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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

O GOSTO


                            Em mais uma grande discussão mundana, fui perguntado: tem alguma comida que você não gosta? Não demorou cinco segundos para a resposta: mondongo, bife de fígado, miúdos em geral, asa de galinha e maionese com batata. E bebida? Cerveja, chope, qualquer refrigerante, suco concentrado, espumante ou vinho que não sejam secos.

                            Nada excepcional, por certo, pois conheço muitas pessoas que não gostam de sorvete, chocolate ou pizza, isso sim seria caso para estudo.

                            Falando muito sério, há muito venho pensando na alimentação. A Carol é vegetariana. Tal condição, mesmo que silenciosamente, nos contaminou. Conversas sobre animais, origem, relações, substituição de proteínas, equilíbrio e amor à vida de modo geral, alterou e está alterando o foco de todos principalmente em relação a carne.

                            Nosso ambiente é carnívoro. Fomos criados com alimentação a partir da carne. Tudo o mais era complemento. A carne sempre foi, desta forma, a base para todos os pratos, quer sejam os do dia a dia ou de datas especiais.

                            Visitei alguns restaurantes e ambientes com a proposta vegetariana e também ao veganismo. Tudo é uma filosofia. Tudo deve ser visto, analisado e abordado de maneira muito respeitosa.

                            Aliás, o respeito deve bater em todas às portas. Aceitar o outro como ele é. Suas opções, suas escolhas, sem que isso seja visto ou censurado a partir de conceitos ultrapassados.

                            E da gastronomia que abordamos neste texto passamos às formas de amar, ou ainda deverá ser dado voz a todos que acreditam que fora a heterossexualidade nada é válido ou é “doença”?

                            Sabem o que é realmente uma enfermidade: a ignorância e, sobretudo, a hipocrisia. Como aquele que reza junto ao templo e ao mesmo tempo deseja o mal; como aquele que fala do outro para justificar sua amargura; como aquele que pensa e age contrariamente ao que defende.

                            Vamos tentar evoluir um pouco.

NO FIM

                            Muito cuidado com conceitos históricos e regras ditas como saudáveis. 

terça-feira, 28 de novembro de 2017

ACELERADOS


                            A humanidade está em constante processo de aceleração. A ideia e ações voltadas para que tudo aconteça da maneira mais célere é a regra. A exceção, desta forma, é buscar viver em desaceleração. Em compasso um pouco mais lento, como uma música de João Gilberto.

                            Mas como se controlará a ansiedade? Quero um carro veloz; uma comida que possa ser feita rapidamente; um celular que tenha velocidade em todos aplicativos; que os discursos sejam breves; que a viagem dure o menos possível; que o tempo entre um compromisso e outro não dure mais do que o estritamente necessário; que o abraço seja rápido.

                            Apesar disso é comum ouvir e dizer: não tenho tempo para nada; o dia deveria ter 40 horas; não consigo fazer tudo que preciso; estou atrasado e, ao final, a constatação: como a vida passa rápido demais!

                            É dito que os anos passam depressa e as semanas devagar. Nossa, já é natal novamente! Ou: tomara que chegue sexta-feira logo! Parece tudo uma contradição. Porém o que realmente se apresenta é a abordagem sobre algo que talvez nem mesmo exista.

                            Aceleramos e ao mesmo tempo há uma procura por medicamentos que enfrentem a depressão, a ansiedade e ajudem a suportar o dia a dia. Onde está a lógica?

                            As pessoas comumente dormem mal, comem mal, vivem, de maneira geral, desanimadamente, mas, ao mesmo tempo, aceleram o processo. Nada é feito para que o ciclo ou a engrenagem experimentem alguma reação contrária.

                            Todos estamos acelerados além da conta


NO FIM

                            De algum lugar em uma leitura qualquer: não esqueçam que o cabo do machado que desmata também é madeira ou como dito “é dos nossos”.

                            

ORVALHO DA MONTANHA


                            Ou o refrigerante com o pomposo nome de “Mountain Dew” foi palco de animada e recente conversa entre nós. A maioria (ou todos?) não lembrava dele. Só eu, com a barba branca, tinha em mente até os dizeres da propaganda deste refrigerante.

