na obra O Caçador de Pipas – presente do querido amigo César Oliveira, está retratado a necessidade de buscarmos sempre o encontro conosco mesmo; de combatermos nossos monstros; de enfrentarmos nossas dores, mesmo que para tudo isso busquemos o auto-flagelo em nossos mais íntimos sentimentos.
Necessitamos resolver todas as nossas pendências o mais rápido possível. Pendências de ordem sentimental, pois, ao contrário, com a manifestação da tortura psicológica, temos a infeliz tendência de passar o resto de nossa existência em conflito estabelecido entre o eu e o espelho.
Nada mais profundo do que encontrarmos nossas falhas e “passar uma solda” sobre o metal desfigurado. Poderá não haver mais o retorno ao estado inicial. No entanto, a tentativa nos deixará dentro do eufórico estado de prazer frente a atitude que tivemos força de apresentar.
Não é fácil, eu sei! Aliás, teria a pretensão de afirmar que é complicado sobremaneira. Mas, também poderia justificar qualquer positivação na vontade e na glória, após esta determinada partida de encontro com aquilo sobre o qual sempre tive medo de enfrentar.
Aliviando um pouco, quero mandar um abraço especial para o meu amigo Marcelo (Posto Ponteio), e dizer que ainda seguimos o nosso caminho neste complicado torneio, que é a Libertadores da América. Ah, estava me esquecendo, o que aconteceu com o time da azenha na partida em que afirmam terem sido campeões do mundo? Chama o Caju, por favor.
CÓDIGO DA VINCI
O fato é que o livro Código da Vinci, do escritor americano Dan Brown, resiste a mais de cento e seis semanas como um dos mais vendidos no gênero de ficção, segundo a revista VEJA.
A própria classificação da obra já a define: é uma ficção. Porém, dentro do verdadeiro jogo de interesses, quer seja da Igreja Católica, quer seja da mídia ou mesmo do marketing que envolve o tema, são apresentados ao público as mais diversas conclusões, sempre baseadas nos respectivos posicionamentos de seus autores.
Li o Código da Vinci já faz mais de ano, e confesso que a reunião de dados pode de alguma forma, confundir o leitor. Mas, por outro lado, uma análise não muito profunda esclarece, dentro dos contrapontos existentes e apresentados, o que é verdade e o que é ficção.
O que me chamou um pouco a atenção foi a reação desproporcional de alguns católicos, e dentre esses padres, bispos, os quais de forma dura e incisiva combateram sistematicamente a obra, culminando com os ataques mais ferozes junto a pré-estréia do filme, a qual se deu no último dia 19 de maio.
Pode ser mesmo que a maior parte da obra se trate de pura ficção, buscando dar sentido a uma narrativa condicionada dentro dos objetivos mercantis que envolvem este tipo e negócio.
Entretanto, e isso também é fato, considerando atitude da Igreja Católica, alguns fatos trazidos pela obra de certa forma atingiram, ou ao menos reacenderam a discussão sobre muitas questões não bem explicadas pelo Poder Canônico.
Se Leonardo Da Vinci teria sido grão-mestre de uma sociedade secreta; ou se o Priorado de Sião nasceu de uma organização ingênua do século passado; ou, ainda, se a fundadora da Igreja Católica foi Maria Madalena, a qual estaria disposta ao lado de Jesus Cristo na Santa Ceia pintada por Da Vinci, realmente não conheço respostas totalmente convincentes.
Entretanto, o que mais me intriga é são os procedimentos da Opus Dei, e a descrença ou a simples omissão quanto aos manuscritos perdidos - e encontrados ao longo da história, quando a reação católica foi, da mesma forma, desproporcional.
Não esqueçamos da Inquisição e que a Bíblia foi escrita por humanos. Não esqueçamos, finalmente, que todos possuem seus interesses, e a esses devem obediência.
O BRA SIL NÃO GANHA
O Brasil não ganhará a Copa do Mundo frente a diversos motivos. E não estou falando isso porque torcerei contra. Digo em razão do que aconteceu e do que está acontecendo ainda hoje.
O favoritismo ultrapassou os limites do racional. Tudo é festa, carnaval, mulheres, torcida e uma revolução numa pequena Cidade Suíça.
Que o Brasil é favorito, acho que poucos ainda resistem a idéia. Mas, que o fato de estar tudo no esquema do oba-oba, onde nos treinamentos somente há manifestação de “espetáculos”, com malabarismos e pouco profissionalismo, isso também é uma constatação evidente.
Tenho saudades do Felipão. Sim do general Luiz Felipe, com o qual não havia muita frescura e todos sabiam exatamente os limites do traçado. O Parreira é um excelente treinador. Entretanto, se nota visivelmente seu desconforto com tudo que está acontecendo na concentração; com toda aquela liberalidade explicada pela condição de favorito.
Além disso, o Brasil foi finalista das últimas três Copas do Mundo, sendo campeão em duas, e por isso politicamente não é interessante para FIFA e para os patrocinadores do evento, que vença outra vez.
Outro fato que chama a atenção, é que dos jogadores convocados (como é que o Índio não está na lista?), somente dois atuam em equipes nacionais. Os demais, todos, estão no milionário futebol europeu. Nada contra, absolutamente. Mas que de certa forma é surpreendente, ah, isso é!
Costa do Marfim, por quem torcerei, e ao que tenho conhecimento, ainda não chegou à Alemanha. Quando desembarcarem certamente serão recepcionados por alguns pares de repórteres e poucos admiradores. Silenciosamente, faremos história.
Por fim, vamos combinar uma coisa: neste período da Copa, não vamos nos esquecer dos “mensaleiros”, das dançarinas, dos comparsas que absolvem, pois, um pouco mais adiante todos voltarão para pedir o seu voto. Sim, tudo ainda esse ano.
Victor Muraro.
DESCOBERTAS
Transformações, releituras, recomeços ou até mudanças decisivas, podem nascer a partir de situações convencionais das quais nada se esperava.
Todos estamos sujeitos a enfrentar conflitos, mesmo parciais, que se apresentam dentro de um cotidiano de rotinas, mas que se intensificam sem esclarecer quais as forças e os motivos que o trouxeram exatamente para este momento.
Até ai, tudo bem. Mas, a questão que importa é saber como iremos absorver, digerir e enfrentar uma realidade até então inerte, escondida, na qual nem mesmo sabíamos que um dia teríamos a necessidade de combatê-la ou aceitá-la.
As formas são postas subliminarmente, na medida em que a sua atuação deve se manter silenciosa, obscura, pois, em verdade, não se têm o exato conhecimento de seu resultado.
Claro, a imaginação dá uma volta completa no mundo, no melhor estilo Julio Verne, exatamente na fixação das escalas diferenciadoras de conseguir “entrar” dentro de uma maravilhosa leitura, ao invés de esperar tudo já pronto.
Os prazeres mundanos são muitos, porém diversos a quem os degusta. Até mesmo a dificuldade de se estabelecer um diálogo, tendo que definir os melhores caminhos, a fim de que pessoas não sejam magoadas, mesmo sabedor de antemão que isso será inevitável.
Sou simpático daqueles que desfrutam a vida buscando o bem estar supremo; visando sempre a alegria, mesmo nas oportunidades em que esta possa comprometer uma estrutura até então consolidada.
Qualquer reflexo nos alicerces das construções já findadas - algumas até a muito tempo, possuem uma conseqüência lógica dentro dessa nova realidade, dessa verdadeira descoberta de que muitos caminhos ainda teimam em se estabelecer debaixo de nossos pés.
Lutar contra tudo isso é perfeitamente possível. Muitos o fizeram e se consideram vencedores; outros não têm a mesma certeza. Poderá haver prudência, antes de qualquer coisa, e sob esta visão, perguntar se nesta encruzilhada alguém pode realmente sair como vencedor?
Queridos mortais, a identificação com a narrativa reflete o posicionamento atual na caixa registradora responsável pelo balanço geral da própria vida. Grande abraço.
ONDE ESTAVA DEUS?
Quando Bento XVI foi escolhido para substituir o carismático João Paulo II, houve uma forte a reação em grande parte dos católicos, especialmente no sentido de que o mesmo “não tinha cara de papa” ou que dificilmente conseguiria substituir o alegre e esportista polonês.
Existe uma explicação lógica para isso. Primeiro em razão de que todos estavam acostumados com o papa João Paulo II, o qual por força de sua longa permanência na frente da igreja católica fez todos se acostumarem com a sua presença e com a sua face; segundo, que o papa era uma pessoa muito agradável, tendo inclusive referido, em certa oportunidade, que seria Gaúcho, o que para muitos foi a redenção.
Ao par disso tudo, rapidamente, surgiu Bento XVI. Alemão, ex-combatente, responsável pela escola mais radical dentro do Vaticano, erudito, assessor direito e princípal do papa falecido.
Nenhum dos predicados acima, com a exceção da proximidade que sempre manteve com o papa João Paulo II, o credenciavam, na visão popular, ao trono que passou a ocupar.
Entretanto, aos poucos, silenciosamente, praticou atos e teve reações que definitivamente mostraram sua posição sobre questões essenciais que angustiam a humanidade.
Recentemente, ao visitar o antigo campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, local onde os nazistas promoveram a morte de mais de 1,5 milhão de pessoas, questionou: Por que, Deus, o senhor permaneceu em silêncio? Onde estava Deus naqueles dias?
Tais indagações são, no mínimo, corajosas; representam a posição de quem não está vacilante quanto a sua fé, como foi referido por alguns, mas que traduz o exato sentimento de muitos católicos, quando se deparam com tamanhas injustiças e não conseguem compreender a explicação para tudo isso.
Claro, não sou ingênuo ao ponto de dispensar o raciocínio de que tudo pode não passar de uma jogada inteligente de angariar o apoio do povo em relação ao atual papa. Mas, ao mesmo tempo, gostei da posição tomada, malgrado o fato de que a igreja católica tenha perdido adeptos pelo caminho em face de suas atitudes – ou omissões, até então imperdoáveis.
Gosto do jeito, das ações e das posições firmes do papa alemão. Foi escolhido para uma transição e está cumprindo notadamente seu papel.
Finalmente, para quem ainda não reparou, o papa é adepto a calçados bem definidos e clássicos. Por esse motivo já esta sendo chamado de o papa pop, o que não deixa de ser um tremendo elogio.
MEU PRIMEIRO CANAL
Escrevo após uma visita ao meu amigo e dentista dr. João Henrique Valiatti, para onde fui buscar uma solução para um desconforto em um molar (ou seria pré-molar?).
Conversando sobre a situação que me trazia ao consultório, lembrei-me que o primeiro dentista que enfrentou uma batalha com este dente foi o dr. Azuério, ex-combatente na segunda guerra mundial, ainda na época eu que eu cursava o conhecido segundo-grau na Cidade de Porto Alegre.
Não sou tão antigo assim, mas lembro que o dr. Azuério tinha um consultório pouco convencional, por onde atendia seus pacientes. Não tinha secretária; simplesmente era acionada a campainha e aparecia o dr. Azuério, sempre com um sorriso amigavel em sua face, colocando sua cabeça em uma pequena janela, e como de costume, solicitando o ingresso do paciente ao interior de seu estabelecimento profissional.
O consultório era repleto de fotos da época em que as batalhas eram muito maiores do que a resistência de um canal. Como disse, o dr. Azuério foi combatente e tinha um engraçado tique nervoso, certamente absorvido do tempo das batalhas. Toda vez que a gente se virava ou fazia um movimento um pouco mais rápido, ele dava um pulo e se afastava. Tenho saudades do dr. Azuério.
Acho que eu era um dois últimos pacientes de sua agenda outrora repleta; mas, fazer o que, esta é a regra e contra ela a luta é inglória.
Nada me chamava mais atenção do que aquele instrumento barulhento utilizado por todos os dentistas, conhecido como alta-rotação. Até hoje não entendo porque este barulho não é “abafado” com uma espécie de “surdina” ou um silenciador. Tudo seria muito mais fácil e agradável.
Mas o equipamento do dr. Azuério (podem acreditar) tinha um recurso impensável para os dias atuais: a rotação era complementada com um pedal localizado na parte inferior da cadeira, nos mesmos moldes das antigas máquinas de costura. Por isso, muitas vezes, o trabalho era desenvolvido sob a égide da força muscular do querido e já quase octagenário dentista, causando situações surrealistas.
Agradeço por ter hoje lembrado daquele que um dia se tornou mais do que um dentista. Um verdadeiro Senhor, humano e decente.
E NÓS......”QUE ZIDANE”
A pífia participação do selecionado nacional nesta Copa do Mundo já estava escrita antes mesmo da competição iniciar. Analisando o contexto, com lógica e bom senso, estava evidente que não iríamos a lugar algum.
Uma equipe que já se considerava campeã antes mesmo de jogar, só poderia ter esse fim mesmo. Uma equipe que não tinha alma e nem espírito de competição, onde os jogadores estavam mais preocupados com holofotes, boates e outras cositas mais, somado a um comandante inerte, passivo, que a única coisa que vi fazer foi incansavelmente mexer com a língua, não podia dar outra coisa.
Como este selecionado poderia ambicionar ser campeão, jogando com dois ex-jogadores nas laterais e com dois “tanques” na frente. Até onde eu sei o caminho mais fácil para o gol passa pelas laterais, pelas pontas. E ai, sem laterais que apoiem e com dois atacantes parados, como poderia sair algo de frutífero?
A irresponsabilidade dos jogadores tem uma proporção fantástica, na medida em que o futebol é o ponto de equilíbrio de nosso povo; é comparável com a sede dos americanos por uma guerra. E nisso ver jogadores sem vontade, rindo, outros com a camisa da França após o jogo, se prova que a maioria deles não estava realmente preocupado em respeitar a maior paixão desse sofrido povo.
Perder faz parte de qualquer jogo. Entretanto, perder de uma forma tão passiva, perder “bem perdido” como aconteceu, é inadmissível.
Por outro lado o Argelino Zinedine Zidane, silenciosamente, foi um verdadeiro gênio, um maestro de uma orquestra aplicada, decidida, e que sempre lutou por seu objetivo.
Tudo foi errado, inclusive a execução do Hino Nacional, o qual sempre era interrompido antes da metade, já dando, com isso, a proporção e o sinal de nossa rápida passagem na competição.
Para finalizar, gostaria de chamar atenção para um fato muito importante: nessa terra até a Lagoa é vermelha (homenagem a reativação do Consulado do Internacional em nossa cidade).
BATALHAS MENTAIS
Procuro escrever sempre da forma mais abrangente possível; sobre o cotidiano, sobre as nuances da vida, sobre alegrias, tristezas, emoções, falhas, desencantos, vitórias e derrotas. Em todo o texto que busco apresentar, mesmo da maneira mais sutil possível, o objetivo sempre será deixar uma pequena mensagem. E se uma única pessoa absorver exatamente aquilo que busco sustentar, estarei realizado.
A história como a vida sempre se manifesta numa eterna rede de evidentes repetições. Tudo já é conhecido antecipadamente. As formas ou a ordem podem sofrer alterações. Entretanto o âmago, o núcleo ou a essência é exatamente a mesma.
Raul Seixas, em sua respeitabilíssima obra, nos deixou diversas canções marcantes; mas, dentro do sentido desta escrita, uma o foi em especial, a qual deu o título de Quando você crescer. Disse que perguntas não valem nada, é sempre a mesma jogada, um emprego e uma namorada; afirmou também, que é bem melhor sonhar do que conseguir e que no fim de semana se vai mais tarde para a cama.
Dostoievski, quando escreveu a obra Os Demônios, antecipou Nietzsche e dentro de seus personagens o fanatismo de Hitler e Stálin. Retratou com invejável propriedade a tentativa de imposição ideológica, a qual, diga-se, continua evidente, só que agora sob novos mantos e novos nomes.
Cazuza, que nunca passou de um cantor mediano, se notabilizou por sua forte poesia, tornado-se um dos maiores poetas musicais que este Brasil já pôde ver. Dizia Cazuza que “o tempo não pára” num claro retrato de quem define o final de uma jornada.
Renato Russo, um pessimista e melancólico extremado, afirmou, certa vez, que “tudo o que era para sempre, sempre acaba”. Condutor de toda uma geração pôde fazer valer sua voz, a qual ainda faz (cada vez mais) eco dentro dos mais remotos quartos cinzentos os quais podemos acreditar.
Tudo isso deve ter sido a sensação trazida por uma pequena e resistente chuva, em uma manhã feia, que simplesmente se posicionava sobre uma poça de água desigual.
FUI VI E GOSTEI
No último sábado estive no Planeta Bola para assistir o show das bandas Inimigos do Acaso e Ultramem. Cheguei cedo, como muitos, e pude perceber o fluxo intenso de pessoas que buscavam participar de algo diferente.
Tudo ocorreu de forma interessante, tendo a banda Inimigos do Acaso entrado no palco após a apresentação da Ultramem, conforme já teria ocorrido quando o Cidadão Quem tocou em nossa cidade.
É privilégio para poucos ver duas das maiores bandas gaúchas abrindo um espetáculo de uma banda de nossa cidade. Esses guris, Genaro, Fernando, Dudu, Micka e Tomás vão longe. Falando nisso, excelente a participação do César no saxofone; esse guri também vai longe.
Sei que promover um evento desta ordem não é nada fácil. Quando parece estar tudo certo, surge um detalhe que deve ser enfrentado ou revisto. Por isso, muitas palmas para o amigo Tuta, para o Neto e todos os que contribuíram para a realização do evento.
A iniciativa é uma prova de que é possível sim manter uma periodicidade de eventos similares, fazendo com que principalmente os jovens adquiram o hábito desta espécie de lazer. Lagoa Vermelha merece tudo isso.
Se ainda não possuímos um lugar mais adequado para a realização de tais espetáculos, temos que buscar alternativas; e me parece que o Planeta Bola é um local bem apropriado.
Achei muito importante a participação da rádio Lagoa FM, a qual não só divulgou o evento, mas promoveu entrevistas e participou diretamente do comando da festa.
Somente assim, com esta soma de forças é que faremos de nossa terra um local ainda mais aconchegante, dentro da rota de espetáculos que certamente virão. Ah, só uma coisa: com todo o respeito, sertanejo deixamos, quem sabe, para o ano de 2010.
SOFRIMENTO CULPADO
Nesta semana preocupante começo fixando uma visão no chamado inferno da dúvida. Não consigo mensurar a intensidade da paixão de milhares de semelhantes. Consigo sim imaginar a minha, a qual me leva muito longe; aliás, muito mais longe de onde até hoje pude estar.
Lembro-me de Nietzsche (outra vez dele): “quanto mais alto planamos, menos vemos as pessoas que não conseguem voar”. Esta semana nos reserva vôos para qual planaremos acima das nuvens. Porém, corremos o risco de voltar a enxergar aqueles que não contemplam o estágio.
Confesso o exato sofrimento da espera como o desafio de Deus e de suas leis. É complicado sim, pois são quase cem anos de caminhada e, agora, tudo poderá ser resolvido.
Acredito na glória, na convergência de uma positiva energia, que poderá reter pensamentos escondidos nos pontos mais obscuros e florescer como um ramalhete de rosas vermelhas e brancas, como o sinal da vitória.
Acompanho esta grande nação, ao que me lembro, desde 1978, quando tinha pequenos sete anos de idade. Sei, vivi épocas de muitas alegrias e, também, e homéricas tristezas.
Sei que muitos estão comigo. Outros, nem tanto, pois é exatamente este conflito de paixões que traduz a essência maior da vontade agregada ao sentimento e a dor.
Não sei o que acontecerá. Somente percebo uma áurea extremamente positiva e isso, de certa forma, me conforta.
Não será a batalha final, mas certamente será uma batalha, e assim a encaro, com muito orgulho no coração.
MARGINAIS
As cenas protagonizadas por parte da torcida do Grêmio no Estádio Beira-Rio no último domingo são muito mais do que simplesmente lamentável.
Verdadeiros bandidos, sob o manto de torcedores, conseguiram, mais uma vez, tornar um lugar de espetáculos em um campo de guerra. E o pior, são sempre os mesmos. São pessoas que não estão preocupadas no prazer do momento, na alegria que só o futebol é capaz de promover. Buscam exclusivamente a destruição, e por esse motivo não podem ser considerados e tratados como torcedores.
Esses delinqüentes, os quais em sua maioria são facilmente identificáveis, deveriam ser punidos com o rigor proporcional ao evento que produziram. A minha opinião é que deveriam ser banidos definitivamente dos campos de futebol, pois tais quadrúpedes somente voltarão a causar danos, com conseqüências ainda mais danosas a todos que apreciam o esporte.
Os responsáveis por esses deploráveis atos não podem ser considerados torcedores; aliás, tenho dúvida se são humanos. Mas não tenho qualquer dúvida de que vão aos estádios de futebol não com o objetivo de vibrar com sua equipe, pois de futebol, tenho certeza, não entendem nada, sendo que até arriscaria dizer que olham muito pouco para o campo, e mais para os locais onde deverão descarregar sua raiva, sua inveja e seu complexo de inferioridade.
Torcedores não fazem o que se viu no último domingo. Marginais sim! É uma pena que os exemplos buscados no sangue portenho tenham aquela tradução.
Futuros clássicos só com a torcida do mandante não será o ideal. Porém, em razão dos acontecimentos e do que se pode prever evidentemente que é uma interessante e prudente decisão.
Quem paga por isso? Todos nós, nossas famílias, que cada vez mais são afastadas de espetáculos públicos, permanecendo reclusas, amedrontadas, na espera de uma atitude enérgica, inteligente e eficaz de nossos representantes.
CLUBE DE BILHAR
Estive no último sábado almoçando no Clube de Bilhar, a convite de meu amigo Minozzo, o qual apesar da simpática convocação não pôde se fazer presente.
Lá chegando, eu e o Celso Gazzola, fomos recepcionados pelo dr. Álvaro Cirino, o qual juntamente com o amigo Rogério Müller, participamos de uma partida de bilhar
Não conhecia as regras nem a pontuação das bolas, mas como tudo era descontração – o que não poderia ser diferente - jogamos “quase” duas partidas antes que o almoço fosse servido.
