Para
começar, parafraseando de forma oblíqua Raul Seixas em “Tu ÉS o MDC da Minha
Vida”, dedico este texto a todos que dizem, sustentam, alimentam e sugerem a
volta da ditadura militar. Obrigado!
Não
quero ingressar no âmago ou na verdadeira essência dos horrores, dos crimes
institucionalizados e das consequências políticas, sociais e humanas da época.
Quero concentrar as pequenas palavras sobre mais um efeito colateral da
“solução final” implantada pela ditadura militar, qual seja, as crianças.
No livro
Infância Roubada – Crianças Atingidas pela Ditadura Militar no Brasil há depoimentos de filhos de presos políticos
e das mães destas crianças, tudo objetivando exclusivamente dar a verdadeira
contextualização dos fatos e dos crimes cometidos pelo estado.
Os
pequenos, meninos e meninas, à época, para quem ainda não sabe, eram igualmente
“fichados”, “tocavam piano” e tinham suas fotos lançadas nos registros dos
órgãos de repressão. Todos eram tratados da mesma forma, não havendo espaço
para a exceção, porque, na visão dos articuladores do sistema, as crianças, na condição
de filhos de acusados e taxados de subversivos, eram igualmente criminosos.
Vejam o
espetáculo. Os crimes, choques, sessões intermináveis de tortura, falta de
comida e especialmente de água nas prisões, efeitos devastadores no aspecto
físico e psicológico aos adultos não era suficiente. Os requintes - e a final
crueldade, inominável, alcançava as crianças, pelo simples fato de serem filhos
de alguém que não “tinha a simpatia” do estado repressor.
As
crianças vítimas destes verdadeiros crimes contra a humanidade, e por isso
imprescritíveis, desapareceram, foram adotadas, banidas, cometeram suicídio,
mas, o que isso importa se devemos lutar para que tudo retorne, até o momento
em que um de nós, um de nossa família, seja covardemente atingido pela máquina
estatal que legaliza o meio, a forma, o procedimento e o fim do crime, que é,
portanto, legal!
Viva àqueles que querem tudo isso de volta!
NO FIM
Não
podemos desistir.
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