Desapaixonado
é melhor. A análise é mais reta, mais perto da linha que persegue a honestidade
com a prudência. Não há espaço para conversas despretensiosamente maliciosas.
Há sim fatos, diagnósticos e coerência.
Pois
disso extraio alguns fatos curiosos, sem que tais estejam no patamar das
surpresas, porém entre tais, um chamou a minha atenção de maneira particular,
qual seja o candidato que fez declarações de cunho racista foi o mais votado
para Câmara Federal.
Que a democracia (ainda bem), diferente
de “outros tempos”, garante (ou deve garantir) o respeito ao livre arbítrio do
eleitor e, disso, o respeito ao direito de votar em quem bem entender, é o
primeiro ponto e é reconhecido.
Hoje as pessoas são livres,
podendo votar em eleições diretas, inclusive para o maior mandatário que é o
Presidente da República. Todavia, num passado não tão remoto, não era assim! As
pessoas foram privadas do mais emblemático ato democrático aqui no Brasil por
um período muito longo. E como medida disso, pedindo licença ao meu pai, pois
quando votamos pela primeira vez para Presidente da República votamos juntos. Ou
seja, no ainda, historicamente, recente ano de 1989, sendo que eu tinha à época
18 anos e ele 43 anos, exatamente a idade que tenho hoje e já votei SETE VEZES
para Presidente. É fácil perceber a diferença!
Assim,
conceitos retrógrados, ultrapassados, ofensivos em sua essência me remetem
àqueles tempos. Isso me preocupa. Isso me deixa apreensivo, porque vivi, mesmo
que em idade tenra, todo o processo e todos os contornos daquela “época doente”,
que demoraremos certamente muito tempo para sair, se é que sairemos algum dia.
Se a Constituição Federal de 1988, que
garante a liberdade, a igualmente e considera crime a discriminação, não é a
ideal ou não o traduz, ao menos foi a possível dentro da transição que ainda
grita sobre os porões de nossa recente tentativa de sermos livres e deve,
sobretudo, ser respeitada.
Tenho
um sentimento muito claro e ao mesmo tempo preocupante com os conceitos
simplistas que resumem todo um período o qual, tenho certeza, nenhum de nós
espera que retorne.
NO FIM
Seguimos em frente, porque logo ali há
outra bandeira de chegada.
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