                           Voltamos aos anos 1980. Este composto refrescante de origem imperialista chegou ao Brasil para reverenciar o esporte radical. Lembro que a música dizia mais ou menos assim: “a vida é mais refrescante com Mountain Dew” e mostrava alguém escalando ou praticando algum esporte radical.

                            Mas como só eu lembrava? Fui pesquisar. Constatei que este refrigerante permaneceu pouco tempo, poucos meses para ser mais preciso, no mercado brasileiro, a partir de um projeto encabeçado pela Pepsi-Cola.

                            Após experimentou novos testes por aqui em 2002 e mais recentemente em 2015, sempre associado à juventude. Pelo jeito o marketing não funcionou como o esperado.

                            Eu, ao contrário, que provavelmente deveria ter 10 ou 12 anos de idade na época do lançamento, lembro muito bem de tudo, inclusive do ator que tomava um gole enorme do refrigerante e saía como se o conteúdo tivesse resultado similar do espinafre sobre o Popeye.

                            Bom, se foi para abrir o baú lembrei de outra pérola: “Tênis Motoca”! Aquele que “anda mais, dura mais e custa menos”. E que a “vida é mais feliz, com tênis motoca”. Não lembro de ter usado.

                            Tinha (ou ainda tem?) o “Kichute”. Esse sim um clássico!  Lema: “Calce esta força”. Era utilizado em qualquer situação e terreno. Da escola para o futebol ou eventos eclesiásticos. Era comumente amarrado na canela e somente descartado quando já estava branco de velho. Na realidade não terminava nunca, o que vinha de desencontro com a atual ideia de liquidez ou de constante substituição pelo consumismo desenfreado.

                            Outros tempos, certamente.

NO FIM

                            O saudosismo também faz parte da caminhada.




FEIRA DO LIVRO


                            Achei muito interessante a palestra do Patrono Piangers em nossa Feira do Livro. Disse praticamente o que é natural, deveria ser normal e até óbvio. Porém, quem dúvida de nossa dificuldade de dizer ou até entender as obviedades?

                            A sua fala contaminou sim, a todos. Sua simpatia e linguagem jovial traduz exatamente um norte, um caminho, uma forma, para que entendamos, primeiramente, e para que venhamos a enfrentar, após, a liquidez dos relacionamentos familiares.

                            Menos celulares e mais abraços.

21 ANOS

                            Você lembra quando fez 21 anos? Ainda não fez 21 anos? Tanto faz. O importante é que 21 anos também é um marco, até foi considerado balizador para maioridade civil em outros tempos. No imperialismo do norte, 21 anos é ainda a maioridade para alguns atos importantes da vida civil. Enfim, 21 anos não é pouca coisa.

                            O que está valendo mesmo é que a Thaís Helena fez 21 anos nesta semana. E, por isso, os parabéns vai para com quem tomo chá todas as noites.

ARACNÍDEOS

                            Tenho uma conhecida, poderia até chamá-la de certa forma de uma companheira, que reside estrategicamente entre a emenda de um móvel que a faz protegida de qualquer ato perigoso de minha parte.

                            Ela tem conhecimento do estado de perigo. Quando vulnerável, dia desses, e eu preparado para levá-la junto aos seus entes que já partiram, se fingiu de morta. Eu, amador, pensei: não será necessário realizar algo que já está consolidado. Fui busca algo para o translado e, surpresa: ela não mais estava ali. É muito esperta.

                            Vejo ela todos os dias. Sabida, não mais se expõe, pois, sua tática de “falecimento” é conhecida. Ela sabe que eu sei.

                            Ainda vamos nos encontrar novamente, cara a cara.

NO FIM


                            Parabéns aos organizadores.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

SORTEIO


                            A origem da palavra “sorteio” vem de sorte. Se ganho o sorteio é porque tive sorte. Até aí concordamos todos, certo?

                            Quanto eu começo a ganhar (quase) todos os sorteios, acende uma luz, pois a probabilidade se mantém idêntica e não altera. O que muda é realmente que estou sempre com sorte. Isso causa um certo desafio na lógica, porque será possível ser sempre eu o agraciado? De onde vem tanta sorte?

