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quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

UMA FOTO




 

                            O que é uma foto? É uma espécie de espelho de papel? É uma garantia de visualização da eterna juventude? É uma forma de garantir a nostalgia? É lembrar, de quem vem e de quem vai?

 

                            Uma imagem fotográfica, especialmente de alguém, ao final traduz a presença da ausência, a qual para alguns pode ser conhecida como saudade.

 

                            Caminhando mais alguns passos, longos passos na tentativa do encontro, percebo que fotos podem estimular o hormônio do prazer sem a atividade física, relativizando a própria reação química respectiva.

 

                            Quantas lembranças podem ser extraídas de uma foto? Daqueles que ainda circulam por aí; daqueles que já não passam mais ao nosso lado; daqueles que circulam, mas também não passam; e também daqueles que passam, mas não circulam.

 

                            Uma foto, muito provavelmente, é uma forma de viagem sem sair do lugar. Em quantos lugares é possível retornar, a partir de uma pequena e por vezes quase singela fotografia?

 

                            Tem o outro lado. O exemplo são as redes sociais, facebook, instagram, ou qualquer similar, onde as fotografias são apresentadas, senão para as viagens, para que outros circulem apaixonados, raivosos, invejosos, solidários, enfim, a foto está como nunca deixou de estar, no comando do espetáculo.

 

                            Eu, com licença a tal confissão, sempre achei que a maioria das fotos são muito engraçadas. Todas, as minhas e a de todos. Porque ao final na esmagadora maioria, a foto, considerando a pose apresentada, traduz algo que não é naturalmente verdadeiro.

 

                            A foto mais honesta é aquela sem pose, sem preparação, onde o que se apresenta é o natural, para ver todas as características, desde a pele grudada no rosto, as rugas, as expressões do tempo, o cabelo descabelado, a roupa nem tanto socialmente aceitável, enfim o culto à liquidez sem espaço programado.

 

                            Isso não desnatura, evidentemente, todas as preparações que antecedem uma foto para posteridade. Até porque esta sim, com a mínima margem de erro, é a mais honesta considerando os padrões deste sentimento no âmago social.

 

NO FIM

 

                            Vou tirar uma foto. Da gaveta!

 

                           

 

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