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quinta-feira, 29 de novembro de 2018

BANCO DA PRAÇA



                            Havia anos que não estabeleciam contato. Os motivos são os mesmo que todos enfrentam. Correria do dia a dia; tempo escasso; desconfortos em geral ou mesmo motivos diversos e indefinidos, os quais, todavia, somam e contribuem pelo hiato que se fixou.

                            Aleatoriamente e imprevisivelmente aconteceu um furtuito encontro no banco de uma das praças centrais da cidade. Aliás, cidade de interior tudo acontece na área central. Desde as promessas de riqueza até as “apresentações” circenses de veículos e motos, passando, é claro, por encontros como o que de agora retratamos.

                            Como de praxe, quebrando o gelo num sol escaldante, conversar sobre tempo é uma boa porta de entrada. Será que vai chover? O calor está insuportável. Disseram que vem uma “chuva de pedra” por aí. Tudo retórica frente ao conhecimento que ambos tinham, um do outro.

                            O ser humano é pródigo em vieses e subterfúgios de vernáculo. Faz uma volta para chegar no mesmo lugar. Fala, fala e ao final se não tivesse falado a maioria das palavras, nada mudaria quanto os objeto e objetivo da mesma fala.

                            Mas trocaram amenidades preliminares. Avançaram com pequenas inserções por campos pré-minados. Foram indo até que chegaram naquele ponto; que provavelmente foi o motivo pelo qual sustentou aquele dito hiato ou espaço de tempo em que não mais se falavam.

                            Houve recuos pontuais baseado na educação. Porém, como sempre acontecia, na medida em que expunham ideias e fatos, cada um com sua ótica, lógica e razão, a tensão se espalhava no ar e tornava cada palavra uma arma em ataque ou contra-ataque, onde a margem de segurança, baseada exclusivamente na mesma educação, estava perdendo força.

                            Ninguém recuou, até agora.

NO FIM

                            Vai continuar.




PUDE VER



                            Quando estive em Pompéia (ou Pompeii) tinha um foco especial: sentir “in loco” a energia do anfiteatro no qual Pink Floyd gravou, sem plateia, “Live At Pompeii”. Especialmente, lá dentro, no núcleo da arena, escutar “Echoes”.  Eu consegui.

                            Não há nada parecido.

                            Sempre advoguei a ideia de que a minha geração, além de ter sido concebida num dos períodos mais nefastos da nossa história, foi agraciada com a melhor trilha sonora que já foi produzida. O mundo estava desorientado. Esse foi o estopim. O melhor somente foi, porque o pior estava presente.

                            Toda a arquibancada obrigatoriamente vazia; as duas entradas por onde leões e humanos passavam em cada espetáculo; os gritos que não ouvi, mas que enxerguei em todos os lados. Enfim, tudo aquilo que é arte e que o é porque a vida, sozinha, não nos satisfaz.

                            Hoje, no dia em que escrevo esta coluna, irei assistir ao show do Roger Waters. Outrora já vi David Gilmour. Ou seja, estarei novamente sob as pedras; sob os muros, no lado escuro da lua e dentro daquilo que compreendo como algo de mais caro de um ser humano. Simplesmente tentar ser um.

                            Levarei e experimentarei sentimentos, sensações e, sobretudo, a alegria de poder ver e ouvir algo muito além. Quero realmente experimentar o verdadeiro eco da sinergia que estará presente. Será mais um momento único.

                            Talvez você que lê esse texto tenha pensado noutras coisas. Em outras experiências que poderá lhe proporcionar um estado de quase plena felicidade. Somos todos assim. Cada um de nós, dentro de nossos mundos, de nossas prioridades e escolhas, buscamos tentar amenizar tudo aquilo que a existência nos traz à provação a todo o momento.

                            Quem irá ao show estará em muitos lugares.

NO FIM

                            Estar vivo! Esse é o fato.



LIÇÕES


                  No livro 21 Lições para o Século 21, do historiador israelense Yuval Noah Harari, é renovada a discussão sobre tecnologia e ética.

                             O exemplo, porém, é novo:

                            Num futuro próximo (ou antes) teremos veículos guiados por algoritmos. Ou o automóvel será dirigido por um sistema onde o proprietário não passará de um passageiro. A sequência de regras conduzirá o veículo sem a participação ordinária do proprietário ou do conduzido.

                            Pois bem. Imaginem esta situação: o veículo está transitando em uma via, o passageiro dormindo no banco traseiro, e repentinamente um menino atravessa na frente indo atrás de uma bola. O sistema está preparado para que o veículo desvie do menino ou não o atropele. Entretanto, eventual desvio levará o veículo à via contrária e inevitavelmente atingirá um caminhão que vem em sentido contrário, condição que igualmente de forma inevitável comprometerá a vida do passageiro.

                   Aí nasce o problema: o veículo desvia do menino e compromete a vida do passageiro? Ou, para preservar a vida deste, atropela o menino?

                            Qual o limite da ética nesta condição?

                            Como estamos falando de um sistema, segundo o autor, ao adquirir um veículo, na loja, poderemos optar, em caso de situações como a relatada, por um que venha com algoritmo que esteja programado para desviar do menino e salve sua vida; ou outro, que não desvie e salve a nossa.

                            Qual a sua opção?

                            Não devemos esquecer, digo eu, que a ética e o egoísmo nem sempre são coirmãos.

NO FIM

                            É fácil?