Tudo estava lindo.
Poucas nuvens no céu e uma brisa agradável. Os pássaros cantavam e circulavam em
seu ritmo natural. Os comerciantes abriam seus estabelecimentos na expectativa
de um proveitoso dia. Os bares já acolhiam os circulantes para o desjejum. As
pessoas apressadas iam e vinham em todos os sentidos. Enfim, a vida seguia em
sua forma mais genuína naquela pequena cidade.
Porém, o que ninguém
esperava, aconteceu! Talvez dizer que “ninguém esperava” era mais uma vontade
sobre a realidade. Mas, o certo é que aconteceu.
Quando tudo veio à
tona o assunto se tornou obrigatório. Não se falava outra coisa. Até no sermão
da missa dominical o mesmo foi tratado; de forma constrangida, sim. Todavia,
todos também sabiam que não poderia ser diferente diante daquele assunto.
A gravidade se
potencializava com o passar dos dias, das tardes, das horas, até que chegou
inevitavelmente e finalmente em quem seria o maior interessado naquela celeuma
toda.
A sensação de uma
morte anunciada pairava por todos os cantos. Um certo momento até o tempo
parou. As folhas aparentavam não mais se mover, apesar daquela brisa. Os
pássaros faziam algum barulho, mas que nada tinham a ver com o que sempre
acontecia. As pessoas se moviam tensas, a partir da certeza de que tudo seria
possível então.
Havia, contudo, um
entre todos que se mantinha incólume, impassível e inalterado. Não tinha sido -
certamente o único, contaminado com toda a áurea que bailava sobre os demais. Estava
tranquilo e continuava sentado no mesmo banco de praça que sentava todos os
dias. Inclusive nos dias cinzentos.
Foi quando, o dono
do bar, angustiado e periclitante, em passos largos chegou até o mesmo banco e
sentando abruptamente perguntou: você não soube ainda? E o outro responde: eu
sempre soube de tudo.
A vida naquele lugar
nunca mais foi a mesma.
NO FIM
Mistérios.
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