                            Lembrei que, ainda pequeno, ganhei dois sorteios: uma panela de pressão e uma cadeira (chamavam de praia), sendo que esta última, por não estar presente no local, ganhei, mas não levei. Nos últimos tempos ganhei um livro, e não lembro de mais nenhuma sorte no quesito.

                            Haviam os sorteios do futebol onde o nome das equipes, escritas em pedaços de papéis, eram colocadas dentro de um copo, e a que sobrava ficava no conhecido “copo”, indo avançando sem necessitar jogar. Claro, e não dá para espalhar, mas invariavelmente o pedaço de papel sofria auxílio externo (saliva) para que determinada equipe ficasse sempre “no copo”. Outros tempos!

                            Agora um cidadão de sorte (ou de azar) é o juiz da Suprema Corte, Gilmar Mendes. Ele corriqueiramente é sorteado para apreciar assuntos complicados que deságuam no Tribunal. Sempre é para ele que matérias de grande repercussão são encaminhadas. Que coisa!      Que sorte! Ou não?

                            O Presidente também é um sujeito de sorte. Vejam: apesar de uma certa experiência no quesito cronologia, é casado com uma bonita e jovem mulher; foi alçado ao cargo de maior mandatário do país sem muito esforço, votos, e, diriam, alguns, “de carona”. O certo é que está no cargo e mesmo ameaçado fortemente por três ou quatro vezes, teve a sorte de conseguir se manter, não correndo, agora, qualquer perigo. Que cidadão sortudo!

                            Teve recentemente uma pequena intercorrência que o levou a experimentar uma obstrução. Porém, sendo um cara que tem sorte, não seria uma estrada obstruída, que até é provavelmente pouco explorada, que seria um problema.

NO FIM


                            Sorte a todos. 

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

HAMBURGO HAMBURGUERIA



                            Neste mês de novembro a “Hamburgo Hamburgueria Artesanal”  trará novidades. Além do tradicional - e único - hambúrguer já conhecido através das entregas à domicílio, disponibilizará seus produtos direto ao público, a partir de um ambiente inovador, vanguardista e cirurgicamente decorado para recebê-los.

                            Haverá àquele som do vinil, onde os “chiados” se misturarão aos cheiros extraídos dos selecionados e variados ingredientes; também às formas, que nas mãos da equipe resultam sempre numa atmosfera que aguça os mais exigentes paladares.

                            Seus sentidos viajarão dentro deste particular ambiente que se avizinha em chegar. A experiência se tornará única e inigualável.

                            Ao final você poderá inclusive deixar registrada sua experiência na própria linha do tempo; por ela própria, pela música, pela foto, pela mensagem ou da forma que você, apreciador e protagonista, encontrar como o primeiro “grand finale” de um grande início.

FESTA DE CRIANÇA

                            Combinamos todos que grandes acontecimentos gastronômicos também são conhecidos com as “festas de crianças”, onde gravitam, entre muitas guloseimas, o tradicional cachorro-quente, pastel, brigadeiro, etc.

                            O que eu nunca entendi é como alguém pode gostar de canudinho ou olho de sogra, quando geralmente a riqueza de opções vence tais barreiras.

                            Lembro sempre que tais itens permaneceriam entre os menos enfrentados, sobrando ao final das festas para que, sem alternativa, inclusive após ser distribuído para um e para outro, teimarem em permanecer em nossa visão e inevitavelmente serem absorvidos.

                            Sobrava para as mães, as quais heroicamente já enfrentavam o pescoço e a asa da galinha, em detrimento da coxa, sobrecoxa ou peito, porque, sabemos: mãe é mãe!

                            De mondongo ou bife de fígado falamos em outra oportunidade.

NO FIM


                            A vida é também assim.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

SEPARADOS


                            Surfando na onda Catalunha ouvi um papo de que aqui embaixo teve uma pesquisa, que denominaram “plebiscito informal”, sobre a criação de um novo Estado ou “O Sul é Meu País”, onde RS, PR e SC seriam este “novo”.
  