Sentei ao lado do meu antigo companheiro de viagens de motocicleta, o “grande” David, mega-campeão da sinuca de Lagoa Vermelha, que me passou algumas informações interessantes. Disse-me que clubes de bilhar similares ao de Lagoa Vermelha só existem mais cinco no Estado: Passo Fundo, Vacaria, Pelotas, Canoas e Porto Alegre. Tal fato chama a atenção por dois fatores: o primeiro que Lagoa Vermelha está inserida dentro da “nata” da sinuca do Estado do Rio Grande do Sul; e segundo que a nossa região está muito bem representada no esporte.
Relatou ainda, que existem três divisões em Lagoa Vermelha: cinco atletas na terceira divisão, dez na segunda e dez na primeira, sempre considerando o rebaixamento dos dois piores classificados nos respectivos torneios dentro de suas divisões.
Pude constatar a alegria das pessoas que estavam se descontraindo no Clube, registrando que além da sinuca existe uma concentração importante em jogos de mesa, especialmente no sessenta e seis e na canastra.
O atendimento da qualidade de nossa terra, carne saborosa e todas as bebidas ao ponto se seus consumidores.
Por fim, constatei a foto do senhor Décio Pedrotti, gentilmente colocada em lugar privilegiado, dando conta da importância e da reverência a este falecido cidadão o qual aprendi a admirar.
Parabéns a todos os associados e colaboradores do Clube do Bilhar de Lagoa Vermelha, especialmente pela receptividade, pela alegria e pelos momentos de descontração que pude experimentar.
É HOJE!
Estou dentre aqueles que se estabelecem no rol dos incrédulos. Acho que o Sadam Hussein não foi capturado, mas sim fez um acordo com os americanos, onde estes teriam poupado familiares e parte de sua riqueza, e em contrapartida explorariam o marketing do cárcere; também acho que o famoso Bin Laden já foi localizado e poderia ser preso a qualquer tempo. Entretanto, não seria produtivo para os norte-americanos vê-lo encarcerado, posto que, definitivamente não haveria mais razão para a guerra se propagar e para esta tola exibição continuar seu curso idiota.
Também acho que o Lula sabia de tudo, como aliás todos sabem de tudo, havendo separações entre os que sabem e sabem fazer e aqueles que sabem e não sabem fazer. Entenda-se por “fazer” com sinônimo da apropriação de coisa alheia indevidamente.
Também não tenho dúvidas que o candidato Geraldo (!) foi lançado à Presidência da República para perder. Está muito claro que o candidato Paz e Amor será o vitorioso, e no primeiro turno.
Heloisa Helena ou HH para muitos, não passa de uma cidadã, honesta diga-se, mas que não consegue desgrudar-se de seu complexo de inferioridade; todas as suas ações são pautadas por uma agressividade, que contamina sua isenção quanto aos reais objetivos de combate aos nossos problemas ou da manifestação sobre suas possíveis soluções.
Os demais, com exceção do Cristóvão Buarque, que mantém o velho e surrado discurso, nem mesmo sei quem são, conhecendo-os através das inserções diárias no Jornal Nacional, por força de um acordo com a Rede Globo a fim de que os mesmos abram mão de participar de debates promovidos pela emissora.
Apesar disso tudo, de todas as conjunturas ou particularidades que envolvem um raciocínio linear numa época de “liberdade”, nada supera a emoção que está reservada para o dia de hoje. A áurea, com disse outrora, é positiva. Os deuses estão atentos. Mas há necessidade do complemento final. Esperaremos todos, ansiosamente e angustiadamente.
É hoje.
CAMPEÃO COM JUSTIÇA
O Internacional é o Campeão da Taça Libertadores da América. O Internacional, hoje, é a principal equipe da América e, no mínimo, a 5ª do Mundo, isso seguindo o ranking da FIFA e sem contar os louros do próprio título continental.
Sei que o futuro nos reserva muitas alegrias. Seguiremos no final do ano para o Japão, quando faremos parte da verdadeira disputa de um campeonato mundial entre clubes. Aliás, com o reconhecimento da FIFA e com representantes de todos os continentes, podemos sim dizer que se trata de um torneio que determinará o Campeão do Mundo de clubes de futebol.
Mas o que me impressionou, mais uma vez, foi a torcida. Sempre afirmei, sob censura, que a maior, mais alegre, mais democrática, mais apaixonada e mais fiel torcida do sul do Brasil é a do Internacional. Essa mesma torcida que noutros tempos reivindicava uma significativa conquista internacional, hoje se embebeda da glória de sua realização. Mais, uma ascensão sobre o atual campeão do mundo, o que, sem qualquer dúvida, justifica toda a alegria manifestada.
Aqui em Lagoa Vermelha (pela cor da lagoa não poderia ser diferente) a festa foi inesquecível. Sem qualquer confusão, com uma imensidão de pessoas nas ruas, alegres, proporcionando um espetáculo de fogos que poderia até ser confundido – pelo barulho – com alguma atividade bélica do Líbano, de Israel ou mesmo do Iraque.
Palavras para definir a satisfação dos torcedores e traduzir o eco da garganta não são encontradas. O que se acha facilmente é o orgulho maragato, que emerge das veias e explode na feição do rosto e nos gestos dos colorados mais apaixonados.
Mas dentre todos eles quero fazer referência especial ao Marcos Fracasso, ao Michel, ao Lulu, ao Mickail, ao Fabiano Sartori, ao Celso, a Luiza Carolina, a Adelina, ao Ênio do drive, ao Pitti, ao Marco Schmidt, ao Sapo, ao Augustinho Taffarel, ao dr. Antônio, ao João Maria, ao Bira, ao Dime, ao Jean, ao Dante (pai e filho), ao Charles, ao Robertinho, ao Mauro e o Osmar Schmidt, ao “seu” Vitor Muraro e a todos aqueles que, como eu, sofreram e muito.
Por fim, queria dar minha solidariedade a todos os gremistas, que sofreram tanto quanto nós colorados, alguns, pelo que sei, até mais, tendo apelado para todos os santos, mandingas e promessas, deixando a confirmação, com isso tudo, que definitivamente Cristo é colorado.
O HOMEM DO TEMPO
Acordei sábado passado com a notícia do falecimento do amigo Sejalmo Falkenback. Tive o prazer de conhecer muito bem o Sejalmo, pois desde o ano de 1993, ainda estagiário, o tinha como cliente nos escritório em que trabalhei.
Sejalmo iniciou seu contato com a meteorologia ainda quando estudante secundário no Instituto Educacional (IE) na Cidade de Passo Fundo. O professor responsável pelas leituras e previsões meteorológicas necessitava de um auxiliar. Sejalmo se apresentou e foi escolhido.
Passado o tempo, ainda estudante, Sejalmo passou a ser o responsável pela estação da escola. Após, agora em Lagoa Vermelha, iniciou suas atividades junto a Estação Meteorológica local, de onde era conhecido por quase todas as pessoas, senão pessoalmente pela sua inconfundível voz.
Sejalmo trabalhou como servidor federal desde o ano de 1974 até sua aposentadoria ocorrida em 1996. Continuou seu trabalho, mesmo aposentado, também como “leitor” do tempo para diversas instituições, como cooperativas, municípios, tendo cessado, somente, após o último boletim lido na última sexta-feira no início da noite.
Sejalmo era um sujeito simples, entretanto seu conhecimento na área da meteorologia sempre o destacou. Por inúmeras vezes presenciei seus contatos com pessoas que buscavam auxílio e informações sobre o tempo, não obstante nos dias atuais a previsão ser objeto de muitas fontes dentro dos meios de comunicação. O Sejalmo tinha a confiança de muitos.
Tenho uma teoria, sem qualquer explicação científica e com uma base que ainda pretendo buscar, mas nunca entendi muito bem o motivo de diversas mortes ocorrerem perto do aniversário das pessoas. O Sejalmo, por exemplo, fez sessenta e um anos de idade no último dia três de agosto.
Fica a lembrança dos “milibares”, das informações preciosas, das conversas animadas e da certeza da partida de um grande e honesto amigo.
Solidariedade à mãe, dona Matilde, a viúva, filhos, irmãos e demais familiares, daquele que para mim foi o verdadeiro Homem do Tempo.
UM DIA QUALQUER
Passado o dia 11 de setembro e as homenagens pelo quinto aniversário dos atentados, muitas constatações podem ser feitas, refeitas ou consolidadas.
Tudo isso teve início há muito tempo. Os atentados ao World Trade Center ou ao Pentágono são mais uma página de um conflito histórico, sem definição ou solução.
Retrocedendo um pouco, logo após a segunda guerra mundial, com os Judeus continuando sem pátria, espalhados por todo o mundo, e promovendo a injeção de milhões de dólares junto aos Estados Unidos e a própria ONU, ficou definida a retirada dos palestinos de suas casas, a fim de que a instalação daqueles se desenvolvesse sobre os territórios até então desses.
Evidentemente que houve conflito, como haveria sobre qualquer um de nós que fôssemos obrigados a deixar nossa casa, nossa propriedade, sem maiores explicações ou mesmo sem qualquer justificativa.
Deste conflito sugerem as chamada células dentro de organizações como Al-Qaeda ou Hamas, que buscam objetivamente a defesa dos semelhantes atingidos pelo reflexo da necessidade de construir uma nova pátria, a partir da retirada violenta dos até então ocupantes.
Dentro deste contexto, onde, de um lado paus, pedras e homens-bomba e, de outro, armamento ultra-moderno, tanques de guerra e um poderio bélico alicerçado por uma colisão ocidental, tendo a frente a verdadeira “ilha” dentro do mundo árabe que é Israel, a chamada busca de uma solução pacífica está cada vez mais distante.
Evidentemente que não há justificativa para ações chamadas terroristas como a ocorrida em 11 de setembro. No entanto, também não existe qualquer plausibilidade para confortar as ações de guerra comandadas pelo imperialismo americano, que justifique as diárias mortes, não só de militares, mas de civis, em especialmente de mulheres e crianças.
Eu sei que a matéria é controvertida e requer uma discussão bem mais aprofundada. Mas sei também, que se o mundo está liberado para a solidariedade aos mortos dos atentados no território norte-americano, também deve estar liberado para chorar pelas vítimas, na maioria indefesas, dos territórios ocupados, que lutam de forma inglória e suicida para defender sua pátria e seu povo.
AINDA SOBRE AS ELEIÇÕES
Passado o primeiro turno das eleições, posso afirmar que estou no segundo turno, pois os meus candidatos permanecem na disputa.
Poderia afirmar, igualmente, traduzindo um raciocínio diverso, que estou no segundo turno porque todos os gaúchos e brasileiros também estão, independente da sua primeira opção.
Entre o cômico e o trágico, conferimos que Paulo Maluf está eleito; Clodovil (que deve ter idéias fantásticas) quase chegou a marca de 500 mil votos; que José Sarney continuará incomodando; que Collor de Mello utilizará a tribuna do senado; que Genuíno e João Paulo Cunha voltaram nos “braços do povo”; que o ACM sofreu uma humilhante derrota na Bahia; que para Eurico Miranda faltou voto, etc, etc.
Chamou atenção sim a fantástica votação da candidata do PC do B, Manuela ou Manu, que chegou a incrível marca de 271 mil votos. Para continuar nas mulheres, não deixa de chamar atenção, igualmente, a votação de Luciana Genro, pelo embrionário P-Sol, com mais de 170 mil votos. Mônica Leal, com mais de 800 mil votos para o Senado, não deixou de ser também uma grata surpresa.
Definitivamente a eleição foi mais das mulheres, como, aliás, gradativamente tudo o que está acontecendo ultimamente. As mulheres tomarão, num curtíssimo espaço de tempo, todos os cargos e responsabilidades exclusivamente masculinas. Este exclusivamente diz respeito ao número de mulheres em relação aos homens, somente; o que, sinceramente, acho melhor mesmo.
E as pesquisas? Enquanto no dia que antecedeu a votação, dois dos principais institutos indicavam o primeiro lugar ao governador Rigotto e, ao mesmo tempo, um registrava o segundo lugar para Yeda e outro empate entre esta e Olívio, o que se viu nas urnas? Tudo ao contrário.
O que ocorrerá daqui para frente ninguém sabe. Existem previsões e alguma lógica, a fim de que se possam ser apresentados juízos de valor. Mas a certeza, como quando se diz está pelada a coruja, absolutamente ninguém poderá dizer, tanto na eleição presidencial como para de governador.
A maioria está definida ou praticamente isso. E as pesquisas, com toda a certeza não trarão a confiança que outrora ficou estabelecida.
COMO ENTENDER?
Na semana passada, viajei em companhia de dois amigos e conterrâneos, sendo um deles radicado a quase vinte anos na Capital Federal.
Conversávamos sobre assuntos atuais, desde o vídeo da Cicarelli, passando pelo desastre do Vôo 1907 e, inevitavelmente, sobre o segundo turno das eleições.
Disse-me este amigo, hoje no planalto central, que o Alckmin tem grandes chances de uma virada, pois, além das falcatruas apresentadas diariamente nos veículos de comunicação envolvendo correligionários do Presidente, existe uma tendência lógica de migração de votos em favor daquele, essencialmente pelas óbvias razões da impossibilidade do Presidente Lula desconhecer tudo o que acontecia ou aconteceu a sua volta.
Tais assertivas foram compartilhadas inclusive por outras pessoas que participavam da conversa, às quais conheci naquele momento e que, portanto, tinham total isenção quanto a eventuais “vícios de origem” que sempre podem contaminar uma conversa franca.
A partir daí, comecei a fazer uma pesquisa própria, pois, considerando a praticamente totalidade das pessoas com quem eu conversava ninguém, ou quase ninguém, iria votar na reeleição do Presidente.
Busquei informalmente é claro, até porque não tenho qualquer pretensão ou tino de pesquisador, perguntar às pessoas sobre as suas posições em relação ao pleito que se aproxima. E, dentro de um desequilíbrio sócio-econômico, quase unanimemente o candidato desafiante sempre foi o vencedor.
E, diga-se, “minha pesquisa” ultrapassou os limites de nosso Estado, onde o candidato Alckmin tem uma preferência avassaladora.
A partir desses dados, não consigo entender como o Presidente Lula chegará à reeleição, visto que, ninguém vai votar nele!
Como faz já algum tempo que nasci, encontrei a mais evidente explicação: Lula será reeleito sim, mas seus votos estão “escondidos”, porque muitos de seus eleitores têm, na verdade, vergonha de dizer que nele votarão.
Acho que, diferentemente do que afirmado em alguma coluna passada, acho que a coruja está pelada.. Lula será reeleito e teremos a primeira mulher como Governadora de nosso Estado.
COISAS ESTRANHAS
Muitas situações estranhas se apresentam em nosso caminho e, na maioria das vezes, sem pedir licença ou qualquer autorização.
Começo pelo clube azul deste Estado. Seguindo sua orientação de nunca inovar, mas sempre imitar, acabou por pintar letreiros nas muretas da arquibancada de seu estádio, exatamente como o Clube do Povo deste Estado já tinha feito. E olha que não se está questionando o valor de suas conquistas, mas que, ao menos uma vez, haja uma veia vanguardista em suas ações.
Temos um assessor (é isso mesmo?) do alto escalão do governo, com o nome de Freud! No mínimo há uma clara transcendência ao mundo espiritual, baseado essencialmente na busca da exata explicação de interpretações que ultrapassam um simples sonho.
Temos o nosso conhecido FHC. Sim, aquele professor, intelectual, que pontua suas afirmações contrariando toda a sua origem e sua base diretiva advinda do seio da luta contra a ditadura.
Não posso esquecer de um Ministro, no comando da corte máxima eleitoral, que não consegue se entender; ora decide de uma forma, ora de outra, alegando simplesmente que se estabeleceu um equivoco na interpretação primitiva.
Tem aquele cidadão que permaneceu 19 anos encarcerado, sem julgamento, confirmando a falência total do Estado e o um dos maiores atentados jurídico contra a dignidade humana que se tem conhecimento.
Enfim existem muitas “coisas estranhas” que nos rodeiam, mas nada similar a recente discussão de que Judas foi o maior companheiro de Jesus, não tendo sido quem o traiu. O evangelho ou até os pergaminhos que disso dispõe são considerados pela igreja, evidentemente, apócrifos. Como a história poderia ser alterada dessa forma?
Mas, para mim, nada é mais estranho do que assar um ovo no espeto. Definitivamente, isso sempre me deixou intrigado.
TODO O TEMPO DO MUNDO
Uma parcela enorme de pessoas com quem me relaciono sempre diz que tudo está muito corrido nesta vida ou que estão sempre correndo atrás da máquina, e por isso não possuem tempo para praticamente nada.
Não há mais tempo para o futebol, para os amigos, para aquela cervejinha no final da tarde e o que é mais preocupante para a família.
A lógica nos ensina que quanto mais atividades conseguimos acumular, mais tempo encontramos para realizar e fazer mais coisas. Por outro lado, quanto menos compromissos menos tempo para a realização destes.
Di Domênico, escritor italiano, que entre outras obras (todas simplezinhas, mais interessantes também) escreveu o Tratado sobre o Ócio. Explicou que quanto mais desocupados estamos, menos tempo achamos para a realização de nossas atividades, mesmo as do mero cotidiano. Disse que o ócio somente é eficaz, quando criativo.
Não sei, acho que prefiro uma rede ao ar livre e um bom livro, do que permanecer por horas dentro de um local onde a convergência de energias nos transfere para o mundo dos negócios.
Alguém disse, certa vez, que não pode ser chamado de escritor aquele que fica esperando as palavras chegarem ou que permanece na inércia, na expectativa de que algo surgir do nada. Este, quem sabe, seja um claro exemplo de como se manifesta o ócio criativo.
Conversando com uma pré-adolescente (hoje chamam assim) dias atrás, indaguei sobre, caso fosse vereadora, qual o seu primeiro projeto. Ela não titubeou: aulas somente a partir de terça-feira e até quinta-feira. Achei simpática a idéia.
É verdade o ócio nos persegue. A vida somente tem um sentido superior a partir de sexta-feira à noite. E, considerando o projeto da pequena vereadora, caso fosse eu um de seus pares, complementaria sua iniciativa com a extensão dos efeitos para além dos muros da educação. Acho que ai, todos ficariam satisfeitos.
Brincadeiras à parte, minha solidariedade, nesta data, aos que não estão mais conosco e, com a permissão de todos, especialmente ao meu irmão Marcus Vinicius e ao meu eterno amigo Jeffe.
SIMPLESMENTE ESQUECI
Na semana que passou fui alertado, ao final da tarde da última terça-feira, que ainda não tinha enviado minha coluna semanal vinculada ao Jornal O Regional. Após o alerta, como não a tinha escrito ainda, simplesmente ela “não apareceu”, o que causou espécie em pelos menos 50% dos meus leitores.
Sim, de fato, oito pessoas me ligaram buscando informação sobre o injustificado “desaparecimento” das minhas linhas no jornal. Fiquei, é claro, muito agradecido, mas, conforme estou relatando agora, a culpa foi exclusivamente minha e espero que tal situação não se repita nesta ordem. Mas como tudo na vida tem no mínimo dois lados, e também, conforme alguém já sustentou, o mundo é redondo, minha falha pode ter beneficiado alguém.
Mas a imperdoável omissão cresce em importância, na medida em que a semana que passou foi exatamente a que se iniciou com o clássico Gre-Nal de número 367.
A vitória da Academia do Povo, ou da mesma equipe que hoje é conhecida como a Campeã da América, não causou qualquer espécie, pois, nos últimos três anos tal fato se renova, tornando tão comum que nem mais faz notícia. Vocês sabem que o hábito reiterado torna as coisas comuns.
Aliás, segundo informações, a última vitória dos “azuis” foi no distante ano de 2003, quando eles ainda tinham caído somente uma vez para a 2ª divisão. Faz tempo né?
Mas, caros adversários, não preciso dizer que meu respeito por vossa agremiação é do tamanho de vossas conquistas, que não são poucas, e que, por isso, justificam e engrandecem ainda mais nossas corriqueiras vitórias.
Bom, era isso, salientando o fato de não poder deixar passar, mesmo que atrasado, o registro sobre nossa nova vitória, especialmente acontecida dentro do estádio adversário.
Parabéns a todos os colorados mais uma vez, porém especialmente aos seguintes: a minha pequena grande Thaís, agora já com uma década de vida; ao Dr. Luiz Sbroglio, com algumas décadas; ao Capitão Muraro e ao Dr. Mário Muraro pela justa homenagem concedida pela Câmara de Vereadores desta Cidade.
UMA CULTURA SEM CASA
Chama a atenção de todos nós, lagoenses, e até mesmo de qualquer “forasteiro” que passe pelas ruas que circundam a Casa da Cultura deste município, o estado daquela construção.
E a atenção diz respeito essencialmente por se tratar de uma obra inacabada, a qual se mantém neste estado de letargia faz muitos anos. Aliás, faz muitos anos mesmo!
Ainda bem que a maioria dos munícipes e pessoas que visitam nossa terra não tem contato com o interior do prédio. Sim, pois caso adentrassem perceberiam que a situação é muito pior do que se imagina. Seriam apresentados a um verdadeiro exército de infiltrações; a um sem número de goteiras e aos banheiros, os quais pasmem, não possuem repartição.
Sim caros leitores, escuto desde sempre que a prioridade é a educação; que um povo somente vai para frente se tiver educação; que um povo sem educação é um povo sem memória e sem cultura. E diante de tudo isso, convivemos com o descaso, com a indiferença e com a total inércia daqueles que poderiam, e deveriam, lutar para que a situação fosse revertida.
A informação da semana passada, foi que o repasse direcionado a Casa da Cultura para o ano que vem, considerando o orçamento municipal, será de R$ 40.000,00 anuais. Mas, como somente este valor se já faz diversos anos que não se repassa absolutamente nada, ou que eventuais valores alcançados são tão ínfimos que não merecem sequer qualquer indicação.
É a situação é muito grave.
Tem mais, que não venham com explicações baseadas em contornos retóricos, que isso o povo não agüenta mais! Deve sim, haver uma retomada de conscientização e, por favor, sem indicar ou sugerir eventuais responsáveis - os quais certamente responderão pela inércia dentro de suas esferas de competência - devendo a concentração se fixar na busca de alternativas para a resolução do problema.
Quero crer, em homenagem ao bom senso e ao respeito ao próximo, que num levante cívico e moral, todos, sem exceção, busquemos a união para que, finalmente, a nossa cultura encontre seu descanso em sua, hoje, maltrapilha e, outrora, quem sabe, feliz casa.
