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terça-feira, 31 de março de 2015

PASSOS NO OUTONO




 

                            Estamos outra vez no outono. A mais bela das estações! Onde as flores insistem em desgrudar, cair, dançar sob a música gerida pelo vento. Querida, novamente bela e finalmente encantadora estação.

 

                            E nela, que se relativiza, sem perder o ardor, pelos sinais do inverno, se apresenta sempre mais noturna, porque os dias assim se manifestam, num claro movimento que respeita a cadência e define a forma como deve ser.

 

                            Sobre esta dinâmica algo sempre acontece. E não tardou para que um comandante secundário, aviador de assessoria, viesse a ser o protagonista da tragédia mor da semana que passou.

 

                            Agora se conhece tudo. Da juventude ao desânimo; da aparente felicidade ao momento final de covardia (ou de coragem); da consequência sobre todos e especialmente sobre aqueles que devem experimentar a maior dor. Finalmente, sobre todas as perguntas que mais uma vez ficarão sem respostas.

 

                            Permanece o ato, o evento e a história. Nada, absolutamente nada mais. Tudo é isso e isso se resume exatamente no nada.

 

                            Renato Russo, outro que nasceu no outono, (como Cazuza, Chaplin), disse, entre tantas coisas, que tem o que ficou e “teve sorte, sorte até demais”, e também que queria “ter alguém com quem conversar; alguém que não use o que eu disse contra mim”.

 

                            Pois é, independente das palavras “sorte”, ser para mim, evidente, sinônimo de preguiça, ela é tão importante, tão necessária, que quase não serve para nada, porém, ao mesmo tempo e por outro lado, é uma das quais também o vento do outono rege.

 

 

 

NO FIM

 

                            Tudo recomeça.  

 

                           

                           

 

quarta-feira, 25 de março de 2015

TODOS DO BRASIL




 

                            Não pensarei em Gilberto Freyre, em Raimundo Faoro e muito menos, abrindo uma brecha, em Eduardo Galeano. Ficarei no povo pelo povo; no que é empírico e saudado; na alegria e na tristeza.

 

                            Por outro lado, não esquecerei do inesquecível Stanislaw Ponte Preta. Não olvidarei o samba do crioulo doido!

 

                             Que apagará a luz? Será verdade que gritar “pega ladrão” não fica um meu irmão? Onde fomos parar? Será que fomos mesmo parar ou na verdade nunca saímos do mesmo lugar?

 

                            São muitas perguntas. Mas, como já disse o filósofo, o importante é perguntar! A resposta, bom resposta é secundária. Lembrei agora do Joãozinho na escola. Tinha resposta para tudo, sempre inteligente, perspicaz, deixando a professora literalmente em saia justa.

 

                            Acho que somos todos, um pouco “Joãozinho”. Tomamos no copo e na cabeça. Ressuscitamos (um bom período para esta palavra, não acham?). Voltamos da toca e aguardamos a temperatura do dólar. Sim, pois todo mundo deve cuidar deste item. Imaginem o que seríamos nós de não cuidássemos do dólar?

 

                            Nós somos engraçados. Não que isso seja demérito, pelo contrário. Mas, quando vejo a notícia que o presidente nacional de um partido que participa das marchas contra a corrupção está enrolado na própria, acho engraçado. Quando vejo sonegadores clássicos, protagonistas do crime do colarinho branco, participar da mesma peregrinação (outra boa palavra para época), penso: que coisa engraçada!

 

                            O problema é que sou muito ingênuo. Sou até infantil. Vejo tudo isso e acredito que as pessoas tem bom propósito. Que as pessoas não pensam somente em si. Que as pessoas querem o bem de todos. Que não buscam ao final o interesse pessoal e de alguns da “família”.

                            Ainda bem que sou assim. Eu sou um brasileiro que nunca usei uma camisa do Brasil. Nada contra que usa. Quero usar.

 

                            Vejam como estou bem, lembrei agora do Collor; do presidente que caiu (caiu mesmo?). Tinha um pouco mais de 20 anos. Não havia celular. Acho que quero descer.

