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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

EPITÁFIO



 
                            Olhando para alguns lados sob o pálio de um dia que ainda não nascera, ou de um dia que era simplesmente noite, de uma noite que nada mais foi do que um dia.
 
                            Para um lado, analisava eu silenciosamente a angustia de quem chorava sem lacrimejar. Via dizer que não poderia deixar gravado em seu epitáfio, que a causa de sua morte seria a burocracia. Morreu? Qual a causa? Burocracia!
 
                            Pensei muito nisso enquanto os raios solares teimavam em chegar. Lembrei-me das resistências sobre células-tronco, do abordo de anencéfalos, das primeiras pesquisas sobre o isolamento do vírus da AIDS, sobre a liberação ou a libertação que depende de um ato, sobre seres humanos que não passam de números em um arquivo.
 
                            Também pensei, igualmente muito, em situações de importância secundária, ou de importância direcionada para uma casta, um público muito particular, onde a burocracia incrivelmente nunca se manifesta.
 
                            Pensei nos asilos, nas casas de abrigo, enfim em todos aqueles lugares onde tudo é difícil, tudo é complicado, até para o recebimento de doações, para construção de um banheiro, em detrimento da liberação de valores para um pequeno grupo onde as discussões se resumem e se resolvem em poucas horas.
 
                            O caos já está estabelecido há muito tempo. Não percebo sinais de mudança. Vejo claramente que até a maldita burocracia perde espaço quando tratada “com carinho” pelos poderosos. Sim, o autobenefício é minha praia.
 
                            Sou ingênuo. Sou mais um na multidão.
 
                            Por tudo isso, todas as vezes que alguém fala no céu ou na terra, de que a partir desses dois pontos tudo é encaminhado, não resta alternativa senão silenciar. Rir, talvez. Mas isso é outra coisa, pois o dia, sim o dia, já nasceu.
 
NO FIM
 
                            Nada vai mudar; sem ilusões, por favor!                     
 
                           
 

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