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terça-feira, 7 de outubro de 2014

DIAGNÓSTICOS = LEITURA




 

                                      Desapaixonado é melhor. A análise é mais reta, mais perto da linha que persegue a honestidade com a prudência. Não há espaço para conversas despretensiosamente maliciosas. Há sim fatos, diagnósticos e coerência.

 

                                      Pois disso extraio alguns fatos curiosos, sem que tais estejam no patamar das surpresas, porém entre tais, um chamou a minha atenção de maneira particular, qual seja o candidato que fez declarações de cunho racista foi o mais votado para Câmara Federal.

 

                                     Que a democracia (ainda bem), diferente de “outros tempos”, garante (ou deve garantir) o respeito ao livre arbítrio do eleitor e, disso, o respeito ao direito de votar em quem bem entender, é o primeiro ponto e é reconhecido.

 

                                      Hoje as pessoas são livres, podendo votar em eleições diretas, inclusive para o maior mandatário que é o Presidente da República. Todavia, num passado não tão remoto, não era assim! As pessoas foram privadas do mais emblemático ato democrático aqui no Brasil por um período muito longo. E como medida disso, pedindo licença ao meu pai, pois quando votamos pela primeira vez para Presidente da República votamos juntos. Ou seja, no ainda, historicamente, recente ano de 1989, sendo que eu tinha à época 18 anos e ele 43 anos, exatamente a idade que tenho hoje e já votei SETE VEZES para Presidente. É fácil perceber a diferença!

 

                                      Assim, conceitos retrógrados, ultrapassados, ofensivos em sua essência me remetem àqueles tempos. Isso me preocupa. Isso me deixa apreensivo, porque vivi, mesmo que em idade tenra, todo o processo e todos os contornos daquela “época doente”, que demoraremos certamente muito tempo para sair, se é que sairemos algum dia.

 

                                     Se a Constituição Federal de 1988, que garante a liberdade, a igualmente e considera crime a discriminação, não é a ideal ou não o traduz, ao menos foi a possível dentro da transição que ainda grita sobre os porões de nossa recente tentativa de sermos livres e deve, sobretudo, ser respeitada.

 

                                      Tenho um sentimento muito claro e ao mesmo tempo preocupante com os conceitos simplistas que resumem todo um período o qual, tenho certeza, nenhum de nós espera que retorne.

 

NO FIM

 

                                     Seguimos em frente, porque logo ali há outra bandeira de chegada.

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