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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

PÉS DESCALÇOS

Vencida a requentada fase política de aproximações, distanciamentos, acusações, ditos vitoriosos e vencidos, alegres, espectadores e também expectadores, preocupados e nem tantos, retomamos ao ortodoxo cotidiano.

Penso em alguma novidade. Olhos para os lados e percebo a igualdade nas diferenças. Lembro de Steven Pinker no interessante Do que é feito o pensamento, onde busca na linguagem uma janela para uma possível explicação da natureza humana. As palavras como construção do pensamento. A vida atrás das cortinas labiais e da etimologia como ponto de partida.

No bate papo de terça-feira passada, junto aos grandes do programa da rádio Lagoa FM que vai ao ar neste mesmo dia sempre às 22h, retomamos passagens de Kafka, com rasantes sobre posições, escritas e frases emblemáticas. Não deixei de referir duas que reputo essenciais: a primeira do personagem em O Processo, onde após o questionamento sobre a declaração de inocência, o mesmo diz: inocente de quê? (não leu O Processo? Sugiro, então); a segunda, no leito de morte, já não aguentando mais tanta debilidade e comunicando-se somente através de bilhetes, flecha: mate-me, senão o senhor será considerado um assassino!

As palavras são tudo isso. Abrem-se ao vento e flutuam sobre o nada. O ser humano deve ser visualizado, deve ser “fiscalizado” sobre esta perspectiva. Eu acho, apesar do que perdi ainda não consegui encontrar.

O campo é minado, ou parafraseando Bandalheira: saca onde pisa meu chapa! E para pisar, nada mais apropriado que os pés descalços, onde a troca encontra o seu estado mais primitivo e também, sobretudo, onde a fonte das palavras encontra sua origem básica. Ou alguém tem dúvidas quanto a beleza dos dedos da donzela tocando a grama? Bom, isto é outra história.
NO FIM

Em sentido e no sentido oposto, cito Hemingway, para a razão do nosso outro sentido: “O vinho é uma das substâncias mais civilizadas do mundo, uma das coisas materiais levadas ao mais alto grau de perfeição e que oferece mais prazeres e satisfações que qualquer outra que se compre com intenções puramente sensoriais”.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

ESTOU PREOCUPADO E NÃO SOU O ÚNICO

O período é nebuloso, ultrapassando as consequências do vulcão chileno. Estamos preocupados, eu e muitos outros. As perspectivas não são animadoras.

São greves e mais greves no serviço público. Não passa uma semana que não venha a novidade de que determinado segmento está em greve, vai entrar ou o estado é desta ordem.

Tenho certeza que as razões são muitas, as reivindicações são consistentes, mas e nós, como ficamos? Precisamos aguardar uma posição jurisdicional para que ao menos uma parte da atividade esteja garantida; é paralisação em cima de paralisação. Ouvi um amigo: vão começar fazer greve de greve. Era exatamente o que faltava.

Pensei na greve dos lixeiros havida na Inglaterra à dois séculos, com extraordinário impacto na sociedade, quando, apesar da época, todos ficavam à mercê de um trabalho pouco reconhecido, socialmente desprezível, mas de uma importância fundamental, sobretudo sob o aspecto sanitário e de saúde pública.

A ferramenta é fundamental e deve sim ser utilizada. Contudo, os limites devem ser respeitados. Há uma categoria que nem bem terminou uma greve e já começou outra, talvez por outro motivo, ou por motivos requentados, mas são duas greves num curtíssimo período. E falo de serviço essencial. Isso não pode continuar.

Estou especialmente preocupado. E não estou sozinho. Onde está a ação pontual para garantia de que os abusos serão rebatidos de forma eficaz? Ou ficará como sempre, onde tudo fica no campo da ameaças, aquelas mesmas conhecidas, sem que uma ação mais efetiva seja realizada?

O desânimo também ganha proporções avassaladoras quando não há sinalização quanto uma possível solução ali, quase no fim do túnel.

NO FIM

Democracia sempre. Desrespeito com o cidadão? Ainda não fui apresentado a esta democracia.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A todos aqueles que curtem algo desenvolvido neste blog...agradeço e aguardo manifestações materialmente expressas....entenderam?

terça-feira, 11 de outubro de 2011

CABRESTO

O significado da palavra, em dicionário virtual, pode ser: correia que tem uma extremidade armada especialmente para se firmar na cabeça do animal e que serve para amarrá-lo ou dirigi-lo; cabeçada sem freios.

