Com o pedido de licença
ao Sebastião Maia, resta apenas um contato, com o mundo racional. E isso que não
chego nem perto do universo racional em desencanto, mas bem pertinho.
Saboreando um bolo
de bergamota (não o original da Laura Helena, do qual ainda aguardo o segundo
tempo), com generosos goles de um chá preto com grife (explico: a grife é por
ser um carinhoso presente), com não tão incisivos mergulhos em leituras
esparsas, mais uma vez, ou possivelmente agora a vez, parei para olhar ao
redor, nas cercanias. Não tive a preocupação de traçar um horizonte que
fizessem os muros definir a capacidade da retina. Mas, preferi janelas, aquelas
mesmas janelas ao vento.
Assim, olhei, olhei,
tornei a olhar e não consegui enxergar. O mundo, e aqui especificamente as
pessoas, estão assustadoramente aceleradas, o que não é nenhuma novidade. Tudo
é muito rápido. Tudo deve ser realizado como se alguém tivesse em algum lugar,
numa guarita em cima de nós, cronometrando a saída e a chegada, como se tudo se
resumisse numa competição.
Isso fez com que eu,
também mais uma vez, entendesse o que Bauman disse sobre a liquidez em envolve
as relações, do tempo líquido, onde nada é para durar muito tempo mesmo.
Por outro lado,
recebo a informação lendo um periódico que o ser humano que durará mais de 120
anos já nasceu. Outra: que o Brasil levará aproximadamente 180 anos para
alcançar a excelência cultural dos países considerados desenvolvidos.
Durar 120 anos para
quê mesmo? Haverá dignidade, amor e respeito? Não, senhores e senhoras, o que
acontecerá é a ilusão de que teremos proporcionalmente a qualidade de vida
necessária para que o nosso “motor” continue batendo mais 40 ou 50 anos após a
data hoje considerada média. Como espero estar enganado.
Sob o prisma de que
deveremos esperar quase dois séculos para sermos referência cultural, aqui
traduzindo diversos outros aspectos, talvez não seja qualquer surpresa, porque
mesmo na liquidez, na pressa, na cronometragem, não passamos mesmo de um dente
na engrenagem deste mundo, também chamado de racional.
NO
FIM
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