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quarta-feira, 6 de setembro de 2017

NOITE E A CIDADE


                            A calada da noite traz dos bueiros quem ao sol não possui espaço para agir. Na calada da noite também os roedores e os que não têm sangue se apresentam para ação. A calada da noite é recorrentemente surpreendente. E perigosa!

                            Sabe-se que, ao menos empiricamente, que à noite todos os gatos são pardos, que a gripe se potencializará e que a febre será mais resistente.

                            Também é inegável que a ausência da luz fomentará os sentidos, especialmente alguns primitivos. A história registra que quase tudo é definido neste período. O nó da gravata deve ter mais cuidado e a mulher olhará no espelho mais vezes. A natureza teima em deixar suas formas.

                            Neste mesmo tempo, e período, busco analisar todos os contornos. Olho o movimento, pessoas, veículos, bancos de praça, ação do vento sob árvores, discussões, abraços, chegadas e partidas. Tudo isso sob uma avenida. Aliás, que fora antes tempo comparada com ruas em Paris. Talvez poucos saibam. Pode também não ser isso interessante.

                            Fixo nas pessoas. O vai em vem é sistemático e muitas vezes cronológico. Gerações passam por isso. Gerações circulam de maneira retangular há décadas. A forma é a mesma, com exceção dos veículos, marcas, sapatos e a cor do cabelo. Tudo é uma repetição.

                            O segredo pode estar nas paradas. Nos pequenos lapsos onde o raciocínio vence a rotina. Olhando assim, pode ser que a regra da noite não tenha tanta importância.

                            Não é quem somente bebe água que tem segredos a esconder.


NO FIM

                            Abraço.




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