Estava ele sentado
em sua cadeira de balanço com um livro nas mãos, cuja leitura teimava em
finalizar. Nada excepcional. À exceção remontava em seu conflito com o tempo.
Em outras épocas tudo era cadenciado dentro do dinamismo. Hoje, pensava ele,
tudo é muito dinâmico, porém nada mais é cadenciado.
Continuava sua
leitura, sem esquecer que o livro também fora escolhido pelo “tamanho das
letras”, porque isso o relacionava de toda sorte com o tempo. Pensou em pular
algumas páginas, na clara imaginação de que sua ambição estava finalmente vencendo
o seu talento. Recuou. Acho melhor seguir em frente.
Virava a cadeira
conforme o sol lhe afetava. Pensou no protetor solar, já que sua pele hoje
necessitava de tais bloqueadores como seus dentes do creme dental. Não lembrou
se havia passado. Cheirou sua pele e não ficou satisfeito. Dispersou a leitura
por um instante com o pensamento de que deveria buscar seu protetor. Olhou para
frente, um pouco longe, e pensou nos dez lances de escada que teria que vencer
para chegar ao banheiro. E lá, neste momento, teria que procurar o produto. Hesitou.
Achou melhor ficar e tentar afastar a cadeira um pouco, para que ao menos sua
face ficasse protegida.
Os remédios!
Lembrou. Estava esquecido se os tinha tomado. Os matutinos. Não sei. E agora?
Se os tomasse novamente algum efeito “muito nocivo” haveria?
Ao mesmo tempo, em
que surgiam recorrentes conflitos naturais para quem já tinha gravitado em
muitas águas, viu um pássaro pousar à sua frente. Despretensioso e corajoso. Permaneceu
inerte; olhando fixamente para o movimento da cadeira sem fazer a mínima menção
de que dali sairia. O homem, que apesar do tempo solar e quente, calçava meias
e um calçado revestido de lã, fazendo contraponto a uma das suas companhias de
sempre, os pés frios, fez um pequeno gesto, talvez para provocar ou
simplesmente esperar a reação daquela visita. O pássaro olhou mais uma vez,
como o fazem rapidamente, dando-lhe a impressão de um pequeno cumprimento e
voou, para o infinito, como, aliás, todos seguirão.
NO FIM
Aos amigos.
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