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quinta-feira, 13 de setembro de 2018

MISTÉRIO E AVENIDA PRINCIPAL



                            Inegavelmente a avenida principal de nossa cidade tem uma visão urbanística elogiável. Diria mais. Foi projetada de maneira extremamente inteligente. Avenida larga e com uma praça em sua extensão igualmente em proporções extraordinárias.

                            Aliás, talvez muitos não saibam, correu a notícia, há bons pares de anos passados, que o Luiz Antônio Assis Brasil, reconhecido escritor gaúcho, quando em visita em nossa terra foi enfático: só vi praças nestes moldes em Paris! Evidente que pode ter sido um exagero. Mas não deixa de registrar a excelência da via e o reconhecimento de quem a projetou.

                            Hoje vejo corte de árvores em nossas praças centrais de maneira sistemática. O que ouço é que tudo faz parte de um estudo de revitalização. Confesso que desconheço detalhes e mesmo quem foi o protagonista da ideia. Igualmente desconheço os termos de tal estudo/projeto. O que acho, todavia, é que, mesmo considerando que algumas espécimes causem prejuízo nas calçadas, em dias ventosos, etc., a extração é o ponto final da linha.

                            E neste aspecto vejo que alguns passos podem ter sido atropelados. Primeiro, o trabalho teve início há anos; portanto, não se trata de uma questão pontual, mas de uma continuidade; segundo, não presenciei uma discussão mais aprofundada com a comunidade sobre a forma e o procedimento de retirada de árvores e, eventualmente, recolocação de outras. E para aqueles que podem pensar que tal procedimento independe do aval da população, os digo: tecnicamente até pode ser verdade; entretanto, considerando o sentido coletivo, a importância do debate e, sobretudo, o respeito às origens, entendo que o pragmatismo neste aspecto é relativizado mortalmente.

                            Assim, pensando em nossa “pequena Paris”, confesso que fico desconfortável com tal procedimento. Poderia ser de outra forma. Mas talvez o que escrevo não tenha qualquer eco.

NO FIM

                            Poderia ser diferente.

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