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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

UMA HORA DESSAS


                            Estava ele sentado em sua cadeira de balanço com um livro nas mãos, cuja leitura teimava em finalizar. Nada excepcional. À exceção remontava em seu conflito com o tempo. Em outras épocas tudo era cadenciado dentro do dinamismo. Hoje, pensava ele, tudo é muito dinâmico, porém nada mais é cadenciado.
                            Continuava sua leitura, sem esquecer que o livro também fora escolhido pelo “tamanho das letras”, porque isso o relacionava de toda sorte com o tempo. Pensou em pular algumas páginas, na clara imaginação de que sua ambição estava finalmente vencendo o seu talento. Recuou. Acho melhor seguir em frente.
                            Virava a cadeira conforme o sol lhe afetava. Pensou no protetor solar, já que sua pele hoje necessitava de tais bloqueadores como seus dentes do creme dental. Não lembrou se havia passado. Cheirou sua pele e não ficou satisfeito. Dispersou a leitura por um instante com o pensamento de que deveria buscar seu protetor. Olhou para frente, um pouco longe, e pensou nos dez lances de escada que teria que vencer para chegar ao banheiro. E lá, neste momento, teria que procurar o produto. Hesitou. Achou melhor ficar e tentar afastar a cadeira um pouco, para que ao menos sua face ficasse protegida.
                            Os remédios! Lembrou. Estava esquecido se os tinha tomado. Os matutinos. Não sei. E agora? Se os tomasse novamente algum efeito “muito nocivo” haveria?
                            Ao mesmo tempo, em que surgiam recorrentes conflitos naturais para quem já tinha gravitado em muitas águas, viu um pássaro pousar à sua frente. Despretensioso e corajoso. Permaneceu inerte; olhando fixamente para o movimento da cadeira sem fazer a mínima menção de que dali sairia. O homem, que apesar do tempo solar e quente, calçava meias e um calçado revestido de lã, fazendo contraponto a uma das suas companhias de sempre, os pés frios, fez um pequeno gesto, talvez para provocar ou simplesmente esperar a reação daquela visita. O pássaro olhou mais uma vez, como o fazem rapidamente, dando-lhe a impressão de um pequeno cumprimento e voou, para o infinito, como, aliás, todos seguirão.
NO FIM
                            Aos amigos.
                           

         

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