AOS MEUS COLEGAS, OBRIGADO!
Na última segunda-feira se desenvolveu o pleito que elegeu os novos dirigentes da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional do Rio Grande do Sul e das 105 subseções do interior do Estado.
No Estado concorriam três chapas, logrando êxito uma de oposição, a qual teve a receptividade de 55% dos eleitores, num claro sentimento da busca pela mudança ou pela alternatividade na administração.
Aqui em Lagoa Vermelha houve apresentação de chapa única. O objetivo foi agregar a classe em busca, especialmente, da valorização dos advogados e do respeito a esta nobre profissão.
Compareceram para votar um total de 104 advogados, sendo 103 votos na urna eletrônica e um, em razão de não constar o nome na listagem oficial, porém estar apto a votar, teve seu voto em separado através de cédula.
Excetuando o voto em separado, dos 103 votantes a chapa concorrente obteve 84 votos, num excelente percentual que ultrapassou 81%.
Tal situação legitima todos os componentes da chapa apresentada e vencedora, e ao mesmo tempo traz uma responsabilidade ainda maior, pois comprova que a esmagadora maioria dos colegas entendeu a intenção, a união e especialmente o objetivo desta histórica retomada.
Em nome da chapa União Pela Classe, eu, na condição de Presidente reeleito, juntamente com o Vice-Presidente eleito, dr. Giovani Andrigüi, e os demais componentes da chapa e do Conselho, agradecemos, envaidecidos, a confiança, o voto e a receptividade das nossas idéias.
Por fim, quero registrar que a Ordem dos Advogados do Brasil, Subseção de Lagoa Vermelha, está como sempre buscou estar, à disposição de todos os colegas, para o auxílio, suporte, e atenção devida.
SALÁRIOS, ENTRE UNS E OUTROS
Uma notícia que circula esta semana e diz respeito ao teto salarial do Ministério Público e dos Conselheiros do Conselho Nacional de Justiça, trouxe à baila antigas constatações.
Tudo recomeçou (se é que um dia parou) com a tentativa da Ministra Presidente do Supremo Tribunal Federal e também Presidente do Conselho Nacional de Justiça, Ellen Gracie, de “furar” o teto salarial dos funcionários públicos. A justificativa para tanto, seria de que entre os quinze componentes do CNJ três não tem dedicação exclusiva, ou seja, além da condição de Conselheiros estão vinculados e, por isso, trabalhando em outros Tribunais.
Sendo assim, buscou elevar os vencimentos através do pagamento de jetons, sim, a volta aos velhos e bons tempos. Em síntese, além do salário mensal, haveria o acréscimo de, em números aproximados, de R$ 2.900,00 sobre cada sessão de julgamento. Considerando que as sessões, ordinárias, no CNJ são de duas por mês, o acréscimo dos vencimentos da senhora Ministra, por exemplo, elevaria seu salário para valores que superariam R$ 30.000,00 ao mês.
Foi obrigada, após o impacto social inevitável, a recuar.
Na carona veio o CNMP, ou o Conselho Nacional do Ministério Público, que aprovou uma resolução que equipara o teto salarial dos integrantes dos Ministérios Públicos Estaduais ao valor máximo alcançados aos Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), com clara e evidente infração a regra que estabelece o percentual máximo de 90,25% em relação ao teto.
Ainda, a senhora Ministra Presidente, após a apresentação de um estudo promovido pelo CNJ, onde se constatou que mais de 3.000 funcionários do Poder Judiciário percebem salários em valor superior ao teto máximo, argumentou no sentido de que estaria provada a inexistência de salários astronômicos dentro do Judiciário (!!!).
Pois é, fazer o que? Correr para onde? Reclamar para quem?
O disparate se acentua quanto, ao mesmo tempo, se discute um aumento de R$ 17,00 sobre o salário mínimo de R$ 350,00. A constatação mais lógica é que não se trata de um mesmo país. Parece que a realidade é bem distinta; que os prédios imponentes, como, por exemplo, as sedes do Ministério Público, regados ao mais reluzente mármore, com uma definição luxuosa que daria inveja até mesmo à clássica aristocracia, não fazem qualquer relação com as residências (será que se pode chamar assim?) de pau a pique de uma considerável parcela da população desta nação.
Os valores estão invertidos, isso é fato. Agora, enquanto o tapete ainda encobrir o brilho do lustre do sapato do doutor, não adiantará se discutir o “teto”, mas devemos nos voltar, isso sim, para o sujo e esquecido assoalho.
SERÁ O MUNDO?
Não posso falar de outro assunto que não de futebol. Hoje o glorioso Internacional inicia, em campo, sua mais importante jornada. A partir das 8 horas e 20 minutos desta quarta-feira, nós colorados, novamente estaremos todos unidos na chama da energia positiva.
A emoção e a ansiedade pode ser medida, ou ao menos presumida, pelo número de torcedores, que se deslocaram ao Japão. Ainda por todos aqueles que permaneceram em seus rincões, tão apaixonados quanto, que não conseguem mais trabalhar, estudar, enfim respirar convencionalmente.
O Internacional tem sim este poder. Este poder de unirem diferentes; de resgatar orgulhos; de cativar jovens; de saudar os experientes, de se apaixonar por esta instituição que também pode ser confundida com uma religião, como tantos já afirmaram.
Realmente não sei o que poderá acontecer. O mundo está ao nosso alcance. O jogo dirá se estamos finalmente preparados para esta glória suprema. Sei, não passa de um jogo de futebol; mas também sei que será o jogo de futebol.
Ao que parece todos os cuidados foram respeitados. Do agasalho ao feijão, nosso clube buscou deixar nossos atletas com todas as condições possíveis para ascensão perseguida. Agora é com eles!
Nós, torcedores, que não somos passageiros, mas que estamos vinculados a este clube deste muito cedo e o acompanhamos sempre, independente do que aconteça, definitivamente podemos nos considerar preparados para a degustação.
E aqui a homenagem especial para aquele torcedor que simboliza nosso clube. Aquele cidadão quase sempre humilde, que trabalha durante a semana esperando a realização de sua maior alegria, de seu Clube, o Clube do Povo, ser vencedor.
Espero, por fim, que a convergência estrelar nos indique as pedras e que, daqui a poucas horas ou dias, possamos nos apresentar com a identidade de quem está no mais alto degrau da escala futebolística.
COLORADO: CAMPEÃO DO MUNDO
“Glória do desporto nacional, ô Internacional que eu vivo a exaltar....”
O Internacional é o Campeão do Mundo! Sim, meus amigos, o Internacional é o Campeão do Mundo!
Uma das melhores frases que ouvi após a nossa maior conquista foi do prezado companheiro Fernando Damin: os humilhados serão exaltados. Gostei principalmente pela resposta àqueles que chegaram a afirmar que jogariam o suficiente para ganhar do Internacional. Se bem estou lembrado, acho que foi um jogador do adversário, um tal de Deco, é isso? Pois é, não humilhem as pessoas que isso servirá de combustível para um possível confronto ou um contra-ataque decisivo.
Dizer o que numa hora dessas? Acho que a festa promovida pela torcida, no Rio Grande do Sul, no Brasil, no Japão e em diversas partes do mundo, falam por si só.
Lembro de outra frase, dita por alguém dentro da alegria do último domingo: ganhamos com os reservas. Não deixa de ser verdade.
Agora, a forma, a intensidade e o tamanho da festa colocada em nossa cidade, foi qualquer coisa de extraordinário. Quando se viu algo parecido por estas bandas? Nunca. Já havia uma amostragem na comemoração da conquista da Taça Libertadores da América. E se naquela oportunidade Lagoa Vermelha poderia ser confundida com os momentos mais ferozes do conflito da Guerra do Iraque, imaginem o que foi similar à festa de domingo? Não consigo pensar em nada.
Colorado, colorado, nada vai nos separar, somos todos teus seguidores, para sempre em vou te amar....
Quero dar os parabéns a todos os torcedores do Internacional, muitos em especial, já me desculpando por algum esquecimento involuntário: ao meu pai e a minha mãe, Vitor e Marisa Muraro, ao Marco Schmidt, ao Bira, ao Micka, a Luíza Carolina, a Adelina, ao Ivan Barreto, ao Manuel Andrade, ao Sapo, ao Charles, ao Robertinho, ao Pìti, ao Michel, ao Sagu, ao Dante, ao Altair, ao Paulo, ao Jean, ao Dime, ao Dagoberto, ao Mezzomo, ao Henry, Flavio e o Ênio Tonial, ao Dr. Campos, ao Cássio, a Thaís, ao pessoal do Boqueirão, ao Rui Barreto, ao Jones, ao Fabiano Sartori, ao Marcos Fracasso, a todos aqueles que contribuíram com o “pedágio”, ao Gladimir, ao Giovani e seu filho, ao Pelicano, a Tia Eva, e também a todos aqueles que acordaram cedo esperando desfilarem com o caixão do hoje Campeão do Mundo, um pequeno recado: meu parabéns para vocês também, porque esta vitória também é para vocês dedicada.
Abraço a todos e reverência àquele que é Campeão do Mundo reconhecido e oficializado pela FIFA.
É FATO!
Neste período de festas, de confraternizações, de esperanças renovadas, sem motivo aparente, lembrei-me de Martinho Lutero.
A igreja católica, até mesmo pela contextualização que a envolve, sempre enfrentou contrapontos e, em muitas oportunidades, não lhe restou outro caminho que não o de ceder.
Nestes “enfrentamentos”, quem sabe um dos mais importantes, foi a reforma promovida pelo monge Martinho Lutero, enquanto traduziu uma nova interpretação do Evangelho de Jesus Cristo.
As conhecidas 95 teses, que fazem nascer um sentimento novo, baseado essencialmente na visão de espiritualidade e ética, fizeram balançar a estrutura católica então dirigida pelo Santo Padre Leão X.
Como não poderia ser diferente, o alemão Lutero foi considerado herege, foi perseguido e, somente em razão da benevolência e mesmo interesse pontual de uma pequena parte da nobreza, após sustentação popular, pode, enfim, apresentar a tradução dos ensinamentos bíblicos para o alemão; e, nessa, os alicerces ficaram estremecidos.
O ataque às indulgências, as quais, no período, tiveram um marketing intensificado, em virtude da perda do poder católico e da intenção do Santo Padre em edificar uma nova basílica, foi o foco de reação mais intensa de Lutero.
Enquanto a igreja católica buscava a “venda” da salvação da alma, Lutero afirmava que não foi isso que Jesus Cristo buscou em seus ensinamentos. Evidentemente, o conflito estabelecido se propagou e determinou o extermínio de milhares de camponeses naquele século 16.
Neste período natalino, quem sabe, podemos buscar a purificação espiritual, com o filtro direcionado a compaixão e ao amor ao próximo, sem, no entanto, para isso, utilizar-se da distorção quanto ao verdadeiro sentido da orientação cristã.
Feliz ano de 2007.
BUSH: AGORA É A TUA VEZ
Com a execução de Saddam Hussein lacra-se uma era da história recente da humanidade. Claro, como deve ser, inicia outra, agora com os componentes oriundos de tal fato.
Sem questionar a tirania e a necessária responsabilização de Saddam, o encaminhamento promovido até culminar com o seu enforcamento é definitivamente censurável.
Saddam nunca passou de um produto americano. Foi estimulado e levado ao estrelado bélico por força de atitudes que o sugeriam absoluto, sob a fiscalização e perfumaria dos norte-americanos.
E o Bush Júnior, é menos assassino? Qual a sua legitimidade ou o seu poder divino para decidir quem deve ser morto? Com quem está concentrado o poder para determinar o momento da sua execução?
Tirano por tirano, o fim deve ser idêntico. Deve haver um “julgamento justo”; uma platéia global e também muitas palmas, pois de que interessa os milhares de inocentes mortos, se a causa está garantida.
O fomento da violência pela violência traduz a essência máxima do procedimento e da política americana; e isso não tem hora para acabar.
Sei que o assunto não é agradável para uma coluna que inaugura o ano novo. Entretanto em consideração ao repúdio à pena de morte e ao processo imperialista que escancara e comanda a engrenagem da história, não poderia me furtar de consignar minha posição.
Por fim, voto na execução do Bush Filho, claro, após um justo julgamento; e mesmo contrário a pena de morte, mas somente para seguir e respeitar o entendimento dos que possuem o contato direto com Deus, que o expediente seja exatamente o mesmo utilizado ao ditador Saddam, pois, eu, não vejo absolutamente qualquer diferença entre ambos.
RODEIO
De inicio já consigno não ser a minha praia. Não entendo absolutamente dos meandros, dos detalhes, dos procedimentos ou mesmo do processo. Entretanto, posso afirmar que o rodeio, e seus acessórios, é verdadeiramente uma grande festa; quem sabe a maior festa de nossa terra.
Estive em visita ao Parque de Rodeios e pude presenciar diversas mudanças – para melhor – em todos os sentidos. Para começar não encontrei as barracas, achei até mesmo que o local do acampamento propriamente dito seria outro; mas não, o local é o mesmo, só que o diferencial está na arquitetura: saem às lonas e entram as madeiras.
Está tudo muito bonito, parece muito bem organizado (o que todos dizem). Mas confesso: a modernidade, e a comodidade, ofuscaram o romantismo das barracas.
No meu tempo (e já faz algum), tive o prazer de acampar. Sim, acampei na “época das barracas”. O contexto era muito interessante, pois, quase sempre chovia e a confusão, mais fruto do despreparo da maioria, fazia com que a situação fosse não só engraçada como alimentasse o rol de fatos que sustentam os prazeres da vida.
Sei também, por informações não oficiais, que as barracas não são proibidas. Mas, se a regra branca sugere, os fatos e por conseqüência os atos não podem destoar da imposição silenciosa.
Tirando este momento de nostalgia, pelo que notei o número de churrasqueiras funcionando ainda no meio-dia de segunda-feira última, o sucesso é garantido, pois o movimento de rodeio já está instalado sobre tudo e sobre todos.
Registro os parabéns para os organizadores do evento, pois quanto maior e mais definida a magnitude do empreendimento, proporcional é o trabalho e a dedicação. E, pelo que tenho percebido e ouvido, a comissão que organiza a festa cuidou de todos os requisitos necessários para a realização e os acertos necessários.
Por fim, perdoem-me, e também não pensem que sou contrário ao moderno (se é que isso seja moderno), mas, sem “rodeios” acho que o rodeio deveria ser, ainda, por amor ao romantismo e com um pingo de saudosismo, caracterizado pelas barracas de lona, as quais complementariam a eficiência e o próprio sentido da permuta residencial para o conflito (principalmente com os mosquitos) do meio do mato.
AS FÉRIAS
O equilíbrio para a vida está calcado em manter os sentidos e os sentimentos dentro de uma posição linear, com pequenas oscilações que fazem parte da própria idéia de sustentação.
Após o término de mais um ano, para os que ainda estão por aqui, todos buscam o necessário descanso, ou mesmo o chamado “tirar o pé do acelerador”.
O ponto de apoio reside essencialmente no desgaste natural da própria existência, ou melhor, no desgaste havido frente a um ano de conflitos, realizações, transformações, batalhas, alegrias e tristezas.
Por tudo isso, as férias são necessárias; é o real momento de reflexão sobre uma nova etapa, sobre uma nova página que será escrita em nossa caminhada.
Pude perceber, já faz algum tempo, que momentos de introspecção, além de necessários, são vitais para a recarga da energia cotidiana. Uma caminhada, por exemplo, traduz, muitas vezes, um verdadeiro hiato entre dois pontos conhecidos, de onde se poderá buscar muitas respostas. Não é por menos que pegadas famosas como o Caminho de Santiago de Compostela, na Península Ibérica, são tratadas como um passo verdadeiro ao encontro em si mesmo ou até, para os que crêem nisso, de vidas passadas.
Peregrinações, como a anual realizada à vizinha cidade de Ibiaça, onde um verdadeiro mar de fiéis, curiosos ou outros com um sentido qualquer, tem um significado muito superior ao convencional de um pagador de promessas.
Atingir um ponto de convergência, nas férias, regulares ou regulamentares, pode trazer ou mesmo levar, entre espaços e definições que a própria ortodoxia do contexto não definiu preliminarmente.
Aos que saem de férias, aos que sairão; aos que ainda estão nela, pensem nisso, quem sabe os pólos não decidirão sobre a nova encruzilhada ou mesmo ao estágio complementar do caminho que continuam sendo seguido.
LIBERDADE X IGUALDADE E CHUCHU
No domingo passado lendo a entrevista concedida pelo outrora todo-poderoso Delfim Neto, junto a páginas amarelas da revista Veja percebi “coisas” reveladoras.
Ao tentar explicar sua aproximação com o presidente Lula da Silva, Delfim Neto, com toda a sua capacidade intelectual, sugere a infeliz distorção dos ensinamentos de Marx e que liberdade não é compatível com igualdade.
Confesso que fiquei pasmado com os “novos conceitos” reveladores do ministro que comandou a economia no período do auge militar.
Mas falar sobre Delfim Neto é o que menos interessa; aliás, do período militar falo menos ainda, pois este buraco negro em nossa história deve ser cada dia mais enterrado.
Agora, confesso, o binômio liberdade/igualdade me intriga a muito tempo. A concessão de liberdade, aqui abrangendo principalmente os preceitos da democracia, a liberdade de mercado, etc, etc., fatalmente comprometem a igualdade; sei é corolário lógico, mas que, no entanto, é pouco ou quase nada percebido na prática das relações, isso é com certeza.
Mas algo mais intrigante ainda foi um questionamento da pequena Thaís: porque após o encerramento do Jornal Nacional não há propaganda até o começo da próxima novela. Tentei explicar, e desculpem a pretensão, que é uma estratégia de audiência, pois, em tese, evita que o telespectador mude de canal. As propagandas vinculadas ao programa serão redistribuídas entre os intervalos que se seguirão. Não sei se me fiz entender.
Mas qual a relação entre Delfim Neto, a liberdade, a igualdade, o período militar, a pequena Thais com os intervalos de uma programação de televisão?
Afirmo categoricamente que não sei, mas que a base do marxismo, que foi sustentada pelos ensinamentos de Adam Smith, é, hoje, o carro-chefe de quem influencia o sindicalista mais inteligente desse país, tenho certeza.
Entre palanques, reuniões, Davos, discurso em português, mudança de rota, prefiro o chuchu, que apesar de não ter gosto algum, é simplesmente uma hortaliça fruto, fonte de potássio e rico em vitaminas A e C, que difere, com isso, de todos os sabores e dissabores da relação humana.
OS PALHAÇOS
Os assuntos borbulham em período pré-carnavalesco, com todas as turbinas sendo preparadas para um espaço onde a liberação é, quase, geral.
Mas o cotidiano e a atualidade me conduzem a escrever sobre o maior espetáculo da terra, ou seja, sobre o mundo maravilhoso do circo, já que parte deste mundo está passando por nossa cidade.
Lembro muito bem desses verdadeiros nômades, que buscam apresentar seu teatro ambulante por todos os cantos, absorvendo as agruras de uma atividade que, me parece, vem perdendo espaço e reconhecimento. Diversas explicações do contexto podem ser apresentadas, todas com conteúdo triste, porém satisfatório. Eu sugeriria o “abocanhamento” do maior, do mais confortável, do mais seguro, do moderno, para tentar justificar o momento atual desses artistas. Tudo isso rendendo a homenagem, fugindo um pouco a regra, do sucesso absoluto deste circo que baixou em nosso meio.
Mas o foco é outro: estive pensando sobre qual personagem eu mais me identifico dentre os inúmeros apresentados. Passei por todos e cheguei a conclusão, sem titubear, que o meu preferido é o palhaço ou são os palhaços.
Acho que a preferência se manifesta desde a infância e se mantém intacta, apesar da magnitude de outros componentes.
Nesta linha, pensando (às vezes faço isso ainda) mais profundamente, cheguei a outra conclusão óbvia: prefiro os palhaços porque, com todo o respeito e sem qualquer conteúdo de ordem pejorativa, me sinto um deles.
Sim, sou um deles, pois, faço parte de uma roda vida, a qual o desrespeito em detrimento do poder, que é utilizado na maioria das vezes por pessoas totalmente despreparadas, me faz sentir como um grande palhaço, sendo utilizado para suprir a necessidade de gargalhadas de outras pessoas, que ao rirem não tem o discernimento (pela pobreza intelectual) que sua face também esta pintada.
Encerro lembrando de um grande palhaço, que ao terminar uma de suas memoráveis frases, disse, mais ou menos assim: “...nunca desacreditei na seriedade da platéia que sorria...”.
Bom carnaval e feriado a todos, e, não esqueçam, por favor, o preservativo é como escova de dente e protetor solar, tenha sempre um à mão.
OUTRAS QUESTÕES
A discussão do momento é a redução da maioridade penal, renascida e aguçada pela barbárie cometida com o menino no Rio de Janeiro.
Disseram alguns que em momentos de forte emoção não se deve tomar decisões importantes. Outros afirmaram que é exatamente em momentos de impacto emocional que se devem tomar decisões.
Particularmente não vejo qualquer sentido reduzir a maioridade penal, de 18 anos para 16 anos, pelo simples gesto de reduzir. A ação deve ser muito mais profunda e buscar enfrentar o real sentido do problema.
Reduzir a maioridade na forma como está sendo alertado, deixaria de punir, por exemplo, delinqüentes menores de 16 anos; esses, como todos sabem, são potencialmente perigosos quanto os de 16 anos, 17 anos ou 18 anos.
O cerne do problema é estrutural, está no sistema. Uma enorme gama de fatores convergem para a criminalidade; e esta, com protagonistas cada vez mais infanto-juvenis, quando não antes mesmo disso.
Adianta prender antes dos 16 anos em estabelecimentos que nada mais são do que jaulas? Aliás, qual será a culpa desses menores que não passam de resíduos do sistema? E, falando em sistema, qual a garantia da efetividade do cumprimento da pena, se nem ao menos conseguimos estrutura para manter no cárcere os considerados marginais de hoje.
Não, definitivamente não vai adiantar em nada reduzir a maioridade penal, posto que, absolutamente tudo permanecerá igual, com o acréscimo de mais pessoas amontoadas dentro das prisões.