                          Esta conversa não é de hoje. De tempos em tempos vem à tona esta discussão. Realmente desconheço o âmago e as razões que embasam a organização de evento desta natureza. Quero crer que há um estudo científico, passando por todos os campos, sociais, econômicos, diplomáticos, etc., que dê guarida ao menos para que seja realizada tal enquete. Pois, ao contrário, é uma solidificada perda de tempo.

                            Como de todas as vezes não irá além da esquina de um ou dois finais de semana, tornando novamente tal processo ilusório e mais uma chacota tipo “sirvam nossas façanhas”.

                            Haveria talvez uma vantagem: estaríamos em todas as Libertadores, provavelmente sem muito esforço.

CAFÉ DAS 17h

                            Claro que não necessariamente às 17h. Foi por muito tempo às 16h. Nada ortodoxo como os ingleses. Mas o café da tarde é algo imprescindível, ainda mais quando (e sempre) passado na hora e agregado ao bolo de banana, laranja, chocolate, etc., que a Débora faz.

                            Dia desses recebendo um querido amigo ofereci ao ritual de quase todos os finais de tarde: o clássico café passado, bem quente (ultrapassando os 90c). Tomou e nada disse. Na saída, com uma dose sarcástica que delineava sua face, lascou: o café que você passa é tão fraco que nem força para sair da garrafa tem.

NO FIM

                            Estamos voltando.




ENTRAR EM CAMPO


                            Piero Calamandrei, que juntamente com Giuseppe Chiovenda e Francesco Carnelutti formam os “três C” do processo civil, em sua obra “Eles, Os Juízes, Vistos por Um Advogado”, diz mais ou menos o seguinte: “ O advogado está no último degrau junto com seu cliente; não importa a sua condição, mesmo que a saúde não lhe seja generosa; a chamada para o julgamento o tornará um leão e ele se transformará no intransigente defensor, sem barreiras para garantir o respeito ao direito de seu assistido. Após, se assim o for, retornará com suas dores e sua vida”.
           
                 Tal passagem desta antiga obra voltou ao meu pensamento com o recente episódio que envolveu o suicídio do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina.

                            O reitor preparou seu ato: deixou uma carta e simbolicamente sua atitude acontece em lugar público e improvável. O recado contra o desconforto, o desatino, o desespero, em relação a sua prisão ficou tão evidente quanto ao resultado da ação extrema.

                            A prisão temporária a qual o reitor foi submetido, conforme é dito, foi contaminada pelos holofotes, pelas fotos e pela espetacularização, descontrolando fatos e apresentando a vaidade humana sem qualquer limite. Um ato que deveria ser discreto é tornado grandioso para a satisfação e delírio de alguns.

                            Quem sai vencedor disso tudo?  Ou somos todos derrotados?

                            A defesa, propagada pelos grandes italianos e simbolizada também na obra citada, fica adstrita a quê? Qual a saída? Permanecer no degrau inferior e tentar juntar as penas propagadas por um ato desproporcional e até irregular pela forma? O que será feito? Quais são os verdadeiros limites?

                            A humanidade está definitivamente sem freios e a vida está cada vez mais chata.

NO FIM


                            E o pior é que tudo continuará acontecendo e terá aplauso como alimento.

RUAS


                            O assunto é tão recorrente quanto necessário. Todos nós, moradores desta cidade, experimentamos consequências violentas relacionadas a violência, sobretudo noturna e aos finais de semana.

                            Recentemente um grupo de jovens (leia-se: delinquentes e sem freios), em pleno centro da cidade, em ação covarde, porque sabidamente agem somente em “bandos”, agrediram outro jovem e ocasionaram lesões de grave monta.

                            E não para por aí. Todos, absolutamente todos os finais de semana, algum ato criminoso acontece no centro de nossa cidade. E os resultados estão se potencializando. Ninguém está livre. Qualquer um poderá ser a próxima vítima.

                            O que fazer? Vivemos em sociedade e, por tal condição, necessariamente existem regras, até para que o retorno à época das cavernas ou do faroeste sofram resistências.