 

NO FIM

 

                            Orgulho disso.

terça-feira, 17 de março de 2015

MANIFESTAÇÕES




 

                            Foi realmente interessante, importante e emblemática as manifestações e a mobilização ocorrida no último dia 15 de março. Inegavelmente estamos numa democracia e isso é o que ao final importa.

 

                            Mas, indago: qual a consequência e o resultado de tudo isso? Certo, o povo está “saindo da toca”, mostrando mobilização e respeito à sua dignidade. Bom, ótimo, e o que mais? O povo quer mudanças, descolando-se, ou tentando, dos partidos políticos (praticamente todos enrolados), querendo definitivamente que o normal, ou que deveria ser normal, ou a honestidade e a garantia desta prepondere.

 

                            Igualmente corretíssimo! Porém, considerando as movimentações do ano passado, o que efetivamente mudou, a partir e por consequência dessas? Alguém consegue responder claramente?

 

                            Se você é como eu, que não reuniu neurônios suficientes para definir tal resposta, talvez igualmente pense como eu em relação à efetividade de uma mudança. Quando digo “mudança”, digo mudança!

 

                            Não há meus amigos e minhas amigas outro carreiro senão às urnas. Nada terá eco mais reverberante que estas; nada, absolutamente nada, terá uma resposta mais arrasadora, pois de nada adianta o barulho se esta potência não for transformada em efetividade, ao final na tão aguardada mudança.

 

                            Não adianta, em época de eleições, comprar e vender votos, a partir de interesse neste ou naquele sentido. Se continuar ou for assim, nada vai ser alterado, independente dos gritos, do número de pessoas nas ruas e das brigas nas redes sociais.

 

                            Temos sim que amadurecer eleitoralmente. Nunca regredir. Buscar um horizonte de forma inteligente, não permanecer com atitudes que não passam de conversa de bar.

 

NO FIM

 

                            Viva a democracia!

quarta-feira, 4 de março de 2015

DESCONHECER E ESQUECER




 

 

                            Vou ser mais uma vez ingênuo, condição, aliás, que é característica. Vou, para tanto, pensar que a apologia ao passado; que o fomento ao retorno ao golpe é mero desconhecimento ou esquecimento daqueles que conheceram o que realmente aconteceu.

 

                            Vejo muitas pessoas falarem, escreverem, emitirem sons no sentido de sustentar que a solução para a crise atual - que é importante e muito séria, é chamar às armas,

 

                            O que preocupa num primeiro visualizar, é que uma fala contamina muitas. É como adquirir determinado veículo e, a partir de então, todos os demais adquirirem o mesmo modelo, numa clara, e comodista, indicação de que não há alternativas.

 

                            No estágio atual da nação isso é renovado. Um diz qualquer coisa, sem nenhuma base científica e histórica, e lança ao vento. Muitos, sem saber exatamente do que se trata, propagam como se a ideia fosse a solução, independente de uma análise mesmo superficial do que realmente está sendo dito ou proposto.

 

                            Provavelmente muitos, os mais jovens, sobretudo, que não sentiram o que foi a ditadura militar ou mesmo não tiveram a malfadada oportunidade de experimentar as consequências, não sabem o que foi a censura, a total falta de liberdade até mesmo para falar. As torturas institucionalizadas; as mortes escondidas; a corrupção, que dizem alguns, de proporções faraônicas; enfim, onde até mesmo reunir-se em família era motivo de preocupação do “Poder Supremo”.

 

                            Mas, o pior mesmo é os que esqueceram e ainda caminham sob o manto de sustentar que “naquela época tudo funcionava, tinha segurança, não havia desmandos”. Esquecimento, ingenuidade ou maldade? Pode escolher uma ou todas!

 

                            Por outro lado, espero realmente, que toda esta corrupção que estamos vivenciando seja apurada e os corruptos devidamente identificados e responsabilizados.

 

                            Contudo, isso, somente será possível numa democracia, ao contrário de outra época, onde as instituições, especialmente as que investigam têm total liberdade para tanto, sem que nada, absolutamente nada, seja escondido ou proibido.

 

                            Entende a diferença?

 

NO FIM

 

                            A história está aí para ser conhecida.