Piero Calamandrei,
que juntamente com Giuseppe Chiovenda e Francesco Carnelutti formam os “três C”
do processo civil, em sua obra “Eles, Os Juízes, Vistos por Um Advogado”, diz
mais ou menos o seguinte: “ O advogado
está no último degrau junto com seu cliente; não importa a sua condição, mesmo
que a saúde não lhe seja generosa; a chamada para o julgamento o tornará um
leão e ele se transformará no intransigente defensor, sem barreiras para
garantir o respeito ao direito de seu assistido. Após, se assim o for,
retornará com suas dores e sua vida”.
Tal
passagem desta antiga obra voltou ao meu pensamento com o recente episódio que
envolveu o suicídio do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina.
O reitor preparou
seu ato: deixou uma carta e simbolicamente sua atitude acontece em lugar
público e improvável. O recado contra o desconforto, o desatino, o desespero,
em relação a sua prisão ficou tão evidente quanto ao resultado da ação extrema.
A prisão temporária
a qual o reitor foi submetido, conforme é dito, foi contaminada pelos
holofotes, pelas fotos e pela espetacularização, descontrolando fatos e
apresentando a vaidade humana sem qualquer limite. Um ato que deveria ser
discreto é tornado grandioso para a satisfação e delírio de alguns.
Quem sai vencedor
disso tudo? Ou somos todos derrotados?
A defesa, propagada
pelos grandes italianos e simbolizada também na obra citada, fica adstrita a
quê? Qual a saída? Permanecer no degrau inferior e tentar juntar as penas
propagadas por um ato desproporcional e até irregular pela forma? O que será
feito? Quais são os verdadeiros limites?
A humanidade está
definitivamente sem freios e a vida está cada vez mais chata.
NO FIM
E o pior é que tudo continuará
acontecendo e terá aplauso como alimento.
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