                            Ações preventivas e punitivas em contrapartida (dizendo uma obviedade também necessária) é a única resposta. Isso passa (outra questão óbvia) por aparelhamento humano, técnico, logístico e estrutural.

                            O que falta para o monitoramento por câmeras do centro da cidade? Por que o módulo da Brigada Militar não permanece ao menos com um policial fisicamente em plantão durante o final de semana ao menos?

                            Quanto às câmeras de monitoramento a resposta deve vir das autoridades, pois houve uma movimentação e desconheço o atual estágio.

                            Quanto ao plantão, sabedor da recorrente falta de efetivo ou mesmo de condições no geral, talvez como alternativa o deslocamento do plantão (não sei tecnicamente a possibilidade) do quartel para o módulo? Não sei o que é possível, porque o ideal está cada vez mais longe.

                            Há diversas outras medidas prementes que somente os órgãos de segurança podem enfrentar. Algo precisa ser feito e logo!

                            Fenômenos como agressões graves, homicídios, algazarras e desordem sistemática, já estão sofrendo concorrência das queimas de arquivo.

                            Volto a dizer: algo precisa ser feito, urgente!

NO FIM

                            Viver em paz? Não sabemos mais o que isso quer dizer.       

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

DESTINO?



                            Partindo de conceitos e orientações cristãs, quase automaticamente pessoas solucionam uma questão ou explicam outra com o clichê: “foi o destino”; “tudo o que é para você já está determinado previamente”.

                            Pois amigos, este que vos escreve não concorda com tais conclusões. Primeiro que atribuir tudo ao destino é exatamente transferir para o vácuo tudo o que não se consegue explicar. E, segundo, só para ficar em número de dois, se já está tudo programado não passamos de máquinas e fantoches em nome disso que chamam de “destino” e nesta trilha está também a condição de ser, ou não, feliz.

                            Bauman, na magistral obra “A Arte da Vida”, disse que o destino é o “apelido para todas as coisas que não temos influência” ou “o que acontece conosco, mas não foi causado por nós”.  Há sempre uma gama de opções proporcionadas pelo “destino”, como o local onde nasci e vivo e que balizarão as oportunidades, que serão diversas em relação ao outro que nasceu e viveu em lugar diverso.
                            E aí entra o caráter, pois todas as opções e todas as escolhas frente a realidade apresentada são feitas pelo caráter. E existem muitos tipos de caráter, que são diferentes, evidenciando que não há formula ou receita para felicidade.

                            Há, todavia, uma fórmula que distancia esta procura: buscar na felicidade do outro o modelo para a sua. Cada um constrói sua forma de vida, que é tão somente sua.

                            Continua o filósofo: o maior perigo disso tudo são às fórmulas para a felicidade baseada em consultores e comumente encontradas em obras e mais obras por todos os lugares. Fujam deles, eles o estão enganando.

                            Portanto, buscar a felicidade não passa pelo conceito aberto de “destino”, uma vez que tal dependo do caráter, o qual é inerente a cada um, a partir das opções apresentadas, a quais são as mais diversas.

                            Cuidado ao explicar tudo através do “destino”.


NO FIM


                            Caráter.

FESTIVAL DE ROCK SEM ROCK



                            Que tempos estranhos os atuais, onde até um festival de rock (Rock in Rio) não tem rock! Tem tudo, menos rock. O que é isso? Um atentado ao código de defesa do consumidor? Não, este adquiriu uma mercadoria da qual conhecia. Mas é possível um festival sem o produto que é inclusive seu nome? Ou posso ir a um festival de jazz e não ver jazz? Blues e não ver blues? Sertanejo e não ver sertanejo? Apesar que quanto a este último, todos só teriam a ganhar.

                            Em tal universo deslocado vi algo que me chamou atenção: Johnny Hooker. Um nordestino com voz que lembra Ney Matogrosso, interpretando canções socialmente fortes, contraponto regras e enfrentado a hipocrisia com naturalidade.

                            Para um festival que indica algo que não teve (pelo mesmo até então), ficou uma boa dica.