Enquanto o pensamento não estiver voltado para uma reforma ampla e racional do sistema, eventuais mudanças, como a proposta da redução da maioridade penal, servem somente para justificar a incompetência do Estado.
NA MARCA DA CAL
Estivemos, eu, o Vice-Presidente Giovani e o Conselheiro Marcelo, na última quinta-feira, dia 15 de março, em diversas audiências junto na capital do Estado.
Um de nossos compromissos foi junto ao Tribunal de Justiça, especificamente no setor técnico de engenharia e arquitetura, onde tratamos, exclusivamente, sobre a construção do novo prédio para o fórum desta comarca.
Gentilmente recebidos por profissionais da área, tivemos a informação desanimadora que, não obstante toda a nossa luta e nossa expectativa, a construção do prédio do fórum de Lagoa Vermelha não estava mais entre as comarcas prioritárias, ou que não estava entre as primeiras cinco prioridades.
O verdadeiro “banho de água fria” simplesmente comprovou o que já estávamos temendo: a inércia quanto ao procedimento ou informações sobre a licitação e a previsão enfim de início das obras se justificava.
A tudo isso, some-se o fato de que o nosso prédio atual encontra-se, a muito tempo, em situação de calamidade completa; a prova maior são as recentes publicações na imprensa local de fotos onde pode ser visto, entre outras situações inusitadas, pessoas transitando dentro do prédio com guarda-chuva aberto.
As perspectivas não são animadoras. A idéia é lançar uma licitação a cada três meses; e considerando que Lagoa Vermelha não está nas cinco primeiras comarcas prioritárias, imaginem os leitores quando será apresentada a concorrência para a construção do prédio local!
Só existe uma forma de mantermos nossa luta: mobilização total de todos os setores da comunidade, com engajamento voltado para otimização e efetivação de todos os atos necessários para, primeiro, serem apresentados os critérios objetivos de triagem quanto a definição de prioridades; segundo, o motivo pelo qual Lagoa Vermelha, passou de uma das maiores prioridades para se tornar a sexta ou sétima nesta nova listagem.
Alguns atos e ações deve ser levados à efeito, sob pena de, novamente, ficarmos vendo a banda passar e agirmos como surdos, buscando justificativas para novo revés, sem, no entanto, unirmos forças para o bem comum.
Assim, convoco todos os munícipes, através também de seus representantes para que, conjuntamente, lutemos para que o respeito e a consideração devida para com a nossa comunidade seja, de uma vez por todas, transformada em ações.
QUEM PAGA O PATO?
Estive em Vacaria a semana que passou para assistir a partida de futebol entre o Internacional e a equipe do Glória. Não foi futebol apresentado pelas equipes, o gramado do estádio ou mesmo as atitudes da organização do evento, que mais me chamaram a atenção; foi sim, o incrível fenômeno que já é este Alexandre Pato, ou Pato Alexandre ou, ainda, simplesmente Pato.
É incrível o assédio neste jogador de apenas dezessete anos de idade. Por onde caminha, uma verdadeira multidão o acompanha para, somente, estar mais perto ou quem sabe tocá-lo.
Este incrível processo de “nascimento”, formação e consolidação de um ídolo passa, necessariamente, pela certeza do prazer em ver no idolatrado alguma referência de si próprio.
Assistimos a todo tempo, nem que não queiramos, a sugestiva palhaçada do Big Brother ou BBB 7. Dele vimos a tradução mais fiel do retorno ao mundo das cavernas; claro as cavernas na época da internet, da televisão de plasma e da foto digital.
Como imaginar alguém pagando para votar (por vezes muito mais do que uma só vez), alimentando um poderio econômico televisivo, a fim de escolher a eliminação de um dos animais, digo, participantes do programa? Qual o sentido disso tudo? Quero crer que nenhum, porque se isso tiver sentido, acho que estou vivendo no planeta errado.
Poderia ser argumentado, como contraponto, de que minha voz é dissonante considerando o número de participantes/telespectadores do programa. Isso, para mim, seria o maior elogio que poderia receber, podem ter certeza.
Prefiro pagar para ver o Pato, não deixando de observar os componentes e os dotes físicos das participantes do programa referido, o que, no entanto, tenham certeza, não justifica ter que, por último, pagar o pato.
OUTRAS QUESTÕES – 2
Outra discussão instigante e que retrata os mais diversos contrapontos; acalorados posicionamentos, que vão desde o necessário, ou inevitável, ou ainda do plausível até o sentimento religioso, é quando falamos do aborto.
O Código Penal Brasileiro não tipifica o aborto como crime, quanto ele é necessário (salvar a vida da gestante) ou a gravidez é resultante de um estupro.
Nos demais casos, quer seja provocado pela gestante ou por terceiros, a pena pode chegar até dez anos de reclusão (artigos 124 até 128 do CPB).
Pois bem. Nos Estados Unidos, por exemplo, ao que posso me lembrar, sem o socorro do google, o aborto deixou de ser crime no inicio dos anos 70, mais ou menos lá por 1973. Lá se passaram mais de trinta e três anos.
Por aqui, faz aproximadamente dois anos que se travou uma discussão no Supremo Tribunal Federal sobre a possibilidade de ser concedida uma liminar, com o intuito de ser autorizado um aborto para a retirada de um feto sem cérebro. Travaram-se calorosos debates, com votos recheados de perfuraria jurídico/religiosa, confirmando que o tema é, e sempre o foi, muito polêmico.
Atrevo-me a expor minha opinião, respeitando imensamente todas as posições contrárias, que, sob qualquer ângulo, serão muitas.
Sou favorável ao aborto de uma gravidez indesejada. A subjetividade de tal afirmação poderá apresentar diversas resistências aceitáveis, como: ser favorável a pena de morte; atitudes desenfreadas e sem limites de realização de procedimentos abortivos. Outras: por qual motivo não foram tomados os cuidados preventivos ou o próprio ensinamento católico do respeito da vida, etc, etc.
Ao mesmo tempo, deixemos a hipocrisia de lado e acertamos que o aborto é realizado diuturnamente, inclusive com a ingestão de medicamentos adquiridos livremente em farmácias e drogarias. Isso sem fazer referência às clínicas especializadas no assunto e que são conhecidas de todos.
Sem desconhecer tudo isso, com limitações necessárias de controle, entendo que o aborto deve ser legalizado sim em nosso ordenamento jurídico, considerando, por evidente, toda uma necessária discussão geral que somente irá aprimorar e definitivamente regularizar tão delicado tema.
ESTAMOS ANGUSTIADOS
Após um saboroso, inesquecível e glorioso ano de 2006, nós, colorados, estamos angustiados. Tal situação se reveste de ares trágicos, pois, no dia de hoje (escrevo na terça-feira à tarde) decidimos nosso futuro no litoral do oceano pacífico.
As perspectivas são desanimadoras; as expectativas são enormes, como sempre, em se tratando de colorados, dos verdadeiros “peles vermelhas”. E dessa expectativa que minha esperança vem constantemente sendo renovada, porque, não é possível que este Clube, verdadeiro Campeão do Mundo, experimente a desgraça de uma eliminação precoce.
Mas nossa equipe está deixando muito a desejar. Acho que podemos vencer o Emelec, pois, se trata de uma equipe mediana. Entretanto, nossa equipe vem se apresentando como uma equipe mediana também, e em muitas vezes até menos que isso.
Sei que é uma incógnita. Agora, se o Internacional ultrapassar esta dificuldade, que é enorme, podem ter certeza todos, que renasceremos, com a mesma força que nos levou ao topo do mundo.
Fomos eliminados de um campeonato importante, aliás, em minha opinião, muito importante, que é o gauchão. Mas, nossa eliminação foi justa, porque estivemos inferiores ao longo de todos os jogos, com apresentações sofríveis, que mais pareciam a límpida tradução de uma equipe de várzea.
Quando você ler estes escritos poderá traduzir o ânimo dos colorados: se vencedores, com a esperança renovada; se perdedores, com um desânimo arrebatador.
Apesar disso tudo, a vida segue, mas, em alguns casos, com um gosto mais amargo na boca.
Vamo, Vamo, meu Inter, eu te quero eu te preciso....
PRIMEIRO O ÓBVIO
Dizem alguns que sábio é quem descobre o óbvio primeiro; ou que gênio é aquele que soube administrar os conceitos e conclusão do louco.
A obviedade escancara muitas vezes em fatores cotidianamente enfadonhos, ou alergicamente trágicos. O exemplo está no que aconteceu no início desta semana dentro do campus da Universidade de Virginia Tech, nos Estados Unidos.
Como explicar a ação do estudante sul-coreano, de 23 anos de idade, que residia nos EUA desde o ano de 1992, portanto, desde sua infância, que munido de uma metralhadora ceifou a própria vida levando consigo outros 32 estudantes?
Tal procedimento é tão comum em estados norte-americanos que a cada dia choca menos; tornou-se natural receber a notícia de um assassinado coletivo dentro dos muros de um centro de estudo. E, diga-se, sem limite de idade, e muitas vezes no chamado “centro do saber”, considerando a própria propaganda lançada pelo método imperialista.
Não gosto dos americanos, deu para perceber. Uso um all star porque ganhei de uma pessoa especial e em razão de que tal “elemento” faz parte de parte de minha vida.
Mas não será por isso que deixarei de reconhecer o medo e dor deles, entretanto frisando o claro e inequívoco desvio de conduta que assola os jovens daquele império.
Quando se busca equacionar valores de forma inversa, os resíduos aparecem, quase sempre, de forma infeliz como na atuação deste jovem suicida.
É óbvio que a causa é o sistema do “controle geral” lançado aos quatro ventos. Se nós podemos, porque até o Saddan já matamos, porque os estudantes iriam ficar de fora.
Pensem nisso!
DESALENTO E ESPERANÇA
A Operação Furacão acaba de escancarar e desarticular uma das maiores quadrilhas de engravatados que se tem conhecimento.
Em primeiro lugar, é claro, prudente fixar que todos os envolvidos no chamado “esquema de vendas de decisões judiciais” devem ter o direito a ampla defesa e ao contraditório, conforme reza a Magna Carta de 1988.
Em segundo lugar, também é claro, as prisões foram autorizadas através de uma sólida base de “fortes indícios”, não podendo isso, igualmente, traduzir um cumprimento antecipado de eventual pena.
Em terceiro lugar, e mais claro ainda, não obstante as evidencias que justificaram as respectivas segregações, todos os magistrados foram soltos. A justificativa foi que, soltos, não mais interfeririam nas investigações, posto que, as necessárias para a denúncia já haviam findado.
Em quarto lugar, e não tão claro, foram libertados os magistrados e um procurador regional. Os demais, e aqui incluindo “bicheiros”, advogados, delegada, entre outros servidores públicos, continuam no cárcere.
Em quinto lugar, e definitivamente sem clareza alguma, se as investigações foram unificadas quanto a apuração dos fatos relacionados a todos os envolvidos no aludido esquema, qual a diferença entre soltar os magistrados e igualmente soltar os demais? Será que a legislação é diferente aos que possuem, por sua condição funcional, foro privilegiado junto ao Supremo Tribunal Federal, tirando somente o próprio privilégio?
Em sexto lugar, e já iniciando o processo de escuridão, qual o posicionamento oficial do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão criado para fiscalização externa do Poder Judiciário, que, não obstante requerer a remessa de peças do inquérito junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), não promoveu qualquer interseção mais contundente sobre os contornos que envolvem as denúncias contra os magistrados. Não acredito que haverá corporativismo, pois, conforme palavras do Ministro Gilson Dipp, do Superior Tribunal de Justiça (STJ): “acabou a era do juiz intocável”.
Em sétimo e último lugar, buscando a luz, espero que todo este emaranhado sirva como divisor de águas, para que, a mesma população que assiste a tudo possa definitivamente concluir, que o Brasil de hoje não é mais o mesmo.
TODAS AS DORES
Já me disseram que a dor do parto é terrível, e que, com certeza, o homem não agüentaria. Também ouvi dizer que a dor nascida pela ação de “pedras” no rim igualmente é arrasadora, tornando a vítima um embrulhado de fraquezas.
Existe a dor de cabeça, a dor de dente, de ouvido, de uma batida no cotovelo ou mesmo do dedo mínimo do pé na quina de uma porta.
Não esqueçamos a dor infernal de uma bolada em nosso aparelho de urinar e seus acessórios, a qual, deduzo, não será inferior a feminina dor na apresentação da vida.
Há ainda a dor experimentada por um enfermo terminal, a qual semeia o último suspiro da resistência e da dignidade, se ainda existente, da espécie humana.
Mas de todas as dores, a mais contundente e violenta é a dor da alma. Alguém poderá questionar como a alma poderá doer ou mesmo se ela existe. Eu, apesar de me faltar vários elementos, mesmo que a relação enfraqueça a tese, em tese, pelo texto, sugiro sua existência.
A dor tácita, não delineada por fatores físicos, mas teimosa em seu habitat psíquico, contabiliza o frágil estágio da evolução das espécies. Não há médico para a alma e, ao mesmo tempo, desconheço remediar, mesmo quimicamente, conflitos existenciais. O tempo, dirão alguns, é o remédio. O psiquiatra, o psicólogo, o prozac ou similares modernos farão algum efeito. Mas, o jorro da essência literalmente abatida recuperará o fôlego e triunfará em seu retorno em mutação.
Continuaremos buscando a resposta para suprir nossos medos, nossas deficiências e nossas dores, socorrendo no possível, até mesmo no “ópio do povo”, como disse Marx, enfrentando um dos poderosos.
A DISTÂNCIA QUE APROXIMA
O mais oportunista dos colunistas deste Estado escreveu, certa vez, que a melhor maneira de unir um casal é separando-o. Disse que o relacionamento moderno sugere camas separadas, quartos separados e até mesmo casas separadas; tudo com o objetivo de que a relação se mantenha saudável, oxigenada e duradoura.
Deste gancho defino: a distância aproxima as pessoas. Não direciono tal afirmação – sujeita as chuvas e trovoadas -, exclusivamente em cima de um relacionamento matrimonial. Longe disso. Aliás, o objetivo é outro, mais amplo e mais questionável.
Nos últimos meses venho percebendo que uma eloqüente desilusão, em seu estado letárgico extremo, transcendeu como num lapso espiritual, e transformou-se numa alegria oceânica.
Tenho visto a olho nu, sem qualquer ingerência ou perfumaria alheia, que o sentimento guardado no vidro da ansiedade, quando exposto, se manifesta arrasador, como um vulcão após décadas de adormecimento.
Mas como deixar de aceitar ou considerar o enorme valor de tudo isso? Alguém certa vez referiu: somos todos descendentes Dele. E a isso a energia converge espetacularmente.
Mesmo assim, as reações são desproporcionais. Ou, quem sabe, até contém ares de proporcionalidade, na medida em que a face da vingança possui contornos triunfantes.
Tenho receio, nos dias atuais, de tirar par ou impar, porque a reação pode vir seguida de um contentamento inexplicável, ao menos para mim, que, confesso, ainda não atingi o estágio que reflete esta euforia.
De tudo isso, sendo absurdamente sincero, o distanciamento nos aproxima. E olha que não me refiro, absolutamente, as reflexões daquele esporte que a maioria admira.
Sorte a todos. Apesar de que a todos não será possível, pois, a distância também nos faz alegres e tristes, dentro da posição da nossa poltrona.
Por fim, a derrota não induz a manutenção da queda, ao contrário, define a reação das palmas a quem verdadeiramente merece.
ESCLAREÇO E AGRADEÇO
Na coluna Enfoques, assinada por Antônio Rodrigues (Folha do Nordeste nº 949, página 28), discorrendo sobre a Sessão Solene da Câmara de Vereadores do último dia 10 de maio, foi observado o seguinte: “...os lenços colorados não têm nada a ver com a torcida do Internacional, como alguém quis fazer crer na Sessão Solene da Câmara de Vereadores em homenagem ao Campeão do Mundo...”.
Primeiro, o “alguém” que fez referência aos lenços vermelho fui eu, quando da utilização da tribuna daquela Casa Legislativa.
Segundo, e que fique claro, não teria a pretensão ou mesmo a petulância de dizer que os lenços vermelhos possuem relação com a torcida do Internacional.
Eu disse sim, em síntese, ao referir-me a cor vermelha, que o ambiente estava tomado desta, sendo que, inclusive, a mesma se manifestava nos lenços ostentados pelos gaiteiros, que também recebiam homenagens na oportunidade.
Não houve qualquer referência ou intenção, portanto, que sugerisse a cor do lenço, a qual traduz um simbolismo muito maior e anterior, com a torcida do clube homenageado.
Sendo assim, acredito que luzes medianas entenderam o recado e absorveram o sentido que a relação perseguia.
Por outro lado, não poderia deixar de registrar a grandiosidade da festa promovida e proporcionada pelos colorados desta cidade e de toda a região.
Foi incrível o engajamento, a dedicação e a receptividade dos torcedores. Todos os que foram procurados contribuíram, de uma forma ou outra. Diversas pessoas trabalharam incansavelmente, deixando suas atividades para que a confraternização fosse coroada de êxito.
A resposta se deu no número de pessoas presentes ao almoço e na carreata, a qual, diga-se, contou com mais de cento e cinqüenta veículos, segundo dados repassados.
Assim, louva-se a iniciativa pioneira, além de agradecer a todos que estiveram vinculados na programação.
Finalizando e com licença devida, queria fazer uma referência especial a Brigada Militar, na pessoa do Capitão Roiz e ao Corpo de Bombeiros, na pessoa do Tenente Adão Dondone,e ainda a todos esses colorados: Ivan Barreto, Ademar Fagundes, Giovani (DL Pneus), Paulo Donadello, Paulo Sgarbossa, Altair Rech Ramos, Oscar Grau, Cassiano Castellano, Cássio Schmidt, Enio Tonial, José da Rosa, entre outros tantos.
O NOSSO MUNDO
Semana que passou recebi um telefonema de Porto Alegre, onde meu filho me informava que tinha sido vítima de um assalto. Ao caminhar, no Centro, foi abordado por um jovem com uma faca, enquanto outro ficava na chamada espreita. Retiraram-lhe tudo, ou quase tudo, permanecendo com a calça, a camisa e sem as meias. O tênis também foi levado, tendo, neste item, o larapio sido generoso, pois, entregou o seu tênis para a vítima.
Dizem que o batismo para a residência na capital do Estado é ter sido assaltado. Até ai, tudo bem. O que chama um pouco mais a atenção é a reação das pessoas e da própria vítima.
Foi me dito que o assalto transcorria em sua “normalidade”: a vítima retirando sua roupa, seus pertences auxiliares (óculos, celular), e as pessoas passando pelo local tranquilamente, sem qualquer reação diante de um grave acontecimento.
É certo também que as vítimas estão esperando serem assaltadas. Assim, quanto o fato acontece, apesar do susto inicial, é automático o procedimento.
Ser assaltado ultimamente faz parte do cotidiano, como: comprar pão, leite, levar os filhos à escola, tudo na mais perfeita normalidade e harmonia.
Esse é o nosso mundo. A alteração de parâmetros, a supressão de valores, a falta de resistência e indignação, nos torna protagonistas desses crimes. Sim, porque a nossa omissão nos faz cúmplices. Dá combustível e guarida para ações mais aprofundadas, que resultam não só no usurpar pequenos objetos, mas a própria vida.
A proteção é louvada e conto somente com ela. Atitudes não mais são esperadas, em face da descrença que, pasmem, nos tornou além de reféns, alimentadores desta máquina contravencional.
Pensem nisso, também.
INSPIRAÇÃO
O fato novo é que estamos treinando, o César e eu, com o professor Sinclair Júnior para a grande jornada que levaremos ao cabo ainda neste ano. Está frio, enjoado, cortante, mas é um objetivo traçado e será vencido.
No mais, lembrei da madrinha Rita Lee, que no auge de sua produção musical, alguns anos após ter sido expurgada dos Mutantes, teve a felicidade, como Ovelha Negra, de criar esta frase: “...um dia desses resolvi mudar e fazer tudo o que eu queria fazer...”.
A doutrina, louvada pelos acadêmicos, respeitada pelos operadores, não traduz qualquer responsabilidade com a definição de mundo; ou, ao menos, das nuances que a sutileza emprega.
Este vácuo de responsabilidade faz nascer pensamentos interessantíssimos, porém, pouco ou nada aplicáveis ao cotidiano. A própria utopia desta condição, avistada por vezes no horizonte, não passa de uma mãe com feto anencéfalo. Não haverá futuro.
Falando em falta de cérebro me faz lembrar do Ozzi, sim do Ozzi Osbourne, da fase áurea do Black Sabbath. Hoje assistindo ao programa Família Osbourne o enxergo como o mais perfeito idiota. Um verdadeiro imbecil, na forma de agir, porque, do lado vizinho, recebe milhões de dólares para ser filmado como um doente. Se isso vale e quanto vale, não sei. Só sei que para ganhar dinheiro é uma forma aprovada.
Prefiro Raul, pois, o ouro é de tolo, e quem, entender ao contrário perderá o rumo logo a seguir. Não esqueço do Zé, aliás, não posso esquecer dele, porque “seu” Ramalho não omitiu que “...há meros devaneios tolos a me torturar...”.
Também pode ser buscada uma definição em Schopenauer, retomando com uma visão de preceitos aristotélicos, onde “O homem sábio não persegue o que é agradável, mas a ausência de dor”.
Pode ser ainda Platão com seu racionalismo; Nietzsche com suas metáforas, ou mesmo o querido Mario Quintana, para quem “nem tudo pode estar sumido ou consumido”.
Tudo isso nesta fria semana, com objetivos claros, porém obscuros, e a leve sensação de que tudo voltará ao normal.
TRATADOS
Recebo do amigo Zé (que não é meu primo nem faz parte do acervo musical do Camisa de Vênus), mas é o Eduardo, interessante, pontual e intrigante material, o qual buscarei utilizá-lo da forma mais coerente possível, não sem antes agradecer a lembrança e as amistosas palavras.
Mas, sobre outra estrada, tenho que nada é mais justo que uma sopa de agnolini, o conhecido capeletti, exposto sobre um prato receado de cubos de queijo. Posso confessar que esta iguaria ainda me deixa confuso, pois, lembra minha avó, Dona Normélia (Amália para poucos) e suas decisivas investiduras na confecção deste artefato da culinária italiana clássica. Não falarei da polenta, que sua preparação poderia durar mais de três horas, do tortei, do macarrão, etc., porque assim não consigo vencer o final desta escrita. E olha que as razões são extremamente emocionais.
