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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

O CORRETO




 

                            O momento é para debates de toda ordem. Nestes o chamado “politicamente correto” é um dos pilares que faz avançar ou retrair. Sobre ele quero tecer algumas considerações.

                            Um dos freios para que as pessoas tenham receio em se manifestar sobre esse ou aquele assunto é o temor às represálias. Tais podem ser no aspecto pessoal ou profissional, tanto faz, porque o fato é o medo das consequências. Um empregado terá obviamente muitas resistências para fazer suas observações ao seu empregador. O interesse também seguirá a mesma cartilha.

                            Por isso, as instituições se apresentam como “substitutos”. A não apresentação de uma “cara específica” traduz o não pessoalizar. Isso, ao final, é a garantia (ou deveria ser) de que a represália ou a contrapartida venha da forma não pessoal.

                            Muitos conduzem tudo assim. Puxam a lenha e dão ao outro o encargo de colocar no fogo. São os “corretos”, porque não se expõem e não corre qualquer risco.

                            Pois bem. Em tempos de reformas, de contenções e, sobretudo de economia frente a um Rio Grande do Sul quebrado e em fase falimentar também na saúde, segurança, etc., experimentamos muitos descalabros; algo complemente fora da ordem: o recebimento de benefícios por algumas categorias em detrimento de outras, e pior, alguns privilégios que todos sabem que não perdurarão sob o prisma constitucional, e que permanecem dormindo em berço esplêndido aguardando julgamento, sem, contudo, deixar  de alimentar o prejuízo à sangria pública e por consequência o reflexo sobre tudo e todos.

 

                            Senhoras, senhores, não está certo! Precisamos falar sobre isso. Precisamos “botar a cara”. Precisamos deixar de ser “politicamente corretos”, sob pena de em algum dia aceitar que um professor, um Policial Militar, um Policial Civil e todos os demais servidores públicos que não fazem parte da casta e recebem seus vencimentos de forma parcelada seja algo normal. E se assim o for, tudo é possível.

                            A ordem está invertida.

NO FIM

                            E a boa-fé ao final não obrigará qualquer devolução.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

DORES




                            Vejo o passar do tempo como a conta mais cara. Por vezes nem o vejo passar de tanto envolvimento que traduz a marcha cotidiana. Quase todos ou muitos são assim. E nesta linha poderá não ser enxergado o simples, que nada mais é do que viver. Não deixe o tempo passar assim, pois um dia o livro se fechará e não haverá mais páginas a ser vencidas.

                            Solidariedade e conforto.

A BASE

                            Um administrador público deve evidentemente se cerca daqueles em que confia. Agregar a isso o conhecimento e a lealdade. Sendo assim, resta natural que as opções sempre gravitem a partir de tais requisitos. A soma de todos levará à garantia de que ao menos as escolhas seguiram os requisitos basilares. O resultado, bom este somente será conhecido após tudo isso.

                            Não critiquem os jovens. Não subestimem os jovens. Eles têm tudo para fazer a diferença.

                            Trabalho e sucesso.

COLORADO

                            Escrevo antes do jogo com a Ponte Preta. Estamos sim muito preocupados. Naturalmente a razão é a deficiência e a falta de comando/futebol que a equipe apresenta. Teremos que lutar muito. Acho que sairemos dessa. Espero.

                            Vamos torcida!

FATOS

                            Estádio de futebol não é circo, apesar de sempre aparecerem os palhaços. Gosto deles!

NO FIM

                            É uma loucura!

                           

 

terça-feira, 8 de novembro de 2016

QUESTÃO DE PELE




 

                            A nostalgia me acomete e por ela permitam-me contar algo simples, contudo emblemático, que aconteceu comigo já há uns dois anos.

                            Estava jantando com amigos num pequeno e simpático restaurante familiar em Roma. A noite estava muito fria como o é naturalmente o inverno por lá, somado a uma fina e gelada chuva que fez da necessidade de abrigo entrar naquele lugar. Só havia uma mesa disponível, um pequeno mezanino, decorado com a sutileza italiana, a qual passa pela forma da disposição dos móveis à cortina feita pela avó de alguém.

                            Deixamos o guarda-chuva e fomos à mesa. Atendidos pela dona que ao saber que somos brasileiros imediatamente apontou para um quadro na parede: Rei de Roma! Olhei e nada mais era do que o Falcão, cabeludo, com a camisa da Roma. Claro, me senti definitivamente em casa.

                            Veio o cheff e consigo trouxe uma entrada maravilhosamente decorada, a qual nos levou a pedir um Cabernet com dois cortes que não lembro quais, mas lembro do espetáculo.

                            Diante de tudo aquilo e no aguardo de todos os pratos percebo que na mesa ao nosso lado acontece uma confraternização familiar. Provavelmente pai, mãe, irmã, filho e uma senhora, muito idosa, de impressionante elegância ao se portar, ao sentar, ao realizar todos seus cadenciosos gestos. Enfim estava ali mais do que alguém.

                            Cumprimentei-a com um simples gesto com a cabeça e ela, elegantemente como já disse, retornou igualmente com um simples movimento definidor.

                            Ao saírem, enquanto nós já com o cheff e os donos do restaurante sentados à nossa mesa, a senhora parou fez questão de estender sua mão para mim e disse: figlio godere la vita.

                            Sou um felizardo.

NO FIM

                            Aproveitem que ela não é longa.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

ASILO




 

                            Passeava em ritmo de férias pelas ruas de uma antiga praia de nosso litoral, analisando especialmente as consequências e os estragos de uma forte chuva que castigou toda a região, quando me deparo com uma casa que abrigava idosos.

                            Parei. Olhei com mais atenção, focando e focado para vencer a miopia e o que enxergo? Sob uma fina réstia de sol se aglomeravam senhores e senhoras; a maioria em cadeira de rodas ou embaixo de cobertas pesadas. Alguns de tocas. Alguns dormindo. Outros olhando para o nada.

                            Era um abrigo para idosos. Um asilo humilde. Talvez municipal; talvez mantido por alguma instituição. Não sei. Só vi que estavam ali muitos.

                            Pensei na possível história de cada um: abandono, pobreza, doença, descaso, solidão. Sei lá, tanta coisa me passou que fiquei com a imagem durante todo o dia, ali, presente e martelando.

                            Apesar de conhecer situações excepcionais que não deixam alternativas, acho que um local desses, sejam para abrigar pessoas humildes ou mesmo os que comportam mais luxo, é uma forma de descarte.

                            Repito. À exceção de situações particularmente excepcionais, não consigo aceitar a entrega de um avô, de uma avó, de um pai, de uma mãe ou qualquer outro sob a sua tutela para terceiros, considerando tal encaminhamento para um asilo, abrigo ou mesmo qualquer outro nome, mesmo pomposo.  

                            A opção é extrema. As consequências para todos, mesmo àqueles que neguem, será vitalícia.

                            A conta virá.

NO FIM

                            Para pensar.