LUIS FERNANDO VERÍSSIMO

                            O escritor (entre inúmeras outras atividades) Luis Fernando Veríssimo foi demitido do jornal Zero Hora. Era praticamente o último que eu ainda lia (apesar do novel Paulo Germano ter muito a dizer), o que faz-me encerrar um longo ciclo.

                            Veríssimo é um ET das crônicas. Como também é na condição de cartunista, humorista, etc., pois está em patamar infinitamente superior à média dos demais. Não há absolutamente ninguém que consiga chegar onde ele chega.

                            Mas ele diz coisas que talvez não seja politicamente correto dentro de um país sem rota ou rumo. Ainda mais dentro de uma instituição sabidamente parcial. Acho que na verdade ele até durou demais. O talento sem limites foi a garantia.

                            O mundo realmente está ficando cada vez mais chato.

NO FIM

                            Enfrentaremos.

                            

O VERDADEIRO CAPO



                            Em dias onde a gripe teima em querer derrubar tudo, aqueles que não se abalam nem com um furacão Irma (que nem foi tudo aquilo), continuam sem pestanejar, firmes no passo e no compasso.

                            Finalizando uma obra sobre Getúlio Vargas (mais uma), agora essencialmente sob a ótica psicanalítica, entre um espirro e ataques recorrentes à coriza; juntando a um mergulho mais profundo sobre aos cartéis do narcotráfico e os contornos da política, la prensa sempre manteve seu decisivo papel.

                            A mídia produz, sustenta e acaba com o personagem. O comando é totalmente dela, pois, além da informação que é ao final seu papel, a forma como aborda e apresenta traz toda a massa para o “brete” escolhido. Ao final ela é o verdadeiro “Capo”.

                            A grande maioria é sedenta. Quer seja pela verdade ou mesmo pela verdade que mais lhe é apropriada. E dependendo tal verdade pode até mesmo ser transformada em uma “pequena” mentira, dependendo para que lado efetivamente ela, a imprensa, entende mais apropriada.

                            É assim e infelizmente está sendo assim mais do nunca. Getúlio, que é mito, porém longe de ser herói, cometeu o suicídio, apesar de tal condição (ou solução) lhe acompanhar desde sempre, pela pressão recorrente de alguém que tinha a imprensa do seu lado.

                            E aqui, para ficar consignado, não se contrapõe absolutamente do imenso valor da informação. O que se indica temerário é a utilização desta informação de maneira nem tanto honesta. E isso acontece diariamente. É ler e ver todo dia. E o mais nefasto é que disso nasce coisas como MBL e outras ervas intelectualmente daninhas.

                            E pior ainda: existe uma ressonância, a partir da intelectualidade nula, que até indica “carreiros” para construção de uma lógica da pseudoverdade.

                            A arte desta vez pagou a conta.

NO FIM


                            É lamentável.  

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

DIAS CINZENTOS


                           
                            Sete de setembro quase sempre foi chuvoso, ventoso e até frio. A preparação para o desfile que acontecia à época trazia grande expectativa e ansiedade. Todos iríamos nos apresentar para o público. As praças e avenida principal estavam sempre lotadas. Amigos, parentes, conhecidos, desconhecidos. Era sempre uma grande festa.

                           Marchar era obrigatório. Não havia negociação, como, aliás, tudo o que envolvia àquele período. Nós, estudantes, gostávamos muito do evento. Não cabia às crianças, por obviedade, a discussão e análise sob a natureza de tudo aquilo. A nós simplesmente o evento traduzia uma confraternização e uma forma de, naqueles cinzentos dias, estarmos artistas.

BRIGA E FRONHAS

                            Um fato que chama atenção é o conflito de beleza. Lembro dos personagens de um programa humorístico, quando ainda havia programa humorístico decente, que qualquer conflito era resolvido numa “briga com travesseiros” onde voavam penas para todos os lados.

                            Entre “mortos e feridos” sobrava sempre para o travesseiro e a fronha. Que tempos!

