Estavam em duas. Uma
em sua cadeira de balanço; outra em sua cadeira. Ambas conversavam pelo tempo e
para o tempo. Trocavam curtas palavras. Não se alteravam em qualquer momento,
com exceção daquele assunto ainda pendente após mais de 40 anos. Estavam bem e
isso se sobressaia.
Nenhuma tinha
aprendido às artes manuais, como o tricô ou o crochê. Passaram a vida admirando;
contando sobre quem difundia tal conhecimento; adquirindo peças incríveis.
Porém, nenhuma tinha qualquer material desta linha feito por si. De certa
forma, sem dizerem, havia uma pequena frustração.
A tarde avançada no
ritmo de sempre. A preocupação era quando ou se algum dos netos passaria, mesmo
correndo, hoje, pela casa. E se viessem? O que teria para comer? Um bolo,
talvez! Não. Não daria tempo.
Àquela, sentada na
cadeira, se mostrava mais triste. Não havia motivo aparente. Estava até razoavelmente
bem de saúde. Mas algo lhe angustiava. Não queria falar. Sempre foi discreta.
Até mesmo porque nem sabia o que estava sentindo.
A outra, da cadeira
de balanço, aparentava, como sempre, mais alegria. Claro, uma alegria interna,
representada por pequenos espasmos nos lábios. Queria viver. Precisava
continuar sua caminhada. Estava viva, e muito viva. Não poderia esta tarde ser
somente mais uma.
A tarde passou e
nada aconteceu contrariamente ao que sempre tinha acontecido. Cada uma foi para
sua casa esperando ao novo e ordinário encontro no dia seguinte.
No outro dia, no
mesmo local, horário, cadeiras, estava ao assento somente aquela que nunca
gostou do balanço. A outra, sua irmã, soube-se depois, não tinha vindo. Nunca
mais veio.
Passados dias,
sentada na de balanço, com um aperto da saudade machucando muito, pensou
naquele assunto e, sem esboçar qualquer reação, apertou às mãos e teve a
certeza que tudo era muito pequeno.
NO FIM
Não deixe ficar
tarde.
Nenhum comentário:
Postar um comentário