Olhando para
alguns lados sob o pálio de um dia que ainda não nascera, ou de um dia que era
simplesmente noite, de uma noite que nada mais foi do que um dia.
Para um
lado, analisava eu silenciosamente a angustia de quem chorava sem lacrimejar.
Via dizer que não poderia deixar gravado em seu epitáfio, que a causa de sua
morte seria a burocracia. Morreu? Qual a causa? Burocracia!
Pensei
muito nisso enquanto os raios solares teimavam em chegar. Lembrei-me das
resistências sobre células-tronco, do abordo de anencéfalos, das primeiras
pesquisas sobre o isolamento do vírus da AIDS, sobre a liberação ou a
libertação que depende de um ato, sobre seres humanos que não passam de números
em um arquivo.
Também
pensei, igualmente muito, em situações de importância secundária, ou de
importância direcionada para uma casta, um público muito particular, onde a
burocracia incrivelmente nunca se manifesta.
Pensei
nos asilos, nas casas de abrigo, enfim em todos aqueles lugares onde tudo é
difícil, tudo é complicado, até para o recebimento de doações, para construção
de um banheiro, em detrimento da liberação de valores para um pequeno grupo onde
as discussões se resumem e se resolvem em poucas horas.
O caos
já está estabelecido há muito tempo. Não percebo sinais de mudança. Vejo
claramente que até a maldita burocracia perde espaço quando tratada “com
carinho” pelos poderosos. Sim, o autobenefício é minha praia.
Sou ingênuo.
Sou mais um na multidão.
Por tudo
isso, todas as vezes que alguém fala no céu ou na terra, de que a partir desses
dois pontos tudo é encaminhado, não resta alternativa senão silenciar. Rir,
talvez. Mas isso é outra coisa, pois o dia, sim o dia, já nasceu.
NO FIM
Nada vai
mudar; sem ilusões, por favor!
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