O que é
uma foto? É uma espécie de espelho de papel? É uma garantia de visualização da
eterna juventude? É uma forma de garantir a nostalgia? É lembrar, de quem vem e
de quem vai?
Uma
imagem fotográfica, especialmente de alguém, ao final traduz a presença da
ausência, a qual para alguns pode ser conhecida como saudade.
Caminhando
mais alguns passos, longos passos na tentativa do encontro, percebo que fotos
podem estimular o hormônio do prazer sem a atividade física, relativizando a
própria reação química respectiva.
Quantas
lembranças podem ser extraídas de uma foto? Daqueles que ainda circulam por aí;
daqueles que já não passam mais ao nosso lado; daqueles que circulam, mas
também não passam; e também daqueles que passam, mas não circulam.
Uma
foto, muito provavelmente, é uma forma de viagem sem sair do lugar. Em quantos
lugares é possível retornar, a partir de uma pequena e por vezes quase singela
fotografia?
Tem o
outro lado. O exemplo são as redes sociais, facebook, instagram, ou qualquer
similar, onde as fotografias são apresentadas, senão para as viagens, para que
outros circulem apaixonados, raivosos, invejosos, solidários, enfim, a foto
está como nunca deixou de estar, no comando do espetáculo.
Eu, com
licença a tal confissão, sempre achei que a maioria das fotos são muito
engraçadas. Todas, as minhas e a de todos. Porque ao final na esmagadora
maioria, a foto, considerando a pose apresentada, traduz algo que não é
naturalmente verdadeiro.
A foto
mais honesta é aquela sem pose, sem preparação, onde o que se apresenta é o
natural, para ver todas as características, desde a pele grudada no rosto, as
rugas, as expressões do tempo, o cabelo descabelado, a roupa nem tanto
socialmente aceitável, enfim o culto à liquidez sem espaço programado.
Isso não
desnatura, evidentemente, todas as preparações que antecedem uma foto para
posteridade. Até porque esta sim, com a mínima margem de erro, é a mais honesta
considerando os padrões deste sentimento no âmago social.
NO FIM
Vou
tirar uma foto. Da gaveta!
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