Aproveitando
a alta temperatura - especialmente noturna, nesta época do ano, por vezes fico
apreciando o vai e vem das pessoas em nossa principal avenida.
As ações
são tantas, passam do tradicional passeio de automóvel; do sentar em bancos das
nossas lindas praças, do velho e bom chimarrão; uma caminhada, uma corrida, uma
conversa a toa, uma troca de olhar, um abraço e até, como acontece na turma da
Thaís, um novo (nem tanto) tereré, cevando a antiga tradição dos índios
Guaranis.
Nesta
dinâmica, muitas situações se manifestam, pois, como indica o título, são
pessoas, são seres que fazer a vida acontecer e a roda girar e todos os
sentidos aflorarem, inclusive alguns primitivos.
Exatamente
nestes, visualizei na última segunda-feira à noite, provavelmente um pouco
depois das 21h, um grupo de meninos; não, talvez rapazes; não, talvez jovens;
não, provavelmente pessoas, somente, que retiram um dos bancos (lindos, aliás!)
da praça e começaram a transportá-lo aleatoriamente, pelo simples prazer de
fazer isso!
Olhei,
pensei, ajeitei os óculos para focar o evento e, tudo constatado e confirmado,
não titubeei: assoviei com toda a força possível que pude extrair dos pulmões,
lembrando os clássicos assovios da minha avó Normélia e do meu Pai, condição
que determinou a parada na operação “levar o banco da praça para algum lugar”.
Os
meninos, jovens ou pessoas, pararam. Olharam para todos os lados, numa clara certeza
de que alguém estava vendo e estava censurando tal ato, levou todos a um
sentimento de “estamos fazendo algo errado”. Tal break durou aproximadamente cinco segundos, quando
a operação retomou o seu curso.
Vi
aquilo e prontamente renovei a atitude. Mas, agora, com um assovio clássico,
daqueles que faz um estádio de futebol ficar na dúvida se foi mesmo o árbitro
que apitou ou a mensagem veio das arquibancadas, e todos pararam, porque
definitivamente algo estava acontecendo.
Todos se
olharam novamente e, frente a situação e o desconhecido que teimava em
enfrentá-los com os pulmões, acharam de bom alvitre deixar o banco no meio da
praça, quase invadindo a rua, e seguirem seus caminhos.
Tudo
isso são pessoas. Humanos, talvez essencialmente humanos.
NO FIM
O baile
não pode parar.
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