Todos os preparativos eram revestidos de contornos estabelecidos pela tradição. O caminho a ser seguido era sempre o mesmo. No entanto, não lembro, com as exceções da proteção de minha avó, de terem me deixado por muito tempo na cozinha, sob o argumento de que “aquele não era o meu lugar”. Nunca entendi o motivo de tal resistência, mesmo sabendo que pouco iria contribuir para a solução dos trabalhos.
O vinho tinto, de produção caseira, sob a égide de meu avô, aliás, o único homem que vi fazer “de cabeça” conta com três dígitos mais rapidamente do que uma calculadora, embelezava ainda mais o procedimento que muitas vezes iniciava antes do galo cantar e, diga-se, naquela época o galo cantava com toda a sensibilidade (não, não era um galo gay), sem alertar para quedas sertanejas. O canto podia ser traduzido por sinfonias que lembravam Bach, não acho que Chopin, quem sabe Tchaikovsky. Não seria tanto, mas de alguma forma estimulava, desde que o galo não fizesse parte do caldo, evidentemente.
Quantas lembranças e constatações, numa época em que, por vezes, somos obrigados a “ingerir” isopor, nesses lugares de comida rápida, voltados para pessoas rápidas, para vida rápida, para soluções rápidas, para morte rápida.
O vinho de hoje tenho que comprar, por força desse regramento natural de nossa existência. Mas, jamais esquecerei da ritualística daqueles dias de domingo, abençoado pelas fortes mãos de minha avó, da qual, com certeza, espremi nacos existenciais que contribuíram, e muito, para formação de personalidades de outros tantos.
POEMA E TORMENTOS
Em primeira mão: A Janela.
Sempre que a vejo, sinto esperança. Sempre que aproximo, relato a aflição. Sempre que a disponho, tenho medo. Sempre que a retrato, sinto saudades. Sempre que me afasto, desespero. Sempre que retorno, fico confuso. Sempre que a perco, sinto esperança.....
Se buscares o fim, não esqueças do meio. Se enfrentares o meio, cuides ao iniciar. Se chegares ao fim, queiras me acompanhar.
Cuide a janela, pois, não será a altura que regulará o objetivo, não será o vento que refrigerará os sentidos, mas será sim o amor que agasalhará com os amigos.
NOTÍCIA QUE VENDE
Tudo que diz respeito à fofoca sobre a vida das pessoas, essencialmente dos famosos, é sucesso garantido.
Não existem revistas que vendam mais do que as especializadas em novelas; dizem que este brigou com aquela, que aquela está de caso com o companheiro desta, que aquela outra está grávida e há apostas quanto a quem seja o pai, ou a outra que está deprimida sem saber o motivo, e assim por diante.
Este verdadeiro “lixo atômico” movimenta milhares de reais, dólares, euros, entre outras, pois, centraliza seu foco no que a de mais preocupante no seio do mundo: a vaidade das pessoas.
As pessoas deixam de exercer atos, de praticar caridades, de se envolver naturalmente e até, não poucos, deixam de comer, para estar entre aqueles que “aparecem na mídia”. E olha que não há limite, pois os veículos podem ser minúsculos ou responsáveis por abrangência mundial. Na verdade não existem limites.
O que leva as pessoas a agir assim? É da natureza humana a busca pelo reconhecimento, pelo aplauso. É uma tremenda satisfação ser ovacionado por humanos, porque, até onde eu sei o cachorro ainda não aprendeu a bater palmas.
Não vejo problema algum no reconhecimento. Agora no reconhecimento forçado, isso sim me causa náusea. Ver isso ou aquilo, ou mesmo aquele e aquela buscando um “ibope” que todos sabem que não existe, é profundamente lamentável, para o próprio bobo da corte como para os olhos de quem fixa esta notícia. Sim, porque essas notícias são como músicas sertanejas, onde você menos espera, elas surgem.
Por isso, o que tenho eu se o Alemão brigou com a Íris e disse “dispois” num programa televisivo? Mas como sou um perfeito idiota não consigo absorver que isso dá notícia, isso vende jornal, vende revista, vende cueca, vende calcinha, e, por isso, também, vendem-se almas.
Fazer o que se a roda gira neste sentido?
RESPONSABILIDADE E HOMENS BONS
Quase não acreditei quando assisti na televisão as conseqüências de um feroz ataque de quatro ou cinco jovens, da chamada “classe média alta”, contra uma senhora, doméstica, junto a um ponto de ônibus, na cidade do Rio de Janeiro.
Os animais voltavam de uma festa, na madrugada do último sábado, quando espancaram a trabalhadora, roubando-lhe o aparelho celular e alguns poucos trocados que a infeliz levava consigo.
Tal barbárie me fez recordar de um fato similar, acontecido no ano de 1986, na praia de Atlântida, quando outros, também da “classe média alta” atacaram o jovem Alex Thomas, matando-o com golpes variados de lutas marciais.
São situações que por mais que se busquem explicações, mesmo com um esforço para justificar o abstratamente plausível, não se encontra resposta.
Nesta linha não pode ser olvidado que aqui também queimamos índios. Ah, adivinhem quem também faz isso? Aqueles conhecidos como jovens da “classe média alta”.
Será por diversão? Será uma aposta? Será necessidade de desaguar algum sentimento? Será complexo de inferioridade? Será buscar um sentido para vida? Qual será a justificativa desses monstros para tais atitudes? Claro, quando falo em justificativa é a posição deles em seu meio, porque ao mundo exterior nada poderão dizer.
Ta feia a “classe média alta”, não é mesmo? E eu, que “achava” que essas barbaridades fossem exercidas e desenvolvidas no meio da pobreza. Santa ingenuidade.
Homens bons não são “fabricados” com base no fator monetário. Sei isso é óbvio, mas, não custa, por vezes, relembrar.
Homens bons sugerem base, criação honesta, índole, atitude e regramento, pois, se com todos esses predicados florescem desgarrados, imaginem sem eles.
Queridos jovens da “classe média”, esse rótulo social não autorizam ações que contrariem o mínimo respeito à convivência em sociedade. Não se escondam atrás deste manto, porque se os limites não forem impostos tempestivamente e na forma adequada, a sociedade os colocará.
IMAGEM E O INVERTIDO
A falta de definição ou a definição nebulosa da imagem refletida no espelho maquia, por vezes, o que realmente deve ou pode ser visto.
Sabemos todos que no espelho a imagem se manifesta de forma invertida. Aquela pinta, portanto, está do lado esquerdo, não abaixo daquela mensagem produzida pelo decorrer dos anos e que teima em se apresentar sobre a face.
Isso tudo é muito simples. Agora, dois problemas advêm deste contexto: o primeiro é que a inversão pode fazer parte da personalidade, e esta, quando presente, poderá ser vista exatamente da forma contrária do que ela é; já a segunda, é quando olhamo-nos no espelho e nossa imagem pisca, sem termos feito qualquer ato para tanto. Bom, aqui o problema é bem mais complexo, pois, ou estamos precisando visitar nosso oftalmologista ou mensagens podem estar chegando.
Como não acredito, ou a descrença, em diversas oportunidades, faz parte de minha rota, ver minha imagem refletida no espelho piscar, sem eu ter participado do ato, acho um pouco difícil. Porém, a constatação de “imagens invertidas” em atos, ações e atitudes, é mais comum do que comer araticum (ou ariticum popularmente) no verão. Ou seria no inverno?
Quem poderia fazer parte de um pequeno rol, exemplificativo, na atualidade? Renan Calheiros, excelente exemplo; Epitáfio Cafeteira, outro excelente parâmetro; Joaquim Roriz, um exemplo sempre presente neste meio; Presidente Lula, não, melhor não.
Quem sabe os juízes do Tribunal Regional Eleitoral que, segundo as imagens ainda não invertidas, receberam propina para absolver o famoso Roriz, num complicado processo de cassação de mandato? Exemplo simples, normal e na moda.
Quem sabe, também, a querida Mônica Veloso, que foi iludida e engravidou; ou a senhora Calheiros, que não engravidou mais continua lutando pelo reconhecimento e por sua honestidade. Esta sim é uma “Amélia”. Será?
Existem tantas imagens invertidas, que acho melhor o espelho ser utilizado, somente, para atividades oficializadas e convencionais, como se a barra da calça está proporcional em relação ao sapato. Afora isso, cuidado, os dissabores poderão servir à mesa.
OLHOS BEM ABERTOS
Muitos assuntos se apresentam para discussão, desde a chegada de uma frente fria fortíssima, até o início dos jogos Pan-Americanos, na próxima sexta-feira, dia 13.
Passamos também pela Ana Paula (a bandeirinha) posando na playboy e pela eleição das sete maravilhas do mundo moderno, as quais, dizem, se juntam a única antiga maravilha do mundo ainda existente, que são as Pirâmides de Gizé (Guiza).
Mas o fato que repercutiu intensamente nos últimos dias foi o assassinato de Leonardo Silveira, vice-prefeito do município de Bom Jesus. Bancário e também formado em direito foi vítima de uma bala perdida, no confronto entre policiais e criminosos.
Tal situação é corriqueira nas grandes cidades. Hoje, está se tornando comum, também, em pequenas comunidades do interior de nosso Estado, especialmente, aquelas em que, se sabe, estão carentes do necessário e devido aparado de segurança.
Dos fatos acontecidos no vizinho município fez piscar a luz amarela (se já que não é vermelha) quanto a possibilidade da situação se manifestar aqui em Lagoa Vermelha.
Definitivamente estamos expostos à ação desses verdadeiros operadores do crime. Sempre bem preparados, logisticamente, com armas poderosas e ações que não deixam nada a desejar aos conflitos graves da Capital.
Pensando de forma abrangente, porém fixando a situação ao nosso meio, acho prudente uma imediata mobilização das autoridades locais, juntamente com o poder público e demais entidades representativas da sociedade, para uma eficaz discussão sobre as reais condições de segurança em nosso município, passando, especialmente, pelo efetivo e condições técnicas de ação.
Afora isso, nos resta permanecer de olhos bem abertos para que não sejamos mais um ponto na estatística do controle de baixas na guerra civil que enfrentamos.
NÃO SEI. SÓ SEI QUE É ASSIM!
Na eternidade de minha existência não vislumbro um periódico, ou mesmo um telejornal, em que mais de 80% das notícias não sejam relatos de tragédias, descasos, corrupção ou similares.
Claro, algumas notícias boas ou agradáveis são pinceladas no meio para dar aquele gosto especial, que fará crescer ainda mais o impacto do negativo da outra notícia.
Não entendo nada de editorial, classificação jornalística, essência da notícia, etc. Sei, por outro lado, que as informações devem ser repassadas, com fixação na história e relato de mais um dos contornos da relação humana. Entretanto, o que é mais pernicioso: as notícias corriqueiras ou a novela das oito? Na minha singela opinião, ainda ao consegui definir, mas acho que a novela vai vencer.
Nada como lembrar de Victor Hugo (por favor, me refiro ao gênio e escritor do século XIX), com uma das frases mais importantes já ditas: “Sede como os pássaros que, ao pousarem um instante sobre ramos muito leves, sentem-nas ceder, mas cantam! Eles sabem que possuem asas."
É tudo tão simples, sei, mas, e quem não sabe? As asas devem estar cansadas, atingidas por um chumbo tardio, originário de um evento nobre, utilizado, por vezes, como máscara que a tradição impõe.
É também tudo muito complicado, pois, não seremos nós os designados para preencher a planilha que retratará as metáforas da vida, onde todas as coisas se estabelecem, encurtando e refletindo Goethe.
Após isso tudo, fico com a melhor frase que ouvi, considerando a extração de um filme nacional recente, onde, o ator, com toda sua capacidade interpretativa, afirma, categoricamente: “não sei, só sei que é assim.”. Que coisa fantástica.
E o antídoto para esta nebulosa estrada, retiro também de Victor Hugo: "Pode-se resistir a invasão dos exércitos, não a invasão das idéias."
TUDO PREVISÍVEL
Muitas coisas foram ditas quanto esta tragédia ocorrida no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Nada que justificasse o ocorrido, porque não há palavras os atos que possam responder algo que se sabia inevitável.
O povo gaúcho é o que absorveu o maior impacto. E, talvez por isso, estamos todos em estado letárgico, sem saber absolutamente para onde correr.
Tivemos a prova, mais uma vez, neste momento de extrema tristeza e indignação que, nós, gaúchos, além da cultura, do respeito às origens e tradições, somos unidos na dor, como ninguém o é. Pode-se perguntar: e daí? Daí que a partir dessas reações que nascem homens, dispostos a enfrentar, mesmo que solidariamente, este verdadeiro inferno.
A consoladora notícia de que, por força da desaceleração, todos os passageiros já estavam mortos antes mesmo do avião colidir, definindo que “não houve sofrimento” é muito pouco, aliás, é praticamente nada, pois o que altera minimamente as informações, igualmente compensa em centésimos a marcha do tempo.
Escrevo com extremo pesar e com a clara sensação de que a culpa, que é de muitas pessoas, alinha-se com atitudes e omissões governamentais. O descaso e, principalmente, a falta do mínimo respeito com a dor e o desespero dos familiares, potencializa a própria tragédia, seus danos e a incompetência dos administradores.
Definitivamente não enxergo qualquer possibilidade imediata de resolução dos problemas. Ao mesmo tempo, chegam notícias diárias de pilotos que, aproveitando os fatos, se recusam, corretamente, a utilizar a pista do aeroporto de Congonhas; de aviões que arremetem quase que diariamente, pelas mais diversas razões, isso sem fazer referência ao verdadeiro caos em todos os aeroportos do país, com vôos atrasados ou cancelados.
Estamos todos enlutados pela tragédia anunciada. Porém e infelizmente, antes de ser encontrados os nortes que indicam eventuais soluções, o caminho se aproxima para outro infortúnio, que pode estar ocorrendo neste momento.
Respeito e condolências àqueles que foram designados a experimentar a infinita dor de uma trágica perda.
ESCOTEIROS
Nada sei sobre o escotismo à exceção de que é um lugar onde se formam cidadãos e cidadãs; de onde brotam pessoas dignas, respeitosas, que possuem como essência o amor ao próximo, a retidão na conduta e o respeito pela pátria.
Estou apreendendo um pouco com a Thaís, que ontem realizou sua promessa, e que a partir de então poderá receber e utilizar um dos símbolos principais da vestimenta de um escoteiro: o lenço.
A grandeza do trabalho realizado pelo Dr. Mário Muraro - com passos herdados de seu pai, sua esposa Lígia e demais colaboradores do Grupo de escoteiros Guaianás 130º RS, é algo contagiante. Muitas pessoas desconhecem o engajamento, a dedicação e a total entrega desses verdadeiros operadores da transformação social.
O brilho nos olhos, a expectativa, as cadências da banda, a vigília, os acampamentos, as histórias, a fixação da responsabilidade, por si forjam pessoas de bem e indicam a retilínea caminhada pelos passos da vida. Esta é a base necessária e devida as nossas crianças e adolescentes.
Este exemplo confirma que os graves problemas sociais não se enfrentam com atitudes que se iniciam pelo telhado. Não é construindo mais presídios ou aplicando a pena de morte, que a criminalidade será combatida.
É com atuação na base, como fazem os Escoteiros Guaianás, em seu valoroso trabalho, fixando posições e atitudes que são o mais claro antídoto para o combate do caminho do mal.
Parabéns a todos os componentes do Grupo de Escoteiros desta Cidade, pois, tenham certeza, que o reflexo do trabalho de vocês será sentido por muitos anos em nossa comunidade. Vocês, verdadeiramente, merecem medalha de ouro.
PORTA SEM TRAMELA
Algo que ainda me chama a atenção é o sistema de cotas raciais para o ensino superior. O nome já traduz uma discriminação, a qual somada a própria essência da medida, floresce e instiga a repartição racial.
Qual o real objetivo dos protagonistas desta idéia, vendida como forma de equacionar a discrepância entre brancos em relação aos negros, pardos, mamelucos, cafuzos, etc.?
O sentido filosófico contagia. Na prática, entretanto, fomenta a discriminação, ainda mais quanto se está enfrentando a absorção por um centro de intelectualidade.
Seguindo a linha, em pouco tempo teremos cotas para tudo e para todos, refletindo em cheio sobre a forma mais democrática, pelo menos que se conhece, de, por exemplo, ingresso em universidades ou serviços públicos.
Não quero mais escrever sobre isso, porque poucas linhas podem ser equivocadamente interpretadas e, juízos de valor perdidos no vácuo, podem aterrorizar o bom senso e a lógica na atuação.
Mudando totalmente o foco, como disse Belchior “tenho ouvido muitos discos, conversado com pessoas...”, sim, pois, além de ser do meu tempo adoro vinil, e também converso, e a pauta é a criação de uma Academia Lagoense de Letras.
Uma pequena idéia para resgatar nossos escritores e estimular mais ainda os atuais, citando especialmente o jovem Cláudio Júnior Damin e seu Flagelo Branco de 1965, cujo lançamento do livro ocorrerá no próximo dia 10 de agosto, na sede da AABB de Lagoa Vermelha.
Seguindo a linha de sempre buscar o enfrentamento da causa em sua essência, é lançada esta idéia, que poderá vir seguida de oficinas, simpósios e até seminários, sempre tendo como termômetro a participação e o interesse da própria comunidade.
MOVIMENTO AGORA CHEGA!
A Ordem dos Advogados do Brasil/RS promoveu um ato público no último dia 10 de agosto, consistindo na realização de um minuto de silêncio em homenagem póstuma às vítimas do acidente aéreo ocorrido no aeroporto de Congonhas em São Paulo.
Em continuidade a esta mobilização, batizada como Movimento Agora Chega! Contra a Impunidade e Corrupção, a Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil de Lagoa Vermelha promoverá, no dia 29 de agosto próximo, uma caminhada silenciosa nas ruas da Cidade, em clara manifestação de luto por todos os fatos que envolvem nosso Brasil nos últimos meses.
Para esta caminhada estão sendo convidadas autoridades, entidades representativas e escolas, para que Lagoa Vermelha se engaje nesta luta e sua população mostre sua indignação em frente aos descasos e desmandos que estamos à experimentar.
A caminhada terminará na Câmara de Vereadores, onde estará a tribuna do plenário daquela casa à disposição de todos para que materializem sua indignação.
A imprensa será convidada, e dentro de seu importante e decisivo papel na sociedade, haverá de dar cobertura e registrar toda a mobilização, os atos e ações que serão realizados.
Pertinente que se registre, que todo o material colhido desta mobilização será remetido a órgãos e a imprensa não só da Capital do Estado, mas também dos grandes centros deste país.
A OAB/Subseção de Lagoa Vermelha, estando à frente desta mobilização, convida a todos que participem deste ato público, da forma que melhor lhe convir, registrando a indignação e o pedido de imediatas e eficazes providências contra este descaso e esta inércia que se estabeleceu nas esferas do poder.
Por fim, frisa-se, que não se trata de manifestação político partidária, mas tão-somente uma mobilização pacífica, ordeira e organizada que visa, unicamente, mostrar que o povo não está num estado de letargia vitalício.
O SENTIR
Fernando Pessoa, em outro de seus momentos mágicos: Sossega coração! Não desesperes! Talvez um dia, para além dos dias, encontres o que queres porque o queres. Então, livre de falsas nostalgias, atingirás a perfeição dos seres.
A vida renova conceitos periodicamente. As provações, os enfrentamentos e as necessárias atitudes contemplam o regramento imutável de nossos sentimentos.
Lapsos de euforia traduzem exatamente a linha do sentir; não se está nas salas de aula para a rotina do dia. A rotina está presente, só que apresentada como um recreio, que separa os dois pólos do abismo.
Passagens, chegadas e partidas, tudo é tão fácil; tudo é extremamente fácil, que, por isso, é impossível a transposição. Se o lustre do chão é o caminho, não posso deixar de colher as pedras que virão.
Sensações dimensionadas por graus de experiência. Renovação de um experimento saudoso, que teima em sugerir sua volta. Tudo isso não passa da alegria e da renovação sistemática da própria vida.
Palavras, ações ou até mesmo o silêncio, mesmo que este seja daqueles ensurdecedores, não passam da busca constante atrás de respostas que todos sabem não existir.
Teimar em continuar assim é o que deve fazer. O comodismo regado a preguiça é o início da morte. Aliás, a morte é a ronda que nos cerca. E para aqueles que teimam em permanecer “mortos”, mesmo em plena forma, nos resta a piedade.
Solidário eu sou a quem experimenta momentos de desamparo e dor, mas, ao mesmo tempo, renova a força, mesmo que esta venha a conta-gotas, para seguir a trilha da qual não temos como evitar.
“AMOFA”
Conversando nesta semana com o sempre prestativo amigo Altair do segundo cartório da comarca, lembrei-me de uma brincadeira da época das primeiras séries do então primeiro grau escolar: a amofa.
Para minha surpresa nem o Altair ou as demais pessoas que estavam no local conheciam tal brincadeira. Estava eu me sentindo um extraterrestre quando um dos presentes me indagou: não seria a visão antiga do atual pega-pega. Eureka! Alguém ao menos tinha uma leve lembrança daquela brincadeira que, ao menos no meu juízo, era considerada uma das mais importantes e interessantes da época. Não me perguntem o motivo, pois, o tempo me fez esquecer os parâmetros de classificação e ordem de importância daquelas brincadeiras. Ou será que as constatações partem de premissas diferentes? Não sei.
Mas, brincar de amofa era o fator mais importante do recreio; aliás, acho, era o ponto culminante de todo o turno de estudo. Certamente que as aulas de matemática, português, estudos sociais, religião, entre outras, não tinham a menor condição de competir.
O grande segredo era correr muito para não ser alcançado pelo infeliz que carregava o título de amofa. Aquele que era amofa clássico, ou seja, que permanecia maior tempo na brincadeira nesta condição era motivo de restrições. Especialmente a de ter que agüentar todo o resto do turno escolar com esta pecha sob os ombros.
Quanta preocupação. Tínhamos, posso confessar, algumas estratégias para que o desavisado permanecesse na condição o maior tempo possível. Claro que outros também tinham as suas formar de se manterem longe da mais inferior condição na brincadeira, mas isso fazia parte da própria. Ninguém estava preocupado em impugnar a atuação, em censurar qualquer atitude ou mesmo em consignar seu protesto em ata.
