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quinta-feira, 13 de abril de 2017

GANHAR E PERDER




                            Thoreau disse mais ou menos assim: para se ganhar sempre perdemos alguma coisa. Ou o resultado de um ganhar terá inevitavelmente como consequência um perder.

                            É verdade. Não há um ganhar sem efeito colateral. Para ganhar precisamos perder. É o paradoxo. É o complemento. É assim mesmo.

                            Em momento que o chamado liberalismo ganha novamente corpo em todos os cantos, onde a visão de estado mínimo é refletida em ações orquestradas, em balões de ensaio recorrentes, experimentamos a consequência de uma política popular enfraquecida; velha e quase sem dentes.

                            Quem acordou o monstro de uma longa hibernação foi uma esquerda que teimou em não evoluir. A extrema-direita, a mesma e velha conhecida, que sempre fica pelos cantos como uma cobra aguardando o momento do bote voltou. E, a partir da ineficiência e desmandos da esquerda, triunfa com exemplos claríssimos, que passam a confundir direito com justiceiros; tementes a um deus com estimuladores ao ódio; bem penteados e caricatos; com “klans” para todos os lados.

                            O preço a ser pago será muito caro. E o mais importante que o resultado disso é o conjunto de um emaranhado com tentáculos em todas as salas. E o pior: está somente começando.

                            O produto final desta manobra demorará muitas décadas para ser digerido. Pensei no óleo de rícino, no leite de magnésia, entre tantos outros. Não encontrei nenhum apropriado.

                            Pensar não dói. Talvez devêssemos pensar nisso!

 

NO FIM

                            Quem ganhou e quem perdeu?

quinta-feira, 6 de abril de 2017

VETERANOS




                            Cheguei aos 46. Sei que isso muito pouco importa à humanidade. Porém o acúmulo dos anos sempre traz consigo alguns elementos os quais inegavelmente não é possível descartar.

                            Aquela dorzinha nas costas que teima em participar de todos os eventos que estou presente; aquele desconforto muscular nas panturrilhas; a coluna que já veio de fábrica um pouco avariada; enfim, toda a bagagem física acumulada no decorrer do tempo e após o ser humano consolidar-se como bípede.

                            Nada disso, contudo, me fez privar de ver (bem de perto) exatamente dois veteranos clássicos: James Taylor e Elton John.  Sim, eu também estive lá. Talvez também em muitos outros lugares durante as quase quatro horas de espetáculo.

                            James Taylor esteve no Rock In Rio de 1985 e desde lá contagia os brasileiros que conhecem a boa música. Lembra muito fisicamente meu saudoso avô Mário Muraro, senhor alto, magro e com passadas firmes. Elton John, que além de “Sir”, canta Tiny Dancer e Your Song, o que já o credencia entre os muito grandes.

                            O ambiente estava rodeado de muito outros veteranos. Muitas caras, muitos estilos, muitos singulares essencialmente.

                            Porém, o que definitivamente me tocou foi o encontro furtuito que no dia seguinte tive com uma senhora quando almoçava. Ela servindo seu prato (sopa de ervilhas), animadamente fez menção sobre o show e definiu: fui para ver Elton e assisti o James!

                            Olhei àquela senhora certamente octogenária, caminhando com dificuldade, mas expulsando dos pulmões palavras sobre um espetáculo noturno que presenciou no dia anterior, fez com que mais uma vez percebi que a vida é um grande acontecimento.

                            Na próxima experimentarei também a mesma sopa de ervilhas.

NO FIM

                            A vida.