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terça-feira, 18 de novembro de 2014

PARA OS “BONS”




 

                            Para começar, parafraseando de forma oblíqua Raul Seixas em “Tu ÉS o MDC da Minha Vida”, dedico este texto a todos que dizem, sustentam, alimentam e sugerem a volta da ditadura militar. Obrigado!

 

                            Não quero ingressar no âmago ou na verdadeira essência dos horrores, dos crimes institucionalizados e das consequências políticas, sociais e humanas da época. Quero concentrar as pequenas palavras sobre mais um efeito colateral da “solução final” implantada pela ditadura militar, qual seja, as crianças.

 

                            No livro Infância Roubada – Crianças Atingidas pela Ditadura Militar no Brasil há depoimentos de filhos de presos políticos e das mães destas crianças, tudo objetivando exclusivamente dar a verdadeira contextualização dos fatos e dos crimes cometidos pelo estado.

 

                            Os pequenos, meninos e meninas, à época, para quem ainda não sabe, eram igualmente “fichados”, “tocavam piano” e tinham suas fotos lançadas nos registros dos órgãos de repressão. Todos eram tratados da mesma forma, não havendo espaço para a exceção, porque, na visão dos articuladores do sistema, as crianças, na condição de filhos de acusados e taxados de subversivos, eram igualmente criminosos.

 

                            Vejam o espetáculo. Os crimes, choques, sessões intermináveis de tortura, falta de comida e especialmente de água nas prisões, efeitos devastadores no aspecto físico e psicológico aos adultos não era suficiente. Os requintes - e a final crueldade, inominável, alcançava as crianças, pelo simples fato de serem filhos de alguém que não “tinha a simpatia” do estado repressor.

 

                            As crianças vítimas destes verdadeiros crimes contra a humanidade, e por isso imprescritíveis, desapareceram, foram adotadas, banidas, cometeram suicídio, mas, o que isso importa se devemos lutar para que tudo retorne, até o momento em que um de nós, um de nossa família, seja covardemente atingido pela máquina estatal que legaliza o meio, a forma, o procedimento e o fim do crime, que é, portanto, legal!

 

                            Viva àqueles que querem tudo isso de volta!

 

NO FIM

 

                            Não podemos desistir.

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