A calada da noite
traz dos bueiros quem ao sol não possui espaço para agir. Na calada da noite
também os roedores e os que não têm sangue se apresentam para ação. A calada da
noite é recorrentemente surpreendente. E perigosa!
Sabe-se que, ao
menos empiricamente, que à noite todos os gatos são pardos, que a gripe se
potencializará e que a febre será mais resistente.
Também é inegável que a ausência da luz fomentará os
sentidos, especialmente alguns primitivos. A história registra que quase tudo é
definido neste período. O nó da gravata deve ter mais cuidado e a mulher olhará
no espelho mais vezes. A natureza teima em deixar suas formas.
Neste mesmo tempo, e
período, busco analisar todos os contornos. Olho o movimento, pessoas,
veículos, bancos de praça, ação do vento sob árvores, discussões, abraços,
chegadas e partidas. Tudo isso sob uma avenida. Aliás, que fora antes tempo
comparada com ruas em Paris. Talvez poucos saibam. Pode também não ser isso
interessante.
Fixo nas pessoas. O
vai em vem é sistemático e muitas vezes cronológico. Gerações passam por isso.
Gerações circulam de maneira retangular há décadas. A forma é a mesma, com
exceção dos veículos, marcas, sapatos e a cor do cabelo. Tudo é uma repetição.
O segredo pode estar
nas paradas. Nos pequenos lapsos onde o raciocínio vence a rotina. Olhando
assim, pode ser que a regra da noite não tenha tanta importância.
Não é quem somente
bebe água que tem segredos a esconder.
NO FIM
Abraço.
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