Estabelecida a discussão sobre a competência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para investigar juízes, a partir de uma ação da Associação Brasileira de Magistrados (AMB) junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), fez nascer, ou veio à tona, mais uma das mazelas que contamina o Poder Judiciário: o de ser (ou achar que é) intocável.

Quando a Corregedora-Geral do CNJ, a Ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), afirma categoricamente que as investigações pelo CNJ são necessárias para que sejam enfrentados os “bandidos de toga” do Judiciário brasileiro, o alvoroço se estabeleceu.

Para que os nervos fossem cadenciados em direção ao resfriamento, para assim dizer, o STF suspendeu o julgamento do processo e, ao mesmo tempo, no próprio CNJ, esta sendo articulada uma proposta de “firmar a cabeça e amarrar” a Corregedora.

A opinião pública está maciçamente voltada para as ações da Ministra Corregedora. E isso preocupa o Judiciário. Ao mesmo tempo em que, de um lado a intenção da AMB em fixar a competência originária nos Tribunais, de outro, a Corregedora, que sustenta que este procedimento é infrutífero, a saída estratégica articulada é deixar para o Plenário do CNJ (composto em sua esmagadora maioria por magistrados) a competência para aceitar, ou não, eventual investigação em relação aos juízes.

De qualquer sorte, caso vingue o “cabresto” e a Ministra Eliana seja vencida, o Poder Judiciário mais uma vez estará no olho do furacão. E a opinião pública não perdoará.

Por fim, o argumento de que a Corregedora afetou toda a magistratura enquanto generalizou em seu pronunciamento, não precisamos ir muito longe para saber quem é quem - os bons e os nem tanto -, inclusive e de forma especial na magistratura, notadamente porquanto os últimos afastamentos, inclusive aposentadoria compulsória, como pena, de ministro de tribunal superior.

Alguns devem esquecer a tentativa de promover a similitude do homem e do super-homem, mesmo este na visão de Nietzsche.

NO FIM

Quem tem medo de quê?

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

APROXIMAÇÕES

Li aqui mesmo, dias atrás, uma ponderação de um leitor quanto a “briga de travesseiros” entre os candidatos ao cargo de prefeito já em campanha para a próxima eleição.

Leio e por vezes escuto algumas matérias quanto a formatação de uma “terceira via” que estaria sendo articulada no seio político da comunidade, a partir da movimentação de algumas pessoas, de diversos lados e origens.

Vejo também outros tantos, sem uma definição, alguns inclusive sem conseguir saber para onde correr ou se correr é necessariamente o caminho.

Também percebo aqueles que se movimentam intensamente, sem, contudo, sair do lugar (e nem ao menos percebem, o que é pior).

Sinto o veneno, o jogo, os testes, as investidas e os recuos, enfim todo o procedimento comum, normal e natural de um período que se iniciou e se estabeleceu, talvez com alguma ansiedade fomentada ardilosamente.

O processo é esse e é conhecido. As premissas sustentam um fundamento aqui outro acolá, sempre com os passos sincronizados conforme a música, mesmo que para isso o ritmo na maioria das vezes em nada tenha relação com os acordes lançados ao vento. Aliás, a música é o que menos interessa.

Lembro de Platão, em A República, na sociedade justa, humanitária, onde os interesses coletivos deveriam preponderar (vaidade, não conta!), onde mesmo na constatação de uma evidente utopia o ideal perseguido sugeria a pura racionalidade como paradigma.

Mas vamos fazer o quê, especificamente? Vamos sugerir a leitura de Platão? Certamente todos os pretendentes a cargos de envergadura já o leram. Porém, isso tem pouca valia, pois mesmo que não se trate de uma obra de teoria política essencialmente ou tenha esta razão como ponto nevrálgico, desconhecer o compromisso com a verdade ou ao menos o que a palavra “república” significa desconhecer a base de tudo. Mas, a base interessa mesmo?

NO FIM

Vamos ter cuidado, acho que neste período e neste tempo deveríamos assim proceder.