Para quem, como eu,
sofre imensamente com o frio vai entender. E não falo só em acordar cedo;
passar o dia encarangado; ter um choque térmico a cada deslocamento dentro de
casa; não conseguir que o cérebro funcione; usar camisa, blusa, casaco, manta,
luva e fazer todas as promessas para que as mãos e os pés descongelem antes do
meio-dia, sabem definitivamente o que estou dizendo.
Quando entramos em
julho com aquele calorzinho; camisa de manga curta; praticando atividades sem
sofrer e ao ar livre, pensei, com a cabeça de quem já experimentou experiências
similares, que algo forte estava para vir. Vem a notícia da nevasca histórica
no Chile. As imagens indicam que nada seria fácil nas horas seguintes. E não
foi.
Para todos aqueles
que de alguma forma conseguem dignamente enfrentar estas temperaturas extremas,
ficam conversas de bar. Entretanto, para os outros, aqueles que a casa não
possui aquecimento de qualquer maneira; que o companheiro seja provavelmente um
pequeno fogão à lenha, o qual teimará, muitas vezes sem sucesso, em fazer
frente às correntes que ultrapassam paredes mal acabadas. Ou, ainda, para
aqueles que nem mesmo isso tem, permanecendo ao relento de viadutos,
rodoviárias, becos, ruelas, etc., a abordagem mundana será diferente.
Nunca acreditei no
ditado de que “o frio é dado conforme o cobertor”. Não é verdade. Às pessoas
suportam e de alguma maneira conseguem vencer pelo compartilhamento da dor
experimentada e que recorrentemente corta a pele. Não é verdade que aos pés
descalços, com um agasalho maltrapilho e presenteado por alguém que o descartou,
remonte uma dignidade ou que tudo isso suporte esta dor. O frio não é diferente
para ninguém. O sentimento sim.
A reflexão é
necessária. A ação, sem holofotes ou página na mídia, é uma riqueza maior. Mas,
está valendo o altruísmo de qualquer forma. Ajudem, sempre que possível.
NO FIM
Aqueçam seus corações.
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