COHIBA

                            Passei a me interessar mais sobre um puro, especialmente os cubanos.
                            Especificamente nem tanto pela sua genuína utilização, mas, sobretudo, pela liturgia eu envolve este prazer deveras cultuado e apreciado.
                            Expressões como:  long filler e short filler, passaram a conviver comigo mais assiduamente. Falaremos mais sobre isso.

NO FIM

                            Como estamos todos sempre marchando, continuamos neste dia simbólico no mesmo ritmo.



  

UM SENTIDO


                            Tudo estava lindo. Poucas nuvens no céu e uma brisa agradável. Os pássaros cantavam e circulavam em seu ritmo natural. Os comerciantes abriam seus estabelecimentos na expectativa de um proveitoso dia. Os bares já acolhiam os circulantes para o desjejum. As pessoas apressadas iam e vinham em todos os sentidos. Enfim, a vida seguia em sua forma mais genuína naquela pequena cidade.

                           Porém, o que ninguém esperava, aconteceu! Talvez dizer que “ninguém esperava” era mais uma vontade sobre a realidade. Mas, o certo é que aconteceu.

                            Quando tudo veio à tona o assunto se tornou obrigatório. Não se falava outra coisa. Até no sermão da missa dominical o mesmo foi tratado; de forma constrangida, sim. Todavia, todos também sabiam que não poderia ser diferente diante daquele assunto.

                            A gravidade se potencializava com o passar dos dias, das tardes, das horas, até que chegou inevitavelmente e finalmente em quem seria o maior interessado naquela celeuma toda.

                            A sensação de uma morte anunciada pairava por todos os cantos. Um certo momento até o tempo parou. As folhas aparentavam não mais se mover, apesar daquela brisa. Os pássaros faziam algum barulho, mas que nada tinham a ver com o que sempre acontecia. As pessoas se moviam tensas, a partir da certeza de que tudo seria possível então.

                            Havia, contudo, um entre todos que se mantinha incólume, impassível e inalterado. Não tinha sido - certamente o único, contaminado com toda a áurea que bailava sobre os demais. Estava tranquilo e continuava sentado no mesmo banco de praça que sentava todos os dias. Inclusive nos dias cinzentos.

                            Foi quando, o dono do bar, angustiado e periclitante, em passos largos chegou até o mesmo banco e sentando abruptamente perguntou: você não soube ainda? E o outro responde: eu sempre soube de tudo.

                            A vida naquele lugar nunca mais foi a mesma.

NO FIM

                            Mistérios.




A VIDA E AS CHAVES


                            Nossa vida pode ser resumida também pelo número de chaves que possuímos ou portamos diariamente. Há chaves por todos os lados. Para entrar ou sair de casa; do carro; do trabalho; da garagem; de tudo. Isso sem contar as chaves eletrônicas, como os alarmes, por exemplo.

                            Quando perdi (ou ganhei) um tempo e passei a contar o número de chaves que trago comigo, fiquei pasmado! Senti o peso das chaves no bolso e as analisei com cuidado: são três para ingressar em tal lugar; mais duas para sair de outro; mais algumas para passar, ir e retornar, de outro, e assim por diante. Senti o peso delas em meu bolso. Fiquei com muitas indagações.

                            O mais difícil é encaixar todas na primeira pisada. Acertar no escuro só pelo tato. Sei, isso tudo é consequência de todos os novos tempos. E que tempos!

                            Se a vida é feita substancialmente também de chaves, então nem todas as portas estão abertas!

SOLIDARIEDADE

                            Não poderia deixar de registrar a solidariedade de inúmeras pessoas frente a fúria da natureza que culminou com a destruição de parte de nossa cidade. Foram muitos os voluntários que não mediram esforços no combate às consequências do evento sobre os mais necessitados. Parabéns pessoal!

COOKED

                            No Netflix passa um documentário chamado Cooked que é baseado em livro com o mesmo nome, escrito por Michael Pollan.
                            Trata essencialmente de culinária (sua importância), com enfoques a partir dos quatro elementos: fogo, água, ar e terra.
                            Assista e sua alimentação nunca mais será a mesma. Você certamente revisará e revisitará muitos de seus conceitos sobre comida. Acredite!

NO FIM

                            Força Lagoa Vermelha!