A semana termina com
tristeza. Faleceu meu amigo e colega Dr. João Pereira Neto. Vinha há algum
tempo lutando em mais uma causa, certamente uma das mais importantes de sua
vida, que foi combater a enfermidade que o acometeu.
O Dr. Pereira sempre
foi um advogado na essência do termo. Otimista, corajoso, inteligente,
perspicaz, reunindo os predicados todos que o fizeram um jurista respeitado.
Seu terreno
preferido, confessou-me certa vez, era o direito criminal. De maneira especial
o Tribunal do Júri, de onde por vezes desfilou suas teses articuladamente
preparadas para combater injustiças e buscar o bom direito.
Era daqueles
tribunos à moda antiga, clássicos. Daqueles com capacidade incomum de emocionar
pela disposição de uma frase ou uma simples palavra. Daqueles, meus amigos e
amigas, advogados que talvez não existam mais.
Tinha igualmente um
lado humano ímpar. Lembro-me, como prova disso, que iniciando na profissão, e
isso lá se vão anos, encontrei o Dr. Pereira pelos corredores forenses ainda da
Av. Afonso Pena e ele, numa gentileza incomum, passou a discorrer palavras de
estímulo para aquele iniciante, observando em cada frase a riqueza da profissão
que escolhemos. Nunca mais esqueci.
Sempre falava de sua
esposa e, sobretudo, de seus filhos. Tinha orgulho de que todos seguiram a
carreira jurídica e vinham galgando sucesso. Foi um pai apaixonado.
Falamos diversas
oportunidades sobre ser advogado e especialmente o ser em nossa Cidade. Contou-me
diversas passagens, algumas incríveis, outras hilárias, sendo então uma das
memórias vivas da história forense de Lagoa Vermelha e região. Conversamos,
juntamente com seu Filho, Dr. Luiz Fernando, sobre catalogar e de alguma forma
registrar tudo. Não conseguimos nos encontrar para fazer isso.
A vida é sim um
sopro. É como um livro. Temos as páginas iniciais e as finais. Fechamos o livro
e está encerrado. Porém, para pessoas como o Dr. Pereira o legado sobreporá ao
encerramento das páginas. Ficará sim vivo no coração de seus familiares e
amigos.
Sempre gostei muito
dele.
NO FIM
Minha solidariedade
aos familiares. Faço, pedindo licença, em nome do amigo Dr. Luiz Fernando.
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