Da amofa lembrei de muitas pessoas, com as quais compartilhei caminhos, firmei atitudes, consolidei relações, como, aliás, tudo deve ser.
Por fim, deixo a poesia do maranhense Antonio Miranda que, em Nostalgia Del Futuro, poderá de alguma forma colaborar com tudo isso: “Era feliz y no lo sabía – dice el estribillo que yo no creía porque – entonces para mí la felicidad era siempre futura en mi (postiza, intelectual) amargura.”
FARRAPOS
Prefiro chamar de Guerra dos Farrapos e não de Revolução Farroupilha. A razão é muito simples: o simbolismo. Aliás, a grandiosidade do simbolismo.
Na época do Regente Feijó nasceu a Guerra dos Farrapos, com a resistência estampada pelos republicanos (liberais) em desfavor dos conservadores (legalistas). Dez anos de lutas até a aceitação da proposta de paz apresentada por Duque de Caxias.
Quem neste país lutou dez anos sob o manto de fazer valer os seus ideais? Ninguém, absolutamente, dentro de todas as rebeliões internas deste país, atingiu tal patamar.
Por essa razão também, o povo gaúcho é infinitamente respeitado por todos os demais. Tais posições, de luta, enfrentamento, baixas, ascensão e glórias, se refletem em todos os cantos de nossa relação em sociedade. Quer seja num campo de futebol; quer seja numa disputa institucional, quer seja num simples jogo de botão, o gaúcho é um povo respeitado, o gaúcho é um povo invejado, o gaúcho é um grande povo.
O verdadeiro termômetro intelectual, de luzes e de atitudes é sempre medido sob o povo do Rio Grande do Sul. Deste Estado são esperadas as ações que possam vir se assim a caminhada definir, comprometer e regrar nossos próximos passos.
“Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra”.
Estou tomado de um espírito farrapo, e só a partir dele vejo condições para que tudo o que nos cerca seja contraposto. Somente com as façanhas gaúchas algo poderá acontecer. E algo deverá sim acontecer.
Povo gaúcho o Brasil inteiro te espera. Você nunca se furtou de fixar e registrar suas atitudes reflita onde refletirem; você não se acostuma em esperar ver o que os outros farão para acompanhá-lo. Você foi e sempre será vanguarda, imitado, copiado.
Por tudo isso, somos o que somos.
TODOS OS MUNDOS
Existem diversos “mundos” dentro desse mundo que é considerado por todos. Há o mundo dos sãos, dos enfermos, dos alegres, dos tristes, dos religiosos, dos ateus, das crianças, dos adultos, etc.
O mundo de um pode ser impenetrável por outro, pela básica razão de que não existe sintonia entre os objetivos e as metas traçadas. Não há relação de escada (essa veio do fundo) nos passos cuidadosamente apresentados.
Imaginem, se entre as interpretações religiosas se manifestam conflitos históricos, o que dizer sobre aqueles que negam a própria existência de Deus?
Agora, um campo que é único, do qual todos têm receio em ingressar, é o dos doentes. Nesta seara, estão registradas as maiores provações, as infinitas manifestações de solidariedade e compaixão.
Ocorre que todas essas grandezas são por vezes anônimas, através de atos simples como um abraço demorado, ou, mais ortodoxos, como a doação de um órgão.
O “mundo” dos enfermos é um mundo a parte. Em certa escala não há diferença entre o “eu tenho” ou o “eu sou”, em relação àquele que “não é” ou “nunca foi”.
Aliás, este é o mundo onde a igualdade se manifesta mais claramente; não se propagam benefícios, não se “fura” fila, pois, ninguém está com pressa, a não ser de buscar sua cura. Ma falo, aqui, especialmente, daqueles em que a cura está tão distante que esta situação não está sendo ventilada no contexto.
Essas realidades, fundamentalmente, não podem ser esquecidas, pois, no gráfico natural desta vida, como regra, nascemos, seguimos um caminho, ficamos doentes e morremos.
O nosso “mundo” hoje pode estar distante do “mundo” deles. Isso hoje. Amanhã não sabemos. Pensem nisso.
“NOS PEDAIS DA VIDA”
O cansaço ainda teima em permanecer, mesmo que o repouso físico já esteja ultrapassando a quarenta e oito horas. A recuperação, no entanto, é rápida em relação as desgaste experimentado.
Ernesto Guevara, antes do Che - como já escrevi em outra oportunidade, após o término de sua viagem pela América do Sul, afirmou que, mesmo não sabendo exatamente todos os reflexos de suas experiências, de uma coisa tinha certeza: não era mais o mesmo.
Guardadas todas as proporções em relação a nossa pequena empreitada, posso afirmar, sem medo de obrar com erro, que algo realmente aconteceu de novo.
Para situar e até mesmo pedir escusas sobre uma manifestação estritamente pessoal, escrevo sobre os exatos 460 km percorridos de bicicleta, entre Lagoa Vermelha e o portal de entrada da Cidade de Porto Belo, em Santa Catarina, que eu e o César vencemos na última semana.
A sensação de que a vida passa realmente devagar é constante. Quem acelera somos nós, através da eficaz manifestação de velocidade de todos os veículos que insistentemente transitam por toda a via.
Como nós, e eventualmente outro em condições parecidas, ninguém mais percebia com clareza tudo o que se passava ao redor. O que todos percebiam, sem distinção, é a luta desenfreada pela rapidez e necessidade de chegar rapidamente a algum lugar.
Ao contrário, sob a regra e o limite do esforço físico, este extremo muitas vezes, não nos era permitido balizar a exata dimensão de nossa velocidade. Só sei que era satisfatoriamente confortante.
Ao invés de gasolina ou óleo diesel, as paradas de reposição se restringiam a ingestão de água, as barras de cereais e duas laranjas.
A história é muito mais cumprida do que essas poucas linhas podem expressar. Mas, afirmo categoricamente, voltamos mais felizes.
OBSTÁCULOS
O erudito e sempre espirituoso Marcos Augusto, conhecido por quase todos pela alcunha de Negrinho afirma, com freqüência, que: “quem constrói a ponte não sabe o que há do lado de lá”.
E ele tem razão.
Não posso ingressar na dinâmica da frase, enquanto persistir na edificação de muros superar a feitura de pontes. Concentro no espaço destinado somente na idéia da lógica da inter-relação.
São tantas as parcimônias quanto ao contato humano, que por vezes chego a duvidar de que fomos criados para convivência em sociedade.
Poucos dias atrás, num jornal de Santa Catarina, li a entrevista de um homem que tinha, no dia anterior, assassinado uma menina de quatro anos de idade. E sabe o que ele disse a certa altura: parecia que estava amassando uma latinha.
Talvez as economias de convivência, de contato, estejam para ser explicada por essas e outras atitudes de quem ainda taxamos de humanos.
Outro exemplo clássico: o maníaco sexual que na semana passada matou dois jovens, com menos de quatorze anos, em um matagal na Cidade de São Paulo. Os meninos foram encontrados com sugestão de violência sexual. Outro humano foi responsável por isso.
Realmente, meu caro amigo Marcos Augusto, quem constrói a ponte não conhece o outro lado.
E aquela mãe que, por não “estar a fim” de criar um filho, jogou o recém-nascido num esgoto que passa perto de sua casa. A criança, ainda viva, mantém-se em estado gravíssimo em nosocômio paulista.
Em percentuais aproximados, considerando qualquer programa de notícias, em todos os órgãos da empresa, mais de 90% trata de barbáries como os exemplos já narrados.
Tudo isso choca e muito. Mas e a origem está onde? Na concepção? Na criação? Em tudo junto? Sabemos que a discussão é muito mais profunda.
Os verdadeiros obstáculos nascem, passam se renovam, e, mais uma vez, se expõem sobre todos nós.
SANGUE E NOTÍCIAS
Na edição da revista Veja da semana passada a reportagem de capa foi sobre Ernesto Che Guevara. O foco tratado pode ser resumido na seguinte frase: há quarenta anos morria o homem e nascia a farsa.
Não posso concordar com um posicionamento que beira o racismo. A linha jornalística (se é que podemos chamar assim) é exclusivamente objetivando atingir o caráter revolucionário do mito. A certa altura é relatado que, à exceção da revolução cubana, todas as demais em que Guevara participou foi um fracasso.
O jornalista e escritor Flávio Tavares, em texto publicado na edição do jornal Zero Hora do último domingo, traduz exatamente o ponto que satisfaz o contraponto de uma matéria condicionada: “Esse Che Guevara que liberta um oficial preso e seus soldados, será o Che Guevara "pérfido e cruel" apresentado dias atrás por uma revista?”
Continua: “Pinçar, porém, opiniões ou frases soltas do discurso na ONU (em que defendeu os fuzilamentos dos torturadores da ditadura deposta em Cuba) e, daí, tachá-lo de sanguinário, equivale a ler o Evangelho em que Mateus descreve a ira de Jesus e concluir que "propagou ódio", não amor. Ou Jesus não virou as mesas do templo, destruiu o que encontrou à frente e expulsou "as víboras" a empurrões?”
Não se busca defesa incondicionada. É exatamente o contrário, pois, de nada adianta um tratado para consolidação de uma imagem que reflete somente o lado do interesse. E, de outro lado, o desejo de que “todos os lados” sejam expostos, para ai sim buscar deixar o leitor tranqüilo para seu juízo sobre o que se está enfrentando.
Se a linha é de sanguinários, quando haverá disposição para se escrever sobre, por exemplo, o presidente do mundo: Bush Júnior? Ou, quem sabe, do certinho Tony Blair? Digo sim, Slobodan Milosevic e até Hitler, com seu Mein Kampf, passariam vergonha.
Tudo isso porque não posso deixar passar silenciosamente algo que julgo discriminatório, reacionário e constrangedor.
DISCRIMINAÇÃO
Um assunto que sempre me intrigou foi o fanatismo em regimes de exceção. Aqui retomo também os regimes fascista e especialmente o nazismo.
Como o poder da palavra pôde levar, quase que instantaneamente, milhares de pessoas à morte. Como será que as pessoas vão absorvendo, epidermicamente, todo o sentimento reacionário e desgraçado da extinção do semelhante.
E, ainda, não pode olvidar aqueles que, além de alimentar o regime, retiram dele suas fortunas, alimentando a infelicidade como quem autoriza e resgata uma morte que se anuncia.
Toda forma de discriminação deve ser enfrentada: desde a imaginária raça superior, até em situações muito mais simples, como, por exemplo, o sistema de quotas para o ingresso em universidades públicas.
Sei a diferença entre as questões é oceânica. No entanto, a discriminação também existe, e contra ela é que me volto.
Sistema de quotas para o ingresso no ensino superior se equivale a uma das mais sérias discriminações institucionalizadas. A generalização faz com que 30% das vagas sejam direcionadas; e, não estamos falando ainda das vagas que serão destinadas aos índios, que nem mesmo vestibular deverão prestar.
Não consigo aceitar este critério como justo, dentro de um universo geral, não buscando respostas em situações específicas, onde os critérios de analise ficam prejudicados sob qualquer ângulo.
Uso óculos. Resisto ainda a uma intervenção cirúrgica para correção da miopia. Mas, quero exigir a cotização aos míopes para o ingresso em concursos públicos, na medida em que buscarei comprovar que nós, utilizadores desse recurso externo, somos merecedores desta condição especial.
São as quotas entre nós.
DIFERENÇAS E IGUALDADES
Estive no início da semana na Cidade de São Borja, para realização de um compromisso profissional. Viagem de aproximadamente 500 km, sem poder assistir a final do campeonato mundial de fórmula 1 e o trato que o Internacional jogou para cima do Juventude.
Pois bem, uma Cidade de 327 anos, ao que me informaram, banhada pelo rio Uruguai e com arquitetura muito definida para região de fronteira: casas geminadas em conservação precária. Povo com quase nada de ascendência européia, caracterizando a manifestação do brasileiro em sua essência.
Cheguei logo após uma intensa chuva de granizo, que se responsabilizou pela decretação do estado de emergência e de calamidade em toda aquela região. Tal fato, aliás, acabou por florescer, ainda mais, o cinturão de pobreza que pude avistar.
Passei a ponte internacional para chegar a Cidade de Santo Tomé, na Argentina. Trata-se de uma comunidade muito pobre, que vive praticamente de um agonizante comércio, de comida (principalmente carne), bebidas (principalmente vinhos) e de gasolina baratos.
A gasolina custa, em média, 1,99 pesos, o que equivale a R$ 1,293. Os postos de gasolina recebem caravanas de brasileiro para abastecer seus veículos; as filhas são enormes, chegando a faltar combustível em diversos postos. Para localização, em São Borja, o preço médio da gasolina é de R$ 2,899. Simplesmente, de um lado da ponte a gasolina vale aproximadamente 2,23 vezes menos que do outro lado. Importante: ambos os postos eram da empresa Petróleos Brasileiros S.A., ou da nossa conhecida Petrobrás.
Duas indagações: a) não sei como os postos de combustíveis de São Borja ainda estão vivos; b) qual o real motivo para a gritante diferença.
Uma constatação: a repartição de miséria nesta fronteira não deixará nem um lado nem o outro experimentarem um desenvolvimento devido, necessário e esperado por ambas as nações.
VISÕES
Na filosofia, a mais famosa obra sobre o amor é O Banquete de Platão. Entre os fatores discutidos neste “banquete” está o poder que o amor exerce sobre as pessoas, especialmente influenciando nos assuntos de maior importância, fazendo nascer a desorientação, a indefinição e o silêncio.
Nesta mesma ceia, Sócrates sustentava que o gênio da tragédia é o mesmo que o da comédia e que o verdadeiro artista poderia escrever ambas.
Disso me lembrei do Lula, sim do Lula! Vejo que sua escancarada obsessão de perpetuar-se no poder, numa exata relação de hoje “amor platônico” como disse Sócrates ou a busca de um “ideal irrealizável” nas palavras de Jean-Paul Sartre, mas, que amanhã poderá fazer nascer a exata inserção patológica de tal procedimento, e este fator “irrealizável” se tornar possível e realizável.
E o Brasil deve ser o escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2014. Quanta alegria do nosso Presidente. Quanto oportunismo, mascarado pelo “amor” ao poder.
E a Governadora Yeda. Muitas voltas, muitas visitas a tudo e a todos; brigas, descontentamentos e, ao menos, posições. Aliás, posições - na relação textual proposta -, como fixou Nietzsche: “amor é o ódio mortal dos sexos”.
Acho que prefiro o Jô Soares, não como entrevistador, pois, nesta condição é um verdadeiro “bolha”, um sem graça, mas como comediante, quando alertou que o último alarme contra ladrão já teria sido roubado.
Quem sabe nos apresentamos ao “amor” do Sérgio Cabral, Governador do Rio de Janeiro, o qual afirmou, categoricamente, que as favelas do Rio é uma fábrica de marginais. Ah, é assim, pois bem, novamente se busca enfrentar o efeito e nunca a causa, trazendo conceitos retóricos onde, na prática, não se tem qualquer certeza de sua aplicabilidade.
Termino com Schopenhauer para quem “o amor é apenas um nome inventado que damos a um impulso de reprodução da espécie”.
Será?
TROPA DE ELITE
Como já aconteceu com um grande número de brasileiros, também assisti ao filme Tropa de Elite.
Os fatos retratam o ano de 1997, quando João Paulo II ainda era o Papa e o BOPE tinha um contingente de aproximadamente cem policiais, incorruptíveis.
Hoje, as informações dão conta de que o efetivo já está em quatrocentos policiais e que não se tem mais tanta certeza assim quanto a inexistência da corrupção.
Confesso que no realismo de algumas cenas definitivamente fiquei apreensivo. As tomadas que mais me atingiram foram as que retrataram a corrupção do alto comando da polícia militar do Rio de Janeiro. Posso até estar sendo ingênuo, mas algumas atitudes retratadas traduzem uma gravidade sem tamanho.
A rede ou o “sistema” funciona dentro de uma cadência bem definida e muito bem comandada. Se você não faz parte do “esquema”, jamais terá oportunidade de alcançar qualquer objetivo.
Por outro lado, a violência nas atitudes do BOPE é exatamente o reflexo ou a reação com relação as atitudes do crime organizado. Todos são iguais, na ação e na reação. E partimos para a dúvida sobre se ainda se mantêm seres humanos.
Também acho pertinente duas posições extraídas do contexto da violência urbana na Cidade Maravilhosa: a primeira quando o jornalista Caco Barcelos questiona: se em bairros nobres o BOPE pratica atos como sacos na cabeça para retirar confissão ou delação ou se os ricos são mortos pela ação da guarnição? A segunda do secretário da segurança do Rio de Janeiro, o gaúcho de Santa Maria, José Mario Beltrame, que alerta sobre a necessidade da sociedade tomar partido, estabelecer de que lado está, pois, não adianta registrar ocorrência pelo furto e um automóvel, o qual será utilizado para sustentar o tráfico, enquanto este mesmo proprietário sobe o morro para adquirir drogas.
O ciclo já a muito se estabeleceu, e a eventual quebra da corrente que move esta engrenagem está, claramente, muito longe de ser atingida.
TIM MAIA
Sebastião Rodrigues Maia ou simplesmente Tim Maia foi, literalmente, um grande cara. Sua trajetória de vida não serve de exemplo para ninguém, mas inegavelmente sua obra é reconhecidamente fantástica.
O que sempre me chamou atenção e certamente de muitas pessoas, foi a capacidade do Tim Maia em formular frases de impacto.
Entre as minhas favoritas:
“Comecei uma dieta, cortei a bebida e comidas pesadas e, em quatorze dias, perdi duas semanas."
"Este país não pode dar certo. Aqui prostituta se apaixona, cafetão tem ciúme e traficante se vicia"
"Não saio com mulheres famosas, pois não pago acima da tabela”
"Eu não fumo, não bebo e não cheiro. Meu único defeito é que eu minto um pouco"
Tim Maia, da Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro, foi um legítimo carioca, sangue bom. Extremado, complicador, porém, de bem com a vida.
Tim Maia também era um brasileiro, desses que num lampejo labial torna uma situação constrangedoramente delicada numa estratégica consolidação de uma amizade.
Sebastião faz muita falta. Especialmente quando hoje somos obrigados a, mesmo involuntariamente, enfrentar “pensadores”, músicos e músicas que não tem utilidade superior a um papel higiênico já extraído do rolo.
O INVERSO
Quando a ordem natural da vida se põe invertida um forte impacto se manifesta. Ninguém espera a morte, na essência da palavra. Até mesmo os suicidas buscam ao final a verdadeira redenção.
Todo o acontecimento que impõe a retirada definitiva de uma pessoa próxima de nosso convívio, e quando digo próxima refiro aquelas que compartilham as refeições, que nos brindam com a proximidade que a vida nos trouxe, afetam a engrenagem de nossa existência. Fazem-nos repensar e muitas vezes readaptar nossos procedimentos, nossas ações, e o próprio sentido de tudo.
Peço licença aos familiares, tanto do Dedé Castellano como do Jair Ribeiro, para expressar não só, e outra vez, meus sentimentos, mais igualmente escrever como quem já experimentou duas vezes o caminho pesaroso desta sensação.
Não há qualquer dúvida que a maior dor é a perda de um filho. E aqui se inverte a ordem natural dos fatos. É exatamente aqui também que a sensação de que nada mais tem sentido ou de que tudo é muito simples, com folhar um livro, se manifesta mais apropriadamente.
Não existem palavras, conceitos, afagos ou qualquer atitude que possa compensar o que esta faltando. Claro que os nossos e entre nós repartiremos a dor, numa extremada reunião de forças e repartição de angústias como fazem os pássaros migratórios.
Definitivamente não acharemos uma explicação que nos conforte. Simplesmente seguimos o nosso caminho com a imutável sensação de que parte de nós também já não está mais aqui.
Para isso também chamam de vida; sim a nova vida que se inicia a partir de uma lamentável, sempre injustificável e certamente intempestiva perda.
LED ZEPPELIN
Se fosse entrevistado e me perguntassem qual o som que me acalma, diria, sem pestanejar: ouvir Led Zeppelin no volume mais alto possível.
O Led Zeppelin fez sua última apresentação no final da década de 70, quando John Bohan, o baterista, passou para o andar superior.
Praticamente trinta anos após a extinção do grupo, agora, no final do mês de novembro, em Londres, haverá uma apresentação especial, com Jason Bohan no lugar do pai, para 20 mil privilegiados.
Quando na página da internet se deu inicio ao processo de habilitação para o sorteio dos ingressos disponíveis para este espetáculo, a notícia dá conta que mais de 120 milhões de pessoas tentaram se inscrever para participar do referido sorteio. E diga-se: a inscrição era para ter direito de ter o direito de adquirir um ingresso! Vocês podem imaginar o que é isso?
Confesso que fui um dos inscritos; falei para o Micka se inscrever também. Não recebi qualquer notícia sobre minha habilitação. Não a esperava mesmo, porque em sorteio me lembro que somente ganhei certa vez uma panela de pressão. Não dou a mínima sorte nisso.
Mas tinha que arriscar. Não pude deixar de imaginar Rain Song ou Immigrant Song ou mesmo qualquer contra, de qualquer álbum, ser tocada por eles na minha presença.
Espero uma turnê. É difícil, mas já existem rumores, pois, não seria justo com, no mínimo, 119 milhões 980 mil pessoas, que ansiosamente esperam um encontro.
STEREOGRAMA, GRATA REVELAÇÃO
Domingo à noite, sem objetivos traçados, estava naquela luta incessante de trocar de canal a cada meio segundo, quando me deparei com algo extraordinário: uma competição entre bandas pelo canal MTV, ou Toshiba Planet Banda Antes.
Até ai tudo bem. Porém, entre as quatro finalistas estava uma com o nome de Stereograma. Nada que me chamasse atenção, até que nas informações sobre o programa, era observado que tal banda tinha origem numa cidade do Rio Grande do Sul chamada Lagoa Vermelha.
Bom, aí me senti “graúdo”; mas pensei: não pode ser, de Lagoa Vermelha e eu não sabia. Mais, quantos não sabiam da participação desta banda, desta competição, da ascensão dessa gente nossa, que estavam na iminência de se apresentar em rede nacional, em horário nobríssimo?
