Conversas
despretensiosas, lançadas ao vento são inegavelmente saudáveis. A conversa de
bar, regada sempre ao combustível e a alegria de quem ali está e pelo motivo de
ali estar, é o sim um belo exemplo e o simbolismo disso tudo.
Porém quanto tal
condição passar a ser a regra em detrimento ao respeito à liturgia que conduz
determinados atos e relações, algo está fora do lugar.
Não pode ser
considerado normal a espetacularização de atos judiciais, pedidos ou prisões.
Não pode ser considerado normal a discussão aberta entre chefes de poderes por
vaidade e corporativismo. Não pode ser normal um professor ter o seu vencimento
parcelado, enquanto outras categorias de funcionários públicos, as mais
privilegiadas financeiramente, aliás, continuam a perceber vencimento ou
subsídio sem qualquer alteração, inclusive em relação as verbas ditas
“auxiliares” e “autônomas”, sobre as quais também nem o imposto de renda passa
perto. Não pode ser considerado normal que as pessoas achem tudo isso normal.
O escritor Robert
Pirsig, em Zen e a Arte da Manutenção de
Motocicletas, traduz em seu personagem o sentido de acreditar em fantasmas.
Por que não acreditar? Ou você acha que a Lei da Gravidade, por exemplo, não
existia antes de Newton?
Pirsig: A lógica está na mente. Os números são
produtos puramente mentais. Eu não me perturbo quando os cientistas dizem que
os fantasmas existem apenas na nossa imaginação. É esse apenas que me intriga.
A ciência também reside apenas nas nossas mentes, só que isso não a transforma
numa coisa prejudicial. O mesmo acontece com os fantasmas.
Aliás, eu sempre
acreditei também em lobisomem, mas esta é outra história.
NO FIM
Um sonoro não às
castas e aos privilégios.