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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

PESSOAS




                            Aproveitando a alta temperatura - especialmente noturna, nesta época do ano, por vezes fico apreciando o vai e vem das pessoas em nossa principal avenida.
 
                            As ações são tantas, passam do tradicional passeio de automóvel; do sentar em bancos das nossas lindas praças, do velho e bom chimarrão; uma caminhada, uma corrida, uma conversa a toa, uma troca de olhar, um abraço e até, como acontece na turma da Thaís, um novo (nem tanto) tereré, cevando a antiga tradição dos índios Guaranis.
 
                            Nesta dinâmica, muitas situações se manifestam, pois, como indica o título, são pessoas, são seres que fazer a vida acontecer e a roda girar e todos os sentidos aflorarem, inclusive alguns primitivos.
 
                            Exatamente nestes, visualizei na última segunda-feira à noite, provavelmente um pouco depois das 21h, um grupo de meninos; não, talvez rapazes; não, talvez jovens; não, provavelmente pessoas, somente, que retiram um dos bancos (lindos, aliás!) da praça e começaram a transportá-lo aleatoriamente, pelo simples prazer de fazer isso!
 
                            Olhei, pensei, ajeitei os óculos para focar o evento e, tudo constatado e confirmado, não titubeei: assoviei com toda a força possível que pude extrair dos pulmões, lembrando os clássicos assovios da minha avó Normélia e do meu Pai, condição que determinou a parada na operação “levar o banco da praça para algum lugar”.
 
                            Os meninos, jovens ou pessoas, pararam. Olharam para todos os lados, numa clara certeza de que alguém estava vendo e estava censurando tal ato, levou todos a um sentimento de “estamos fazendo algo errado”. Tal break durou aproximadamente cinco segundos, quando a operação retomou o seu curso.
 
                            Vi aquilo e prontamente renovei a atitude. Mas, agora, com um assovio clássico, daqueles que faz um estádio de futebol ficar na dúvida se foi mesmo o árbitro que apitou ou a mensagem veio das arquibancadas, e todos pararam, porque definitivamente algo estava acontecendo.
 
                            Todos se olharam novamente e, frente a situação e o desconhecido que teimava em enfrentá-los com os pulmões, acharam de bom alvitre deixar o banco no meio da praça, quase invadindo a rua, e seguirem seus caminhos.
 
                            Tudo isso são pessoas. Humanos, talvez essencialmente humanos.
 
NO FIM
 
                            O baile não pode parar.

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