Fiquei nervoso. Arrumei-me na cadeira e passei a torcida feroz. Já imaginei: tomara que não tenha nenhuma “treta”, que todos joguem limpos e honestos, pois, não é só porque somos de uma cidade pequena, do interior, que vai haver “ingerência externa”. Pelo menos é para isso que eu torcia.
Ainda estava pensando como é que tal situação não foi divulgada (ou será que eu estou por fora mesmo?), para que todos pudessem torcer numa corrente única, a primeira concorrente entrou no palco. Esforçados, mais fracos, uma dupla, rap ou hip hop, não sei o certo.
A segunda concorrente se tratava de uma banda interessante, paulista, já conhecida de um dos jurados, o Japinha do CPM 22. Deu-me um pequeno receio. Banda Paulista, evento em São Paulo, conhecida de um dos jurados. Sabe como é...
Mas quando a banda de Lagoa Vermelha se apresentou, pouco depois de fazer uma pequena referência quanto a sua torcida, que estava reunida no Bertoldão (o amigo Oldengar deve ter ido ao delírio com esta propaganda em rede nacional de forma gratuita), fiquei abismado com a capacidade musical. Um rock and roll de altíssimo nível, com batidas firmes e extremamente contagiantes.
A última banda, após a apresentação da Stereograma só cumpriu carnê. O resultado não poderia ser diferente: nossos conterrâneos foram os vencedores.
Parabéns ao Leonardo Mezzomo, ao Fabiano Boschetti e ao Matheus Moresco, ou ao Stereograma.
A SUTILEZA
Na sociedade, como razão e conteúdo dos relacionamentos, existem paradigmas que sustentam, dando guarida as mais comezinhas regras da própria convivência.
Tais paradigmas são vistos muitas vezes como ícones, com ídolos e também como reguladores e orientadores na caminhada desta mesma sociedade.
Ninguém pode ser Jesus Cristo (apesar de alguns pensarem ao contrário), mas, e principalmente, os que são parâmetros e pontos de referência na convivência social devem sim manter uma postura condigna com a qual a própria sociedade os reconhece.
Paradigmas religiosos não podem retratar posicionamentos contrários ao que o sermão indica. Lembro de Michel de Montaigne, em “Ensaios – da Vaidade”, em que retrata a hipocrisia dos homens: faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço.
Aliás, o campo religioso proporciona muitas reflexões. O que indicar e encaminhar a diversos jovens que recebem a hóstia, ou pela primeira vez o sacramento da Eucaristia? Há confissão prévia, onde esses jovens, muitas vezes crianças, são questionados sobre seus pecados. Como deve agir o condutor desta cerimônia?
Claro, a ritualística encaminha os passos. Mas como abordar uma criança sobre a existência do pecado? O que é pecado? Quais as perguntas chaves para esta indagação, uma vez que não podemos olvidar os ensinamentos de Michel de Montaigne?
Feliz Natal a todos aqueles que, pacientemente, me acompanham todas as semanas neste espaço.
UMA CONTINUAÇÃO
O ano novo chegou e tudo absolutamente segue sua marcha natural, como que simplesmente uma troca de mês. Não se manifestou qualquer milagre, os acidentes de trânsito continuaram ascendendo, os fogos em Copacabana não falharam, as contas do mês estão chegando, tornando tudo, absolutamente, igual.
Muitos acreditam que a “virada de ano” sugere transformações, uma nova vida, novos caminhos traçados, etc. Eu, sem buscar qualquer desânimo, nunca consegui vislumbrar nada de diferente, nem mesmo a sensação de que com o término de dezembro e o nascimento de um novo janeiro pudesse florescer algo diferente do que já teria ocorrido no mês anterior. Talvez me falte sensibilidade ou até mesmo carga espiritual na condução deste raciocínio. Talvez.
Entretanto não serei o estraga-prazer daqueles que acreditam enfim numa mudança. Mas não deixo de achar no mínimo estranho as simpatias, as superstições ou mesmo as mandingas dos “feiticeiros de plantão”.
Mas, sob outro prisma, que não é (ou poderia ser) o de The Dark Side Of Moon, como censurar os que acreditam nisso tudo e fazem disso tudo a própria razão? Claro que vale a pena estar conectado e acreditar em algo, mesmo que impalpável, pois, dentro do aspecto prático, é só seguir a condução do catolicismo.
Mas seguimos o baile, por vezes com a mesma música por vezes necessitando aprender algum passo diferente. O certo é que estamos aqui e as ortodoxas regras da convivência em sociedade nos transmitem os “ensinamentos” que devem ser seguidos.
Alguém poderá discordar do regramento, mas ai será dito louco. Isso seguirá até esta discórdia se tornar lógica, quando todos louvarão o gênio.
Como sabemos, é assim que as coisas funcionam.
FLAUBERT E O GLORIOSO
Muitos pensamentos vagam de forma até desordenada na constituição da sinapse, especialmente quando retomamos a marcha natural de nossa vida.
Toda a noite na companhia de Madame Bovary, obra clássica de Gustave Flaubert, auxilia de forma eficaz a lapidação do sentimento e a expectativa do repouso.
Nesta conjunção de elementos, de forma inevitável, nascem idéias e se posicionam metas, que podem (ou não) ser colocadas em prática a partir do novo ciclo que inicia.
Na mesma esteira, acompanhando uma breve discussão sobre liberdade, não pude deixar de perceber o quanto a contradição se instala, como ácaros, no seio das frases proferidas.
Flaubert explora como poucos o exato sentimento de afirmação enquanto fato e de contradição enquanto criatura. E, não se desapercebe os aplausos (ou mesmo a falta desses) na alegria do encerramento e na exatidão do vácuo que permaneceu.
A luta ingrata do querer, do precisar em detrimento da inércia ou da estagnação prática, sugere reflexões que irão, de certa forma, aprofundar fundamentalmente a própria razão da existência e da felicidade.
Diante de tais premissas, como grande acontecimento deste início de 2008, podemos citar a nova taça que servirá de adorno junto a já carregada galeria de conquistas do glorioso Colorado.
Tudo faz parte da mesma engrenagem, mesmo que alguns teimem em negar.
DIRECIONAMENTO
Li dias atrás (acho que foi Lauro de Oliveira Lima) a seguinte frase: “No fundo, salvo os gatos pingados românticos do “bom selvagem”, todos os que tentam influir no comportamento humano (pais, professores, padres, pastores, treinadores de pessoal, polícia, jornalista, burocratas, médicos, etc), pensam em educação da mesma forma que o amestrador pensa em relação aos animais selvagem...”.
Lembrei-me de Rousseau, para quem “a natureza é boa – a civilização que é má”, ou “o homem nasce bom, mas a civilização o corrompe”. Para Rousseau, igualmente, as pessoas do campo são espontaneamente boas, simpáticas, acessíveis, tranqüilas, enquanto as das cidades perversamente más, tornando a civilização, criada pelo intelecto, “perversa e pervertedora”.
Qual o verdadeiro motivo que sugere, comprovadamente, que a civilização é má? Porque quanto mais longe da civilização mais as pessoas são boas e acessíveis?
O homem é fruto de seu meio. A civilização o leva para caminhos pervertedores, com os quais, uma vez inacessível a condição, permaneceriam bons.
Da premissa, quanto mais civilizados mais perversos e maus seremos. É a lógica. A contradição se estabelece com uma clareza meridiana. Não conseguiremos fugir desta ordem.
O homem do “campo”, ou criado neste mundo, tem o maior prazer em receber ou retribuir um simples cumprimento. O da cidade - quem pode negar? -, o cumprimento quase sempre está regado de outras intenções. Será que é assim mesmo?
Claro que a indagação é muito profunda, e não será, em duas ou três frases, que o assunto será enfrentado de maneira precisa e necessária.
Poderá ser diferente, mas acho que o francês tem toda razão.
COMPANHEIROS
João Luiz Woerdenbag Filho ou simplesmente Lobão, numa de suas canções, na intrigante década de 80, disse: “(...) um café, um cigarro, um trago, tudo isso não é vício, são companheiros da solidão (...)”.
Muitas vezes, em situações diversas, lembrei-me da frase do Lobão, fazendo qualquer referência ou mesmo relação abstrata com as próprias nuances que envolve a existência.
Poderia acrescentar outros dois companheiros: um chá e um livro. E a combinação do chá com o livro, juntamente com o leitor e bebedor, já é quase formação de quadrilha.
Mas, voltando - não lembro se já escrevi isso, Renato Russo disse que o “mal do século é a solidão”, enquanto Cazuza afirmou: “solidão que nada”.
Agora, ninguém explorou o tema com maior propriedade que Lupicínio Rodrigues, que buscou (e conseguiu) traduzir a essência desta ingrata batalha.
O que me interessa para o momento, verdadeiramente, é o chá. Companheiro, principalmente, de diversas noites frias, após uma, não na verdade umas taças de vinho tinto seco. Traz consigo um componente que habilita o raciocínio dentro de um contexto embaçador, especialmente, como eu, dentro da condição de míope.
O chá deve ser eleito o “grande companheiro”, pois a partir dele as condições se propagam, os caminhos cortam as encruzilhadas e resplandece o saber.
Não posso acreditar que você não toma chá, ou sugere que tal condição somente poderá se manifestar enquanto estiver “doente”. Definitivamente você não sabe o que está perdendo, ou definitivamente eu estou sem assunto para escrever.
Ao sentir de tudo isso, sem medo de errar, solidão mesmo é deixar o Nilmar sozinho no ataque. Isso não é digerido nem mesmo com chá de hibiscus.
SABEDORIA
Sábado passado em visita a minha querida avó Elza, entre uma cuia e outra de chimarrão, tia Maria lascou a seguinte frase: “a semana é praticamente resumida em dois dias: segunda e sexta, porque os demais nós nem percebemos”.
Tal afirmação me deixou mais intrigado do que já sou com relação ao tempo. Será mesmo que somente percebemos o início e o fim da semana? Segunda-feira é terrível, nada está em seu lugar; sexta-feira é animadora, a perspectiva do dia seguinte. Mas e o saldo?
Fracionar o tempo foi uma idéia não só inteligente como necessária. Calma, quando digo fracionar é colocar as “coisas” em ordem (ou fora de ordem): minutos, horas, dias, etc.
Se praticamente não percebemos os dias restantes, o que será deles? O que será de nós, que conseguimos resumir sete em dois? Acho que também por isso o tempo definitivamente voa.
Mas neste vôo somos passageiros ou tripulantes? Somos condutores ou conduzidos? Somos da primeira classe, da segunda, ou, quem sabe, ainda nem embarcamos?
O tempo é algo muito interessante. Disseram alguns que noutra época o tempo “passava mais devagar”; disseram outros, que o tempo passava mais vagarosamente porque a vida era em primeira marcha. Que a tendência sugere um aceleramento, como acontece literalmente em acidentes de trânsito, no desmatamento, na violência urbana e rural, no caminho da ausência de água, na propagação do fogo, enfim, no comprometimento irreversível da rota da história.
Após esvaziarmos muitas vezes a cuia, o que inevitavelmente promoveu o aceleramento e a eficaz manifestação do aparelho urinário, permanecemos todos imersos dentro de assuntos variados, mas, sob o sagrado manto do tempo, em vista que a hora do almoço já tinha chegado novamente.
DEPOIS DO CARNAVAL
Ingressamos na quaresma ou no período de quarenta dias que antecedem o ponto máximo do cristianismo: a ressurreição de Jesus Cristo.
Segundo a CNBB, na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material. Os zeros que o seguem significam o tempo de nossa vida na terra, suas provações e dificuldades. Portanto, a duração da Quaresma está baseada no símbolo deste número na Bíblia. Nela, são relatadas as passagens dos quarenta dias do dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias de Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, dos 400 anos que durou a estada dos judeus no Egito, entre outras.
Hoje, diferentemente de outras quaresmas, a obrigação de jejuar no período caiu em desuso; já a do peixe é fixada na sexta-feira santa. Particularmente, especialmente quanto a isso, pedindo de antemão escusas, acho tudo uma grande bobagem.
Aliás, o questionamento vem desde a oralidade no nascituro dos evangélicos e na seleção destes, que ocorreu conforme o entendimento e o interesse dos selecionadores. Ou será que todos foram indistintamente relacionados ou mesmo narrados na fidelidade com que eram apresentados? Claro que não. Os interresses, a condição de humano sobrepôs e direcionou qualquer relação.
E as indulgências? E a caça as bruxas? As cruzadas, a inquisição? Não se pode negar isso.
O espinhoso caminho de confronto entre a crença e o desconhecido, faz com que o receio deste sugestione continências pendentes de razão.
A dúvida é o caminho. O prato feito é a digestão pré-fabricada.
A ARTE DE ESCREVER
O homem sempre se utilizou da simbologia para sua comunicação, passando por imagens, desenhos, pinturas até culminar com as letras ou o alfabeto propriamente dito.
Graciliano Ramos, sobre esta arte, faz nascer um pequeno texto:
"Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes.
Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota.
Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer." Por isso, aqueles que aventuram (como eu) na escrita deve ser o mais objetivo e direto possível, dentro das características e nuances do fim determinado para a própria escrita. E neste ponto, reside a maior dificuldade.
Perfumarias nada mais são do que ouro falso, que absolutamente não servem para nada.
Sejamos na vida menos prolixos e mais eficazes no entendimento, na razão e na objetividade que deve imperar.
OAB X STJ
A partir da devolução por parte do Superior Tribunal de Justiça (STJ) da lista sêxtupla encaminhada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da qual deveria ser escolhidos três dos indicados para seguir o processo de escolha de um novo Ministro, fez nascer uma crise institucional sem precedentes na matéria.
Esclarecendo de forma sintética, conforme reza a Constituição da República, um quinto dos Ministros do STJ será composto por advogados. Os requisitos são: ter mais de trinta e cinco anos de idade e menos de sessenta e cinco anos de idade e também a comprovação da efetiva atividade profissional por mais de dez anos (objetivos); de notável saber jurídico e reputação ilibada (subjetivos).
Vencidos tais requisitos, o Conselho Federal da OAB remeteu ao STJ a lista contendo os seis nomes dos advogados indicados. Este, por sua vez, em decisão inédita, devolveu a lista para a OAB, sob o argumento de que nenhum dos indicados obteve a votação mínima para dar continuidade ao processo.
Tal posição do STJ se manifesta de uma gravidade sem precedentes, devendo, primeiramente, ser feita a seguinte observação: tendo os nomes sido levados ao plenário da Corte, restam satisfeitos e aceitos por esta os requisitos objetivos e subjetivos das indicações; segundo, o STJ, caso entendesse que um ou mais indicados não preenchiam os requisitos constitucionais poderia fundamentar tal condição, a fim de que a própria OAB e o indicado tomasse conhecimento e viessem se fosse o caso, apresentar o devido contraponto.
Mas não, em claro atentado e infração a uma prerrogativa constitucional da OAB, o Tribunal Cidadão recusou a lista sêxtupla, com o objetivo de usurpar a competência de escolha, pois, conforme bem exposto pelo relator do caso perante o Conselho Federal da OAB, dr. Valmir Pontes Filho, “(...) isso implica em assumir o Tribunal, ainda que indiretamente, a titularidade de uma prerrogativa que a constituição conferiu a outra entidade (...)”.
A OAB, não aceitando evidentemente a atitude do Tribunal, o qual, aliás, nem ao menos motivou seu posicionamento, após decisão de seu Conselho Federal, devolverá a lista ao STJ exatamente como foi remetida primitivamente, sem qualquer alteração.
Ao STJ cabe respeitar a constituição e seu regimento interno, ou seja, em face da lista sêxtupla enviada reduzi-la para lista tríplice, realizando tantos quantos escrutínios forem necessários.
Deste episódio infeliz, mais uma vez, onde se constata a tentativa de ingerência – por linhas tortas – nas atividades institucionais dos advogados, não tenham dúvidas que estes sairão mais fortalecidos do que nunca.
CAMPO DAS IDÉIAS
Está nascendo um novo período eleitoral e, com este, retornando à baila todas as mesmas conversas, os mesmos ataques, as velhas mesquinharias, a gratuidade de ações, o desrespeito e também a falta de educação.
Como disse Raul outrora: “a história é a mesma aprendi na quaresma”. Pois a história é sempre a mesma. As atitudes são pontuadas em ações de natureza oral/bélica. E as esferas estão todas contaminadas, exatamente porque é assim que tudo funciona.
José Ingenieros em El Hombre Medíocre tem espaço nesta escrita. Como disse se tratam de homens pragmáticos, que em seu mundinho (renovado também a cada eleição) simplesmente reproduzem e vegetam. São homens que se recusam a sonhar.
Acho graça da maioria das afirmações, até mesmo porque de raiva não irei chorar. Até acho que aprecio os embates, todos de uma inteligência e de uma perspicácia pouco atingida pelos ouvintes ou leitores. Somos todos idiotas e nem estamos percebendo o joguinho de gato e rato. Ninguém se deu conta dos verdadeiros objetivos ou mesmo de quem está por trás de toda a ladainha.
Definitivamente, como afirmou Ingenieros: “muitos nascem, poucos vivem”. E muitos que vivem o fazem para encher os ouvidos dos eleitores com papos furados, que nada mais são do que frutos de árvores de seus mundinhos.
Mas aprecio algumas afirmações. Posso referir com um apelo especial, quando este ou aquele, na desenfreada necessidade de desengasgar inutilidade, fala, fala novamente e fala outra vez. Porém, não diz absolutamente nada, pois, no máximo, renova as ações que já foram apresentadas no período eleitoral anterior.
Este é o nosso mundo e quem sabe não só o nosso.
PESSOAS
Fidel está moribundo, pois a menos que eu esteja desinformado, ninguém é eterno. Mas, inegavelmente sua figura, como a de Guevara, ficará para posteridade.
Chama atenção o fato de que Castro é amado ou odiado. Inclusive aqui em nossa terra, como certamente nos mais longínquos espaços geográficos deste planeta, ocorrem diversas manifestações, para um lado ou para outro,
Os argumentos devem sempre ser respeitados acima de tudo. No entanto, oportunismo e manifestações tendenciosas, alimentada por um radicalismo tanto da esquerda quanto da direita, comprometem toda a idéia e a própria discussão.
Claro que Cuba não é uma maravilha; na época de Batista igualmente não era. O próprio Brasil, a Argentina, o Chile, entre tantos outros países que viveram sob regimes autoritários igualmente ainda lambem e buscam cicatrizar as feridas deste período.
A extinta União Soviética, o bloco comunista europeu, todos tiveram seus revés. O capitalismo se manifestou, dentro do contexto geral, “menos ruim” que qualquer outro regime havido simultaneamente.
Agora isso não autoriza desmerecer, desqualificar ou desconhecer tudo o que foi produzido de bom, por exemplo, em Cuba. A educação e a medicina são referências mundiais. O esporte cubano sempre esteve à frente de muitas potências econômicas. Isso são fatos que devem e merecem ser reconhecidos.
Por outro, igualmente não por ser olvidado, que os EUA, por exemplo, é considerado o baluarte da liberdade, das garantias e do sinônimo de riqueza. E realmente é isso mesmo. Só que, como nos outros lugares há situações conflitantes ou desagradáveis.
Pode alguém esquecer (acho até que pode) das prisões de Guantánamo, província ao sudoeste de Cuba? Para rememorar lá está localizada uma base militar ianque, onde são alimentadas prisões secretas, ilegais e sem qualquer direito de defesa aos reclusos. Este procedimento, os quais somente foram vistos nas ditaduras mais ferozes, são promovidos pelo EUA, onde a liberdade é a tônica.
Assim, vamos apresentar manifestações coerentes, equilibradas, dando conta do que foi produtivo e do que absolutamente se tornou um desastre.
TRANQUEIRA
Não gosto do Diogo Mainardi, porque conforme Luiz Nassif disse na última Caros Amigos, não passa de “produto de fabricação prévia da mídia”. Mas aprecio muito a Lia Luft (poucos traduzem o cotidiano como ela), o André Petry e principalmente o Roberto Pompeu de Toledo. Assim, apesar da revista Veja arder de tendenciosa, no contexto, ainda merece ser lida.
Mas o assunto é outro. É exatamente a “opinião pública midiática”, ou aqueles que apresentam suas conclusões a partir da absorção do que outros falaram ou escreveram. Será que é possível definir juízos pela boca ou pela caneta alheia?
Uma situação desagradável, a qual pode servir de exemplo, é quando ouvimos ecos de notícias, muitas plantadas conforme o interesse, sem que o sentido seja perseguido.
E isso que não falamos da destruição pela mídia da honra de muitas pessoas, onde, após comprovado o “erro” o remédio é uma pequena nota no rodapé da página, enquanto a doença foi apresentada em notícia de capa com diversas páginas que a sustentaram.
É injusto isso. A pessoa é massacrada pontualmente e depois o reconhecimento do erro é faraonicamente desproporcional, quanto efetivamente este ocorre.
Então vamos pedir piedade para aqueles que não têm opinião, para todos aqueles que buscam na cópia a sua vida, enfim para os pobres de espírito que já nascem com cara de abortados.
A esses, como dito pelo original outrora, na mais verdadeira cópia, agora por mim, não tiro o meu chapéu.
GRANDE GABEIRA
O Fernando Gabeira é o cara! Será candidato a prefeito no Rio de Janeiro e ataca com idéias revolucionárias. Antes disso, merece ser rememorado, que Gabeira preenche os requisitos para ser candidato ao cargo que pretender. Daí já se manifesta sua condição diferente.
Mas a “revolução” do Gabeira se concentra em alguns pontos que, uma vez estabelecidos, comprometerão toda a viciada estrutura dos sempre candidatos.
A primeira idéia é não promover nenhum ato que venha a causar poluição na cidade. Poluição de qualquer ordem, inclusive visual; a segunda, a transparência na apresentação das contas de sua administração, inclusive disponibilizando-as na internet (fato que ocorre hoje, por exemplo, com a Seccional da OAB/RS); terceiro não utilizar o cargo ou do cargo para oposição as demais esferas de governo; quarto e mais importante não aceitar indicações políticas para a formação de sua equipe de governo. O que acharam? O Gabeira está louco?
