Quando iniciei no
mundo jurídico, como estudante no já distante ano de 1990; como estagiário em
1993 e finalmente como advogado em 1995, a realidade era muito diferente.
Poucos escritórios
tinham “máquinas elétricas” e muito menos ainda computadores. A tônica,
inclusive nas repartições públicas, como sala de audiências, era a máquina de
escrever dita “manual”, ou seja, sem qualquer recurso a não ser a folha, o
carbono e a destreza do escrevente.
E aqui lembro, e
faço um parêntese, do querido amigo e saudoso Carlinhos Moreira, que também foi
um exímio gaiteiro, mas em sua atividade, junto às salas de audiência ou
tribunais de júri, desfilava uma capacidade incrível de realizar o ato
conhecido como “bater máquina”.
No fórum havia os
escaninhos para cada um advogado, os quais, quando demoravam a comparecer junto
ao prédio, eram tranquilamente chamados para tanto e nos balcões realizavam
suas intimações, sem qualquer outra forma. Esta era a única forma!
Tudo era, como dito,
manual, inclusive cargas de processos ou cálculos de custas. A dinâmica era
cadenciada. Não havia obviamente celular e muito menos e-mail. O máximo que se
conhecia, depois de certo tempo, era o fax, aparelho que realmente fez uma
revolução nos atos e nas ações de um modo geral.
Os livros eram
usados. Não havia o “pessoal do Google” trabalhando sobre tudo a todo o
momento. Tinha sim que pesquisas em obras (ainda continuo fazendo isso) e
aguardar os exemplares das assinaturas que traziam a jurisprudência mais
atualizada.
Realmente eram
outros tempos. Mas cronologicamente são tempos até recentes, pois a verdadeira
revolução no âmbito tecnológico foi potencializada talvez há aproximadamente
15/20 anos e não mais do que isso.
Agora está em fase
final um sistema baseado num programa chamado (por azar) “Victor”, o qual será
responsável, até onde pude entender, por fazer a triagem de processos nos
tribunais, sobretudo, quanto a admissibilidade e trânsito de recursos, sob o
comando humano, porém sem a análise efetivamente humana.
É isso!
NO FIM
Disse Chaplin: “Não
sois máquinas! Homens é que sois!
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