Inegavelmente a
avenida principal de nossa cidade tem uma visão urbanística elogiável. Diria
mais. Foi projetada de maneira extremamente inteligente. Avenida larga e com
uma praça em sua extensão igualmente em proporções extraordinárias.
Aliás, talvez muitos
não saibam, correu a notícia, há bons pares de anos passados, que o Luiz
Antônio Assis Brasil, reconhecido escritor gaúcho, quando em visita em nossa
terra foi enfático: só vi praças nestes moldes em Paris! Evidente que pode ter
sido um exagero. Mas não deixa de registrar a excelência da via e o
reconhecimento de quem a projetou.
Hoje vejo corte de
árvores em nossas praças centrais de maneira sistemática. O que ouço é que tudo
faz parte de um estudo de revitalização. Confesso que desconheço detalhes e
mesmo quem foi o protagonista da ideia. Igualmente desconheço os termos de tal
estudo/projeto. O que acho, todavia, é que, mesmo considerando que algumas
espécimes causem prejuízo nas calçadas, em dias ventosos, etc., a extração é o
ponto final da linha.
E neste aspecto vejo
que alguns passos podem ter sido atropelados. Primeiro, o trabalho teve início
há anos; portanto, não se trata de uma questão pontual, mas de uma
continuidade; segundo, não presenciei uma discussão mais aprofundada com a
comunidade sobre a forma e o procedimento de retirada de árvores e,
eventualmente, recolocação de outras. E para aqueles que podem pensar que tal
procedimento independe do aval da população, os digo: tecnicamente até pode ser
verdade; entretanto, considerando o sentido coletivo, a importância do debate
e, sobretudo, o respeito às origens, entendo que o pragmatismo neste aspecto é
relativizado mortalmente.
Assim, pensando em
nossa “pequena Paris”, confesso que fico desconfortável com tal procedimento.
Poderia ser de outra forma. Mas talvez o que escrevo não tenha qualquer eco.
NO FIM
Poderia ser
diferente.
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