Não, senhores e senhoras, o Gabeira não está senil. Está propondo a maior revolução na forma de administrar, ou seja, de convocar somente pessoas para compor seu governo a partir da competência; esquecer os conchavos, as promessas de emprego, enfim toda aquela teia de vinculações que não finalizam em bem administrar, mas sim em ganhar a eleição e permanecer vinculado a uma infinita gama de “terneiros mamões”.
Não parece terrível a idéia do deputado Gabeira? E será extremamente danosa a todos que não passam de aproveitadores, governo após governo, emprego após emprego, trocando de partido pela conveniência, etc, etc.
Viva o Gabeira, que desde a tanga de crochê vem surpreendendo o Brasil.
BIG BROTHER
Chega ao fim mais uma edição do reality show Big Brother Brasil. Para quem você torceu? Você se irritou, deu risadas, chorou, fez alguma relação com sua vida, enfim se identificou com este programa? Não? Então você faz parte da minoria e como tal deve ser louvada.
Houve, certa vez, a tentativa de sustentar um reality show, nos moldes do BBB, só com participantes intelectualmente reconhecidos. Qual o destino do programa? Cancelado. A grande maioria dos telespectadores não suporta conversas ou questionamentos que venham a fazê-los, no mínimo pensar. Por esse motivo, a única forma do sucesso é remeter para a “casa” pessoas de poucas luzes, que na verdadeira se proponham a se apresentar como num picadeiro de circo.
É certo ou o errado, não interessa. O que é levado em conta, como não poderia ser outro o objetivo do negócio, é o lucro. E este virá do estímulo, na forma de massacre, da propaganda em volta do programa. Assim, não interessa o conteúdo, mas sim a visualização dos fantoches. Claro, fantoche que serão recompensados: com o nu “artístico”, com propagandas, com participação em festas, em programas de televisão, novelas, ou sobre tudo aquilo que der o retorno do lucro. É o mercado e para isso a empresa joga o seu jogo.
Fico imaginando se a proposta fosse realmente a discussão sobre assuntos que tivessem o mínimo de relevância. Não digo a guerra do Iraque, o Osama, os cartões cooperativos, a corrupção nos governos, a novela das oito, o penteado da Fátima Bernardes, porque seria muito profundo. Mas discussões de cunho prático, com uma pitada de estímulo quanto à melhoria de nossa convivência, fato, aliás, que é da proposta do programa. Claro que estou sendo utópico, para não dizer ingênuo.
Entretanto, poderei não ser o único sonhador. Poderei ao menos ter o direito de dizer que a emissora de televisão responsável pelo programa retira, em um único “paredão”, todas as despesas, incluindo os prêmios aos participantes. Belo negócio, não é? Perfeito ao mercado e aos que lucram.
Que ao menos não se tenham desesperos, porque o ano que vem tudo voltará, com personagens novos e trilha idêntica.
EXORCISMO
O exorcismo (do latim exorcismu), ou “ato de fazer jurar” designa o ritual para “expulsar os espíritos malignos” ou enfrentar a possessão demoníaca.
Não pretendo ingressar no âmago desta matéria, primeiro por desconhecimento do básico e segundo, talvez pelo próprio desconhecimento, não reunir forças para sustentar a crença.
Mas em tese, sem qualquer desrespeito, estive pensando em quantos deveriam ser exorcizado para que seus “demônios sejam expulsos?”
Esse garoto de dezesseis anos de idade que confessou a morte brutal e banal de doze pessoas, podendo o número chegar a vinte ou mais; quem será essa pessoa? É realmente uma pessoa na acepção da palavra? O que faz isso acontecer?
Tenho a mesma dificuldade em acreditar que isso seja possível e, ao mesmo tempo, aceitar que tal atitude venha de nossa espécie e, ainda mais, de um jovem.
Não quero ingressar na seara da menoridade penal, do direito comparado ou da legislação ineficaz, porque sobre isso já cansei de expor aqui mesmo nesta coluna minha opinião. Interessa-me hoje é buscar um fiapo de explicação racional para tudo isso.
Confesso que não consigo encontrar nada que me aproxime de uma explicação. Quem sabe a razão não esteja na necessária apresentação do ritual que expulsa a “possessão”?
Começo a querer acreditar que a única explicação com um mínimo de plausibilidade esteja no campo espiritual, pois, em qualquer outro me foge a capacidade para tanto.
SEM EXPLICAÇÃO
Dentro da série daquilo que foge da racionalização de uma mente sensata, deparamo-nos todos com o Caso Isabella. O que poderá ter acontecido? Quais são os reais culpados pela perda precoce desta menina? A menor foi instrumento de vingança? Houve prazer? Consolidou-se um ciclo?
Já disseram que a maldade não pode ser extirpada da humanidade, entretanto poderá ser controlada. Neste hiato padece a pequena Isabella, com cinco anos de idade e uma carinha de boneca.
Crimes havidos a partir de um enfrentamento; de um sério embate; de lapsos sentimentais, mesmo inaceitáveis, são, ao menos, passíveis de uma explicação lógica; nesses casos haverá sempre uma relação entre abatido e abatedor.
Agora em situações como a dessa menina, onde a torpeza se apresenta no estado mais primitivo, sórdido, hediondo, infame, não há por certo qualquer explicação.
Quem sabe a psicologia aliada a patologia psíquica poderá vir, em tese e por teses, sustentar o procedimento. Servirá para degraus de graduação acadêmica. Mas isso é muito pouco em face das conseqüências desta mente doente.
Arremessar a menina por um buraco aberto na rede de proteção da janela do apartamento é de uma crueldade imensurável. O criminoso não ficou satisfeito com as torturas preliminares (havia sinais de espancamento e possível asfixia mecânica) e tentou, além de possivelmente buscar a descaracterização do local do crime, terminar seu ato animalesco.
Estou, mais uma vez, apavorado com o que nós, ditos humanos, somos capazes de fazer.
INDENIZAÇÕES AOS PERSEGUIDOS
Recentemente o cartunista Jaguar e o escritor e chargista Ziraldo foram alçados à lista dos beneficiados pelas ações ocorridas nos anos de chumbo. Ambos receberão mais de 1 milhão de reais (cada um) em indenização e pensão vitalícia na ordem de R$ 4 mil mensais. É mais uma decisão da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça.
A justificativa para os pagamentos foi a perseguição pela ditadura ao semanário pasquim onde trabalhavam. O julgamento do “caso” ocorreu na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).
Sobre os fatos, Gabeira, efetivamente perseguido e exilado, abriu mão de qualquer indenização. Millor, pontual e sensato – o que causou surpresa -, alegou que ambos os contemplados não estavam lutando por um ideal, mas sim fazendo um investimento.
A causa foi justa. As atitudes reacionárias, ilegais, injustas e criminosas do regime são desprezíveis. Agora, os critérios (os quais desconheço) que regulam quem têm direito as indenizações e as pensões mensais parecem de uma subjetividade atentatória ao bom senso.
Alguns estão chamando de bolsa-ditadura e Ziraldo, contrapondo e defendendo o seu lado, sustentou que os críticos tomavam café com o regime enquanto ele teve a coragem de “botar o dedo na ferida” dos militares.
Parece-me que a bravura cívica que aparentemente sustentava a muitas vezes ingrata investida contra ditadura desaparece com esses atos. Todos os que viveram esta época, desde o nascituro até o ancião, e que se resignaram contra a arbitrariedade são vítimas. Mas, nem por isso devemos deixar ultrapassarem os ideais, o sentido de nossas ações, as mortes, as torturas, a partir do recebimento de indenizações que nada mais traduzem do que o pagamento por atitudes que ocorrera – ou deveriam ocorrer – dentro de uma conotação ideológica da mudança.
Haverá as exceções certamente, as quais, outra vez, somente virão a confirmar a regra.
GRANDE LAGOA VERMELHA
Em meio a uma pesquisa me deparei com uma notícia que me deixou boquiaberto: a primeira magistrada brasileira tomou posse como juíza/pretora na comarca de Lagoa Vermelha, no ano de 1951.
Segundo o jornal O Judiciário em reportagem especial sobre o Dia Internacional da Mulher, edição de março de 2007, Thereza Grisólia Tang nasceu em 10 de fevereiro de 1922 em São Luiz Gonzaga, no Rio Grande do Sul. Trabalhou como advogada e tornou-se a primeira magistrada brasileira ao tomar posse como juíza pretora na comarca de Lagoa Vermelha.
Exatamente no dia em que a Ministra Ellen Gracie transmite o cargo de Presidente da Suprema Corte brasileira, após ser a primeira mulher a atingir o cargo máximo da magistratura, acolho a informação que a primeira juíza do Brasil tomou posse em nossa cidade, sim aqui na “pequena” Lagoa Vermelha.
Os mais antigos principalmente os juristas aqui de nossa terra, devem lembrar o fato, o qual, sem dúvida, deve ter causado espécie não só no meio forense como na população em geral.
Mas a dra. Thereza Tang não parou. Foi ainda a primeira desembargadora do Estado de Santa Catarina, assumindo como Vice-Presidente do TJ/SC no ano de 1987 e como Presidente no ano de 1989.
Hoje, com 85 anos de idade, segundo a reportagem, lembra de um fato ainda no início de sua carreira como advogada: quando estava trabalhando em um caso de tentativa de homicídio de um homem adúltero, foi questionada por um gaúcho típico: “você também veio ver a mulher advogada? Eu não acredito que vá dar boa coisa...”.
Certamente eram outros tempos, mas que fica uma pontinha de orgulho para a nossa terra, a partir do conhecimento de que a pedra inicial da magistratura feminina aqui formou seu embrião, ah isso fica.
AINDA SOBRE O “CASO”
A imprensa informa que 98,2% da população brasileira têm conhecimento do “caso Isabella”. Ao que parece não haveria como ser diferente, pois é um massacre de informações diárias em todos os canais de televisão, nas rádios e nos jornais. As rodas de conversas são necessariamente alimentadas pelas notícias deste fato que é o mais emblemático dos últimos tempos.
Acho que a imprensa faz o seu papel, especialmente em face dos contornos e da crueldade que norteiam o ocorrido. A cada dia, a cada nova prova apresentada, mais ainda o cerco fecha sobre o pai e a madrasta da infeliz menina.
Mas algo me chama a atenção. Até a realização dessa coluna ainda não havia informação sobre o encerramento do inquérito. Somente indícios de que o mesmo seria “fechado” na terça-feira ou na quarta-feira desta semana.
Pois bem, ao que lembro um diretor da polícia civil informou para um mar de reportes e de microfones que ambos já estariam indiciados. Ainda, que antes do término do expediente policial, outras provas seriam realizadas, com de fato o foram: reconstituição, novos depoimentos, perícias.
Se a convicção pela culpa do casal restava uniforme, por qual motivo a realização de novas provas? Haveria alguma dúvida ainda? O rumo das investigações sofreu alguma alteração? Mais ainda, pode ocorrer o indiciamento antes da conclusão do inquérito, ou este ocorreu somente “de boca” para acalmar os ânimos? E o pedido de prisão preventiva?
Absolutamente não ouso destoar dos fatos apresentados, porém igualmente permaneço sem algumas respostas.
Mudando de assunto, a partir do dia 12 de maio, na rádio Lagoa-FM, estará nascendo um novo programa voltado ao jornalismo investigativo; formato moderno e sempre com discussões sobre os fatos do momento. Aguardem.
UMA MÃE
Ao se aproximar mais uma comemoração quanto ao Dia das Mães (como se o seu dia não fosse todos os dias), peço licença, especialmente para a minha mãe, para homenagear uma em especial: a mãe de minha mãe.
Para quem não conhece a vó Elza, ela é mãe de sete filhos. Sua vida foi pautada pela retidão, pelo trabalho, pela dignidade, pela honestidade e pela sapiência, somente reconhecida aos grandes.
Vó Elza criou seus sete filhos com muito trabalho e sacrifício, a partir de sua profissão: lavar e passar roupas. Nunca perdeu o foco. Ao contrário, direcionou o caminho não só para os seus filhos como também para todos que tiveram a oportunidade de conviver ou ainda convivem com ela. Uma simples conversa já identifica a bondade e a genialidade desta senhora.
Vó Elza, à exceção de algumas visitas médico/hospitalares, cultiva um hábito: não sai de casa. Aliás, não sai dos contornos do lar faz aproximadamente trinta anos, quem sabe quarenta anos ou mais. É o jeito dela. É a opção dela.
Tal fato, no entanto, jamais intimidou as pessoas ou ocasionou qualquer resistência para que sua casa sempre esteja repleta de amigos e especialmente de familiares.
Sua casa é o seu mundo e seu mundo deveria fazer parte de todas as casas, ao menos – me perdoe a pretensão vó – para alimentar a esperança e a força dos guerreiros.
Nestas pequenas e simples palavras, em nome da minha vó Elza, trago a minha homenagem a todas as mães, em especial a todas àquelas que estão privadas do abraço de seus filhos, mas que como ninguém são as mais genuínas e verdadeiras heroínas.
Mais uma vez, não percam na rádio Lagoa-FM, no próximo dia 12 de maio, às 23 horas, a estréia do programa Realidade, um projeto de vanguarda no jornalismo de nossa região.
OAB/SUBSEÇÃO DE LAGOA VERMELHA
Na última sexta-feira, dia 9 de maio, estivemos – diretoria, conselheiros, advogados e amigos desta subseção - em Porto Alegre para confraternizarmos com a diretoria da seccional e também com os conselheiros estaduais.
Levamos a nossa carne, nossos espetos e, principalmente, nosso assador oficial, dr. Cassiano Castellano, que, mais uma vez, nos brindou com um excelente churrasco, não só pela sua habilidade reconhecida mas igualmente pela felicidade na escolha da carne.
Os membros da capital ficaram boquiabertos com tudo que era apresentado, chegando a unanimidade de que aquela foi a mais completa, mais animada (dr. Francisco Poletto no violão é garantia de sucesso) recepção já ocorrida no Galpão da OAB de Porto Alegre.
Ao mesmo tempo, renovamos o nosso pleito de erguer a Casa do Advogado, junto ao terreno que nos foi doado pelo município defronte ao prédio onde está sendo construído o novo fórum.
Para a nossa alegria e acredito que de todos os que torcem pela evolução de nossa sociedade, trouxemos na bagagem a garantia de que a seccional irá nos dar guarida financeira e logística para que mais esse sonho se realize.
Claro, devemos trabalhar com passos firmes e na cadência sugerida. Porém, o foco já foi estabelecido e a garantia já foi dada. Agora é só dar o encaminhamento devido.
Esta conquista (já posso chamar assim) é mais uma prova de que a união de toda uma classe somente traz benefícios e desenvolvimento.
Quem sabe, modestamente, as ações de união e conquistas da subseção da OAB de Lagoa Vermelha possam ser seguidas por tantos outros que visam, exclusivamente, o bem coletivo, esquecendo um pouco das vaidades pessoais.
Obrigado a toda a diretoria, conselheiros, advogados e amigos que nos acompanharam nesta vitoriosa jornada.
ACHO QUE VENCEREMOS O TRAJETO
Pretendia o anonimato, mas o Sinclair disse que eu deveria contar na coluna nossa aventura do próximo domingo. Correremos dentro da 25ª Maratona Internacional de Porto Alegre a Rústica de 10 km.
Estamos nos preparando a aproximadamente 30 dias, com corridas diurnas, noturnas e “tiros” de metragem específica com posterior recuperação.
Não conseguimos o ideal, mas o possível. Aliás, como disse, é uma aventura, sem qualquer objetivo (ou condições) de chegarmos entre primeiros lugares, muito longe disso. Acho, em cálculos otimistas, que poderemos estar entre os 100 primeiros, o que já é uma vitória, se considerarmos que o número de inscritos chegou a 865 atletas na rústica e no total de 4.000 mil em todas as categorias.
Bom, para dizer a verdade, acho que se nos chegarmos, independente da posição, já será uma vitória, para dois veteranos que debutam na atividade.
Agora, se a luz cósmica se alinhar à sorte e ao fôlego que ainda não adquirirmos, podemos sim fazer bonito.
Largaremos às 7 horas da manhã do próximo domingo ao lado do Parque da Harmonia, após quatro dias de ingestão de carboidratos e muita água mineral.
Mas, o importante mesmo será a nossa participação, pois, a intenção principal de tudo isso é, na verdade, o pontapé inicial na preparação para a escalada do Everest (com cilindro) em 2011.
SEU TIME AINDA É GRANDE?
Recebo interessante material do amigo Rui Barreto Júnior sobre uma reportagem que foi apresentada na última revista VIP sob o título: Seu time ainda é grande?
Para a resposta foram utilizados critérios como: pontos ganhos nos campeonatos brasileiros, público, convocação para a seleção, rebaixamento, título conquistado, tudo dentro e a partir da formula dos pontos corridos.
Nestas condições o ranking dos maiores times ficou assim definido: 1º - São Paulo, 2º - Santos, 3º - Internacional, 4º - Cruzeiro, 5º - Corinthians e Goiás, 7º - Atlético-PR, 8º - Fluminense, 9º - Figueirense, 10º - Flamengo, 11º - Paraná, 12º - Vasco, 13º - Juventude, 14º - Palmeiras e 15º Atlético-MG.
Também, considerando todos os itens, a NOVA ORDEM do ranking dos clubes brasileiros, agora classificados entre grandes, médios, pequenos e minúsculos, ficou assim: a) grandes: São Paulo, Cruzeiros, Internacional, Santos e Flamengo; b) médios: Corinthians, Fluminense, Palmeiras, Atlético-PR e Goiás; c) pequenos: Vasco, Figueirense, Botafogo, Sport e Náutico; d) minúsculos: Atlético-MG, Grêmio, Fortaleza, Paysandu, São Caetano, Coritiba, Paraná, Juventude, Ponte Preta, Bahia, Criciúma, Guarani, Vitória, Brasiliense, Santa Cruz e América-RN.
Confesso que é justíssima esta classificação, pois, respeita critérios plenamente justificáveis, na medida em que, leva em conta especialmente os títulos conquistados (dos estaduais até o mundial reconhecido), os rebaixamentos, o público que as equipes levam até o estágio e igualmente o número de atletas cedidos para o selecionado nacional.
Soma ponto o título conquistado. Perde ponto o rebaixamento. Critério incontestável.
Acho que estabelecido os novos critérios, reconhecendo todos os fatores e todos os locais por onde as equipes estiveram (umas no mundial de clubes organizado pela FIFA no Japão e outras no interior do Amazonas jogando a respeitável segunda divisão), cessam as discussões e estabelecem, pontualmente, que é quem no futebol brasileiro.
REPERCUSSÕES
Nada repercute mais do que escrever sobre futebol. Opiniões sobre política e religião igualmente sugerem debates, porém nada supera a maior das paixões da esmagadora maioria dos brasileiros.
Na coluna da semana passada apresentei uma matéria, extraída da Revista VIP edição de maio de 2008, sob o título: Seu time ainda é grande? Relatei fielmente os dados que compunham a matéria, sem retirar ou acrescentar nada.
O resultado da matéria desagradou o clube que possui a segunda maior torcida do Rio Grande do Sul, pois, segundo seus interlocutores, a história é maior do que o restrito período dos campeonatos por pontos corridos.
Como relatado, os critérios são bem específicos para a definição da colocação dos times, renove-se: times, não se questionando a instituição ou o clube.
Ainda, o próprio título da matéria define a questão, porque analisa o momento da equipe, a partir do início do campeonato brasileiro por pontos corridos (somente este está nesta condição) e os demais já relatados. Assim, a análise, como o próprio futebol, é pontual, é o momento, e por essa simples razão é irretocável a classificação.
O que eu mais aprecio é quando meus poucos, mas extremamente qualificados e até então fiéis leitores fazem a seguinte observação: se você escrever sobre futebol não leio mais a tua coluna!
Pedindo desde já escusas ousarei contrariá-los, pela simples razão de que tenho certeza que vocês nunca me abandonarão.
Dedico esta coluna a todos os observadores de plantão: Heloison Guarezi, Tobias Franciscon, Syrio Abrão, Sinclair Júnior, entre tantos outros.
ISSO É SÓ O FIM!
No desafiador momento de ter que enfrentar duas bombas de efeito sistemático e devastador, qual sejam, o time do Internacional e o governo Yeda, busco ar para conseguir sobreviver.
Quanto ao Glorioso espero serenidade aliada as atitudes devidas, especialmente para combater a hibernação que assola até os pilares do Beira-Rio. Ao contrário, mantida a fala mansa e o marasmo, ficaremos no estacionamento junto aos porões da tabela classificação, o que, certamente, não faz parte da nossa história. Mas, acredito em mudanças, simples, estratégicas e por isso eficazes, retornando o Celeiro de Asses ao seu lugar de direito.
Já no que diz respeito ao governo de nosso Estado tudo é tragédia, aliás, desde antes da posse da senhora Yeda. Não consigo entender, e perdoe-me a ignorância, o amadorismo do senhor Chefe de Gabinete. Até entendo que falava de “peito aberto”, “desarmado”, mas um “macaco velho” da política, sabendo com quem estava falando, deveria sim se precaver, ao menos, para evitar a emboscada.
Agora, os fatos são claros como um lindo dia de verão. Não haverá retorno e a dispensa dos seus préstimos articulatórios, e dos demais que “viajaram” junto, são ações inevitavelmente necessárias. A vida política do deputado Busatto, que estava até pouco tempo quieto junto ao prefeito Fogaça, chega muito perto do fim.
Quanto ao iniciante no meio, o senhor Vice-Governador, teve uma lamentável atitude. Não é digno, senhores e senhoras, trair seus pares. Não estando satisfeito com a situação, deveria buscar uma solução articuladamente política, sem que para isso tomasse atitudes comezinhas, incompatíveis especialmente com a posição que ocupa.
Não se está, absolutamente, afirmando que os fatos deveriam ser escondidos, mas, convenhamos quem já esteve no núcleo do poder, e outros mesmo na periferia, têm o pleno conhecimento de como “as coisas funcionam”. Não foi dito nenhuma novidade. A forma como tudo veio a público é nefasta, especialmente quando apresentada por quem faz sim parte do time.
Confesso que nunca tinha visto nada parecido, um gol contra de quem não consegue chutar! O paradoxo é exatamente o sentimento de milhares de eleitores que depositaram suas fichas na Governadora, que como outrora, não consegue sequer administrar a cozinha da própria casa.
Ah, eu não depositei minhas fichas nesta máquina caça níquel!